Mimimi em Haia: Argentina apresenta queixa

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Imagine que você tenha contraído uma dívida com um banco em 2001.  De acordo com o contrato, o valor agora devido por você, em 2014, transformou-se em vinte vezes mais do que o valor original. Tudo conforme o previsto, já que você aceitou as regras do jogo. Uma empresa de recuperação de crédito pagou ao banco um quarto do valor de sua dívida atual. Obviamente, essa empresa vai cobrar de você o valor que o banco deveria receber. Diante disso, você entra com uma ação na Justiça para não ter que pagar à empresa de recuperação de crédito, mesmo que esta tenha seguido todos os procedimentos legais.

Que tipo de reputação você esperaria obter com essa atitude?

Este cenário resume bem o comportamento de Cristina Kirchner esperneando para não pagar a dívida da Argentina aos fundos abutres. Se ela quisesse destruir sua própria reputação (se é que ela ainda tem uma), tudo bem. O grotesco é vê-la fazer isso com a imagem  de um país. A coisa, é claro, chegou no nível da tragicomédia.

Vamos avaliar um pedaço da notícia Argentina apresenta queixa contra EUA em Haia, do Brasil247, que está torcendo descaradamente para os caloteiros/vigaristas da Argentina:

O governo argentino apresentou à Corte Internacional de Justiça (CIJ) de Haia, na Holanda, uma queixa contra os Estados Unidos. Para a Casa Rosada, as decisões adotadas por tribunais norte-americanos a respeito da reestruturação da dívida argentina violam a soberania de Buenos Aires e criam inconvenientes para o processo de reestruturação da dívida pública argentina.

Na denúncia à CIJ, principal órgão judiciário da Organização das Nações Unidas (ONU), o governo argentino afirma que “a responsabilidade internacional dos Estados Unidos pela violação das obrigações de respeitar a soberania de outras nações, e de não aplicar ou estimular medidas de caráter econômico e político a fim de forçar outros estados a decidir o que quer que seja, surge principalmente da ação de um de seus órgãos de Estado, o Poder Judiciário, por meio da adoção de medidas que violam a decisão soberana da Argentina, de reestruturar sua dívida externa”, segundo nota divulgada hoje (7) à imprensa.

Que desculpinha vagabunda é essa? É claro que a cobrança causa inconvenientes para o “processo de reestruturação da dívida pública argentina”. Mas o fato de uma cobrança causar problemas para o caloteiro não serve como argumento para invalidar a cobrança.

Exemplo de algo que serviria para invalidar a cobrança: se ela tivesse emprestado 100 contos de réis (só para criar um clima “vintage”), e a instituição mentisse, dizendo que ela emprestou 300 contos. Nesse caso ela teria razão. Ou se ela tivesse contratado os juros a 5% ao mês, mas a instituição mentisse, dizendo que a contratação foi a 15% ao mês. Ela também teria moral para reclamar. Existiu alguma distorção nesse sentido? Não, não existiu. Até por que se existisse, eles teriam lançado as provas ao público para calar o juiz Thomas Griesa. Não tendo existido este tipo de desonestidade por parte dos fundos abutres só resta uma atitude digna à Argentina: pagar o que deve.

Senão, além de um país caloteiro, ainda temos um país que lança litigância de má fé em tribunais internacionais. Isso se chamar jogar a reputação da Argentina no lixo. Agora a Argentina não é mais um mau pagador, mas um mau pagador desonesto, fingido e incapaz até mesmo de discutir dignamente suas pendências. Parece até coisa de picaretas da antiga boca do lixo.

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6 COMMENTS

  1. Quem com ferro fere, com ferro será ferido …


    No entanto, o modus operandi dos “abutres” é similar ao que o próprio casal Néstor e Cristina Kirchner aplicou na Patagônia durante a ditadura militar (1976-83), quando enriqueceu graças a execuções hipotecárias.

    Recém-formados como advogados em La Plata, os Kirchners em 1976 instalaram-se em Rio Gallegos, capital da Província de Santa Cruz, como assessores jurídicos da agência financeira Finsud, que realizava cobranças extrajudiciárias.

    O jovem advogado, quando ficava sabendo que um proprietário deixava de pagar a parcela mensal de crédito, ia até sua casa e lhe explicava que tinha poucas opções.

    Uma delas era resignar-se a ter a casa leiloada e ficar sem nada. A outra, a de vendê-la ao próprio Kirchner por um preço significantemente inferior ao valor real.


    Fonte:
    http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,casal-kirchner-ja-foi-abutre-nos-anos-70-e-80,1533097

  2. Ayan, não estudei essa questão à fundo mas pelo o que sei até agora dessa novela 93% dos investidores concordaram com a proposta argentina. A dívida foi comprada por investidores/especuladores por menos do que ela valia (cents on the dollar). 93% dos investidores concordaram em não receber a valor total enquanto um ou dois grupos querem o valor total que foi pago mais os juros que foram acumulados durante esses mais de dez anos. O problema é que se a Argentina ceder à esses grupos os outros investidores também irão cobrar a dívida toda. Ou seja, não faz sentido a Argentina ceder.

    Isso não signifique que eu goste da corrupta/socialista Kirchner ou que quero inocentá-la pela péssima administração, mas o governo argentina tem um certo tanto de razão (pelo pouco que li até agora).

    O que eu acho absurdo é que quem compra essas dívidas está assumindo um risco que poderá haver um calote, esses investidores sabiam muito bem do histórico argentino no quesito calotes. Um dos donos de um dos fundos que é um ferrenho liberal/libertário e acredita no mercado livre agora quer ajuda do Estado Americano para fazer um lucro exorbitante de mais de 1,600%. Irônico!

    Essa economia pós globalização é uma piada também não é, atividade especulativa que não produz riquezas gera 1,600% de lucro, enquanto o agricultor, engenheiro e empreendedor vão conseguir números provávelmente inferiores á 30%…..

    • Macuw,

      O problema é transformar a negociação de uma dívida em uma crise de tomada de reféns. As consequências já estão surgindo para a Argentina: http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,fundo-de-pensao-dos-correios-perde-r-200-mi-com-calote-argentino,1539934

      A questão é que a própria sentença norte-americana não inviabiliza nenhuma negociação. Na verdade, ela ainda teria alternativas de se sentar a mesa com os vencedores da questão judicial. Mas se ela usar a lógica bolivariana, tem que entrar em confronto mesmo, até por que a reputação a ser derrubada é da Argentina.

      A questão também do “lucro de 1,600%” não é a questão sob debate. No meu texto eu abordo possibilidades onde ela poderia estar certa.

      O que a Cristina está dizendo é: “se a Argentina assinar um contrato e depois for cobrada, critérios novos serão inventados para considerar a cobrança injusta”. Mas não seria melhor apenas seguir o que diz o contrato?

      Enfim, o lucro que os fundos abutres estão levando não importa se isso está previsto em contrato. E

      Eu concordo com você que “quem compra essas dívidas está assumindo um risco”. Mas a MATERIALIZAÇÃO DESTES RISCOS tem custos para o mal pagador também.

      Abs,

      LH

    • “Essa economia pós globalização é uma piada também não é, atividade especulativa que não produz riquezas gera 1,600% de lucro, enquanto o agricultor, engenheiro e empreendedor vão conseguir números provávelmente inferiores á 30%…”

      Era só a Argentina não ter pedido dinheiro emprestado oferecendo juros exorbitantes.
      Foi o governo da Argentina que OFERECEU pagar juros exorbitantes, porque quis.

      O governo da Argentina poderia muito bem ter adotado medidas de aumento da liberdade econômica para atrair investimentos para o país, que gerariam receita em impostos, como fazem muitos países. Mas é claro que nesse caso não seria um governo esquerdista e a Argentina estaria em ótima situação.

      Lembrando que a Argentina tem todo o direito de dar o calote. Ninguém vai obrigar eles à pagar.
      A única coisa que vai acontecer é sofrerem umas sanções econômica e dificuldade de conseguir pedir mais dinheiro emprestado, à menos que ofereçam juros mais exorbitantes ainda.
      Ações têm consequências.

  3. A Argentina é um caso perdido – e com a ajuda do feroz distributivismo peronista, é claro,que arruinou o país ontem e hoje (alguém duvida?).

    Continua valendo, até prova em contrário, o famoso ditado popular: “O argentino é um italiano que fala espanhol e pensa que é inglês.”

    Nesse episódio estou com os fundos “abutres” que jogaram conforme as regras do mercado e não com o “mimimi” – como bem ressalta o blogueiro – do demagógico governo argentino.

    Se fosse assessor da Cristina K, eu lhe diria: “Pague, cante vitória e caia fora rápido!”

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