Guerra Política 2014 – 11 – Da importância de fazer o oponente gastar tempo e esforço

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David Horowitz dizia: “Na guerra política você não luta somente para fazer seu argumento prevalecer, mas para destruir a capacidade de combate de seu inimigo.” Na verdade, ele apenas nos dizia o óbvio, já visto em obras de Sun Tzu e Carl Von Clausewitz.

Quando eu sugeri neste blog que Aécio decidisse bater mais em Dilma, ao passo que o PT decidisse bater em qualquer um que fosse o segundo lugar, estava apenas mantendo este princípio em mente e argumentando de forma coerente com ele.

Na verdade, Marina apenas se coloca acima da alegada polarização PT-PSDB e limita-se a isso em seus ataques, que se aprofundam, ligeiramente, nos ataques aos erros do governo federal, até por ser oposição. Por outro lado, Aécio e Dilma estão partindo para discursos dizendo que “Marina não tem condições de X”, “Marina é ruim por isso”. Ou seja, são ataques direcionados.

No caso do PT, a coisa é levada ao nível do extremo, com as técnicas de apelo ao medo, lançamento de mentiras, patrulhamento ideológico, guerra de processos e coisas do tipo.

Como diria Horowitz, estes ataques tem um objetivo básico: reduzir a capacidade de combate do inimigo. Ao que parece, Marina está se saindo bem, mas que tem sido atrapalhada, quanto a isso não há dúvida alguma.

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Quando Aécio e sua turma decidiram priorizar o ataque à Marina (o que já mudou nos últimos dias, com a priorização de ataque à Dilma – nota em 12.09: infelizmente, isso durou só 1 ou 2 dias, pois novamente o PSDB deixou de atacar o PT) se esqueceram do maior problema: a grande capacidade de ataque do PT, demonstrada não só nos recursos do partido como na dimensão do tempo de televisão.

Quando o PT pediu que Aécio passasse a atacar Marina, o objetivo era que seu poder de combate não ficasse abalado. Em outras palavras, o PT usou a melhor estratégia: garantir que o poder de combate de Marina ficasse reduzido, mas não o seu.

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Para entender melhor como funciona essa dinâmica, basta se lembrar daqueles filmes de guerra onde temos dois combatentes de lados opostos, atirando um no outro. Um deles fala a um amigo do lado: “Pode ir até aquela outra trincheira que te dou cobertura”. O que é essa cobertura? Na verdade, ele continua atirando no outro combatente para mantê-lo ocupado. Como está ocupado, o oponente começa a causar mais danos a você.

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Enfim, neste momento o PT é o partido com maior poder de fogo, assim como maior vulnerabilidade (especialmente pela crise econômica e as recentes denúncias de corrupção). Quando se prioriza o ataque ao PT basicamente estamos fazendo-os ficar ocupados, e em termos de guerra política isso é essencial.

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No próximo texto dessa série, porém, faço um “adendo” a esta dica tratada aqui, pois com as denúncias do Petrolão respingando sobre Marina (e desaguando definitivamente sobre Dilma), Aécio volta à disputa. Portanto, será preciso atacar tanto Marina como Dilma, mas ainda assim é preciso fazer o PT ficar muito mais ocupado que Marina. Como fazer isso? No próximo texto, falarei do “ataque transversal”.

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7 COMMENTS

  1. Achei interessante a propaganda de ontem. Partindo da ideia de que quem está “se explicando” já está perdendo … Marina e Dilma deram explicações e Aécio apenas bateu e apresentou propostas. Na minha opinião, Aécio “ameaçou” entrar no caminho certo. Vamos ver se engrena.

    • Eles transformam os lideres e economistas deles em “os melhores que o pais ja viu”.

      So que fora de tais circulos a verdade e’ dita e tal qual os indicadores que o governo
      publica, “e’ tudo maquiagem”.

  2. Luciano,

    Perfeito o artigo!

    O Aecio tem que aproveitar as oportunidades que tiver pra, se nao nesta eleicao,
    marcar posicao e ocupar seu espaco na mente dos brasileiros.

    O ataque tem que se concentrar na Dilma, pra faze-la perder pontos e ganhar espaco.
    A Marina, por ocupar o campo oposicionista (ao menos na mente do povo) e ter menos
    tempo de TV ja estara se defendendo dos ataques do PT e da midia.

    O ideal e’ deixa-las se engalfinharem o maximo, ja que definitivamente nao se bicam
    (acho que tem um que de pessoal ali, por causa das preferencias do “barba”).

    Se ele consegue 5% de cada uma delas, esta de volta ao jogo e com a vantagem de estar
    “embalado”.

  3. Você só resgata o estado democrático de direito se você valorizar seus votos familiares!Não votem em candidatos ao senado e a deputado federal que tenham mais de um mandato,estes estão viciados ao mensalão da corrupção.O seu voto errado pode acabar de fuder a nação,cuidado!!!

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