Campanha de Marina discute ampliação do ‘controle social’ da atividade política. Isto derrubaria minha tese? Veremos…

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Este blog decidiu estimular uma nova vertente de debate para as eleições deste ano ao discutir a opção por Marina como um plano B, caso Aécio não vá para o segundo turno. O foco da estratégia está na conquista de um objetivo: retardar tanto quanto possível a implementação de uma ditadura. Foram quatro posts em 3 dias. São eles

  1. Por que votar em Marina contra Dilma não é trocar seis por meia dúzia (21/8)
  2. A questão da preferência por Marina ao invés de Dilma e um dos posts menos lidos da história deste blog (21/8)
  3. A maior das ironias da batalha política de 2014: a mídia, vejam só, decidiu atirar no Godzilla para salvar os MUTO’s (23/08)
  4. Sobre a decisão de Minerva entre Marina ou Dilma e por que discordo de Lobão neste caso (23/08)

Eis que surgiu uma notícia no Estadão ontem, 23/08, que a princípio poderia complicar minha tese. É esta: Campanha de Marina discute ampliação do controle social da atividade política. Vamos a ela:

Com lançamento oficial previsto para sexta-feira, o programa de governo acertado entre a candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, e Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo, defende a ampliação dos canais de democracia direta, como plebiscitos e consultas populares, e o controle das atividades dos políticos por conselhos sociais.

Segundo o texto prévio do programa, que ainda pode sofrer alterações pela campanha, essas mudanças pretendem ser a resposta da candidatura às manifestações populares de junho do ano passado. “Elas revelaram ao mesmo tempo o distanciamento entre governos e população e o desejo de mudança na forma de administrar”, diz o documento.

As propostas sobre democracia direta estão explicitadas de forma mais detalhada no primeiro dos seis capítulos, os chamados eixos, em que o programa foi dividido. É o capítulo intitulado Estado e Democracia de Alta Intensidade. Em outras partes do texto, porém, podem ser encontradas referências à ideia.

No capítulo Cidadania e Identidades, aparece a proposta de “implantar uma Política Nacional de Participação Social e incluir movimentos em conselhos e instâncias de controle social do Estado”. É o mesmo que propunha a presidente Dilma Rousseff no decreto sobre Política Nacional de Participação Social, que, há três meses, provocou polêmica e reações no Congresso.

[…]  As ações de fortalecimento da democracia direta não objetivam o fim da democracia representativa, segundo o texto. Trata-se, afirma, de “revigorar a democracia representativa, aumentando a sua legitimidade”. Em outra passagem afirma que se trata de “melhorar a qualidade e a representatividade”.

[…] Repetindo o que já havia ocorrido em 2010, quando Marina concorreu à Presidência pelo PV, o programa valoriza de maneira notável o uso de novas tecnologias de informação, nas chamadas redes sociais. Elas teriam grande importância no novo processo democrático que, bem ao gosto da candidata, é chamado de “democracia colaborativa” e “democracia digital”. Segundo o programa, “é preciso fortalecer os movimentos sociais consolidados e incluir os novos movimentos que, por meio das mídias alternativas, potencializam formas inovadoras de mobilização”.

Uma das funções das redes seria contribuir para dar maior transparência às atividades do setor público. “Podemos radicalizar a transparência”, diz. Outra função seria o controle dos políticos. Marina propõe “mecanismos de controle social de políticos eleitos, em instâncias próprias, para o exercício de pressão, supervisão, intervenção, reclamo e responsabilização”. No trecho sobre ciência e tecnologia está escrito que a conexão das pessoas à internet deve ser um “serviço essencial”. Como a eletricidade e a água.

[…] Para o cientista político Vitor Marchetti, da Universidade Federal do ABC, as propostas de democracia direta no programa são frágeis. “Vejo mais como estratégia de comunicação do que como proposta de reforma da estrutura política. As questões são pouco aprofundadas e tentam refletir sobretudo aquele sentimento antipartido que apareceu nas manifestações de junho”, diz. “A Marina vai tentar surfar um pouco nisso. A Rede já tentava se marcar como um partido que não era partido, defendendo candidaturas avulsas e mecanismos de participação direta, como referendos.”

Milton Lahuerta, coordenador do Laboratório de Política e Governo da Unesp, concorda que as manifestações refletiram antigo descontentamento com instituições políticas. Mas não acredita que as propostas de Marina sejam a resposta: “É preciso qualificar a democracia de alta intensidade. Ela se resume a plebiscitos e consultas populares? Isso tem um apelo retórico forte, mas pode nos criar mais problemas em relação a instituições políticas democráticas”.

Ao que parece, incluir a ideia de “conselhos populares” significaria uma cópia dos programas do PT, certo? Nem tanto, pois de acordo com o que se nota existem propostas de “democracia direta” e “democracia digital”, além do uso de mídias alternativas, que estão mais para as propostas no padrão sueco do que do modelo unicamente soviético dos bolivarianos. Veja que entendo o risco do PSB/Rede tratar esses conselhos populares da mesma forma como o PT trata, mas a proposta não parece igual.

Além de tudo, a forma como o PSB/Rede trata a questão me parece ingênua demais, com pouco grau de dissimulação. Eles colocam sua proposta de forma aberta justamente em um momento onde a maioria do Congresso tem denunciado a proposta do PT como um embuste totalitário? Para mim, isso é ingenuidade política, e não dissimulação.

Para quem quiser ver um exemplo de dissimulação, note o PT retirando o programa de censura de mídia do plano de governo:

BRASÍLIA – A presidente Dilma Rousseff vetou a “democratização da mídia” como tema de seu programa de governo. Embora o PT insista em discutir o assunto, que poderá entrar no site “O Brasil da Mudança”, lançado ontem pelo Instituto Lula, Dilma avalia que o debate pode ser mal interpretado na campanha.

Vinte e cinco grupos setoriais discutem agora novos temas, que devem ser ampliados na plataforma de Dilma em cadernos separados. Política industrial e comércio exterior, desburocratização, reforma urbana e desenvolvimento agrário fazem parte dessa lista, mas o controle da mídia não está lá.

[…] Ex-ministro do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, Franklin Martins foi o autor do projeto de regulação dos meios de comunicação, que acabou engavetado na gestão de Dilma.

O projeto sofreu duras críticas. Muitos viram nele uma forma de o governo tentar cercear o trabalho da imprensa, aumentando seu poder para influir no conteúdo dos veículos.

Quem julgar por “intenção declarada”, pode até se animar: “Oba, vou votar na Dilma!”. Mas como este blog sempre diz (até pelo ceticismo político) acreditar em intenção declarada significa soltar todos os criminosos que declararem “sou inocente”. De acordo com a dinâmica social, declaração só vale se for acompanhada de um comportamento congruente com a declaração, e no caso desta declaração ser uma meta, só vale também se for acompanhada de uma capacidade congruente com a meta.

A coisa precisa ser vista de forma diferente. Enquanto a proposta do PSB/Rede é mais abrangente e vaga, a proposta do PT é mais focada em uma coisa só: dar poder aos sovietes, que são um aparelho do governo. Se a proposta do PSB/Rede for arquitetada desta forma, é um problema. Mas ainda estamos no tradicional dilema entre o certo e o duvidoso.

Mas a forma “coração aberto” com a qual o partido apresentou sua proposta revela uma falta de dissimulação nos arquitetos de proposta de seu partido que significa uma “deficiência”: falta de psicopatas. O quê? Como alguém pode dizer que “falta de psicopatas” é uma “deficiência”? Calma lá…

O fato é que existe um projeto totalitário apresentado pelo PT, e que há um risco de ser apresentado um igual pelo PSB/Rede. Mas para um projeto desses avançar é preciso de uma elite de pessoas que tenham estrutura mental similar a dos mais frios psicopatas. É preciso de um talento especial para mentir e falsificar a realidade, além da capacidade de fazer os adversários “travarem” pelo uso de ardis psicológicos diversos.

Vamos rever o vídeo abaixo, indo direto aos 3:45:

E que tal a Gleisi Hoffman usando os mesmos frames cretinos:

Minha pergunta: a Marina tem uma tropa de elite psicopática capaz de fazer o que Gilberto Carvalho e a Gleisi Hoffman fizeram com tanto sangue frio? No momento dos duelos, ela tem à sua mão 10 pessoas para “travarem” o debate com um único frame amparado por ardis psicológicos? Esse é o tipo de pergunta que deveríamos fazer. (Em tempo: para evitar chorume de ultra-esquerdistas: moral psicopática e elite psicopática não significa que as pessoas sejam psicopatas, apenas que atuem na falsificação da realidade e dissimulação de modo que seu comportamento seja idêntico ao de psicopatas)

A própria retirada do projeto de censura de mídia (ao passo que esta é uma das prioridades do partido) do programa do PT é um exemplo de dissimulação que a turma de Marina não tem, ou ao menos não demonstrou ter.

Vamos ser realistas: nenhum partido do Brasil tem uma tropa de elite psicopática com a mesma robustez que tem o PT. Este é um ativo fundamental para se conquistar uma ditadura.

Alguns dirão: “Ah, mas intenção parece que a Marina tem!”. Intenção qualquer um tem para qualquer coisa. Capacidade para se fazer aquilo intencionado são outros quinhentos. Se fosse assim, poderíamos pegar qualquer jovem de 30 anos com intenção de revolucionar o futebol e colocar para dirigir a seleção brasileira, pois se tem a mesma intenção que aquele com vários anos de experiência/capacidade/estrutura, então “é tudo a mesma coisa”. Esse é o erro de julgar apenas “por intenção”.

Em duas notícias, vimos Marina falar suas intenções de coração aberto e o PT esconder as suas a partir da dissimulação usada de forma estratégica. Será que dá comparar os dois? É por isso que eu falo que há uma diferença entre ser um mero membro do Foro de São Paulo e ser criador do mesmo. O PT é arquiteto das ideias totalitárias que hoje fazem sucesso na Argentina e na Venezuela.

Que a turma da Marina me desculpe: mas vão precisar comer muito feijão com arroz e ler muito Kevin Dutton para criar uma elite psicopática, que não é uma coisa que se faz da noite para o dia. Vão precisar dissimular muito mais, fazer psicopatas trocarem ideias e estratégias de frames entre eles e coisas do tipo. Aí sim em alguns anos eles talvez consigam uma estrutura para implementar um totalitarismo.

Exatamente por isso mesmo fica claro que minha argumentação segue sólida: não há partido no Brasil com a mesma estrutura/capacidade/condição/resultados/projeto em andamento/etc para conquistar o poder de forma totalitária em curto espaço de tempo do que o PT.

A notícia falando de “intenções” de Marina não ajuda nada na direção de provar que eles tem toda essa capacidade do PT, que, a meu ver, é o inimigo a ser batido.

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36 COMMENTS

  1. Caro Luciano.

    Quem vē de fora às vezes vê diferentemente.

    Seu comentário contribui para polarizar as candidaturas Dilma e Marina.

    Qual a estratégia ?

    Estamos desistindo do Aecio por que ?

    Não quero “aparelhos” nem verdes nem vermelhos. Nem de outra cor.

    Ideologias simplificam idéias e pessoas. Simples assim.

  2. Embora seja um pouco fora da matéria deste post, o link de um programa da TVeja (http://veja.abril.com.br/multimidia/video/aqui-entre-nos-com-marco-antonio-villa) com Marco Antônio Villa, comenta sobre Marina (que de tão comentada até parece que as pessoas esqueceram que o Aécio está na corrida) e seu (dela) desprezo pelo Congresso.

    Mas o que achei sintomático, aqui e que, nesta coisa toda, me deixa quase com uma úlcera ao ver tantas oportunidades de destruir a reputação do PT perante a opinião pública perdidas pelo PSDB, é a constatação expressa no vídeo, que é a de que a oposição não sabe “fazer oposição”. Estamos a pouco mais de um mês das eleições e o PSDB ainda “não sabe fazer oposição”?

    Não consigo entender como uma partido que a, pelo menos, 40 anos faz política, inclusive com ex-dirigentes da UNE, contemporâneos da grandes revoltas estudantis dos anos 1960, no seu corpo, sempre fica “em cima do muro” e ainda não aprendeu a fazer oposição.

    Em minha opinião, acho que ele não quer fazer oposição. Penso que o PSDB simplesmente se omitepor interesses outros que desconhecemos e que, temo, não sejam os mais nobres. E isso, sim, me deixa muito deprimido porque não vejo ninguém para desviar o partido desse caminho, e a única alternativa que nos resta – a nós que efetivamente combatemos a ditadura petralha – é um segundo turno sem o PSDB, em que iremos votar numa radical duplamente fanática religiosa como a Marina – socialista e religiosa, de fato, o que é um paradoxo – na esperança de que ela meta os pés pelas mãos e acabe dando com os burros n’água.

  3. Caro Luciano, bom dia.
    Eu combato o PT desde a sua fundação, sempre denunciando seu projeto hegemônico de poder e não seria agora que eu modificaria meu posicionamento. Eu jamais votei em candidatos do PT, e jamais votarei!, seja qual for a circunstância. Se por acaso o segundo turno for entre Dilma e Marina, não me restará outra opção a não ser me empanturrar de Dramin para não vomitar sobre a urna na hora do voto.
    Jamais deixei de votar, mesmo quando sabia que a derrota do meu candidato era irreversível. No entanto, pela primeira vez me vejo assombrado pelo fantasma do voto nulo. Sei que indiretamente estaria beneficiando a candidata petista, mas, seria também, a maneira de dizer não ao lulismo, mal maior que vem destruindo o Brasil e é reverenciado pelas duas candidatas. Nunca sequer imaginei a possibilidade de anular o meu voto, mas, confesso, a hegemonia lulista me assusta. Ou nos posicionemos contra (o lulismo), ou não nos restará outra alternativa a não ser começarmos a estocar papel higiênico!
    Apesar do grande esforço midiático (o que não é o caso do caro amigo) de consolidar Marina Silva como a principal adversária de Dilma Rousseff, mantenho minha certeza de que Aécio Neves estará no segundo turno. Se será eleito é outra história.

    • Mauro,

      Se o Aécio estiver no segundo turno (e votarei nele), minha tese não se aplica. Entretanto, o que propus é que não há um bom argumento para um voto nulo no caso dele não estar no segundo turno. Meus textos nesse caso focaram na mudança de perspectiva: quem é mais hábil para implementar um totalitarismo em curto espaço de tempo?

      Abs,

      LH

      • Caro amigo Luciano, eu concordo com seu posicionamento defendendo a tese de que Marina seria o mal menos pior. Ainda assim, continuo acreditando que o lulismo, reverenciado pelas duas candidatas, é o mal maior a ser extirpado da política brasileira. Desgrudadas de Lula, eleitoralmente Dilma e Marina são pouco mais que qualquer Pastor Everaldo da vida. Sua ação é tão devastadora que poderá nos encurralar no beco do insólito e nos oferecer como opção definitiva elegermos uma presidente capaz de ao menos retardar o fim de nossa agoniante viagem rumo à inescapável rendição ao totalitarismo. Correr para onde?
        Mantenho meu repúdio à anulação do voto, mas, perdoe o desvario, creio que 20 milhões de votos nulos retumbariam pelo lodaçal da politicalha reinante como um grito de liberdade dos brasileiros e brasileiras cansados de serem explorados e que exigem o fim do reinado de Lula. Só me resta o delírio.

  4. Mas o PT, ou parte dele, não poderia se unir à Marina para que tal projeto fosse aprovado caso ela vencesse as eleições? Com isso dariam mais um passo rumo ao seu próprio projeto pois isso facilitaria sua aprovação posterior, quando ELES estivessem no lugar dela.

    Um governo de Marina, de perspectivas na animadoras por todas as dificuldades que enfrentará, tornará a volta do PT ao poder, para parte do eleitorado, como uma solução.
    Nada garante que após Marina um projeto político mais democrático, mais liberal e menos autoritário do que atualmente vemos em ação no país seja vitorioso.

    De forma estratégica, o PT pode unir suas forças em apoio ao projeto de Marina visando aproveitar-se dele mais adiante. E, apesar das diferenças do momento, Marina e o PT tem muito em comum. Temos que lembrar que o PT também age estrategicamente, mais que todos os partidos, que sempre dormem de touca, para implantar seu projeto político.

    • Edson,

      Isso poderia ocorrer de fato. Mas aí é a troca do certo pelo duvidoso.

      Se alguém me provar que é CERTEZA que isso vai ocorrer, aí eu votaria nulo.

      Mas a argumentação para a hipótese TEMPO IGUAL para implementação de uma ditadura, no caso de Marina ganhar, precisa ser robusta. Não adianta que se diga que é “mesma proposta”.

      Abs,

      LH

  5. Caro Luciano, receio que um eventual governo Marina Silva seria um fracasso em todos os aspectos, o que ensejaria o retorno triunfal do PT ao poder em 2018.

    • Eric,

      Veja o que você diz: “fracasso em todos os sentidos”.

      Será também um fracasso em termos de implementação de uma ditadura a curto prazo? Se for, mais um motivo para eu votar em não-Dilma.

      Além do mais, até 2018 muita coisa pode ocorrer.

      Eu acho pior do que eleger o PT em 2014, e depois em 2018, 2022…

      Abs,

      LH

      • Hugo Chavez levou mais de uma década para destruir a Venezuela. O PT precisará de muito mais tempo para bolivarianizar o Brasil peremptoriamente, em virtude de nossas instituições mais resilientes. Neste ínterim a degradação do nosso país açulará o povo a resistir ao processo de comunização, qual ao povo venezuelano que luta nas ruas contra o atual governo bolivariano de Maduro.
        Por isso, acredito que, em caso de derrota do PSDB no primeiro turno, seria melhor a vitória do PT. A decadência econômica e moral por mais 4 anos evidenciará o quão pernicioso é o PT.

      • Eric,

        Entendi sua aposta, mas a meu ver o Pt tem chance de implementar o decreto soviético em 6 meses, e garantir a censura de mídia em 1 ou 2 anos. Ainda não vi um argumento para isso do lado de Marina.

        Com o decreto soviético de vento em popa e a censura de mídia, não será uma crise simples que tirará o PT, pois eles controlarão o fluxo de informações.

        Abs,

        LH

  6. Muito bom seus posts sobre Marina. A direita conduzida por tucanos (esquerdistas garbosos) comete um erro estratégico colossal ao igualar, ou em muitos casos, dizer que Marina é “pior” que Dilma. Fica evidente que Marina não tem projeto totalitário como o PT, e a proposta de acabar com a reeleição deixa isso claro. Tenho tanta certeza de que ela será melhor para a direita no país, ao mesmo tempo em que será péssimo para o PT, que desisti de votar em Everaldo para ir de Marina desde o 1º turno, pois sabemos que o PSDB não vencerá Dilma em um eventual 2º.

  7. Se no 2º turno ocorrer de dar Marina x Dilma, então poderei dizer que estaremos entre a cruz e a espada. Pois Marina e Dilma são como uma cobra de 2 cabeças.

    O ‘corpo’ dessa cobra é inegavelmente o PT, até mesmo pelas próprias declarações de Marina de que ‘nunca tirou o PT do coração’.

    Desculpe Luciano, mas não concordo contigo sobre uma hipotética razoabilidade de Marina frente à Dilma. Aliás, digo: Marina é um artifício político de eleição. O mesmo artifício usado aqui no Rio Grande do Sul nas eleições de 1998, explico abaixo:

    Emília Fernandes, hoje do PCdoB, mas em 1998 do PDT. Ficou em 3º lugar nas eleições para governador do RS em 1998 no 1º turno e no 2º turno e apoiou o bigodudo Olívio Dutra, do PT. Resultado? Olívio ganhou no 2º turno, com uma vantagem de 97.000 votos sobre Antônio Britto. De onde vieram esses 97.000 votos? De Emília Fernandes.

    Marina é, para mim, claramente esta estratégia: Dicotomizar os votos para em um eventual 2º turno entre Aécio e Dilma, apoiar incondicionalmente Dilma. Mas é óbvio: ficará tudo mais fácil se Marina for para o 2º turno com Dilma.

  8. Projetos totalitários não são investimentos futuros, só beneficiam que está no poder. Logo o PT será totalmente contra qualquer projeto bolivariano alheio que lhe dificulte o retorno pela via democrática. Com marina vencendo Dilma, o bolivarianismo vira pó com a ajuda do próprio PT que vai precisar de instituições fortes e democráticas para se eleger de novo.

  9. A vida imita a arte: “Victor (PSB) vai para a floresta e, por engano, ao colocar a aliança no dedo de um galho, acaba se casando com uma misteriosa mulher, a noiva-cadáver, e é levado para a Terra dos Mortos. Quando consegue retornar para explicar a situação para Victoria (PPS), a noiva-cadáver o leva de volta para o mundo subterrâneo. Desesperada, Victoria (PPS) tenta justificar o desaparecimento de Victor (PSB), mas seus pais (PCB) não acreditam e arrumam um novo casamento para ela, agora com Lorde Barkis (PV). Agora, Victor (PSB) terá de arrumar um jeito de voltar para os braços de seu amor vivo.”

  10. Eu adoro seus textos mas discordarei desse. Parafraseando RA, na hora de votar levamos em conta o passado, afinal no futuro tudo pode acontecer…até mesmo o PT virar democrático. Marina não é opção a Dilma.

      • Luciano, você sabe que tem muitos admiradores. Deve ter percebido também que entre eles muitos consideram PT e PSDB “farinha do mesmo saco”. Dessa forma, por que tem tratado somente de uma suposta rejeição à candidatura Marina?

        Ou seja, muitos de seus leitores não estão sequer convencidos em relação à “alternativa PSDB” (particularmente, a única para mim neste momento), mas você tem dedicado infinitamente mais tempo e conhecimento em prol da candidatura da “ungida”.

        Mesmo entre supostos anti-petistas vejo muita rejeição ao PSDB, notadamente entre servidores públicos (infelizmente, um batalhão de votos neste esquizofrênico país), por isso, acho que seus leitores talvez estejam aguardando um texto sobre por que a candidatura Aécio é melhor do que a dobradinha Dilma-Marina.

        Claro que ninguém aqui espera encontrar texto de cabo eleitoral, mas não tem sido fácil encontrar uma espécie de “overdose Marina” nestas plagas.

      • Eu acho, infelizmente que não haveria opção.

        Antes de o PT chegar à presidência, Olavo de Carvalho era um dos poucos a alertar para os perigos deste partido tomar o poder, muita gente o julgava louco, exagerado. Marina, pelo que mostram apenas as evidências pretéritas (afinal ela ainda não governou o país), é esse mal renovado, de cara e roupas novas. O projeto é o mesmo e ela tem um discurso poderoso, pode vir a falar mais facilmente ao emocional de muita gente de miolo mole.

      • Pois é, Luciano. Eu compreendo completamente o seu ponto, e considero toda a sua defesa como algo honesto e legítimo. Mas nós votamos pelas certezas ou evidêcias do passado. O futuro é sempre o imponderável e o passado diz que os métodos podem até diferir mas os planos de Marina e PT têm muito em comum. Marina tem o mesmo messianismo de Lula. Ela tem aquela aura de santa, de entidade da floresta…uma fadinha da floresta! E, imagino que ela vá usar esse personagem para falar “ao coração” do povo, como Lula que fez o mesmo como o homem pobre cuja mãe nasceu analfabeta.
        Ninguém esperava pela morte de Campos. Poucos creram no Olavo antes de 2002 (eu mesma achava um pouco exagerado). A preocupação com Marina agora se equivale aos alertas de Olavo nas colunas d’ O Globo. Tanto na vida como na política o imponderável não pode ser deixado de lado.

      • Natália,

        Entendo. O que me interessa agora, mais do que as “ideias” é a COMPETÊNCIA. Se nós ficarmos só nas ideias, não conseguimos entender as peças do tabuleiro.

        Por exemplo, em relação ao decreto 8243 ela recuou, algo que jamais o PT faria.

        Abs,

        LH

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