Marcelo Freixo, o inimigo do povo e uma introdução ao pensamento orientado a frames

12
61

freixo

Dia desses um leitor me perguntou: “Luciano, o que faço para ser tão rápido no gatilho (assim como você) no momento de responder adequadamente aos esquerdistas?”.

Bem, eu poderia recomendar para alguém ler guias de falácias. Ou mesmo a dialética erística. E ainda recomendo. Mas não é o suficiente. É preciso de algo mais para aumentar nossa “rapidez no gatilho” no momento de duelarmos com a esquerda.

Em breve publicarei mais textos sobre um método que estou desenvolvendo: o pensamento orientado a frames. Método a meu ver fundamental para a guerra política.

Antes de começar a utilizar o método, é preciso conhecer os guias de falácias (e o assunto sob discussão) tanto como atuar sob os parâmetros da guerra política. Mas o núcleo da técnica se baseia em mudar a forma de pensar enquanto o oponente discursa, para que sua resposta seja uma efetiva neutralização. Esta mudança da forma de pensar abrange não apenas respostas em debates, como também a elaboração de suas propostas políticas, a qualquer momento.

Me mandaram um vídeo (localizado ao final deste post) onde Marcelo Freixo discursa a respeito do livre mercado, em relação ao qual ele efetivamente se opõe.

Obviamente, mesmo com raciocínios falsos, ele venceu o seu questionador por três motivos: usou o recurso da polarização (básico da guerra política), afirmou que o oponente pensava errado (“partia de premissa errada”) e principalmente posicionou-se como o “amigo do povo”. Observe quando ele conclui com “eu estou do lado do povo, não do mercado”.

Quem pensa da forma tradicional, tende a não perceber o quanto frames estratégicos são embutidos durante o discurso opositor e muitas vezes acaba respondendo “ah, mas o mercado é bom por isso, por aquilo, é mais livre, etc.”. Como consequência, muitos se esquecem de neutralizar e rebater todos os frames, especialmente “amigo do povo” (associado a ele) e “inimigo do povo” (associado ao oponente). Ou seja, pensam que estão no debate, enquanto Freixo com certeza ri sordidamente da ingenuidade do oponente.

A esquerda pensa em frames, mesmo que alguns deles de forma subconsciente. Eles fazem isso por que os discursos nos quais acreditam e/ou propagam foram arquitetados cinicamente desta forma, mesmo com total desapego aos fatos. Por isso eles obtém poder. Já a direita sempre pensou mais em argumentação básica (e nisto são muito mais consistentes), mas ignorou os frames. Exatamente por isso tem perdido poder. Conclusão: o poder não é conseguido principalmente pelos argumentos, mas pela vitória em uma guerra de frames.

O pensamento orientado a frames (que estou desenvolvendo como método) não observa apenas os argumentos do outro lado, os quais já são conhecidos de cor e salteado, mas principalmente os frames lançados. Se sua resposta neutralizar e rebater adequadamente os frames (até usando outros frames adicionais) do oponente, você obteve sucesso. Se não, fracassou. Simples assim. (É evidente que mudarmos a forma de reagir aos eventos do mundo não é tão simples assim, e será preciso treino. É quase como instalar um software de grande porte em nossas mentes. E existem impactos a serem tratados. Mas isso ficará para breve, em textos futuros.)

Enfim, eis a resposta que Freixo merecia, sob essa ótica: “Historicamente, os países com mais livre mercado melhoraram o nível de vida de suas populações. Em contrapartida, os países de economia mais controlada pelo estado destroem o nível de vida de seu povo. A premissa errada é achar que existe uma escolha entre livre mercado e o bem estar do povo. Mas é o pensamento de esquerda que tem criado mais carestia, racionamento, desemprego e, quando obtém sucesso, até genocídios. Tudo em prol de uma elite que mama nas tetas do estado. Quem mais se preocupa com o povo está do lado do livre mercado”.

Este é o tipo de resposta a ser dada, pois neutraliza todos os frames, mantém a polarização (ótimo recurso, que não deve ser abandonado) a seu favor e lança o rótulo “inimigo do povo” ao seu oponente. (Alias, também existe o rótulo de “usuário de premissa errada”, que impõe inferioridade intelectual a alguém, o que também foi neutralizado e rebatido em minha sugestão de resposta)

Como diria Oren Klaff, o controle de frame é simplesmente o conhecimento mais importante que podemos obter em nossas vidas. O pensamento orientado a frames, método que estou desenvolvendo, cria um método especialmente útil para tratarmos todos os nossos debates políticos. Em breve, terei novidades.

Veja o vídeo abaixo, com o discurso original de Freixo:

Advertisements
Anúncios

12 COMMENTS

  1. Ele reclama da população carcerária nos estados mínimos imaginários da década de 90 e no fim diz que o Estado tem que “controlar o lucro para que ele não valha mais que a vida de qualquer pessoa”, exceto é claro se for o “lucro” do bandido porque esse não é obtido através do mercado então é mais puro e pode valer mais que as vidas de suas vítimas.

      • Acredito que todos tenham tido dificuldade em explicar o que está acontecendo na politica, principalmente de forma mais ampla (macro).

        Tentar explicar toda essa relação entre partidos, ideologias, e a influência do FSP em pouco tempo e sem causar fadiga (espanta rodinha) é quase um “trabalho de Hércules”.

        Uma associação que utilzei para explicar o Foro de SP para um pessoal de T.I. foi:

        Vocês também podem fazer uma abstração do FSP como uma especie de Gang of Four (GoF) do mal onde um bando se reune para reunir, definir, documentar, sugerir, monitorar, avaliar resultados de “Design Patterns de totalitarismo de esquerda”.

        A Gang até tempos atrás tinha como cabeças “Fidel, Raul, Chavez e Stalinácio”.

        Um exemplo de Patterns ? A tal democracia direta através de coletivos, que nada mais são do que grupelhos “que comem na mão” do partido principe (claro, ligado ao FSP) e que darão um “bypass” no legislativo, na população, transferindo todo o poder ao partido (para uma ditadura é um pulo).

        Projetos onde estão sendo utilizados os Patterns? Venezuela, Argentina, Equador, Bolivia, Brasil …

        Com essa “tradução”, pelo menos, foi possível criar um “link” sobre o assunto.

        Design Patterns (The authors are often referred to as the Gang of Four (GoF))
        http://en.wikipedia.org/wiki/Design_Patterns

    • Orientada à “objetos fraudulosos”…

      Luciano…

      Obviamente, mesmo com raciocínios falsos, ele venceu o seu questionador por três motivos: usou o recurso da polarização (básico da guerra política), afirmou que o oponente pensava errado (“partia de premissa errada”) e principalmente posicionou-se como o “amigo do povo”. Observe quando ele conclui com “eu estou do lado do povo, não do mercado”.

      É o mesmíssimo modus operandi da Luciana, com o Adicional de que Marcelo é de fato um político PROFISSIONAL.

      “Enfim, eis a resposta que Freixo merecia, sob essa ótica: “Historicamente, os países com mais livre mercado melhoraram o nível de vida de suas populações. Em contrapartida, os países de economia mais controlada pelo estado destroem o nível de vida de seu povo. A premissa errada é achar que existe uma escolha entre livre mercado e o bem estar do povo. Mas é o pensamento de esquerda que tem criado mais carestia, racionamento, desemprego e, quando obtém sucesso, até genocídios. Tudo em prol de uma elite que mama nas tetas do estado. Quem mais se preocupa com o povo está do lado do livre mercado”.”

      Então luciano, como eu venho resignificando o termo “frame” para um pacote conceitual, encontro maneiras mais simples e populares de quebrar os frames.
      A resposta que eu daria seria mais ou menos assim:

      Marcelo diz que está do lado do povo, e não do mercado??? O sr. Marcelo comete aquilo que chamamos de falsa dicotomia….ele diz que o mercado, e o povo estão em luta, estão em oposição…MAs o povo não é burro, eles sabem que o mercado é um BEM DO PRÓPRIO POVO, CONSTRUÍDO PELO POVO, e existe para que o povo obtenha QUALIDADE DE VIDA adquirindo bens e serviços.

      Logo, Marcelo não está a favor do Povo, está contra a liberdade do povo de fazer trocas, adquirir bens e aumentar sua qualidade de vida através do mercado….e essa não é apenas a visão dele, COMO DE TODO O SEU PARTIDO.

      – demonstro a falsa lógica, e quebro o frame (desconstrução)
      – ressignifico o frame (reconstrução) com adicional de dano moral (“está contra a liberdade do povo”)
      – amplio o dano moral (“como todo seu partido”)
      – E já apresento um conceito embutido do livre mercado, como ‘objeto do povo’, ‘construído pelo povo’ (Frame).

      Nesse caso direcionei o pacote conceitual SOMENTE ao adversáro e ao partido dele, que é pra ele não entrar no frame da Marina — polarização “direita e esquerda”. Concentro o dano no alvo primário (debatedor) e alvo secundário (Partido)…e isso já prepara o terreno pra ampliar para a ideologia de esquerda com maior agravo no decorrer do debate.

      As vezes, manter o alvo mais concentrado no frame lançado, gera um “quick win” e faz o adversário entrar me modo de defesa, sem apelar pra frames de “polarização” ou é “intriga da direita”.

      🙂

  2. Issaí, Luciano. Chega destes mentirosos posarem de paladinos da justiça, da bondade e da ética. São exatamente o contrário disto, a história nos mostra, e seu trabalho aqui é muito importante para orientar quem, empiricamente, sente que algo está MUITO errado e há MUITO tempo!

  3. Luciano, minha sugestão é que vc formate estas questões em um curso e comece a repassar estes conhecimentos a quem se interessar por eles. Acredito que muita gente gostaria de aprendê-los de uma maneira mais formal. Eu sou um deles.

  4. O que é “neoliberalismo”.
    Neoliberalismo é um objeto de retórica falsa, nunca houve neoliberalismo DE FATO, é apenas um espantalho criado para bater.
    Existe três formas do uso do termo “neoliberal”.
    1- A origem do conceito neoliberal.
    É a aceitação por uma parte dos liberais de um certo nível de intervencionismo na economia contrapondo o capitalismo Laissez-faire, ex: Hayek no livro caminho da servidão “nós somos neoliberais”.
    2- O que a esquerda diz que é.
    Neoliberalismo é o próprio Laissez-faire.ou seja o supra sumo do capitalismo liberal.
    3-O que foi de fato o neoliberalismo.
    Neoliberalismo entendendo se como sendo o,consenso de washington, e a reforma do estado interventor para que este não entre em colapso que é o seu destino natural, não acaba o intervencionismo apenas diminui se o ritmo de intervenção.

    A refutação deve ser :
    Me mostre em que momento da história o estado brasileiro diminuiu, em que momento ele diminuiu o intervencionismo.
    Como ele NUNCA diminuiu o seu tamanho e SEMPRE aumentou o intervencionismo, o controle da economia, você esta mentindo.

  5. O que apendemos com as manifestações de junho?
    R: Marginais tem que serem presos no mínimo – em um Estado mínimo. Os marginais vândalos estavam ligados ao partido dele.
    E, o PSTU e outros querem o Estado para si.
    EUA: 2 ESTADOS INICIAM MILITARIZAÇÃO DAS POLÍCIAS
    http://cinenegocioseimoveis.blogspot.com.br/2014/09/eua-2-estados-iniciam-militarizacao-das.html

  6. Excelente a resposta ao discurso!

    Quando me deparo com esquerdistas, que são contra o mercado, que são os mais jurássicos, sempre lanço:

    No lugar do “livre mercado” e “da livre escolha” (sempre uso em conjunto) o estado esquerdista coloca uma caderneta com uma lista de produtos e quantidades que tem o consumo permitido (á la Cuba).

    E se for pego com algo diferente da lista, você vai preso!
    E aí topam essa troca ?

    Sempre sigo uma “dica” do Olavo:
    . desmascare esquerdistas apenas em publico
    . quando encontro for vc e um esquerdista não perca seu tempo nem seu discurso, neste caso, apenas
    ignore ou simule concordância

    Caso o esquerdista tente sair com “ah mas Cuba …” lembre-o da Venezuela (recente).

  7. Poderia ser usado com muita propriedade, o sarcasmo, mas para usar de forma inteligente o sarcasmo, temos que treinar muto a mente para essas situações. É a forma mais humilhante de vencer um debate, sendo bem debochado com o oponente mesmo. No caso em que ele coloca maldosamente o frame de há uma escolha entre o povo e o mercado, o imbecil esquece de uma coisa básica: o mercado é o próprio povo.E isso desde antes de os fenícios se tornarem grandes marinheiros e navegadores. Então ,quando um esquerdista vem me falar que está ao lado do povo eu geralmente falo “que bom, o senhor é o meu herói,então quando é que o Estado vai diminuir de tamanho e o dinheiro dos impostos vai ficar no bolso dos pobres ?”
    Quando eles falam de cuba, eu geralmente falo em tom sarcástico: Uau, Cuba e o socialismo são tão maravilhosos que temos que arranjar um jeito de impedir que os mortos de fome dos americanos de fujam pra Cuba toda semana”.
    OU então quando falam do Socialismo ,eu geralmente rebato “olha, o socialismo deve ser muito bom mesmo, por que todos os líderes socialistas são ricos, só o povo que é pobre.”
    Quando algum deles fala mal do Capitalismo eu logo o apoio : ” que droga ter toda essa liberdade e democracia, afinal, pra que eu me esforçar usando a minha liberdade se um burocrata pode decidir tudo por mim, não é !”

Deixe uma resposta