Uma aula de assertividade: Pat Condell coloca os esquerdistas anti-Israel em seu devido lugar

23
68

Patcondell-EuropeNeedsARevolution179-294

Falarei algo novamente para que não restem problemas de entendimento: admiro o template do neo-ateísmo, embora não concorde com as conclusões deles em relação à religião tradicional. Ponto.

Se alguém vier reclamar dos argumentos ruins de Richard Dawkins contra a religião ou algumas besteiras de Daniel Dennett no uso dos memes, saiba que isso não tem nada a ver com o template de que falei, mas com as conclusões equivocadas. Das quais, como já disse, eu discordo.

Enfim, o que traz esse template?

Antes de vermos um vídeo onde o neo-ateu Pat Condell desanca a diatribe anti-Israel, temos, só para citar alguns componentes:

  • Ausência de respeito injustificado
  • Crítica a um oponente por sua postura moral abjeta
  • Crítica à forma como esse oponente, de forma injustificada, não aceita críticas
  • Capacidade de demonstrar indignação com algo indigno
  • Sub-comunicação de que algo precisa ser feito contra isso.. .urgente

Quer dizer, estamos diante de uma fórmula competente para se combater um adversário político. Este template, a meu ver, deveria ser utilizado para nos referirmos à esquerda como um todo. Especialmente quando agimos contra a extrema-esquerda. O neo-iluminismo, meu paradigma “de direita’, é basicamente uma reconstrução do template neo-ateu para o tratamento da religião política. Não é nada mais que o fim do bom-mocismo de direita. Tudo sem negarmos o óbvio ululante: estamos moralmente e logicamente justificados a tratá-los assim, pois falamos de defensores de genocídios, censura e barbarismo em diversos graus. Se isso não é válido para os esquerdistas “benignos”, ou moderados, ao menos é válido para os esquerdistas retintos, que são a absoluta maioria deles.

Não há mais espaço para falarmos “nossa, que coisa” ou “chato isso, né”. Isso é uma mistura de complacência, conivência e até cumplicidade involuntária. Também não há mais espaço para derrotismo. A postura capaz de vencer a guerra política deve ser capaz de sub-comunicar ao público o quão importante é impor rejeição social ao seu adversário político, especialmente quando ele está abaixo da crítica moral.

Para tornar tudo mais prático, como isso funciona? Simples: assim como já vimos o podcast de Sam Harris (outro neo-ateu que falou brilhantemente contra o Hamas), veja um vídeo onde Pat Condell mostra toda a hipocrisia da esquerda sobre a questão de Gaza, sem esquecer de ativar as legendas:

A lição a ser aprendida: a mesma assertividade usada por Harris e Condell contra a turma anti-Israel deve ser usada diante de militantes LGBT, do MST, de radicais feministas e de quaisquer outros que venham propagar discurso de ódio na defesa de totalitarismos. Em suma, toda a extrema-esquerda.

Tudo bem que ele comete um equívoco de frame ao dar o rótulo “progressista” ao inimigo. Eu jamais os chamaria deste jeito. São esquerdistas e pronto! Nunca chamarei um esquerdista por um rótulo propagandístico tão auto-atribuído por eles quanto falso. Mas de resto, Condell coloca o dedo na ferida acertadamente.

E você, está pronto para tratar os esquerdistas com esse mesmo tipo de assertividade? Não estou pedindo que você tenha a mesma desenvoltura, pois para isso é preciso de experiência. O que estou falado é sobre a assertividade, a ser percebida na postura, na determinação, na sub-comunicação e, enfim, no escracho sobre o oponente.

Pois bem. Se essa assertividade for usada em larga escala contra eles aí sim venceremos várias batalhas e guerras no escopo da guerra política.

Anúncios

23 COMMENTS

  1. “Tudo bem que ele comete um equívoco de frame ao dar o rótulo “progressista” ao inimigo. Eu jamais os chamaria deste jeito. São esquerdistas e pronto!”

    Nos EUA, o sujeito ser “Progressista”, “Liberal” é praticamente uma ofensa. O contexto tem muito a ver com isso… O sujeito lá que se autodenomina progressista acaba por assumir um rótulo que pode ser bom e ruim ao mesmo tempo… Mais ou menos como “Esquerdista” aqui no Brasil…

    Eu acho extremamente válido usar o rótulo que eles próprios criaram para denegri-los… Assim presta-se um duplo serviço: Acabar com a moral do sujeito alvo e ainda com a moral de todos que utilizam o mesmo rótulo… É atribuir a toda uma classe todos os argumentos utilizados.

    Lá funciona melhor do que aqui… Mas um dia por aqui teremos isso também. Hoje chamamos os “Esquerdistas” de “Esquerdopatas”, “Esquerdofrênicos”, “Esquerdosos”, e por ai vai…

    • Concordo com o Luciano quanto á má aplicação dos termos “progressista” e “liberal” aos esquerdistas. Sou favorável, como ele, a jamais aplicar às esquerdas esses adjetivos pois tais não identificam um esquerdista com correção.

      As esquerdas são retrógradas, basta ver que as nossas lideranças esquerdistas e tudo o que acontece na América Latina sob a égide do Foro de São Paulo tem o ranso e o mau cheiro de um retorno à década de 1960. Um atraso que só os saudosistas que perderam a guerra política no Brasil daquela época ainda idolatram.

      Quanto a serem “liberais” basta uma olhada nos zumbis que vivem em Cuba, no povo da Coreia do Norte , que que, padecendo de fome, está se alimentando da carne de seus próprios filhos e do povo da China que está proibido de especular sobre as fortunas amealhadas por seus líderes políticos.

      Acredito que os esquerdistas adorariam se, aqui no Brasil, também pudessem ser identificados como “liberais”. Pelo menos nisso nós escapamos de imitar os EUA. Aliás, quanto à aplicação desse termo aos esquerdistas americanos, Hayek, em “O Caminho da Servidão” comenta:

      “Uso a todo momento a palavra ‘liberal’ em seu sentido originário, do século XIX, que é ainda comumente empregado na Inglaterra. Na linguagem corrente nos Estados Unidos, seu significado é com frequência quase o oposto, pois, para camuflar-se, movimentos esquerdistas deste país, auxiliados pela confusão mental de muitos que realmente acreditam na liberdade, fizeram com que ‘liberal’ passasse a indicar a defesa de quase todo tipo de controle governamental.

      Interrogo-me ainda, perplexo, sobre a razão pela qual os que de fato creem em liberdade neste país [EUA] não só permitiram que a esquerda se apropriasse desse termo quase insubstituível, mas chegaram a colaborar nessa manobra, passando a usá-lo em sentido pejorativo. Isso é lamentável sobretudo porque daí resultou a tendência de muitos verdadeiros liberais a se autodenominarem conservadores. É sem dúvida verdade que, na luta contra os adeptos do estado todo-poderoso, o verdadeiro liberal deve às vezes fazer causa comum com os conservadores.”

      Independente do que pensem os americanos (e quem disse que temos que segui-los nisso?) não são os esquerdistas que são manchados por serem rotulados de “progressistas” e “liberais”, mas são eles que dão a esses termos um significado indigno!

  2. Pode ser que “progressista” seja apenas um equívoco de frame mesmo, Luciano. Ou pode ser que não. Quem é desejoso de “progresso” em direção a um “novo homem” que não os esquerdistas? Digo os que sabem e endossam o jogo sujo das entranhas da esquerda, não os tolos que caem vítimas de seus tentáculos pegajosos – a estes realmente não cabe o termo.

    Seja como for, consigo enxergar como, sob a perspectiva de guerra de frames, o termo é nocivo. Concordo que utilizá-lo não é vantajoso – ninguém que assumir uma posição contra o alegado “progresso” pode esperar capitalizar.

    PS.: Que tal este artigo aqui, Luciano? O autor pode até ser guenonista/duguinista, mas merda ele não falou sobre o marxismo: http://worden.blogspot.com.br/2011/03/proposito-do-carater-nao-cientifico-do.html

    • Macuw, sem maiores alardes, você fez essa pergunta somente porque o Luciano escreveu esta postagem e outras tendo por foco o esquerdismo anti-Israel e anti-EUA?

      • Foi uma curiosidade mesmo, acho que o conflito de Israel pouco tem á ver com o Brasil, essa direita brasileira tem que definir suas prioridades. O conflito não vai mudar nada á respeito do PT, do Foro de São Paulo, das forças armadas, do nióbio, da burocracia ou da dívida brasileira. Por isso, sim, eu fiz essa pergunta por causa da postagens.

  3. Achei interessante as questões levantadas sobre o “progressista” na área de comentários, você costuma falar que “progressista” é apenas propaganda, mas seu efeito não seria negativo na maioria da população? Já que a maioria tende para o centro então “progressista” e “conservador” como palavras de ordem seriam ambas negativas. Porque a diferença nessa questão?
    Estaria relacionada ao uso dessas palavras na cultura? Os filmes que chamam uma família representada por moralismo hipócrita de “conservadora” e a cultura, mesmo escolar, que trata a evolução tecnológica e de leis como “progresso” seriam os únicos responsáveis nesse afastamento do centro ou você aponta outras questões?

    • Quando digo “de leis” estou falando das realmente positivas, como o fim da escravidão ou os direitos civis, que são chamadas de “progresso” para transferir seu valor moral e emocional para leis ruins que também são novas.

  4. Luciano, vc está sendo simplesmente desonesto ao tentar associar o repúdio ao que Israel está fazendo, com a esquerda. Mas eu sei que não é só vc, todo neocon faz isso.
    Nem entre judeus existe apoio quanto a isso: ‘this is NOT the jewish people, this is not the voice of our people’.
    @6:07:

    • Você posta um vídeo com manifestantes do nkusa, que são judeus ortodoxos que são contra o Estado de Israel por acreditarem que o sionismo vai contra a “revelação” Sinai

      “Zionism has for over a century denied Sinaitic revelation. It believes that Jewish exile can be ended by military aggression.”

      http://www.nkusa.org/aboutus/whatzionism.cfm

      Como pode ver, a negação do Estado de Israel por este grupo é muito mais por motivos religiosos do que políticos (se não me engano eles ainda dizem que o Estado de Israel só deve ser criado quando o Messias aparecer).

    • Verissimo (sem acento).

      “Netanyahu não é a cara de Israel, muito menos da cultura do Povo do Livro, e o mandato dado à direita pelo eleitorado não inclui a autorização para matar crianças”

      E quem está dizendo que o mandato inclui autorização para matar crianças?
      Fora essa desonestidade, ele esquece de dizer que crianças palestina são mortas porque o Hamas as usa como escudos humanos.

  5. Qual a relevância da obra de Gene Sharp “da ditadura a democracia” , levando se em conta que já estamos em uma “ditadura perfeita” que se traveste de democracia.
    Como Iniciar uma Revolução, Gene Sharp

  6. OS DESCAMINHOS DA CIÊNCIA E DA TECNOLOGIA CONTEMPORÂNEAS.

    Nestes dias atuais populados por aqueles que buscam a fama e os holofotes das passarelas, visando atingirem a ambicionado “status de gênio”, a vaidade intelectual ultrapassou todos os limites do aceitável e do risível. Os atuais ditos “homens de ciência” empenham-se, como nunca entes na história deste planeta, na elaboração de sofisticadas e fantásticas teorias “maravilhosas”, as quais, na sua grande maioria fundamentadas em fantasias, são em verdade hilários monumentos à inutilidade da imbecilidade.

    Dizem por ai, a boca pequena, que um certo “grande cientista”, regiamente financiado, empenha-se diuturnamente na “importantíssima” e “fundamental” busca da elaboração do derradeiro método “científico” de comensurabilidade do “pinto do mosquito”. Assim caminha nossa mentalidade “cientifica” contemporânea.

    Enquanto isso podemos, nós simples mortais, observar as conclusões de uma particular comparação efetuada na desenvoltura de nossa práxis diária:

    O CORRETO DISCERNIMENTO ENTRE O PINICO E A URNA ELETRÔNICA.

    http://2.bp.blogspot.com/-nGB49E1lCmc/U-N01k82e9I/AAAAAAAAKEE/Y8-YitdSC_8/s1600/Presten%C3%A7%C3%A3o.jpg

    ……….

Deixe uma resposta