Coisas que não vamos deixar ninguém esquecer: a balada de Eduardo Campos, cantada pelo PT

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Crocodile Tears

Hoje, a dona Dilma fugiu da entrevista no Jornal Nacional, alegando luto de três dias pela morte de Eduardo Campos.

O problema é conciliar isso com o histórico de ódio que eles nutrem dos que fogem de alianças com eles. É mais ou menos como a máfia. Depois que Eduardo lançou sua candidatura não raro foi vítima de ataques de ódio por parte do partido.

Nada melhor que lembrar o texto A balada de Eduardo Campos, publicado na página do PT em 7 de janeiro deste ano:

A BALADA DE EDUARDO CAMPOS

Por um momento, desses que enchem os incautos de certezas, o governador Eduardo Campos, de Pernambuco, achou que era, enfim, o escolhido.

Beneficiário singular da boa vontade dos governos do PT, de quem se colocou, desde o governo Lula, como aliado preferencial, Campos transformou sua perspectiva de poder em desespero eleitoral, no fim do ano passado.

Estimulado pelos cães de guarda da mídia, decidiu que era hora de se apresentar como candidato a presidente da República – sem projeto, sem conteúdo e, agora se sabe, sem compostura política.

O velho Miguel Arraes, avô de Eduardo Campos, faz bem em já não estar entre nós, porque, ainda estivesse, morreria de desgosto.

E não se trata sequer da questão ideológica, já que a travessia da esquerda para a direita é uma espécie de doença infantil entre certa categoria de políticos brasileiros, um sarampo do oportunismo nacional. Não é isso.

Ao descartar a aliança com o PT e vender a alma à oposição em troca de uma probabilidade distante – a de ser presidente da República –, Campos rifou não apenas sua credibilidade política, mas se mostrou, antes de tudo, um tolo.

Acreditou na mesma mídia que, até então, o tratava como um playboy mimado pelo “lulo-petismo”, essa expressão também infantilóide criada sob encomenda nas redações da imprensa brasileira.

Em meio ao entusiasmo, Campos foi levado a colocar dentro de seu ninho pernambucano o ovo da serpente chamado Marina Silva, este fenômeno da política nacional que, curiosamente, despreza a política fazendo o que de pior se faz em política: praticando o adesismo puro e simples.

Vaidosa e certa, como Campos, de que é a escolhida, Marina virou uma pedra no sapato do governador de Pernambuco, do PSB e da triste mídia reacionária que em torno da dupla pensou em montar uma cidadela.

Como até os tubarões de Boa Viagem sabem que o objetivo de Marina é se viabilizar como cabeça da chapa presidencial pretendia pelo PSB, é bem capaz que o governador esteja pensando com frequência na enrascada em que se meteu.

Eduardo Campos é o resultado de uma série de medidas que incluem a disposição de Lula em levar para Pernambuco a Refinaria Abreu e Lima, em parceria com a Venezuela, depois de uma luta de mais de 50 anos. Sem falar nas obras da transposição do Rio São Francisco e a Transnordestina. Ou do Estaleiro Atlântico Sul, fonte de empregos e prestígio que Campos usou tão bem em suas estratégias eleitorais

Pernambuco recebeu 30 bilhões de reais do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, do qual a presidenta Dilma Rousseff foi a principal idealizadora e gestora.

O estado também ganhou sete escolas técnicas federais, além de cinco campi da Universidade Federal Rural construídos para melhorar a vida do estudante do interior.

Eduardo Campos cresceu, politicamente, graças à expansão de programas como Projovem, Samu, Bolsa Família, Luz para Todos, Enem, ProUni e Sisu. Sem falar no Pronasci, que contribuiu para a diminuição da criminalidade no estado, por muito tempo um dos mais violentos do País.

Campos poderia ser grato a tudo isso e, mais à frente, com maturidade e honestidade política, tornar-se o sucessor de um projeto político voltado para o coletivo, e não para o próprio umbigo.

Arrisca-se, agora, a ser lembrado por ter mantido entre seus quadros um secretário de Segurança Pública, Wilson Damázio, que defendeu estupradores com o argumento de que as meninas pobres do Recife, obrigadas a fazer sexo oral com marginais da Polícia Militar, assim agiam por não resistirem ao charme da farda.

“Quem conhece Damázio, sabe que ele não tem esses valores”, lamentou Eduardo Campos.

Quem achava que conhecia o governador do PSB, ao que tudo indica, ainda vai ter muito o que lamentar.

Lembrem-se desse texto sempre quando os vir chorando lágrimas de crocodilo por Eduardo Campos, pois agora vai começar um dos maiores shows de hipocrisia petista do ano. E isso não é pouca coisa.

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10 COMMENTS

  1. Luciano, estamos todos desesperados para saber: como é que fica agora? Os votos de Campos migrarão para Aécio? Marina Silva chegará a ser uma ameaça? Gostaria de ver uma análise tua sobre a situação.

  2. Ótimo, Luciano. Compartilharei isso e peço a quem lê aqui: COMPARTILHE ISSO. Use sua rede social descolada pra isso. É de vomitar essa hipocrisia petista, esse falso sentimentalismo. Aqui não, conosco não, PT. Vcs podem enganar uma meia dúzia de beneficiários de Bolsa Família e etc, mas a nós, a maioria, NÃO.

  3. Hoje li na Folha de SP uma entrevista com o Sr. Marcos Nobre, professor de filosofia política da Unicamp.

    Em um dos trechos, foi feita a pergunta de como o PT tinha influenciado a decisão de Eduardo Campos em concorrer a Presidência.

    A resposta dele achei bem interessante:

    “O PT não abre mão de liberar esse condomínio de poder, não constrói verdadeiras coalizões políticas. Nós não temos coalizões políticas, temos um condomínio gerenciado por um síndico que é o PT. O PT poderia ter uma coalizão como no Chile ou Uruguai, onde há rodízio de candidatos. Quando a Dilma foi escolhida da maneira como foi escolhida [pelo ex-presidente Lula, sem consulta ao partido], ficou claro para Marina e Campos que eles nunca iriam ter chance com o PT.”

    Achei interessante o termo utilizado: “condomínio”, onde o PT é o síndico.

    Outra pergunta: “Por que a aliança Eduardo-Marina não decola?”

    “Não decola porque a campanha foi lançada na entrevista ao “Jornal Nacional”, na véspera de sua morte. Ninguém tinha ideia de quem ele era. A exposição nacional dele começou ontem [terça] 12/08.”

    Que destino…

  4. Triste! Terrível! Deus no controle das vidas e da História! Não se esqueça ! Deus existe!Esta vivo! Reina soberano independente da sua crença e vontade! Aleluias!

    Que vença o melhor ! Deus nos ajude!

    • Li hoje a passagem em que Nabuconosor perde a razão e fica sete tempos como animal na floresta. Ele achava que a glória dele era conquista própria unicamente. Deus o humilhou e ele reconheceu que os reinos da Terra estão na mão dEle. A vitória realmente vai para quem o Senhor escolher.

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