A CPI da Petrobrás foi uma farsa e agora precisa virar caso de polícia

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E aí está: enquanto os governistas faziam toda uma encenação para atacar Aécio Neves por nada (na questão do aeroporto de Cláudio), foram pegos com a boca na botija fraudando a CPI da Petrobrás. A coisa é realmente grave, como podemos ver na matéria Gravações comprovam: CPI da Petrobrás foi uma grande farsa, tema da revista Veja que chegou às bancas neste fim de semana:

Era tudo farsa. Mas começou parecendo que, dessa vez, seria mesmo para valer. Em março deste ano, os parlamentares tiveram um surto de grandeza institucional. Acostumados a uma posição de subserviência em relação ao Palácio do Planalto, eles aprovaram convites e convocações para que dez ministros prestassem esclarecimentos sobre programas oficiais e denúncias de irregularidades. Além disso, começaram a colher as assinaturas necessárias para a instalação de uma CPI destinada a investigar os contratos da Petrobras. Ventos tardios, mas benfazejos, finalmente sopravam na Praça dos Três Poderes, com deputados e senadores dispostos a exercer uma de suas prerrogativas mais nobres: fiscalizar o governo. O ponto alto dessa agenda renovadora era a promessa de escrutinar contratos firmados pela Petrobras, que desempenha o papel de carro-chefe dos investimentos públicos no país. Na pauta, estavam a suspeita de pagamento de propina a servidores da empresa e o prejuízo bilionário decorrente da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, operação que jogou a presidente Dilma Rousseff numa crise política sem precedentes em seu mandato. O embate estava desenhado. O Legislativo, quem diria, esquadrinharia o Executivo. Pena que tudo não passou de encenação.

VEJA teve acesso a um vídeo que revela a extensão da fraude. O que se vê e ouve na gravação é uma conjuração do tipo que, nunca se sabe, pode ter existido em outros momentos de nossa castigada história republicana. Mas é a primeira vez que uma delas vem a público com tudo o que representa de desprezo pela opinião pública, menosprezo dos representantes do povo no Parlamento e frontal atentado à verdade. Com vinte minutos de duração, o vídeo mostra uma reunião entre o chefe do escritório da Petrobras em Brasília, José Eduardo Sobral Barrocas, o advogado da empresa Bruno Ferreira e um terceiro personagem ainda desconhecido.

A decupagem do vídeo mostra que, espantosamente, o encontro foi registrado por alguém que participava da reunião ou estava na sala enquanto ela ocorria. VEJA descobriu que a gravação foi feita com uma caneta dotada de uma microcâmera. A existência da reunião e seus participantes foram confirmados pelos repórteres da revista por outros meios — mas a intenção da pessoa que fez a gravação e a razão pela qual tornou público seu conteúdo permanecem um mistério. Quem assiste ao vídeo do começo ao fim — ele acaba abruptamente, como se a bateria do aparelho tivesse se esgotado — percebe claramente o que está sendo tramado naquela sala. E o que está sendo tramado é, simplesmente, uma fraude caracterizada pela ousadia de obter dos parlamentares da CPI da Petrobras as perguntas que eles fariam aos investigados e, de posse delas, treiná-los para responder a elas. Barrocas revela no vídeo que até um “gabarito” foi distribuído para impedir que houvesse contradições nos depoimentos. Um escárnio. Um teatro.

E agora, como ficamos? O que será feito em termos de esfregar a nossa indignação contra essa fraude grotesca nas fuças do PT? Será que eles conseguirão se safar dessa contando com a falta de denunciação assertiva do nosso lado?

O fato é que a situação agora não se resolve mais com CPI, mas com investigação policial e escracho público. Mais uma vez o PT é caso de polícia:

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10 COMMENTS

  1. Uma coisa que eu não entendi: quem filmou a cena? Considerando que aí só teria gente envolvida no esquema, por quê algum deles iria querer filmar essa conversa?

  2. Eu penso que uma CPI não é um tribunal de justiça, marcado pela imparcialidade, e sim um palco político composto por partidos, por é apenas m problema moral para os parlamentares que se deixaram dessa forma, mas não vejo um prolema de polícia aí.

    • Vocês petralhas são muito doentes. Criam explicação para TUDO e porquê? Dá para explicar? Gostam de dormir à noite matando os outros de fome por um ideal político de merda? E depois sobem nos tamancos para falar de aeroporto idiota? PQP! Um bilhão aqui.. Um milhão ali… Nada demais, é só um problema moral. VTNC!

  3. Não vejo necessidade de insistir no que já escrevi no post sobre o Aécio. Me envergonha o que esses moleques estão fazendo com a Petrobras, mas isso só comprova o efeito deletério do Estado controlar a economia.

    Desde sua criação o Estado teve presença forte na Petrobras. Mesmo no governo militar, o que, para mim, é uma evidência do caráter esquerdista daquele governo. Mas a situação que estamos vivendo difere de tudo pelo qual passamos antes exceto, talvez, no governo João Goulart, e se aproxima mais da situação descrita por Hayek num dos prefácios a “O Caminho da Servidão”, em que o autor afirma que a análise de Tocqueville sobre o socialismo “não considerou por quanto tempo tal governo [socialista] permaneceria nas mãos de déspotas benevolentes, quando seria tão mais fácil para qualquer grupo de rufiões conservar-se indefinidamente no poder, desprezando todo o decoro tradicional da vida política”. No Brasil, esse “grupo de rufiões” já está no poder!

  4. Escracho público é a arma de meros leitores como nós.

    Escrachem, publiquem em vossos feicebucks, contem para quem conhecem, comentem com o taxista, falem a respeito, não leiam aqui apenas e se silenciem.

  5. Se os governistas acertaram previamente o que seria perguntado e respondido, é óbvio que se tratou de uma farsa ou fraude porque aí se frustrou o caráter investigativo da CPI, a busca pela verdade dos fatos.

    Só um idiota ou alguém movido por evidente má-fé não vê ou reconhece isto.

    • Aprecio sua observação cartesiana: mas parece que o caráter investigativo da CPI não foi frustrado, porque no palco político da CPI havia parlamentares da oposição que fizeram seu trabalho investigativo tranquilamente sem qualquer embargo da Presidência da comissão (se houvesse uma obstrução desse tipo é que haveria um problema mais sério). Não se pode supor que os parlamentares governistas vão trabalhar da mesma forma que os da oposição numa CPI. Não estou de má-fe nem sou idiota, defendo esse site e muitos outros, de linha conservadora, mas não vou atrás da turba só porque alguém apontou o dedo pra um problema. Abraço.

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