Ex-ministro da justiça de um certo governo faz de tudo para que Paulo Roberto Costa desista de delação premiada

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Mais uma para a série “Por que eu não estou surpreso?”. Leia a notícia Paulo Roberto Costa pode desistir de delação premiada, do Brasil247:

Quatro dias depois de ter anunciado a decisão de aceitar a delação premiada – quando o preso diz tudo o que sabe, às vezes entregando até provas, para que leve à condenação e prisão de outras pessoas – o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, preso na Operação Lava Jato, pode voltar atrás.

A informação é de que o ex-ministro da Justiça Marcio Thomaz Bastos foi contratado como advogado por um pool de empreiteiras, liderado pela Camargo Corrêa, para tentar fazer Costa desistir da decisão. Caso aceite o acordo, o ex-diretor da Petrobras irá expor a relação da estatal com diversas empresas.

A nova advogada de Costa, especialista em delação premiada, diz agora que ainda não há nenhum acordo definido. “Esta é uma decisão muito pessoal do denunciado e nada foi definido. Vamos avaliar qual a melhor linha de defesa e não há qualquer proposta de acordo”, disse Beatriz Catta Preta.

“Se optar pela delação premiada, Costa terá de negociar as bases do acordo com o Ministério Publico Federal, que vai avaliar quais informações relevantes que ele poderá prestar em troca de atenuantes à sua condição de denunciado”, acrescentou.

A decisão anunciada na sexta-feira levou o atual advogado do caso, Nélio Machado, a ameaçar deixar a causa, por ser contra o acordo. Ele acredita que Paulo Roberto Costa não comentou nenhum crime e por isso não concorda com o regime.

Vamos fazer um exercício. De que governo pós-regime militar Márcio Thomas Bastos foi ministro da justiça? Opções:

  • (a) José Sarney
  • (b) Fernando Collor
  • (c) Itamar Franco
  • (d) Fernando Henrique Cardoso
  • (e) Luladilma

O estilão de todo o arranjo nos lembra filmes de Martin Scorsese como “Os Bons Companheiros” e “Cassino”. Alias, se o sujeito está preso e quer ganhar o benefício pela delação premiada, o que iria aceitar em troca do silêncio?

Pois é gente. Barra-pesada é isso aí…

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4 COMMENTS

  1. Segundo o jornal “Alerta Geral” (http://www.alertatotal.net/2014/08/blefes-de-paulo-roberto-costa-e-alberto.html) o Paulo Roberto nunca teria tido intenção real de fazer a tal delação premiada. Apenas usou esse blefe como uma maneira de se proteger e à família de um provável novo caso “Celso Daniel”.

    Eu acredito que o pessoal do Alerta Geral está certo, mais ainda porque o advogado do doleiro Youssef já havia declarado que o seu cliente não aceitaria a tal delação premiada, o que enfraqueceria bastante qualquer informação que Paulo Roberto tivesse e que dependesse da confirmação do doleiro.

    • Ninguém em sã consciência se dá a esse papel. Marcos Valério abriu o bico? Não. Por quê? Porque ele (com toda razão) não se sente seguro. A mesma sensação deve ter Paulo Roberto da Costa. O fantasma de Celso Daniel continua assombrando muita gente.

  2. Lembrando a “lavanderia” do ex ministro da justiça(?) no caso da “cachoeira” de dinheiro que recebeu para defender um “cliente”. Interessante que neste caso o cliente é acusado de roubo, lavagem de dinheiro e NÃO tem renda declarada para justificar o pagamento de 15 milhões de reais. O cidadão “rouba” dezenas de milhões de reais, o dinheiro é sujo em seu poder, mas a partir do momento que este mesmo dinheiro SUJO é utilizado para pagamento de honorários advocatícios, automaticamente ele se torna “legal” na conta do advogado. Gostaria de saber porque a lei de lavagem de dinheiro não é aplicada para o pagamento de honorários para advogados? Se o cliente tem rendimento declarado não terá problemas em fazer o pagamento, agora o cliente rouba milhões e não tem declarado este dinheiro e nem tem como justificar o pagamento ao advogado e a Receita Federal simplesmente não faz nada???! Vamos roubar tudo o que podemos e depois é só usar este dinheiro para pagar os honorários do seu advogado que este dinheiro fica legalizado. E claro que ninguém vai saber quem é o sócio oculto do escritório de advocacia.

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