Discurso dos governistas é a prova mais cabal de que o Decreto 8243 é um embuste totalitário

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Conforme mencionei no post de ontem, a votação do Congresso a respeito de um projeto que sustaria o decreto bolivariano de Dilma corria o risco de não ocorrer hoje. Não deu outra! Mais uma vez, os governistas ganharam tempo.

A vantagem é que em suas armações, eles forneceram declarações comprovando o quão totalitário é este decreto. Hora de avaliarmos as declarações petistas (e de seus adeptos da extrema-esquerda) na defesa do decreto 8243, a partir de notícias da própria Câmara dos Deputados:

Comecemos:

O secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, afirmou há pouco, em audiência pública da Comissão de Legislação Participativa (CLP) da Câmara dos Deputados, que a discussão no Congresso sobre o decreto presidencial (8.243/14) que criou a Política Nacional de Participação Social (PNPS) é importante para frisar a disposição do governo ao diálogo.

Prestem muita atenção neste trecho acima, onde é dito que o objetivo de Gilberto Carvalho é “frisar a disposição do governo ao diálogo”. Anotado nos autos! Sigamos:

Carvalho disse que causou surpresa no governo a reação que o decreto provocou na Câmara e no Senado, onde vários parlamentares alegam que os conselhos populares, regulamentados pelo texto, se sobrepõem ao trabalho do Congresso, a quem cabe constitucionalmente fiscalizar e controlar as políticas públicas. “Nós considerávamos o decreto uma iniciativa tímida de arrumar a casa”, ressaltou.

O secretário destacou que, durante a Era Vargas, foi criado o primeiro conselho de saúde no País, e desde então surgiram 35 conselhos dos mais diferentes setores, que focam no direito das mulheres e dos negros, em educação e outros temas. Carvalho disse que esses conselhos populares são um importante canal de comunicação do governo com a sociedade e lembrou que todos foram aprovados pelo Congresso, para rebater as críticas de que o decreto invade as competências do Legislativo.

Aqui Carvalho deliberadamente omite uma informação importante, ao tentar confundir seus interlocutores fingindo que “a criação de um conselho” é o mesmo que “permissão total para que o Executivo crie e determine conselhos na hora em que quiser”. Portanto, a aprovação para a criação de um conselho específico não serve para validar um decreto dando o direito do governo criar sovietes à vontade. Essa fraude deliberada de Carvalho é sinal de que ele não está muito interessado em “diálogo”, mas em iludir a audiência para se fingir de “representante do povo” para obter poder ditatorial para seu partido.

Ele afirmou também que o decreto foi editado porque o governo viu a necessidade de dar uma resposta à juventude que saiu às ruas nas manifestações de junho do ano passado, e que foi feito de uma forma transparente. Segundo Carvalho, houve reuniões nacionais, foram ouvidos os secretários estaduais da área social e houve uma consulta pública que ficou disponível na internet por três meses.

Qual foi a manifestação pedindo criação de sovietes? Simplesmente nenhuma. A não ser dos Black Blocs, é claro. Que, alias, estão bastante alinhados com Carvalho. Esse tipo de discurso é um exemplo claro de um protótipo de tiranete querendo usar momentos de caos para inserir propostas de tomada de poder. Para quem tiver qualquer dúvida do padrão, só ler o texto sobre a sociedade civil denorex.

Carvalho fala de reuniões nacionais. Onde? Com quem? Quem organizou as reuniões? Ele diz que foram ouvidos “os secretários estaduais da área social”. Quais secretários? De que áreas? Ele afirma ter havido consulta pública disponível por três meses na web. Cadê a consulta? Quem organizou? Quais foram os critérios? Onde isso pode ser consultado? Ou se não pode ser consultado, por que tudo desapareceu mesmo após “três meses de consulta”?

Quem não percebe a empulhação no discurso de Carvalho cai na situação onde temos de duas uma: ou é um desonesto consciente, ou um ignorante além de qualquer esperança de recuperação.

Mais:

Gilberto Carvalho não quis responder críticas feitas anteriormente como as do líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE), que acusou o decreto de ser “autoritário e bolivariano” por entender que esse tipo de medida aproxima o governo brasileiro de modelos como os da Venezuela e da Bolívia.

Lembrem que eu falei para anotarem nos autos a declaração de Carvalho sobre ele “querer diálogo”? Só que basta surgirem críticas (válidas) à implementação dos sovietes que ele se recusa a responder. Essa é a noção bolivariana de diálogo.

Para Carvalho, derrubar esse decreto representa um risco de o Congresso ir contra os anseios da sociedade.

Epa, epa…

Estava demorando para ele surgir com o truque da sociedade civil denorex. Este é o nível de “diálogo” que essas figuras empreendem. O decreto é só isso e nada mais:

  1. Juntar grupos aparelhados pelo partidão (todos doidos para mamar nas tetas do estado)
  2. Chamar esses grupos de “a sociedade”
  3. E em seguida blindar o governo e suas propostas dizendo que elas são aprovadas “pela sociedade”

Essa é a essência de qualquer totalitarismo bolivariano.

É obvio que a maioria da população está preocupada em trabalhar. Mas aquele bando de tarados pelo dinheiro estatal (dispostos a apoiar qualquer barbárie dos tiranos que os alimentem), viciados em discursos de ódio, configuram os tais “conselhos”, exatamente para que os governistas digam: “é a sociedade falando, meu filho”. É um cinismo descarado!

O truque prossegue com os amiguinhos dele:

O deputado Fernando Ferro (PT-PE), que está presidindo a mesa da audiência da CLP, lamentou a ausência dos críticos do decreto para enriquecer o debate. A reunião conta com a participação de representantes de entidades da sociedade civil, mas não estão presentes deputados da oposição.

Que sociedade civil estava na audiência? Qual “representante de entidade da sociedade civil” mencionado me representava ali? Quem são esses caras que devem ” discutir com deputados da oposição”? Quer dizer, eles já estão jogando o jogo na maior caradura e ninguém fala nada?

A dinâmica já é evidente demais: os grupos aparelhados pelo governo, que nem de longe representam sociedade civil (que pode votar em outubro, e pressionar seus deputados depois disso), já estão fingindo representá-la. O que o decreto totalitário quer é oficializar esse tipo de pressão sórdida.

Se isso aqui fosse um país civilizado, o PT tinha que debater com seus grupelhos nas instalações do partido, não no Congresso Nacional.

Algum leitor deste blog não entendeu como funciona o truque ainda? Pois vamos avaliar mais algumas informações de outra notícia da Câmara:

Representante do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) em audiência pública da Comissão de Legislação Participativa (CLP) da Câmara dos Deputados, André Luís dos Santos defendeu há pouco o decreto presidencial (8.243/14) que criou a Política Nacional de Participação Social (PNPS) […] Para André Luís dos Santos, não é verdade que os conselhos poderiam usurpar as competências do Congresso Nacional. Ele afirmou que há um “desnível na representatividade” no Legislativo, exemplificando com uma comparação entre a bancada sindical na Câmara, que tem 72 deputados, e a empresarial, com 246. Santos destacou ainda que negros e mulheres também são sub-representados.

É só investigar quem é este senhor André Luís dos Santos para saber de quem estamos tratando. É um sujeito envolvido em várias ações pró-governo, até por que o DIAP (do qual ele é representante) é aliado do PT. Enfim, ele fala em causa própria, pois já tem um soviete não oficializado.

O representante do DIAP disse que é preciso criar mecanismos para que esses conselhos possam funcionar e ser consultados pelo Legislativo, e que o decreto funciona nesse sentido.

Aha, o gato se escondeu, mas o rabo ficou de fora…

Ele não quer apenas “participar”, mas participar através de “mecanismos para esses conselhos possam funcionar”. E por que esses grupos (que não me representam) devem ter o direito de fazer pressão sobre o Legislativo? Por que o governo quer assim, oras.

Marcelo Lavennère, da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, ressaltou que o decreto atende a uma preocupação mundial em salvar a democracia. Segundo ele, apesar de todos poderem votar e ser votados na democracia, ela não foi capaz de proporcionar transporte, educação e saúde de qualidade para a população. Lavennère avalia que há uma fratura no sistema pelo qual são realizadas as eleições, e o decreto é um meio para recuperar a democracia.

É esse o nível da tal “sociedade civil” que está tão interessada na aprovação do Decreto 8243? Não há óleo de peroba que chegue para esse Lavennère. Preste atenção na afirmação dele: “apesar de todos poderem votar e ser votados na democracia, ela não foi capaz de proporcionar transporte, educação e saúde de qualidade para a população”.

Mas quem está no poder há 12 anos é o governo aliado dos sovietes (o PT). Quer dizer, se o PT junto com sua “sociedade civil denorex” não conseguiu prover as demandas de Lavennère, para que servem esses conselhos?

O motivo é evidente: o governo precisa esconder a crise atual e os sovietes podem atuar como mecanismo de pressão para que o Congresso fique de joelhos para o PT e seus sovietes. A partir daí, basta abastecer todos com muito dinheiro estatal que qualquer atrocidade governamental será escondida. Exatamente como funciona na Venezuela.

Não há uma linha de discurso desses apoiadores do Decreto 8243 que não contenha traços de totalitarismo. Pelas próprias palavras deles, nota-se que tudo se baseia em dar poder de pressão de grupos financiados pelo governo para que este governo possa fazer o Congresso ficar de joelhos. Qualquer um que não reconheça isso (somente tomando por base a totalidade das declarações dos defensores do Decreto) ou demonstra ignorância ou mau caratismo.

Alguns cínicos ainda podem dizer: “Ah, mas os conselhos não legislam”. Não legislam, mas adquirem poder de pressão, exatamente como fizeram hoje, 6/8, na Câmara dos Deputados. Simplesmente vimos (através do que os próprios André Luís dos Santos e Marcelo Lavennère disseram) dois líderes de sovietes exercendo seu poder de pressão em plena Câmara.

A própria presença desses indivíduos (que não me representam) para pressionar deputados já dá uma amostra do que essa corja bolivariana quer. Mas nada é pior do que a falta de indignação da oposição em relação a esse absurdo.

Precisamos deixar bem claro como deve ser o “diálogo” com essa escória moral: a partir do momento em que um sujeitinho desses vier com o discurso “ei, você não quer o Decreto 8243, pois é contra a participação do povo”, só nos resta desmascarar e escrachar. Nada mais.

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8 COMMENTS

  1. O que eles realmente querem, a curto prazo, com esse decreto:

    Uma forma desses ‘movimentos sociais’ poderem mamar nas tetas governamentais, sem que o órgão a qual estarão vinculados sofra nas mãos do TCU, ao mesmo tempo que fortalecem os ‘movimentos sociais’ com dinheiro a fundo perdido.

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    O que eles realmente querem, a médio prazo, com esse decreto:

    Criar um “legislativo paralelo”. Tentar convencer a populaça que esse “legislativo paralelo” é o que realmente representa o povo. Na Venezuela esse passo já foi dado a algum tempo, com sucesso. Isso foi ainda no tempo do caudilho. O objetivo NÃO é destruir o legislativo oficial, mas subjuga-lo. Na Venezuela eles chamam esse “legislativo paralelo” de “coletivos”.

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    O que eles realmente querem, a longo prazo, com esse decreto:

    Conceder status de legislador oficial aos pelegos da Participação Social. Requer constituinte nova, mas pelo andar da carruagem, já vimos que constituição é só mais um papel de banheiro para essa gente.

    Ou seja, votação indireta de deputados e senadores. Substituir todos os legisladores oficiais (atuais deputados e senadores) pelos pelegos da Participação Social. Isso garante a unicidade de ‘governo’: executivo, legislativo e judiciário. Está pronta a ditadura, toda criada sob os auspícios da “lei”.

    P.S.: Acabei de ler notícias da Venezuela. O esperado está acontecendo: o socialismo bolivariano está começando a se destruir de dentro pra fora:

    https://dolartoday.com/los-borregos-estan-despertando-el-chavismo-duro-se-revela-contra-las-reformas-de-maduro/

    Ou seja, o natural do comunismo e assemelhados: traições e mais traições.

  2. Apenas como registro:

    É evidente que este projeto é mais um “made Foro de SP” e portanto estava pronto há muito tempo.

    Note que ele foi colocado neste momento justamente porque o congresso está “esvaziado” por causa das eleições, que estão bem próximas, onde os próprios deputados e senadores (alguns) tem “que correr atrás dos votos” tornando dificil “juntar politicos”.

    Outro ponto foi o momento da apresentação que aproveitou a “euforia e babaquice” que assola o pais em ano de copa passando assim praticamente desapercebido.

    Agora serão colocadas as “barricadas do vale-tudo” para não votar com o unico objetivo de não deixar ir a votação.

    Em resumo:

    O tempo corre contra a democracia … e a favor do golpe.

    Para cometer crimes, essa súcia, é muito organizada.

  3. APESAR DE TUDO…
    Os fatos que são mostrados contra o PT após a questão da farsa da CPI da Petrobras, sem contar as dezenas de outros, dá a Aécio munição de 1ª para arrebentar quem lhe passe pela frente, pois o cara, além de muita experiência sabe argumentar como ninguém, é detonador; anda no meio do povo sem problemas e não será com Dilma “aplaudida” por multidões apenas nas telas de tvs ou então em plateias montadas…

  4. Abaixo o decreto 8243! Vem cá, já existem esses conselhos desde a Era Vargas, é? E por que não resolveram a vida dos negros, pobres e afins? Ah, vão se catar. Não quero nenhum esperto mamateiro dando palpites na vida política do país. Nenhum esperto mamateiro sem voto, diga-se.

  5. Artigo 5 do decreto:

    “os órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta deverão, respeitadas as especificidades de cada caso, considerar as instâncias e os mecanismos de participação social, previstos neste Decreto, para a formulação, a execução, o monitoramento e a avaliação de seus programas e políticas públicas”.

    Deixa ver se entendi: uma decisão de qualquer órgão da administração pública só será validada se atender as demandas dos grupos que estiverem alinhados com a ideologia da própria administração pública, chamados de “sociedade civil” como se representassem a população inteira, e o que aí ficar definido valerá pra todo mundo. É isso? Fala que é mentira, porque tou passando mal.

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