Lá vem mais golpe: coletivo não-eleito “pede” conselho anexo ao Itamaraty. Eis o Decreto 8243…

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Conforme o blog do Luis Nassif nos informa, segue mais uma tentativa de golpe a partir da implementação de um soviete no Itamaraty. Veja:

O Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais (GR-RI) aproveita o momento eleitoral para discutir a criação de um conselho popular que possa atuar junto ao Itamaraty. A ideia é tentar quebrar um pouco da hierarquia da Pasta e colocar outros interesses sociais em matéria de política externa em pauta.

Grupo da “sociedade civil”, certo? Então vamos investigar um programa de conferência deles em 2013? Olhem o naipe dos participantes:

  • Embaixador Antonio Patriota, ministro das Relações Exteriores
  • Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (2009/2010) e secretário Geral do Itamaraty (2003/2009) no governo do presidente Lula
  • Pedro Bocca, secretário de Relações Internacionais do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra/MST
  • Marco Aurélio Garcia, assessor-chefe da Assessoria Especial da Presidenta da República
  • Valter Pomar, secretário executivo do Foro de São Paulo e membro do Diretório Nacional do PT
  • Adhemar S. Mineiro, economista e técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE)
  • Virgínia Barros, presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE)
  • Embaixador Celso Amorim, ministro da Defesa, ex-ministro das Relações Exteriores
  • Roberto Amaral, primeiro vice-presidente e coordenador de Relações Internacionais do Partido Socialista Brasileiro (PSB)
  • Vicente Carlos y Plá Trevas, secretário adjunto de Relações Internacionais e Federativas da Prefeitura de São Paulo/SP
  • Graciela Rodriguez, coordenadora do Instituto EQUIT – Gênero, Economia e Cidadania Global, integrante da Rede Brasileira pela Integração dos Povos (REBRIP)
  • Embaixador Guilherme de Aguiar Patriota, assessor especial da Assessoria Especial da Presidenta da República
  • Paula Ravanelli, assessora especial da subchefia de Assuntos Federativos da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República
  • Oswana Maria F. Fameli, secretária de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Trabalho da Prefeitura de Santo André/SP
  • Audo Araújo Faleiro, representante da Assessoria Especial de Política Externa da Presidência da República
  • Carlos Oliveira, chefe da divisão do Oriente Médio do Ministério das Relações Exteriores
  • Ricardo Alemão Abreu, Secretaria de Relações Internacionais/ PCdoB
  • Valter Pomar, secretário executivo do Foro de São Paulo e membro do Diretório Nacional do PT
  • Carlos Alberto Gonçalves, secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico Trabalho e Turismo da Prefeitura de São Bernardo do Campo/SP
  • Artur Henrique, presidente do Instituto de Cooperação da CUT e diretor da Fundação Perseu Abramo
  • Maria do Rosário, ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República
  • Vera Masagão Ribeiro, diretora executiva da Associação Brasileira de ONGs/ABONG
  • Luiz Inácio Lula da Silva, presidente de honra do Instituto Lula, ex-Presidente da República Federativa do Brasil
  • E uma legião de professores de federais, estaduais e uma série de “especialistas” em prol do governo

Eis aí em cima o que essa turma chama de “sociedade civil”.

Aí é claro que vem o típico discurso da sociedade civil denorex, agora a partir de reportagem da Opera Mundi, reproduzida por Nassif:

Reportagem do Opera Mundi ouviu o assessor de Relações Internacionais da Presidência Ricardo de Azevedo, que disse que o governo Dilma de fato tem uma simpatia pela medida. “Somos a favor de espaços democráticos da sociedade civil junto aos governos. Isso é um princípio que apoiamos. Agora a forma que será feita, isto é, se será um fórum ou um conselho, ainda está em discussão. Mas fortaleceria, sim, a democracia e o Itamaraty”, garante.

Note que é o truque de sempre: “é a sociedade civil, é a sociedade civil, é a sociedade civil”. É sempre assim, nesse bate-estaca. Mas desde quando um grupo de coletivos aparelhados pelo estado são “a sociedade civil”? Só na mente desonesta dessa gente.

Leia mais um pouco:

“Esse é um debate muito caro. Aqui funciona um mecanismo de elite que só o pessoal da hierarquia do Itamaraty tem acesso. Outros interesses menos poderosos da sociedade brasileira ficam em uma situação de informalidade e não conseguem ter acesso a esse debate”, afirma a Opera Mundi Gonzalo Berrón, da Fundação Friedrich Ebert, que atua como um dos principais facilitadores do GR-RI.

Observe o bate-estaca de novo: “antes tinha elite, agora é a sociedade civil”.

Mais:

“O conselho é simplesmente uma maneira de o Estado dialogar com outras instâncias da sociedade civil”, explica. “Se você envolve a sociedade no debate político, você ganha mais legitimidade e consistência. Dá mais trabalho, mas o resultado é melhor para todos”, acrescenta.

Como podem ser tão baixos a esse ponto? Viver buscando mamar nas tetas do estado, e fingindo que seus grupelhos são “a sociedade civil”, em uma completa distorção do termo. Isso é o dia-a-dia dessa gente. Mas vamos aos fatos: ao contrário de tudo que eles dizem, a sociedade civil é apartada do estado. Mas quem leu Gramsci já lembra que o objetivo dessa gente é se fingir de “sociedade civil” para levar sua parte do quinhão.

Ah, e tem o famoso truque da “democratização”:

Na mesma linha, Fátima Mello, da ONG Fase, acredita que tal conselho incluiria setores historicamente marginalizados. “A ideia é criar um instrumento poderoso de democratização do Estado brasileiro. No caso da ONG, abordamos uma agenda de sustentabilidade e direitos da agricultura familiar. Mas é um grupo plural e tentamos articular nossa agenda com as negociações internacionais”, explica.

É sempre assim: os sujeitos implementam sovietes, com poder de pressão sobre o Legislativo, já com tudo combinado com o governo federal (e os nomes vocês já viram lá em cima, então ninguém pode negar isso), de forma completamente autoritária, e dizem que isso é “democratização”. Para vencer esse tipo de cinismo, é preciso de muito sangue frio, de fato.

Para Gonzalo Berrón, em geral há uma sinalização positiva do Estado em relação à proposta. “Há algumas resistências de setores mais conservadores do Itamaraty no modo de operação do órgão, mas a abertura do governo para a discussão deste tema tem sido ampla”, afirma.

Ah não diga que o governo apoia! Isso é uma surpresa, não?

A sordidez é realmente apavorante. É só estudar a estratégia gramsciana para saber que esse é o plano: incluir sovietes no aparelho do estado para conseguir apoio para implementações ditatoriais.

Por sua vez, o assessor de Relações Internacionais da Presidência Ricardo de Azevedo argumenta que há de fato uma simpatia no atual governo federal pela medida. “Somos a favor de espaços democráticos da sociedade civil junto aos governos. Isso é um princípio que apoiamos. Agora a forma que será feita, isto é, se será um fórum ou um conselho, ainda está em discussão. Mas fortaleceria, sim, a democracia e o Itamaraty”, garante.

Ah, verdade. É “só uma simpatia”. O problema é que o Decreto 8243 já foi planejado para que esse tipo de armação ocorresse.

Eu estou pontuando parágrafo por parágrafo da matéria do Opera Mundi para que vocês tenham uma ideia do nível de fingimento de todo esse pessoal. O truque é simples: eles juntam seus grupinhos para ganhar espaço no estado, mas desde que esses grupos se finjam de “sociedade civil”, além de simularem que tudo é “manifestação espontânea”.

“Criou-se uma polêmica sobre essa questão sendo que já existem mais de 30 conselhos em outras áreas que não são das Relações Exteriores”, acrescentou Azevedo.

Alias, esse é um argumento para investigarmos esses outros conselhos, muitos deles já aparelhados pelo PT. O argumento dele é assim: “X já foi estuprada 5 vezes, logo pode ser estuprada mais vezes”. Ridículo.

Outra membra do GR-RI é Maria Regina Soares de Lima, professora de ciência política da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro). Para ela, o conselho é uma iniciativa muito importante para a política externa, mas há uma leitura equivocada em relação a essa proposta.

“O programa da Marina [Silva, candidata à presidência] dizia que um conselho enfraqueceria e tiraria a autonomia e o protagonismo Itamaraty. Mas, na verdade, ele fortaleceria o Itamaraty e o legitimaria mais ainda. Com isso, teríamos uma politica externa mais densa”, argumenta.

O argumento dessa aí é o legítimo truque do retorsio argumenti, o estratagema 26 da dialética erística. Basicamente, ela critica a Marina Silva contida em um argumento e apenas propaga de novo o argumento dizendo que é o contrário. Exatamente como explicava Schopenhauer. É assim: “Júlio disse que o estabelecimento de votos com peso diferente para militantes do PT, valendo 5 vezes mais, prejudica a isonomia. Mas exatamente por termos votos com pesos diferentes para militantes do PT, isso fortalece a isonomia, legitimando-a e tornando-a ainda mais densa”.

Quer dizer, ela apelou a um truque sujo sem nem sequer argumentar.

E aqui vai um ponto positivo para a candidata Marina Silva.

Segundo a acadêmica, como existem conselhos em áreas como saúde e educação, a criação do órgão para a política externa serviria como uma forma de democratizar a relação internacional. “É muito claro que esse órgão é de caráter de assessoria, consultivo. Dizer que é deliberativo é uma distorção”, completa.

Aqui é a repetição do truque de Azevedo: “Se já ocorreu antes, por que não faz de novo?”. O problema é que o tal “conselho” já surge sob altíssima suspeição, pois não passa de um braço do partido e da “companheirada” (como diz Paulo Martins). E o truque de dizer que o órgão tem “de assessoria, consultivo” é ainda pior. Ora, se é para arrumar “consultoria, assessoria”, por que não fazem no diretório do PT?

Enfim, os argumentos dessa gente são todos dignos da lata de lixo.

O texto não poderia concluir de maneira mais miserável, com mais um embuste, agora vindo diretamente do governo:

Procurada por Opera Mundi, a assessoria de imprensa do Itamaraty limitou-se a informar que a proposta de criação de um Conselho Nacional de Relações Exteriores é um “assunto que está em debate no âmbito do governo federal”.

Mas nós sabemos que isso não é verdade de forma alguma. Tentativas de golpe para infiltrar a companheirada no poder são a essência do Decreto 8243, que foi publicado pela Dona Dilma Rousseff, com elaboração de Gilberto Carvalho. Para o governo não há debate. A questão está fechada.

E mais uma vez temos uma ação de traição à pátria. Agora nos resta contatar todos os deputados não-bolivarianos e os pressionarmos.

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15 COMMENTS

  1. Uai! Por que não me convidaram para participar ?

    Falo inglês, frances, italiano e espanhol como nativo. Completei 3 faculdades (Direito USP e CPG FGV e Especialização PUC), Tenho 40 anos de experiência em Direito, inclusive em lides Internacionais no Mercosul e 50 anos de Carteira assinada sem interrupção. Fiz política na USP entre 1964 e 1970. Faço parte da minoria handcaped (pequena deficiência do lado esquerdo), O que me faltou para ser chamado ?

    O que V. acha dessa discriminação Luciano ? Eu seria muito singular para participar de um coletivo ?

    Ou esse coletivo não seria bem um órgão plural ?

    • Você não serve, Henrique. Não possui o perfil fanático panaca requisitado pelo cargo. Vá passear com sua aposentadoria pelos castelos da França e posta as fotos no Facebook.

    • O Henrique Carneiro me representa. Se é para criar um conselho formado pela “sociedade civil” para “assessorar” o Itamaraty, o Henrique é um “excelente quadro”. Aliás, ele poderia muito bem pleitear uma vaga neste conselho, pois é “portador de necessidades especiais”. Ser contra ou obstar sua presença no tal conselho configura-se em uma violação do princípio da isonomia no acesso aos bens públicos. Seria também uma atitude discriminatória e anti-progressista, pois estaria indo em direção contrária às ações de transversalidade e de horizontalidade de acesso de oportunidades, em termos de inclusão social, de todos os cidadãos e cidadãs desta República Federativa, em condições de igualdade, nas esferas de discussão pública.

      Vejam que, ao dominar alguns conceitos progressistas, também eu poderia me candidatar a ocupar uma vaga em tal conselho, pois também sou integrante da “sociedade civil organizada”.

  2. Ayan, parabéns pelo novo layout, mas eu tenho uma sugestão para o blog.Na parte de notícias deixa como estava (só uma parte da matéria).Digo isso porque do modo como você deixou (todas as notícias completas) está fazendo com que o blog fique mais “pesado” e demorando bastante para carregar.

    Abraços!

  3. Luciano, você está a par da investida que o Ministério das Cidades empreende contra a propriedade privada? A coisa funciona nos mesmos termos dos conselhos populares do decreto bolivariano 8.243.
    Fiz um levantamento a partir de fontes primárias e compilei o que encontrei neste artigo: Revolução Velada em Curso (cf. http://adoteumvereadorcampinas.wordpress.com/2014/03/02/revolucao-velada-em-curso/).
    Note que até um vereador filiado ao PSDB está falando em “abuso do direito propriedade”. Quando até a esquerda moderada dialoga nestes termos é porque a desapropriação é uma simples questão de tempo e não mais de meios de ação.

  4. É curioso. Quando se trata do capitalismo, esquerdistas sempre falam que as relações são de desigualdade ou exploração sem que haja uma melhora geral das pessoas envolvidas em transações comerciais.Por exemplo, se alguém trabalha para mim é por que estou explorando este trabalhador. No entanto, quando se trata da política ou democracia, não importa em criar uma situação de desigualdade em que alguns coletivos vão ter mais voz política do que o resto da população, se que nenhum deles tenham sidos eleitos, portanto, sem representar o povo. Aí nesse caso, quanto “mais democracia” melhor, porém, mais democracia é simplesmente ter mais igualdade política entre os indivíduos.

  5. Olha aí mais uma cria desse povo. Dentre todas as asneiras, olha naturalidade dessa fala sobre os coletivos não eleitos, mais ou menos aos 24min:

    “-Eu vou governar com a sociedade civil organizada.

    -E o congresso?

    -Vai ser eleito, mas eu vou governar com a pressão popular…eu posso pressionar através da pressão popular “legitima” que esse deputados sejam quem forem votem a favor das mudanças que eu quero fazer… E Fernando é incrível mais funciona!”

    Não é uma graça?

    http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/videocasts/2014/09/1515300-luciana-genro-defende-invasao-de-imoveis-para-moradia-veja-entrevista.shtml

  6. Com uma matilha de canalhas desse calibre só mesmo estacionando um camburão gigante e levando todo mundo em cana. Perpétua, por favor, já que pena de morte não há por aqui…

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