Paralaxe cognitiva: Daniel Fraga quer abandonar as eleições para quê?

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No início da série Da direita que precisa assumir a responsabilidade – Introdução: Responsabilismo X Desculpismo apresentei o termo direitismo desculpista, que se encontra, em termos comportamentais, no extremo oposto em relação ao comportamento defendido por este blog.

Eis que chega a mim um vídeo de Daniel Fraga, intitulado “Eleição para quê?”, representando uma variação do desculpismo. Aí o molho da macarronada não muda: um discurso em prol de “não se fazer nada” (ou seja, nem ir votar) com uma racionalização para… não fazer nada.

O objetivo dele é defender que “ninguém deve dar importância às eleições”. Mas o pior é que ele também tenta convencer os outros a fazer o mesmo. Logo no início do vídeo, ele diz: “aqui está o motivo pelo qual você não deve dar importância às eleições”. Vamos assistir a essa miséria, antes de mais nada:

Os passos de Fraga são os seguintes:

  1. Eleição é um evento organizado pelo estado.
  2. A eleição é feita para esconder o caráter violento do estado, que pratica coerção contra pessoas pacíficas.
  3. Dessa forma, eleição é um atentado à liberdade individual, assim como tudo que o estado propõe.
  4. As eleições também não passam de um teatro, pois sempre mantém-se tudo exatamente como está.
  5. Quem rejeita o estado, deve rejeitar as eleições.

O passo 1 está correto. Nenhuma objeção a fazer.

Quanto ao passo 2, nota-se que Fraga é vítima de um subprodutivo evolutivo que acomete vários libertários (assim como muitos socialistas): é a agencialidade, que significa achar uma intenção onde pode não existir uma. Por exemplo, as eleições podem muito bem ter surgido como forma de se atacar os detentores do poder. Não há indícios de que elas tenham sido criadas para esconder o caráter violento do estado, pois nas democracias livres o estado é muito mais denunciado do que em lugares sem eleições. Ora, se as eleições democráticas prejudicam muito mais a vida de quem está no poder não me parece lúcido achar que elas foram criadas para “esconder o caráter violento do estado”. Os autores que defendem a existência de “intenções ocultas” por trás da criação das eleições ou da democracia em si jamais apresentaram evidências dessas intenções.

Claro que quanto ao passo 3, críticas podem ser feitas em relação ao voto obrigatório. Eu mesmo sou um esses críticos. Mas o voto facultativo é uma forma de lutarmos pelo aumento de nossa liberdade individual. Mas criticar o voto facultativo é totalmente diferente de se criticar as eleições em si.

A essa altura, o passo 4 só podia dar nisso: um desastre de proporções bíblicas. É um caso gravíssimo de paralaxe cognitiva. Senão vejamos. Tivemos os seguintes presidentes eleitos após a ditadura militar: Fernando Collor (substituído pelo vice Itamar Franco), Fernando Henrique Cardoso, Luis Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Com os dois primeiros, não tivemos nenhuma tentativa de se implementar uma ditadura nos padrões soviéticos, mas com os dois últimos essa implementação totalitária se tornou uma prioridade do partido no poder. Ora, nota-se que não é preciso ir muito longe para mostrar que as eleições são muito mais que um teatro e que a ideia de “tudo se manter como está” é mais furada que tábua de pirulito.

O passo 5, como não poderia deixar de ser, é totalmente falso, pois é uma conclusão a que se chegou por premissas tão fora da realidade quanto um unicórnio. Tirando o passo 1, do resto nada se salva. É de uma irracionalidade que chega a constranger um sujeito que no passado fazia vídeos para se impor como o “representante da razão, na luta contra a religião”. Mais um exemplo que o neo-ateísmo não necessariamente resulta em racionalidade, mas, às vezes, em um outro tipo de fé.

A implicação inevitável de aceitarmos esse argumento grotesco lançado por Daniel é que ele produz o efeito necessariamente oposto ao intencionado.

Expliquemos.

A Dona Dilma possui um eleitorado cativo, e isso é de conhecimento até do reino mineral. São os famosos 25% a 30% de eleitores conquistados pelo PT, a partir do aparelhamento sindical e os votos de cabresto. Qualquer partido que tenha criado uma base assim depende necessariamente de um grande número de votos nulos e abstenções, de maneira que qualquer proposta pedindo “vamos deixar as eleições pra lá” ajuda diretamente o PT. O detalhe é que se o PT conseguir mais um ou dois mandatos conseguirá ter todo o Supremo ao seu dispor, e, enfim, terá poder suficiente para transformar o país em uma ditadura. Até uma ostra sabe que uma ditadura socialista significa um estado poderosíssimo, capaz de controlar o cidadão em tudo. A proposta de Daniel só serve para ajudar o PT em seu intuito.

Eu não creio que Daniel tenha essa intenção, mas a paralaxe cognitiva o impede de perceber o quanto ele fugiu tanto da realidade como da racionalidade mais rudimentar. Um pouco mais sobre paralaxe cognitiva:

Em tempo, uma observação: há um equívoco ao final do vídeo de Olavo, onde ele diz que a teoria da evolução quer explicar toda a cultura humana. Não é verdade. Na verdade, tenta-se compreender o cui bono dos comportamentos humanos (incluindo as culturas) de acordo com uma perspectiva evolucionista. Mas nos seis primeiros minutos, há uma boa explicação sobre a paralaxe cognitiva. Agora voltemos a Daniel Fraga…

Em síntese, para que Daniel Fraga quer abandonar as eleições? Quais os resultados práticos de sua escolha? Quais os planos, a curto, médio e longo prazo, ele espera obter com isso? Nada disso é apresentado em seu vídeo. E se ele tentar nos explicar, creio que assistiremos a mais uma comédia involuntária. Mas sabemos o que vai acontecer se muitas pessoas o ouvirem: aumento razoável de chances do PT levar essas eleições.

Moral da história: não deem ouvidos a pessoas sofrendo de paralaxe cognitiva.

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41 COMMENTS

  1. Acabo de ver o vídeo do Daniel no youtube e vejo essa news que descreveu totalmente minha opinião.
    Após assistir esse vídeo do Daniel Fraga cancelei a inscrição no canal dele no youtube, faz tempo que eu andava percebendo que ele estava falando algumas coisas sem pensar, as vezes até como um papagaio que escuta e repete sem pensar

  2. Deixei a minha indignação no vídeo dele: O anarcocapitalismo é tão utópico, tão sonho de menina moça virgem quanto o comunismo. E começa a me parecer tão perigoso quanto.

    É bastante irresponsável esse seu vídeo, Dâniel Fraga: Onde você pensa que irá pregar sobre livre mercado, anarcocapitalismo, bitcoins e tecnologia se a Dilma ganhar? No Gulag ou no Paredón?
    Todos sabemos, muito bem, a quem favorece esse discurso de “não vote”, “pouco importa quem vença”, “são todos iguais”…

  3. Finalmente alguém conseguiu organizar uma argumentação concatenada, objetiva e racionalizada em torno desse discurso psicótico anti-Estado. Só tenho a agradecer!! Daniel Fraga deve estar se contorcendo agora tentando refutar sua refutação!

    • Se ele vier mesmo a fazer isso (refutar o que está aqui escrito) eu gostaria de ver. Vou esperar, como estou esperando (sentado) o advogado – ou quase – do vlog “Ateu Informa” refutar comentário do Luciano sobre vídeo que ele postou.

  4. Dâniel Fraga realmente mergulhou de cabeça no anarcocapitalismo, eu fiz um comentário em um vídeo dele e ele disse que ele se tornou ancap com o tempo, que começou como um libertário minocrata e que foi atingindo esse estágio deplorável que você vê nos vídeos dele, culminando com uma surra homérica que ele e seus anacomiguxos levaram num vídeo dum esquerdista caviar num Hangout.

    Arrisco dizer que o ancap é a nova droga da juventude, inclusive já vi que alguns deles pretendem usar os métodos de tomada de poder do Gramsci.

    • Bom,

      Se eles realmente aprenderem com Gramsci, a primeira coisa que farão será ter que abandonar o discurso fundamentalista. Aí sim, quem diria, eles podem aprender uma coisa ou duas.

      Daí, como o futuro sem estado jamais vai ocorrer, eles podem ter conquistar intermediárias, exatamente como os esquerdistas fazem.

      Mas isso se… eles realmente aprenderem com Gramsci.

      Como diria o ceguinho esperançoso, veremos.

      Abs,

      LH

      • Provavelmente nunca, o Conde Loppeux já destruiu a argumentação em torno da realidade sem um Estado, ele demonstrou que o próprio ser humano como ser depende de uma união em torno de uma sociedade, que não necessariamente é uma nação, porém teria uma configuração idêntica, só que em escala mini.

        Outra coisa interessante é que o Dâniel está ficando cada vez mais fanático, cada vez mais radical, e acredito que ele irá chegar ao nível do Paulo Kogos, que já apanhou demais na comunidade anarcomiguxos e chegou a declarar que Mises e Hayek eram SOCIALISTAS, isso mesmo, para ele qualquer um que advogue por um Estado, ainda que mínimo, é um socialista, esse é o tipo de gente que está fazendo a cabeça dos novos pensadores.

      • Eles são imaturos, não falo exatamente com desdém, mas falo com ou pouco de pena…O que eles tentam criar é um purismo ético, eles tem falado muito nisto, mas eu abandonei o barco para estudos, eu já pertencia a um grupo bem engendrado no ramo de Gramsci.

        Enfim, para mim foi tudo muito rápido e esquisito, compreender as crenças políticas deles tão subitamente, porque o básico das matérias deles é bem abrangente, coisa rara pra garotos de ensino médio. Porém, vindo de onde vim, estudando o que estudei, mesmo como autodidata anos antes da faculdade e de conhecer os estudos deles me tornei pesquisador das leis mais básicas da política uns 8 anos antes, após pesquisar e aplicar as leis, resolvi trazer um conjunto de hegemonia como a aplicação das leis, daí me aprofundei em Gramsci, por cinco anos eu juntei tudo e pratiquei, digo que encontrei praticamente tudo o que eles falam, o que Gramsci fala e um pouquinho mais….

        E, como se não bastasse ter descoberto que o purismo deles é de fato uma das poucas teorias que em prática poderia eliminar os problemas causados pela dominação consequencialista de Gramsci….Acabei por descobrir os pontos cegos deles… com Livros ótimos, feitos por Think Tanks…

        Inclusive um dos think tanks simplesmente contratou 30 escritores e pos os tais para reproduzir o Behemoth que a mistura de Gramsci, Keynes, Friedman e Hayek entre outros gerou, isso fora os caras da prática, como Tom Steyer que criou o investimento dirigido por eventualidades, ou o investimento que independe da ordem da economia, que geraram a aplicação lucrativa em investimentos de forma consequencialista em empresas que consistem de geração de valor proxima de zero, criando a possibilidade de crises como as de 2008, de bolhas e tudo mais…Coisas que realmente escapam de quem por exemplo desconhece detalhes da história de Wall Street, conhecimentos as vezes muito particulares e que criam uma vantagem para quem por exemplo realmente segue a linha de Gramsci e que tem condições de continuar seguindo e de gerar resultados reais com isto.

        A má notícia é que o fenômeno é extenso e, por pelo fato de só pra poder ser estudado requerer que se junte no mínimo 3 métodos de pesquisa gramscista e algumas outras particularidades um pouco mais numerosas, o sistema realmente é quase impossível de se controlar.. porque, afinal o ser humano não têm controle remoto…Logo, Nem Gramsci realmente saberia o que é que vai acontecer, só quem realmente está por dentro pode lidar com tamanho caos com maestria. E o tal livrinho de 30 escritores, é só a última edição, que comenta uma coleção de 18 volumes feita por mais escritores do mesmo think tank..

        Aqueles livros explicando “tudo” sobre Gramsci, sobre liberais e etc…Além de complicados e extensos nas compreensões que exigem, andam beirando a inutilidade nos dias atuais… E isto, meu caro, torna a simplicidade do sistema jurássico dos coleguinhas puristas, algo humanamente muito mais viável como sistema, pelo menos se este for num sistema que sirva a humanos… Porque do contrário, o nível dos intelectuais superiores terá indispensávelmente que ser extremamente superior…
        E olha que, dos “Extremamente superiores” da atualidade nos últimos 20 anos, só 0,0001% continuou a ser extremamente superior, da lista dos próximos na lista dos “mais superiores” (para estes leia-se sortudos), só 0,001% o foram mais de uma vez nos últimos 10 anos.

        Pois bem, se o forte dos amigos do socialismo é brincar com estatísticas, estas são de difícil aceitação como portadoras de enganos..

        Daí, eu posso até dizer, que talvez seja de fato interessante considerar-se responsável o uso do termo socialista para quem não se compromete 100% ao purismo deontológico…. Porém, também creio que os libertarios nem sonhem em como chegar a esta conclusão e porque chegar, afinal, eles realmente não sabem de nada, eu que já pesquisava motivado contra eles (em épocas emque sequer sabia de sua existência), agora me vejo cada vez mais motivado para avançar um passo a mais contra. E ainda digo mais, se de fato aplicam o niilismo (político) nas crenças deles, eles verão que é tudo a mesma coisa, porém, o ser humano não vai acordar antes de ter certeza de que toda a parte ruim disto é possível…E eu não dou murro em ponta de faca, nunca dei, tenho dó de quem dá, logo este não é o meu lugar, nunca foi.

        Desejo sorte pra eles e desejo sorte também pra quem finge que eles estão enxergando errado, pois um erro de ordem de aplicação infelizmente não muda o sentido da realidade.

  5. Quer dizer que cuidar de sua própria vida que já é bem difícil significa estar sendo salvo por pessoas que desejam o Estado? Afinal, como nos tempos mais primórdios, as ovelhas sempre vão precisar de seu pastor! Lamentável, mas é assim né. Salve sua alma quem puder, pois delegar sua vida a um burocrata é no mínimo irracional.

    • Só uma coisa.

      Daniel Fraga CONHECE os efeitos das políticas de esquerda. Então, ao abandonar as eleições, ele não está apenas “seguindo sua vida”, mas tomando uma opção pelo totalitarismo e ajudando o PT.

      Abs,

      LH

  6. O problema do anarcocapitalismo é o mesmo de toda IDEOLOGIA: é uma utopia, um sonho. Não tem ligação com a realidade, a realidade não é o balizador supremo dos seus objetivos e estratégias para atingi-lo.

    Por isso que ele (assim como o socialismo) termina em desastre, ou então nem acontece (como o comunismo).

    Leiam A POLÍTICA DA PRUDÊNCIA. Lá vocês saberão que o verdadeiro combate não é entre defensores da liberdade vs socialistas. É entre aqueles focados na realidade vs ideólogos.

    TODA ideologia política é perigosa. O socialismo porque é violento em si, e o libertarianismo porque na REALIDADE acaba sendo apenas uma forma de dar pontos ao socialismo. É um inocente útil.

    Meus 2 cents.

  7. Daniel Fraga perdeu 230% de sua moral comigo após publicar este vídeo:

    http://www.youtube.com/watch?v=MhBrwOyg-H8

    Sim, vocês viram o que ele defendeu. E como sempre presto atenção em detalhes que não estão sendo falados, o olhar vitrificado desse cara me é muito estranho. E ele deve ter notado que as pessoas estranham o olhar dele, pois nos últimos vídeos não mais o vemos diante de uma webcam, mas sim como voz por trás de uma série de imagens que vão passando.

    • Esse vídeo é merda após merda, principalmente o final, o imbecil fala de conservadorismo sem saber p nenhuma sobre isso.
      MAS, não é porque esse vídeo é um lixo (verdade) e o DF é um imbecil (verdade) que muita coisa que ele fala, QUE NÃO É IDÉIA DELE, está errada.

  8. A crítica fundamental dos libertários é a de que o estado, seja qual for o regime de governo, é uma instituição que subsiste através da expropriação da riqueza e da propriedade dos legítimos donos, ou seja, daqueles que as conquistaram através da apropriação original ou do contrato. Portanto, o estado é uma instituição imoral e contraproducente.

    Não obstante, a irritante incerteza permanece na possibilidade ou não, de existir uma sociedade sem estado.

    Confesso que, mesmo após ler Rothbard e HHH, ainda não consigo acreditar na sociedade anarcocapitalista. Todavia, não posso ignorar as críticas basais desses autores à sociedade democrática e estatista. Por exemplo, a impossibilidade de um mini-estado. De acordo com Rothbard, o estado possui uma irrefreável tendência ao crescimento e inchaço. Vide o exemplo norte-americano que surgiu como um estado exíguo e limitado logo após a Revolução de 1776, o que permitiu um período de bonança e prosperidade sem precedentes, mas que ao longo do século XX tornou-se um estado opressor e gigantesco, tolhendo a liberdade dos cidadãos e drenando sua riqueza.

  9. “Por exemplo, a impossibilidade de um mini-estado. De acordo com Rothbard, o estado possui uma irrefreável tendência ao crescimento e inchaço. Vide o exemplo norte-americano que surgiu como um estado exíguo e limitado logo após a Revolução de 1776, o que permitiu um período de bonança e prosperidade sem precedentes, mas que ao longo do século XX tornou-se um estado opressor e gigantesco, tolhendo a liberdade dos cidadãos e drenando sua riqueza.”.

    Eu acho que isso do estado crescer ocorre por causa da natureza humana.
    Primeiro existe um estado minimo, daí todos têm uma vida boa, e vão deixando de lado a guerra política,
    esquecendo que “o preço da liberdade é a eterna vigilância”.
    Então com as pessoas de bem ignorando a política, os megalomaníacos de esquerda, ou outros
    tipos de loucos vão evoluindo na guerra política e ganhando poder.
    Daí o estado vai crescendo, e pode chegar uma hora que ele vai estar incomodando tanto que
    as pessoas vão voltar à perceber que não podem apenas viver suas vidas sem ligar pro estado.
    Daí, acredito que ele poderá diminuir.
    Mas depois é provável que aumente de novo.
    Eu diria que é um processo cíclico, mas a repetição leva muito tempo pois é através de
    gerações que ela ocorre. E mudanças tecnológicas podem causar grandes perturbações nesse ciclo.

    Uma analogia mais fácil de entender seria imaginar uma comunidade que vive perto de lobos.
    Daí após um tempo eles se cansam dos lobos matando seus membros e resolvem sair e exterminar os lobos.
    Dificilmente eles conseguirão matar todos os lobos, à menos que tenham tecnologia suficientemente avançada.
    Daí, se nenhum lobo aparecer por muito tempo as pessoas vão ficar menos vigilantes.
    E poderão voltar à serem vítimas dos lobos.
    Mas só após um bom número de novos ataques é que elas vão estar suficientemente estimuladas para
    se unirem novamente contra os lobos.

    Assim, somente após um bom número de ataques por parte de governos esquerdistas é que as pessoas
    de bem, de direita, irão começar à se organizar contra os esquerdistas.
    É o que percebo que está ocorrendo no Brasil.

    Quanto ao anarcocapitalismo, considerando a natureza humana acho que não é possível.
    O máximo que vislumbro seria, no futuro, talvez, quando a tecnologia robótica permitir níveis de
    produtividade muito maiores, seria um estado “sem impostos”, pois apenas as doações da
    maioria das pessoas seriam suficientes para financiar o estado.
    E a maioria das pessoas iria sim doar dinheiro ao estado.
    E quem não quisesse doar, mesmo não sendo preso, sofreria forte boicote social.
    Seria como uma pessoa que vestisse a cueca por cima da calça. Não é crime, mas o boicote social impede todos, menos os loucos, de fazerem isso.
    Primeiro porque com altos níveis de produtividade isso seria muito fácil para a maioria.
    Segundo porque as pessoas tendem à se organizar dessa forma, em uma estrutura hierárquica.
    Tanto que qualquer empresa, ou mesmo associação, funciona de forma hierárquica.
    Até pequenas comunidades de comunistas possuem líderes responsáveis por gerenciar as coisas.

    • “Daí o estado vai crescendo, e pode chegar uma hora que ele vai estar incomodando tanto que
      as pessoas vão voltar à perceber que não podem apenas viver suas vidas sem ligar pro estado.
      Daí, acredito que ele poderá diminuir.
      Mas depois é provável que aumente de novo.
      Eu diria que é um processo cíclico […]”

      Exatamente. O sistema intervencionista opera em ciclos de expansão e contração.
      O fracasso das primeiras intervenções estatais instigam mais clamores por novas intervenções, até atingir o paroxismo em que a economia entra em colapso e, forçosamente, o estado recua parcialmente.
      No caso brasileiro houve uma pequena retração do estado nos governos Collor, Itamar e FHC (privatizações, independência do banco central e leve abertura comercial), seguindo a tendência neoliberal latinoamericana. Já na era petista o estado agigantou-se com fúria, como se quisesse recuperar o espaço perdido. Hoje, enfrentamos novamente as consequências do intervencionismo estatal, com inflação infrene, controle de preços e fuga dos investidores. Certamente o próximo governo terá de fazer concessões ao livre mercado, sob pena de transformar o nosso país numa Venezuela.
      Contudo, o governo jamais recua ao ponto original. Basta lembrarmos do governo FHC, onde adotaram-se medidas neoliberais, mas foram criadas as agências reguladoras que atravancam o livre mercado.

      A Escola Austríaca de economia tem uma elaborada teoria do sistema intervencionista.

  10. Pregar a abstenção no processo eleitoral é, no mínimo, entregar a vitória de bandeja para o adversário político. Ou, dito de modo mais direto, é burrice pura e simples.

    A oposição venezuelana fez isto em um dado momento histórico e o resultado prático foi fortalecimento exponencial do chavismo com a consequente redução dos espaços institucionais para a contestação pública.

    Hoje a estratégia da Mesa da Unidade Democrática (MUD), que reúne os partidos de oposição venezuelana, mudou e os oposicionistas passaram a participar do processo eleitoral, crescendo de modo consistente, e, sobretudo, passaram a denunciar a submissão do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) ao governo – Tibisay Lucena, que dirige o CNE, é, por exemplo, uma chavista declarada.

    Além disso, o voto é uma conquista histórica, ou seja, é o resultado de um longo e doloroso processo de lutas políticas através de séculos, começando pela luta entre a monarquia absolutista e o parlamento ingleses no século XVII até chegar ao tempo presente quando foi estendido aos analfabetos (que não podem, todavia, ser eleitos), mulheres, adolescentes (no Brasil, o voto é facultativo para quem tem de 16 a 18 anos), etc.

    Portanto, o voto é uma conquista importantíssima, a arma institucional com a qual podemos mandar os maus governantes para casa sem derramamento de sangue – aqui, tomo emprestado deliberadamente o conceito primário de democracia de Karl Popper. Sem o voto, o único meio de remover os maus governantes do poder é pelo recurso à violência.

    A proposta desse Daniel Fraga é simplesmente bizarra e o mais incrível é que há quem o leve a sério.

  11. Luciano, para falar a verdade eu nunca dei ouvidos ao que esse cara fala. Bastou assistir um vídeo dele a muito tempo atrás para perceber que nada de frutífero eu iria obter vendo ele. Espero que outras pessoas se toquem disso enquanto é tempo. E mais uma vez a sua refutação é digna de uma nota DEZ

  12. ‘Por exemplo, as eleições podem muito bem ter surgido como forma de se atacar os detentores do poder. Não há indícios de que elas tenham sido criadas para esconder o caráter violento do estado, pois nas democracias livres o estado é muito mais denunciado do que em lugares sem eleições. ‘

    Essa lógica não cola, ‘Eleição criada pra atacar os detentores do poder’, essa é só uma parte da história, que não invalida em nada o que o DF diz.
    Quando ele diz que HOJE a eleição serve pra esconder o caráter violento do estado, qual a mentira aí?
    O estado continua arrancando seu sustento pela força, esse é o caráter violento dele, existe alguma dúvida que eleições servem pra mascarar isso?
    Pra ser mais claro: MESMO que eleição tenha sido criada pra diminuir o poder dos detentores de poder, isso não invalida que o poder continua lá, o estado continua sendo um espoliador que usa a força contra pessoas que não fizeram nada errado. A única diferença é que o povo escolhe quem vai roubar, mas o roubo continua.
    Mesmo que eleições tenham sido criadas pra diminuir o poder do estado (e até isso é questionável, porque há monarquias com muito mais livre mercado que qualquer democracia), não significa que HOJE elas não sejam usadas para legitimar o roubo do estado.

    ‘A implicação inevitável de aceitarmos esse argumento grotesco lançado por Daniel é que ele produz o efeito necessariamente oposto ao intencionado.’
    Só se a gente partir do pressuposto de que a única forma de mudar alguma coisa é pelo voto. Basta saber o mínimo de história pra ver o quanto isso é uma besteira.

      • Estranho que nenhum libertário tenha estratégias concretas de como alcançar seus objetivos de sociedade sem estado. Logo, seu desejo, suas aspirações e seus milhões de artigos sobre as vantagens de uma sociedade sem estado não passam de contos de fadas.

        Não há fundamento na realidade.

        Eles projetam um futuro melhor (claro).
        Eles dizem que basta seguir a receita deles que, de alguma forma (inexplicável) chegaremos nesse futuro melhor.
        Eles querem derrubar o estado.
        São hostis à polícia.
        Percebem a realidade através apenas do materialismo e de uma única hipótese (ou princípio).
        Quando a adoção de algumas medidas defendidas por eles acaba mal, eles dizem que “este não é o verdadeiro libertarianismo” ou “isso não é um livre-mercado”.

        Qualquer semelhança com esquerdistas é “coincidência”.

        ps: eles não enxergam – ou fingem – que são apenas uma tropa de pussies da esquerda, com o mesmo papel dos partidos-nanicos (PSOL, etc): sem chance política, mas apoiando propostas que favorecem a esquerda.

      • ‘Estranho que nenhum libertário tenha estratégias concretas de como alcançar seus objetivos de sociedade sem estado’

        Bem que tem, não culpe os libertários pela sua ignorância e preguiça de procurar.

        ‘eles não enxergam – ou fingem – que são apenas uma tropa de pussies da esquerda, com o mesmo papel dos partidos-nanicos (PSOL, etc): sem chance política, mas apoiando propostas que favorecem a esquerda.’

        Essa afirmação não é verdade nem considerando que parte do libertarianismo tem realmente gente pró casamento gay, pró aborto, etc, porque o principal do libertarianismo, onde 100% concordam, é o PNA e como consequência dele a não intervenção do estado na economia, seja com um estado mínimo, seja com o anarco capitalismo (se possível). Fale pra qualquer esquerdista que vc é de esquerda e quer um estado mínimo e ele vai querer te matar.

      • ‘Mostre exemplos de países complexos como o Brasil onde isso tem funcionado. ‘

        ‘Complexo como o brasil’ porque vc quer excluir as monarquias européias como Lichsteinstein não é mesmo?
        Mostre vc países que reduziram o governo através da democracia.Reduzir mesmo, e não reduzir de um lado e aumentar do outro, como fizeram Reagen e Tatcher.

      • “Estranho que nenhum libertário tenha estratégias concretas de como alcançar seus objetivos de sociedade sem estado.”
        Estranho é você afirmar tal coisa sem nem ter o mínimo conhecimento sobre o assunto.
        Vários autores libertários-anarquistas já trataram do assunto, que é amplamente discutido.
        A maioria das críticas aos libertários “radicais” partem de afirmações ignorantes de desconhecedores do assunto. Chega a ser triste, até.

  13. Parei de discutir de vez com Fraga a partir de hoje. Ele só usa falsa analogia pra coisa sque ele quer comparar e usa regra dogmática quando lhe convém além de usar ciências naturais só pra justificar suas crenças

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