Guerra Política 2014 – 13 – Confiantes X não-confiantes

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Segundo as pesquisas mais recentes, Marina vence no segundo turno, mas povo ainda acha que Dilma é favorita. Como resolver este mistério? Mas será que realmente há um mistério? Antes, veja o texto do Brasil247:

A rápida ascensão de Marina Silva nas últimas pesquisas eleitorais já foi interrompida. Sondagens internas realizadas pelas três principais campanhas à Presidência apontam que a candidata do PSB se mantém estável no primeiro turno, em relação às sondagens da semana anterior, mas registram oscilação negativa no segundo turno.

Segundo a colunista Mônica Bergamo, a rejeição de Marina também aumenta, num movimento que já vinha sendo registrado pelo Datafolha: em meados de agosto, 11% diziam que não votariam nela, percentual que saltou para 16% na semana passada.

Outro sinal de fumaça para o PSB veio da coluna de Ilimar Franco, do Globo. Segundo ele, a oposição estaria intrigada. Nas pesquisas de segundo turno, Marina Silva leva vantagem de 4 a 5 pontos contra a presidente Dilma. Mas, quando se quer saber sobre a expectativa de vitória, Dilma tira cerca de 10 pontos à frente de Marina.

Na verdade, todos esses números são plenamente esperados por quem lembra do texto onde falei do poder da confiança na vitória. Como já disse, não há mistério algum. No jogo político, a regra é clara: o lado que demonstra mais confiança na vitória, ganha pontos. Os petistas podem ter todos os defeitos do mundo, mas eles são exemplares na capacidade de demonstrar confiança na vitória. Não significa que eles vençam sempre, é claro, mas sim que sempre apresentarão esse componente servindo como um “puxador de votos” automático.

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O ótimo livro “The Spiral of Silence”, de Elisabeth Noelle-Neumann, fala da espiral do silêncio (ou seja, a construção de pensamentos, ideias e movimentos hegemônicos, silenciando os dissidentes). Uma olhadela nesta obra nos permite ver a confiança na vitória como um dos fatores decisivos para se ganhar uma eleição, especialmente na reta final. O motivo é óbvio: a confiança na vitória fala tanto aos que já irão votar, como é capaz de influenciar neutros e, em alguns casos, até fazer oponentes desistirem.

Para os indecisos, em especial, a confiança na vitória transmite uma mensagem poderosa: a de que o mais confiante realmente merece vencer. Isto é, o otimismo contagiante de quem é capaz de demonstrar essa maior confiança serve como um validador da opinião deste indeciso, em muitos casos.

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A solução para resolver este problema está na mudança comportamental, pois é preciso aprender a demonstrar mais confiança na vitória. Esta ação deve partir dos líderes. No léxico de Saul Alinsky, estes poderiam ser os organizadores. E segundo Antonio Gramsci, os intelectuais orgânicos. Em suma, são todos que formam opiniões. A decisão está nas mãos destes líderes.

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Claro que para os socialistas de perfil marxista a coisa fica mais fácil, pois eles foram doutrinados em marxismo, sistema de pensamento que inclui um frame básico: “inevitabilidade da vitória”. Quer dizer, a vitória com certeza vai acontecer. Marx convenceu seus leitores disso ao dizer que um dia “o capitalismo iria entrar em colapso, e obrigatoriamente o mundo seria socialista”. Tudo balela. Mas a verdade nua e crua diz que tudo isso não passa de um componente para embutir confiança na tropa (e desanimar os oponentes). O mais importante: isso funciona.

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Para quem é de direita ou centro uma ideia é ler Francis Fukuyama, que em seu livro “O fim da história” também fornece um racional bem interessante para dizer que não temos como fugir da democracia liberal em escala global. A mesma expectativa que Marx apresentou sobre um mundo socialista (para Marx) é “recodificada” para, na visão de Fukuyama, um mundo onde a democracia liberal vai vencer. Este último é muito mais embasado, diga-se, de passagem.

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Mas o mais importante de tudo é a conscientização de que a confiança na vitória é parte dos resultados em prol de uma conquista. Como sempre, não significa que basta ter confiança na vitória para que as coisas aconteçam. O importante é ter confiança na vitória (e manifestar isso aos quatro cantos) para ajudar as coisas a acontecerem.

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Isso significa que o PT vai vencer? Não. Isso significa apenas que esse fator contará pontos em favor deles.

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7 COMMENTS

  1. Poxa, Luciano, é pena que vc precise repetir tanto isso a respeito de não deixar a peteca cair justamente por causa desses anti-PT bunda moles, mulherzinhas covardes, muitos que batem cartão aqui, que ficam vomitando depressão e previsões, adoram teorias conspiratórias, papagaios do pioro lado do Olavo. Esses tipos me irritam tanto quanto esquerdalhada.
    Mas ok, esfregando na cara até aprenderem e pararem de ser tão mocinhas.

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