Guerra Política 2014 – 10 – A estratégia “no way”

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Um dos pontos de maior preocupação para um candidato é sua taxa de rejeição. Qualquer número acima dos 30% é preocupante. Quando este número chega a 40% pode esquecer. Isto, é claro, quando falamos de eleições para cargos como prefeito, governador ou presidente.

Em qualquer escopo da guerra política, sempre existe um mal maior a ser combatido. Em direção a este mal maior devem ser destinados os esforços de rejeição social.

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Para entender e aplicar este princípio é preciso antes de tudo superar a clivagem purista que pode se abater sobre nós, vez por outra, assim como ser capaz de identificar um mal maior. Em muitas vezes, é necessário fazer uma análise de riscos e tomar uma decisão a respeito de quem é seu maior inimigo efetivamente.

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Tendo feito isso, o restante não é muito difícil: basta propagar aos quatro cantos que o seu alvo de rejeição não deve ser eleito de forma alguma. Use várias das técnicas vistas até o momento, especialmente a da metralhadora.

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Um amigo me contou que costuma visitar clientes de táxi. Geralmente ele conversa com esses taxistas, iniciando conversas para saber se o sujeito está indeciso ou já possui tendência a votar contra Dilma. Ele garantiu que, após a interação inicial na qual descobre que o outro lado espontaneamente mostra-se indeciso ou anti-Dilma, consegue ser bem convincente para demonstrar que “PT nunca mais!”. Essa é a técnica de que trato aqui.

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No seu cotidiano, lembre-se de tomar cuidado e não abordar petistas retintos, pois de acordo com o efeito backfire eles se tornarão ainda mais crentes no petismo. Mas em relação aos indecisos e que já não gostam de seu alvo a estratégia tende a ser muito produtiva.

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Mas não é apenas nas interações do seu cotidiano que você pode utilizar esta técnica. Quando você lê uma mensagem em qualquer site de notícias, pode comentar com algo como “PT nunca mais!” e afins.

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As opções são múltiplas desde que você tenha em mente sempre ser possível escolher um dentre seus adversários a ser tratado como o boi de piranha. Tendo definido o seu alvo, é só atacá-lo sem dó nem piedade, usando recursos como indignação, demonstrações e o que valha.

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O critério de sucesso desta técnica é o aumento de rejeição sobre seu pior oponente.

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12 COMMENTS

  1. Chama a Dilma de ex presidiária se é petista vai no teu pescoço, se é indeciso possivelmente não sabe das condenações de Dilma.
    Seis anos por sequestro.

  2. Esse efeito backfire é comum na internet, mas eu costumo ignorar os que não concordam comigo. Vou perder meu tempo pra quê? É por isso que só frequento blogs limpinhos como o seu.

    • Isso é verdade! Sou testemunha disso!

      O próprio Luciano já fez um post bem assertivo sobre isso.

      Naquele post ele disse que lava o blog direitinho todos os dias com essências francesas.

      Desse modo o blog fica sempre muito limpinho e cheirosinho.

      ……….

  3. Luciano, domingo estava em um churrasco e começou uma conversa sobre as eleições. Muitas críticas a Dilma e o PT, algumas críticas aos políticos em geral e rasgados elogios a Marina e a Eduardo Campos. Todos baseando seus votos em características pessoais dos candidatos, um debate bem nível povão mesmo. Fiquei quieto, simplesmente não sabia como intervir sem parecer arrogante e despertar antipatia. Até que me foi feito a pergunta sobre meu voto para governador do Estado (Paraná). A pergunta já insinuava que Requião e Beto Richa já tinham “dado o que tinha que dar” e talvez agora fosse bom ver a Gleisi. Respondi que realmente as opções não eram as melhores, mas a Gleisi era do PT e eu jamais votaria no PT novamente para cargo algum, lembrando de vários casos de corrupção. Várias pessoas, então, concordaram que PT nunca mais. Enfim, isso foi o máximo que eu consegui fazer.
    Quase todas as pessoas que eu conheço, estão empolgadas com a Marina, muitos não dizem que vão votar nela, mas não escondem o entusiasmo com ela. Em relação a entrevista no JN de Marina, o comentário era que Bonner tentou fazer com ela o mesmo que fez com os outros candidatos, mas ela mostrou o quanto é inteligente e colocou ele no seu devido lugar.
    Tenho muito espaço para “bater” no PT, mas não vejo como contrapor a ideia de que Marina seja a melhor opção sem parecer uma chato que quer saber mais que os outros.

  4. Essa técnica é meio confusa, a sua aplicação depende do seu conhecimento do ambiente e/ou receptor, se não você pode acabar sendo alvo de um ataque em massa.

  5. Luciano, eu devo evitar abordagem com petistas fixos, mas posso tentar convencer petistas honestos? Existem petistas honestos q se tornariam antipetistas se soubessem fã verdade, não? De qualquer forma, abordagem sobre petistas retintos é contraproducente. Valeu pela dica.

  6. Bom dia Luciano,

    Tenho percebido na propaganda eleitoral do meu estado que os partidos de esquerda se preocupam em gastar alguns de seus minutos no veículo de comunicação transmitindo claramente a sua visão de mundo, doutrinando mesmo e colocando as bases para que o povo entenda o discurso de seus candidatos quando eles usarem palavras-chave (chavões), como sistema=opressor, privatização=desemprego, luta de classes, e etc.

    Ontem, na propaganda eleitoral obrigatória ouvi pelo rádio cerca de um minuto e meio de doutrinação marxista falando que “todos os direitos emanam da luta de classes” e etc, pegando os problemas contemporâneos explorados pelos adversários e os traduzindo (com malabarismos, claro) de acordo com a doutrina marxista e sua visão de mundo.

    Ao meu ver não existe uma contrapartida da direita equivalente à esta. A direita acaba usando todo o seu tempo disponível para 1) apresentar candidatos; 2) denunciar problemas (com ataques pouco efetivos) e 3) se defender (o pior). Quando o candidato da direita vai para o debate público geralmente o povo não compreende bem o que ele está falando, ou seja, ele não consegue “falar ao coração” das pessoas pois no coração delas atualmente só há espaço para a “cantiga” marxista, que elas ouvem em todo o lugar, até na propaganda eleitoral.

    Então, mesmo que o candidato de direita seja claro o suficiente (para quem sabe do que ele está falando), fica no expectador mediano a impressão de não o ter compreendido totalmente. Penso que isso ocorre justamente porque não houve um trabalho prévio da direita de esclarecer a sua visão de mundo e as palavras-chave que serão usadas pelo candidato de modo que um maior número de pessoas passe a entender o que está em jogo. Parece que hoje a única visão de mundo que o expectador mediano tem é a visão marxista, a qual já está toda engatilhada no coração da plateia esperando apenas que os candidatos de esquerda puxem os gatilhos na hora certa.

    Você não acha que a direita deveria explorar mais esses recursos pedagógicos como forma de igualar as forças em jogo na discussão democrática ?

    Abraço!

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