Armínio Fraga desmascara um pacote de mentiras do PT

11
81

arminio-fraga

É vital lermos o panfleto A Moral deles e a Nossa, de Leon Trotsky (ele pode ser baixado aqui em formato pdf), pois ele nos dá uma mostra do que sustenta o sistema moral da extrema-esquerda. Mas existe uma diferença entre conhecer este material de Trotsky e internalizá-lo a ponto dele mudar sua concepção de mundo e modo de agir. Os petistas conseguiram fazer isso com uma habilidade impressionante, sendo a mais perfeita representação brasileira do fenômeno da moral psicopática. Se estivermos preparados para isso, nos prepararemos para nos defrontar com pessoas cujas intenções frequentam os abismos mais profundos da depravação humana.

Neste panfleto de Trotsky são fornecidas diversas racionalizações e incentivos para que o ultra-esquerdista minta e dissimule o máximo que conseguir, da forma que for possível e usando todas as arenas possíveis. É evidente que quanto mais trotskista alguém for, mais perigosa para o convívio pessoal essa pessoa será. Para essa gente, o barbarismo não é um deslize comportamental, mas um imperativo “moral”.

Isso explica por que o PT consegue mentir com tanta proficiência. Eles simplesmente seguem uma bíblia revolucionária que toma a virtude como um mérito. Disto resulta que quando os vemos falar de economia (vendendo méritos que não possuem, enquanto demonizam oponentes superiores a eles em todos os sentidos) sabemos que a mentira dá o tom. O ex-presidente do Banco Central (do governo FHC) Armínio Fraga perdeu a paciência com tantas mentiras dessa turma e escreveu o ótimo texto Mitos do PT, publicado na Folha de São Paulo. Leia:

Não é de hoje que o PT adota uma retórica agressiva e populista para marcar suas posições. Em tempos de campanha, esta prática se radicaliza, adquirindo tons cada vez mais berrantes, e chegando frequentemente a se desentender com os fatos. Abaixo alguns exemplos.

O primeiro mito, mencionado em entrevista na televisão pela própria presidente Dilma, é que a culpa do baixo crescimento é da economia internacional. Não é verdade. Nos governos FHC e Lula, o Brasil cresceu a taxas médias muito próximas das da América Latina. Para os anos Dilma, o crescimento projetado está 2% ao ano inferior ao da região, o que demonstra que não foi problema externo, foi interno mesmo.

O segundo diz que “basta estimular a demanda e o resto se resolve”. Não tem sido bem assim. Falta investimento, vítima de preconceitos ideológicos e má gestão. A produção e a importação de bens de capital afundaram nos últimos meses. A infraestrutura virou uma barreira ao crescimento. O investimento está flutuando em torno de 18% do PIB há anos, valor insuficiente para acelerar o ritmo de crescimento. É preciso elevar este porcentual a 24% até 2018, que é a nossa meta.

O terceiro é que os problemas da indústria serão resolvidos com medidas pontuais. Na verdade, a indústria nunca esteve tão mal. As taxas de juros estão para cima e o câmbio para baixo. O complexo sistema tributário é custoso e cumulativo, prejudicando as exportações e o investimento. A logística não está à altura das necessidades do país.

O quarto é o “querem fazer um arrocho”, em resposta à posição honesta de que (para voltar a crescer) o país necessita corrigir muitas de suas políticas. A verdade é que a economia está devagar quase parando, amarrada por uma enorme e crescente incerteza sobre seu futuro. As perspectivas para o ano que vem são sombrias, como indicam todos os indicadores de confiança disponíveis. O arrocho, com dispensas e suspensões de contrato de trabalho, já chegou, vamos cair na real.

O quinto é o estridente “vão fazer um tarifaço”. Aqui cabe, antes de mais nada, perguntar que situação é essa e como chegamos nela. Falo do irresponsável represamento dos preços de combustíveis e de energia, e da taxa de câmbio. No campo dos combustíveis, sofre a Petrobras asfixiada em seu fluxo de caixa, sofre o setor de etanol, onde as falências crescem, e sofre o meio ambiente, com o absurdo subsídio implícito a combustíveis fósseis. No setor elétrico, um movimento voluntarista de redução de tarifas saiu pela culatra, e vem gerando uma dívida bilionária com as distribuidoras de energia. Por último, a repressão da taxa de câmbio desestimula as exportações e pressiona ainda mais o deficit em conta corrente, hoje em 3,5% do PIB.

Em sexto lugar, há a acusação de que “o governo FHC sempre cortou o gasto social”. Acusação falsa, como demonstra Samuel Pessôa em artigo recente nesta Folha. Medido como a soma de INSS, Lei Orgânica da Assistência Social, abono salarial, seguro desemprego e bolsas, o gasto social cresceu cerca de 1,5 pontos do PIB em cada um dos governos Itamar/Collor, FHC, Lula e Dilma (esta em cerca de 1 ponto até agora). Na verdade, o governo FHC representou uma guinada no foco do gasto público na direção da educação e da saúde, ponto nunca reconhecido pelo PT.

Finalmente, o governo diz que “quebraram o país e nós pagamos o FMI”. Em 2002, o Brasil quase quebrou, sim, em função do medo do que faria o PT no poder (e que Lula resolveu, para seu eterno mérito). No segundo semestre de 2002 o governo FHC (com anuência da oposição) tomou um empréstimo com o FMI de US$ 30 bilhões. Cerca de 80% do empréstimo foram reservados para o próximo governo, sendo 20% desembolsados (e não gastos) em dezembro de 2002 e o restante já durante o governo Lula. Portanto os recursos ficaram, na prática, à disposição do governo Lula.

O populismo e a mentira são inimigos da democracia e da boa política. Temos que melhorar a qualidade do debate público, que deve ser baseado em fatos e dados.

Simples, claro e didático! É preciso agora que os marqueteiros de Aécio Neves criem uma versão sucinta para que isso seja esfregado na fuça de Dilma Rousseff em um próximo debate.

Anúncios

11 COMMENTS

  1. Pois é. mas será que dá tempo? são informações um pouco complexas para o povão entender, só nos resta esperar o que os marqueteiros vão fazer com esta informação, eles não me parecem tão habilidosos.

    Aliás Luciano vc viu o novo comercial do pcb? Lá eles praticamente ameaçam de morte (ou prometem matar) os seus inimigos quando conseguirem o que querem.

  2. Luciano, essa é a democracia direta, contemplada pelo decreto bolivariano do PT. Não seja ingênuo, você sabe muito bem do que isso se trata.

      • A minha “matriz de responsabilidades” é:

        . quem fornece todo o suporte e infra-estrutura é o PT que é um “posto avançado” do Foro de SP

        . Dilma é uma farsa, não tem competência nenhuma, toda aquela história de lider guerrilheira não passou de mais uma “mentira que colou”. Não se deve “misturar” quem tem o poder com quem vai executar as tarefas simplesmente pelo fato de que se algo sair muito errado, se perde o poder e a execução. Dilma “dá o poder”, Gilbertinho executa. Se der merda muito grande, dança o Gilbertinho e no máximo Dilma sai chamuscada. Vide Mensalão.

        . quem toca as atividades do projeto de totalitarismo, é o Gilbertinho do Carro Preto, por isso esteve no governo Lula e manteve-se mesmo com algumas cagadas geradas pela execução das atividades

        . com relação ao risco Marina, ela pode:

        . não aceitar participar do projeto
        com 30 anos de PT nas costas, seu histórico de declarações somado a sua posição de não critica ao seu ex-partido, aos caciques do ex-partido e ao próprio Foro de SP … dá para imaginar que no minimo ela é bem simpatica ao projeto.

        . participar do projeto, bastando apenas usar a estrutura criada pelo PT que já está em funcionamento. mantendo a divisão poder x execução (ela só vai dar o poder a alguém).

        . tô nem aí para o projeto, deixando o PT fazer por outras vias, p.ex. pelo congresso através de votação que, se aprovada, Marina não vetaria e ainda sairia “bem na foto” dizendo que é a vontade popular sendo realizada por seus representantes.

        A hipotese da população se manifestar contra, botar pressão, etc. a ponto de inibir o congresso ou a presidente, acho bem pouco realizavel.

        Note que via congresso é o plano B, e os petralhas não quiseram correr riscos e não perder a ótima “janela de oportunidade” que foi a sequencia de eventos (copa -> férias -> eleição -> festas de fim de ano) que esvaziaram o congresso.

        O projeto está sendo acelerado porque:

        . o mensalão foi abatido em voo
        . os cabeças do mensalão e do partido (executores) foram presos e expostos publicamente
        . pegaram os executores, mas quase pegaram também quem deu poder (todos sabem quem era)
        . para comprar apoio/silêncio a roubalheira foi absurda (muito além do já alto nivel bananeiro)
        . perdeu-se completamente o controle dos aliados
        . fizeram muita cagada na economia (a velha incompetência esquerdista concentrada em Dilma)
        . não conseguiram colocar focinheira em toda a imprensa e algumas cagadas foram comunicadas
        . o risco de perder o poder
        . etc.

        Agora tão jogando no “tudo ou nada”:
        . controle da midia
        . reforma politica
        . plebiscito para nova constituinte
        . participação direta

        Existe também um erro na comparação com a Venuzuela pq lá o projeto já estava em fase final de implantação (muito a frente do nosso) quando pintou “uma crise economica monstro”.

        Aqui, pode ser o contrario, a crise pode vir antes … aguardemos mais um bocadinho.

        E olhem só, parece que o “carro da frente” que ia entrar no “estacionamento bolivariano” está apresentando problemas:

        Greves e protestos paralisam a Argentina
        http://veja.abril.com.br/noticia/mundo/greves-e-protestos-paralisam-a-argentina

        Como diz aquele famoso narrador: Olho no lance!

        abs,

  3. O segundo turno, tá longe Luciano. (“Cada dia com a sua agonia”)

    Ainda é muito cedo.

    Mais do que nunca, Marina tá sentido o gosto da vitória … o agora vai!

    E isso é bom pq, se for “voo de galinha”, quando der uma caída nos números dela, ou subida nos do Aecio, ela ficaria mais flexivel.

    Neste momento, bem pressionada, precisando de apoio, poderia negociar pontos importantes a favor da democracia.

    Veja, que enquanto ela tem “o gosto da vitória” nem mesmo uma “carta de compromisso com o PSB” e os pontos definidos por Eduardo Campos ela quis assinar.

    Duas que aprendi na vida:
    . “não se deve comprar nada de quem não quer vender”.
    . “um excelente negócio começa sempre na compra, não na venda”.

    Ninguém citou isso:
    Ela é diferente do PSDB, neste ponto, para melhor.
    Resiste muito a “entrar na agenda” dos outros.

    Mas quando sentir a vitória escapando pelos dedos … isso pode mudar.

    Ainda estamos no primeiro tempo, então, sigo o narrador: Olho no lance!

    abs,

  4. Luciano, pelo que eu vejo, o PSDB está morrendo de medo de vencer as eleições. Devem estar comemorando a disparada da Santa Marina e doidos que alguma das duas vença e tenha que descascar esse imenso, maravilhoso e imponderável abacaxi cultivado ao longo dos últimos 12 anos. Já vistes um partido tão sem garra?

Deixe uma resposta