Coletivo não-eleito brasileiro apoia Cristina Kirchner e reclama dos fundos abutres. Elementar….

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Na guerra política, precisamos nomear nossos adversários de acordo com os frames adequados. Se estes frames forem logicamente válidos, é plenamente moral fazê-lo. Por isso, vou usar a denominação coletivo não-eleito para me referir às tais organizações da sociedade civil denorex. Quando estes coletivos não-eleitos se associam com um governo socialista (que sempre utiliza esses grupos como parte de seu aparelho), tornam-se sovietes. Mas para que tudo fique de mais fácil entendimento, os chamarei mesmo de coletivos não-eleitos (ao invés de sovietes) na maioria de meus textos sobre o assunto.

Assim, vejamos um coletivo não-eleito brasileiro apoiando o governo de Cristina Kirchner. E fazendo seu serviço direitinho: enquanto Cristina criou uma crise para a Argentina, levando o país ao calote, o CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) faz propaganda para ela, sempre no intuito de esconder da população as verdadeiras causas do problema. Veja um trecho da declaração de Dona Raimunda Gomes (que também atende pela alcunha de Doquinha):

Queremos manifestar nossa total solidariedade ao povo e o governo argentino contra essa intervenção do imperialismo estadunidense, e dizer que a América Latina não aceita retrocesso, é uma região em ascensão, que de pé diz não às tentativas de golpe aos governos eleitos democraticamente pelo seu povo. Conquistamos nas ultimas décadas governos populares e progressistas, e isso incomoda muito as oligarquias financeira e principalmente os donos dos meios de comunicação que são nossos maiores opositores da democracia em nossa região.

Coisa fina, coisa muito fina, Doquinha. O povo argentino está sofrendo e ao invés dela pensar em identificar as causas verdadeiras do problema basta lançar as culpas nos Estados Unidos, que não dão a mínima para os hermanos.

E se eles já não foram eleitos pelo povo, provavelmente entendem que podem ajudar governos que levam de forma intencional seus países ao colapso econômico. Mas se fossem eleitos, poderíamos deixar de votar neles.

Pense nisso quando políticos de esquerda falarem em aumentar a “participação popular” mas somente incluindo coletivos não-eleitos em suas propostas.

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15 COMMENTS

  1. Esse povo não tem nada melhor pra fazer, não? Parecem uns papagaios-androides sempre repetindo as mesmas falácias. Dona Doquinha deveria ser mais útil à sociedade, fazendo, por exemplo, comparativo de preços entre vários supermercados. Isso, sim, vale um elogio.

  2. Sei lá Luciano, não gosto da expressão coletivo não-eleito, parece algo complicado demais. Acho melhor chamar de “povo do PT”, em contraponto ao povo de verdade.

  3. Luciano, me ocorreu algo enquanto eu lia o seu texto, que parece-me uma rotina muito complexa e da qual eu queria algum tipo de referência bibliográfica para estudar, caso a tenha:

    A questão do Culpe os EUA e o imperialismo americano por tudo no mundo.

    Queria estudar essa questão com profundidade, já que ela é usada de tal forma e em tão larga escala que até americanos culpam o próprio país por tudo, é como se EUA = Capitalismo e Direita, ou seja, quando você culpa os EUA, você automaticamente estivesse lançando um shaming em quem se declarou capitalista, seja conservador, liberal ou libertário.

    • Também há uma rotina parecida com essa, só que mais regional: Culpe Israel por todos os problemas do Oriente Médio, que pode ser usada em conjunto com a rotina descrita por você.

      • Isso também é usado em relação a Ditadura Militar, porém contra esse shaming é mais fácil se defender, basta perguntar ao esquerdopata se houve/há algum regime democrático socialista.

  4. Luciano,
    Não entendi a razão do termo coletivo não-eleito. Por que não soviete mesmo? Sou da opinião que um dos principais problemas na nossa luta é que o cidadão médio considera o lulopetismo corrupto, ladrão e oportunista, mas não revolucionário aos moldes de Marx e Lênin. O termo soviete já está consagrado e trás um claro vínculo à URSS, ao comunismo, à didatura e ao genocídio praticado no século XX.

    • Thales,

      O termo coletivo não-eleito TIRA A LEGITIMIDADE do coletivo (conselho, etc.) para representar o povo. Isso é importante em um debate para capturar a atenção. O termo soviete será compreendido apenas por alguns. Se você usar o termo “sovietes”, muitos na plateia não entenderão. Eu fiz o teste usando o termo sovietes, em conversas com pessoas, e vi que eles requerem uma explicação de 2 minutos para entender o que é. Coletivo não-eleito podem ser compreendidos mais rapidamente.

      Abs,

      LH

  5. Não sei o que é pior: a fraseologia zumbi, mais batida que tamborim, ou defender a velha tática de usar calote como ferramenta política para ignorar compromissos assumidos (e não é a primeira vez que isso acontece por lá)

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