A pressão sobre Marina Silva como o melhor “quick win” da dialética de denúncia quanto ao Foro de São Paulo

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Depois daquilo que foi jogado no ventilador, a sala do governo está fedendo horrores. E o cheiro exalou até a sala marinista. O fato é que Aécio Neves está em “alta” depois da divulgação do escândalo do Petrolão.

Aliás, a Dona Dilma pode não ser o Stevie Wonder mas nunca vê nada. Ela não é o Sócrates (não estou falando do jogador), mas a única coisa que ela sabe é que nada sabe sobre o escândalo. Acredite se quiser.

Já sabemos que Aécio muito provavelmente volta para a disputa presidencial. E, desta vez, com a premissa de que deve atacar tanto Dilma quanto Marina, ao invés de atacar apenas a primeira. (E antes ele não seguia o meu conselho de direcionar sua artilharia principalmente para Dilma)

Agora ele pode atacar ambas pois a “nova política” de Marina saiu com a imagem arranhada depois da inclusão do nome de Eduardo Campos na lista de Paulo Roberto Costa. Já quanto a Dilma… bem, ela está mais suja que pau de galinheiro. É preciso aproveitar a oportunidade.

Em direção à Marina, a sugestão é partir para o ataque transversal, no qual assim que ela é atacada, o efeito é sentido também por Dilma e o PT. Logo, a temporada de caça à Marina começou.

Como recentemente o Foro de São Paulo virou tema deste blog, nada melhor que usarmos questionamentos sobre essa organização para executarmos ataques transversais contra Marina… e principalmente o PT.

Um novo blog, Política sem Filtro, fez um post interessantíssimo, criando uma escala de ceticismo em relação ao Foro de São Paulo:

NÍVEL 1: Eu não acredito na existência do Foro de São Paulo.

NÍVEL 2: O Foro de São Paulo existe, mas é apenas uma reunião de partidos de esquerda para se discutir ideias, e não tem peso nenhum nas atividades políticas de qualquer país.

NÍVEL 3: O Foro de São Paulo é uma entidade que influencia as políticas dos partidos de esquerda latino-americanos pela via da uniformidade ideológica.

NÍVEL 4: O Foro de São Paulo, além da influência ideológica, possui mecanismos concretos e objetivos de ação para alterar em maior ou menor grau o curso das políticas dos países que ele abrange.

NÍVEL 5: O Foro de São Paulo é uma organização que detém todo o poder político e controla as ações da esquerda nos países que ele abrange, invariavelmente.

Conforme a autora Judite Raidi lá escreveu, eu estaria no nível 3,5 (conforme sugeri), enquanto Olavo de Carvalho no nível 4. Como se vê, apenas uma pequena divergência dialética. Mas esta divergência não deve servir para a criação de conflitos desnecessários entre a direita, mas para o lançamento de uma pressão dialética sobre o nosso objetivo central de crítica: o bolivarianismo e o Foro de São Paulo. Esta pressão dialética deve ser orientada a gerar bons resultados para nós, defensores da liberdade.

Se Marina pode ser desafiada por não ter saído do PT no caso do Mensalão, isso pode ocorrer ainda com mais contundência em relação a aliança do PSB com o Foro de São Paulo e o Decreto 8243. Enquanto o PT está abaixo da crítica, Marina precisa se explicar. Enquanto isso sempre estaremos apontando o dedo para o PT.

Eu não estou entrando em contradição ao dizer que agora Marina deve ser obrigada a se posicionar contra as ideias abjetas dos bolivarianos e pagar por qualquer apaziguamento, já que antes eu dizia que Dilma deveria ser o foco de ataque, não Marina. Mas como agora a disputa “recomeçou” e ao mesmo tempo as oportunidades de ataques transversais são múltiplas, esse caminho parece o melhor a ser seguido.

Deve ficar claro para o público que o escândalo da Petrobrás é o saqueamento do estado em prol de um projeto de poder, produto típico de ditaduras bolivarianas. Sempre que um governo avança neste sentido, a população sofre com a destruição da economia, o lançamento de violência estatal contra o povo e o racionamento de alimentos. A pergunta é: como Marina se posiciona contra isso?

Se antes Marina criticou a polarização PT-PSDB, Aécio pode reconhecer essa polarização, mas, ao mesmo tempo, posicionar Marina como “anexada” ao PT até que ela resolva publicamente “se descolar” do partido. À ela não deve ser dado o direito moral de falar em “nova política” enquanto ela não formalizar, em nome do PSB, a rejeição pública do Foro de São Paulo e do Decreto 8243.

Caso ela mencione “conselhos populares”, deve ser questionada com algo como: “São coletivos eleitos ou não eleitos pelo povo?”. Qualquer resposta diferente de um “sim” ou “não” pode ser duramente atacada como fuga de uma questão urgente para a qual todos os cidadãos merecem uma resposta.

Enquanto todas as iniciativas bolivarianas do governo são expostas (com contundência e falando ao coração do povo, por favor), Marina deve ser escrutinizada até se posicionar. Não é preciso ter medo de dizer: “Aqui só tem sim ou não. Dizer que vai jogar uma questão tão importante para plebiscito é fugir da responsabilidade. Quem jogava questões para plebiscito era Adolf Hitler. E nós sabemos o resultado, não?”.

Segue de novo a dica de Olavo de Carvalho para questionamentos a serem lançados contra Marina:

1) Os compromissos que o seu partido assinou com o Foro de São Paulo são diferentes daqueles que o PT assinou?

2) Como pode a senhora prometer lutar contra o bolivarianismo do PT se pertence à entidade que dissemina o bolivarianismo por toda a América Latina? A senhora quer apenas trocar o bolivarianismo do PT pelo bolivarianismo do PSB?

3) Se a sua promessa de lutar contra o bolivarianismo é honesta, por que a senhora não começa a lutar agora mesmo, rompendo com o Foro de São Paulo e denunciando suas atividades criminosas?

Como já disse antes, Marina deve receber o benefício da dúvida, que não pode ser dado ao PT. Ao mesmo tempo o público deve ter em mente que o apoio à ideias abomináveis como o bolivarianismo precisam sofrer rejeição social.

Se Marina escolheu um partido que pertence ao Foro de São Paulo, tem que pagar o preço por isso. E se tem um histórico associado ao partído líder do Foro, a regra segue valendo. Se ela oficialmente recusar o Foro de São Paulo e o uso de coletivos não-eleitos, ótimo, pois a meta é essa: enfraquecer os projetos totalitários do PT. Se ela tergiversar, bom também: que ao menos o ataque à sua frouxidão neste sentido ajude a criar um senso comum de rejeição ao bolivarianismo.

Enfim, se levarmos a questão ao debate público, afetando Marina (e de forma transversal principalmente o PT), teremos um “ganho rápido” (na dialética da TI chamado de “quick win”, ou “vitória rápida”) de levarmos o Foro de São Paulo, o bolivarianismo e seus projetos totalitários para o centro da discussão política e o debate público.

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17 COMMENTS

  1. Bom, da lista, quem está no nível 0 é o mais burro de todos, afinal tá cheio de esquerdalha usando camisa do foro de são paulo por ai 😛

    eu to no nível 3, mas não pesquisei muito ainda sobre o assunto pra ter opinião formada.

    • alias, diria que qualquer um que mesmo não pesquisando a fundo, vendo apenas vídos e reportagens de facil acesso dos proprios políticos envolvidos, e tem um mínimo de convivência com grupos de esquerda, chega automaticamente a cair no nível 3, que é meu caso. Ou seja, o caso de alguem que conhece o mínimo que todo brasileiro deveria conhecer.

      Porém, por mais que estude, acho difícil chegar ao nível 4, já que politicamente sou mais cauteloso ao fazer conjecturas que o Olavo.

      Imagino que o nível 5 convicto sejam quase um outro extremo, daquelas pessoas que acreditam em iluminatis ou coisas do tipo heheh

  2. “Caso ela mencione “conselhos populares”, deve ser questionada com algo como: “São coletivos eleitos ou não eleitos pelo povo?”.” Ela pode responder que são um “coletivos democráticos de eleitores” Ou mesmo “Coletivos de eleitores”

    • Bom murder board.

      E você tem razão.

      É importante dizer… “Isso não responde se eles foram eleitos ou não.”

      Mas já é possível antecipar com “Nada de enrolação. Todo mundo é eleitor. Quero saber se estes coletivos serão eleitos ou não serão eleitos pelo povo”.

      Abs,

      LH

  3. Marina é um poço de contradições

    Rede diverge de Marina sobre apoios no Acre

    Candidata apoia chapa liderada por Tião Viana e militantes de seu grupo político se mantêm neutros; Marina não se opôs à decisão, segundo articulador da Rede no Acre

    http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/rede-diverge-de-marina-sobre-apoios-no-acre

    . nova politica apoiando o PT por +12 anos ?

    . nova politica gera divergências com o seu partido para apoiar o PT ?

    . nova politica não possui “coragem de romper” com o PT no Acre mas, tem coragem de não apoiar o PSDB em SP ?

    Afinal com que base de partidos Marina governará se eleita ?

    Para ter meu voto, Marina, vai ter que desligar o gerador de lero-lero, e dar muita explicação!

  4. será que Aecio Neves terá coragem de pelo menos 1 vez falar ao vivo em um debate as palavras “Foro de São Paulo”? O PSDB é a oposição mais deprimente que poderiamos ter. Uns cagoes, infelizmente.

  5. O Foro de São Paulo viveu anos no anonimato. Não sabíamos sequer de sua existência e, não fosse a teimosia do Olavo de Carvalho, ainda não saberíamos. O que veio à tona, obrigou o Foro a aparecer, mas quem pode objetivamente dizer que conhece essa organização? Tudo que pensamos sobre ele acaba sendo mera especulação. Só podemos ver alguns dos efeitos de sua existência e esse efeitos incluem todos os governantes medíocres e patéticos que nos últimos anos têm surgido na América Latina.

    Se o objetivo do Foro era recuperar na AL o que foi perdido no Leste Europeu, pode-se dizer que estão sendo muito bem sucedidos. Todo esse movimento não acontece sem um planejamento (muito bom) e uma liderança inequívoca a que todos os integrantes do Foro respeitem e adiram.

    Quem é essa liderança? Quem faz os planos do Foro e qual os seus próximos passos? Não sabemos, e isso, neste cenário “sociedade secreta”, de contravenção e contraventores, é o bastante para dizer que superestimamos os poderes do Foro? Eu, com todo o respeito pelos que pensam diferente, tenho minhas dúvidas.

  6. Sei que foge um pouco do tema principal da postagem, mas é algo que tenho pensado muito nos últimos tempos. A interferência direta na soberania de outros países não seria uma evidência de que o Foro está no estágio 4? Dou os seguintes exemplos:
    – Envio do ex-presidente de Honduras, Manuel Zelaya, para a embaixada brasileira desse país como forma de forçar um golpe de estado.

    – Suspensão ilegal do Paraguai aprovada pelos outros países do Mercosul, todos eles dominados por partidários do Foro. O ato tinha como objetivo forçar a volta do presidente aliado do FSP, retirado do poder pelo Congresso.

    – Notícia da presença de cubanos na estrutura do governo venezuelano, ajudando o governo chavista a manter suas políticas.

    Basicamente, fatos assim me levam a tendência de acreditar que estamos no estágio 4 em vez do 3,5. Nesses casos me parece que há uma ação externa direta para alterar o curso da política nos países.

  7. O Rodrigo Constantino também notou isso, naquele mesmo artigo:
    ‘Há uma ala conservadora que pensa que Marina é o “plano B” do PT, de Lula, tudo arquitetado pelo Foro de São Paulo. Essa turma acredita que tanto faz, Dilma ou Marina, pois o projeto bolivariano seria o mesmo e continuaria seu curso. Discordo totalmente. Por mais que eu tema um governo Marina, por todas as incertezas envolvidas, acho extremamente exagerado afirmar que seria a pura continuação do lulopetismo.’

    http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/democracia/hora-de-poupar-marina-de-ataques-ou-desespero-de-aecio-so-ajuda-o-pt/

    Agora é a bosta do astrólogo e os idiotas da seita dele que estão fazendo um desserviço pro país com essa lenga lenga de ‘foro de sp foro de sp’.

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