O tu quoque mais sem vergonha de todos os tempos: Janio de Freitas perde qualquer noção do ridículo ao tentar livrar a pele dos fraudadores da CPI da Petrobrás

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Se eles não fossem tão imorais, seriam divertidos. Mais uma vez preciso falar do esforço comovedoramente ridículo de Jânio de Freitas tentando limpar a imagem do PT na farsa da CPI da Petrobrás, usando a tradicional falácia “tu quoque”, ou seja, você também. No caso, ele quer dizer que o PSDB fez a mesma coisa que o PT. Será mesmo?

Veja o texto “Se é crime, são dois”, escrito por Janio de Freitas para a Folha de São Paulo:

Com os amigos que tem no PSDB, Geraldo Alckmin deve ao menos proteger as costas. Enquanto se ocupa de sua promissora campanha eleitoral, os parlamentares do PSDB que passam por Brasília qualificam como crime, e querem submetida a processos, “a armação” de parlamentares governistas e funcionários que prepararam depoentes da Petrobras para inquirições no Congresso. Bem, isso é o que senadores e deputados do PSDB aparentam à primeira vista.

Os adversários de Geraldo Alckmin jamais o identificaram com crime de qualquer espécie. Não é assim, porém, a conduta dos seus companheiros. Se atos de determinadas pessoas são criminosos, outras que os cometam, idênticos, incidem também em atos criminosos. Eis, então, o que há apenas 62 dias era publicado no Painel da Folha:

“Preocupado com a CPI mista que investigará o cartel do metrô, o governo de São Paulo começou a treinar os parlamentares do PSDB escalados para defendê-lo. Nesta quarta (4), foram ao Congresso Marcio Aith, subsecretário de Comunicação, e Roberto Pfeiffer, representante da Corregedoria do Estado” [a nota continuava].

Exatamente as providências de que os deputados e senadores ligados ao governo federal estão acusados, a propósito das CPIs sobre as suspeitas de corrupção levantadas contra a administração passada da Petrobras.

Pode-se admitir que Geraldo Alckmin não soubesse das providências de sua assessoria. O senador Aloysio Nunes Ferreira não admite. Disse ele, responsabilizando Dilma Rousseff pelo apontado acerto entre inquiridores governistas e depoentes da Petrobras: “Seria impossível que ela não soubesse que estava se armando este crime contra uma instituição da República” [o Congresso e sua CPI]. Se é “crime” e o governante dele tem conhecimento inevitável, Alckmin e Dilma estão igualados pelo candidato a vice-presidente na chapa de Aécio Neves, tanto no conhecimento como no crime.

O Painel informava ainda: “A ordem é reduzir os danos à campanha de Geraldo Alckmin à reeleição. O presidente do PSDB paulista, Duarte Nogueira, defendeu atenção redobrada à CPI: ‘Sabemos que o PT tentará usá-la para atacar nosso governo’. O líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), também foi à reunião. Os tucanos lamentam não poder contar com o deputado Carlos Sampaio (SP) na defesa do governo paulista. Ele já estava escalado para fustigar o Planalto na CPMI da Petrobras”.

Por incompetência açodada ou descuido preguiçoso, para não falar em omissão hipócrita, os parlamentares do PSDB decidiram explorar eleitoralmente a denúncia sensacionalista de uma banalidade, no entanto, também por eles praticada. Com igualdade até no objetivo eleitoral que atribuem aos governistas: “A ordem é reduzir os danos à campanha” de Alckmin.

Em obediência ao seu zelo pela ética parlamentar, Renan Calheiros, presidente do Congresso, decidiu que uma comissão investigue a denúncia de “armação” na CPI da Petrobras. Mas, até por experiência própria, ou a das suas vaquinhas coadjuvantes em certo inquérito do Senado, Renan Calheiros sabe que os partidos se representam nas CPIs para a defesa combinada de seus correligionários e ataque combinado aos adversários. Farsa, como sabe a imprensa, é fingir que as CPIs não são assim.

Ausência de senso de proporções, junto a uma mendacidade fora de qualquer limite, é um atributo indispensável para qualquer jornalista da base do governo. Para eles o lema é mentir é preciso, olhar para os fatos não é preciso.

Ele já começa mentindo no título “Se é crime, são dois”. Fraudar uma CPI não é um crime, mas uma aberração ética, que precisa naturalmente ser denunciada à Comissão de Ética da Câmara dos Deputados. Simples assim. No título, Jânio já cometeu a falácia do espantalho. Mas a coisa piora (e muito) quando ele tenta avançar para o tu quoque.

Em sua ânsia de tentar justificar a imoralidade do PT com o discurso “PSDB também fez, então podemos” o que ele pratica em sua comparação é grotesco e ilógico até dizer chega.

Não há problema algum em um partido treinar seus políticos em qualquer momento que seja. Mas os funcionários públicos da Petrobrás não são “politicos do PT”, e esta é a diferença que faz toda a diferença.

Ou então Jânio de Freitas faz o que todo petista sabe fazer: confundir o público com  privado, no que ele acaba confessando que para o PT, não há problemas tratar os funcionários da Petrobrás como se fossem elementos do partido.

Jânio sem querer acabou nos ajudando ao confessar que o PT considera a Petrobrás uma extensão de seu partido.

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6 COMMENTS

  1. Treinar militantes do partido x Passar um gabarito para funcionários públicos.

    Jânio de Freitas já ultrapassou os limites da demência senil há muito tempo.

  2. A estratégia do PT é claramente tentar arrastar o PSDB para a lama para poder dizer à Nação brasileira: “Estão vendo!? Somos todos iguais!”.

    O problema é que o PT cresceu na oposição defendendo a bandeira da ética na política; agora, enfiado na lama até o pescoço (ou até o último fio de cabelo), entra em desespero, atirando para todo lado a fim de tentar acertar alguém.

    Não vai dar certo, é claro.

  3. Na língua inglesa eles tem um bom nome para este tipo de falácia “whataboutism”, quando você ataca X e o defensor de X diz “but what about Y?”.

  4. Eu faço só um adendo no sentido de que a mancomunação de membros de uma CPI com os depoentes é sim um crime gravíssimo, extrapolando muito de uma questão de ética parlamentar.

    A CPI, nos termos da Constituição, é uma Comissão de INQUÉRITO com poderes de investigação próprios do Poder Judiciário, ou seja, uma investigação parlamentar é mais forte do que uma investigação policial, pois equipara-se ao procedimento de instrução conduzido pelo Poder Judiciário, podendo, inclusive, decretar quebrar de sigilo constitucionais.

    Nestes termos, a mancomunação de membros de uma CPI com os depoentes (investigados) equivale o mesmo que um Juiz Criminal encaminhar a um acusado de estupro ou homicídio, por exemplo, quais serão as perguntas que fará durante a audiência de instrução.

    Isso é uma falta criminosa gravíssima que atenta contra a própria Independência do Poder Legislativo e de uma das suas mais autênticas atribuições que é a fiscalização dos atos administrativos e do respeito ao dinheiro dos pagadores de tributos.

    Ocorre que, como sempre, as regras democráticas são constantemente malbaratadas pelos políticos, pois NÃO existe um sistema legítimo de freios e contrapesos que imponha e demanda o respeito dos agentes públicos temporários com os interesses superiores e perenes da Nação.

    A República não viabiliza perfeitamente todos os meios necessários à desmoralização impune da imagem das Instituições democráticas e o desprezo total pela constitucionalidade das funções públicas, seja no âmbito do Executivo, seja no âmbito do Legislativo.

    A participação dos agente político-partidários na conformação das forças democráticas é efêmera, como também o é a sua base eleitoral, de modo que, pela própria lógica do sistema, este indivíduo tem baixíssima probabilidade de desempenhar suas funções constitucionais com vistas aos interesses perenes da Nação, já que estes transcendem a geração do presente, e os eleitores do futuro não têm voz no Parlamento que a eles não devem qualquer respeito ou satisfação.

    O legado republicano, ao longo dos anos, será sempre um intenso desgaste na imagem das Instituições democráticas que, alicerçadas em bases podres, sempre tenderá a ruir, abrindo ensejo a um inevitável período totalitário.

  5. O lobo perde os pelos mas não perde o caráter. E no caso do Janio de Freitas a medida que ele envelhece a caquexia atinge o paroxismo. Ele é um bom exemplo da frase lapidar de Churchill: Quem nunca foi comunista até os 20 não tem coração. Quem continua sendo até depois dos 30 não tem cérebro. Bingo!

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