Onde a direita quer chegar?

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Quando falamos em estratégia (política, corporativa, etc) sempre nos baseamos em um objetivo em mente, o qual pode ser desdobrado em objetivos menores. Diante destes objetivos, traçamos planos de ação que embutem uma ou mais estratégias.

Nestas eleições, meu objetivo é bastante simples: “Tirar o PT do poder”. O motivo para meu foco neste objetivo é que o PT é o partido mais hábil para implementar o totalitarismo em curto espaço de tempo, o que seria particularmente danoso para nós da direita, especialmente em um momento onde conseguimos criar massa crítica e influenciar até as eleições, mesmo que ainda não tenhamos um candidato de direita com potencial para chegar lá.

Este meu objetivo está equivocado? É possível. Este objetivo pode ser questionado ou redefinido? Claro que pode. Mas é exatamente este o tipo de diálogo que precisamos fazer. A direita precisa começar a atuar com objetivos claros.

Qual é o objetivo do PT e seus amigos do Foro de São Paulo? O objetivo é muito claro e bem difundido entre seus aliados: obter poder durante um longo período de tempo e fechar alianças com outros países seguindo o mesmo projeto. Para quem adora mamar nas tetas do estado, é o paraíso na Terra, enquanto toda uma população é esmagada. O que importa é que eles não desgrudam deste objetivo um minuto sequer. A partir daí, implementam estratégias embutidas em planos de ação.

Como eu não sou o dono da verdade (e ninguém que discuta estratégias e táticas deve sê-lo, sob o risco de viver condenando os outros por causa de seus próprios blindspots), é vital colocarmos estratégias e táticas sob discussão, mas principalmente discutirmos nossos objetivos, pois eles é que nortearão nossas estratégias. Muito provavelmente com isso chegaremos em um ponto onde encontremos um objetivo que atenda aos interesses de grande parte dos direitistas. Até lá, vivemos um drama: não há sequer um objetivo definido. Com isso, não existem estratégias/planos que possam sequer ser discutidos.

Mas mesmo que não consigamos vislumbrar o objetivo em longo prazo, podemos vislumbrar objetivos menores. Todas as críticas que tenho feito à algumas ações propostas por parte dos colunistas de direita sempre estão antenadas como objetivo de tirar o PT do poder e, na melhor das opções, fazer Aécio vencer as eleições. A partir daí fica mais fácil avaliarmos o cenário: uma subida de Aécio nas pesquisas e uma consequente queda de Dilma, significa um sucesso de um mini-plano de ação. A subida de Dilma, com Aécio permanecendo lá embaixo, é um fracasso do plano de ação.

Com os números em mãos, é preciso de humildade para discutir sucessos e fracassos. Frases como “é, minha proposta não deu certo” ou até “minha proposta gerou resultados inversos ao esperado” deveriam se tornar comuns para nós. Para qualquer gerente de projetos, ter a disposição para esse tipo de discussão hoje já não é considerado nem sequer um diferencial, mas um requisito obrigatório.

Eu não veria problema algum se alguém da direita me falasse na lata: “Luciano, seu objetivo está errado. Devemos manter o PT no poder em caso de Aécio não engrenar. Por isso, vou atacar Marina. Minhas razões: o PT já está queimado o suficiente e não conseguirá implementar um plano totalitário com a mesma rapidez que Marina”. Confesso que até hoje eu não ouvi nada nesse sentido, mas juro que se alguém me dissesse isso eu trataria toda a questão de forma dialética, tentando expor meus argumentos contrários e a favor. Mas não é isso que vejo. Esse tipo de afirmação configuraria uma descrição de objetivo tão clara e detalhada como a que propus. Vamos rever: “Meu objetivo é tirar o PT do poder, na melhor das hipóteses com Aécio chegando lá. Se não, com Marina. Pois creio que ela, mesmo que possa ter intenções totalitárias, não tem o mesmo time de cínicos e psicopatas que o PT. Acho que essa opção é melhor em termos de ganhar tempo. Em resumo, tirar o PT a qualquer custo”.

Enfim, se eu tenho um objetivo e ele está explicitado de maneira clara, quais são os objetivos que contradizem os objetivos apresentados por mim? Todos eles devem ser jogados sobre a mesa, para colocarmos estes objetivos em discussão.

Um amigo me disse que o objetivo maior deveria ser “derrubar o Foro de São Paulo”. Eu concordo que este deveria ser um grande objetivo, assim como “implementar o pensamento de direita em larga escala”. Mas quais seriam os objetivos menores para esta eleição presidencial? E para o que faremos em paralelo? Aqui a discussão é levada não apenas no que diz respeito às metas principais, mas em relação aos pequenos “marcos” de um projeto. Eles fazem a diferença.

Não podemos discutir estratégias qualificadas se não discutimos claramente nossos objetivos. Às vezes, isso tudo me lembra da história de Alice, que disse ao gato: “Pode me dizer, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?”. No que o gato respondeu: “Isso depende muito de para onde você quer ir”. Ela devolve: “Isso não importa”. Retorno: “Nesse caso, pouco importa o caminho que você escolher”.

O que queremos para esta eleição? O que queremos para a eleição de 2016? E para a eleição de 2018? E assim, sucessivamente, independentemente de termos um candidato de direita ou não, sempre podemos traçar objetivos e realizar ações de acordo com esses objetivos. A meu ver, isso deveria se tornar uma prioridade para a direita: discutir objetivos para, enfim, pensarmos em estratégias adequadas.

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17 COMMENTS

  1. Pô Luciano, só passando aqui pra dizer que VALEU demais essa mudança de layout! Ficou melhor. Show de bola. Pode-se ler os textos sem sair da página. Facilitou pra mim que tenho banda lerda. 🙂

  2. Já decidi. Mudei meu voto para a Marina. O Aécio, se me permite o termo, é um bundão! Não tem coragem de enfrentar a Dilma, e, fica atacando a Marina o que só favorece a quadrilha pt.
    Parabéns pelo novo visual.

    • Lamento que eventuais antipetistas, se é que são isso mesmo, venham a tomar este tipo de decisão.

      Aos que, a meu ver, tiraram conclusões distorcidas a respeito do que vem sendo defendido por este blog (o fim dos ataques a Marina e não a reversão imediata dos votos de Aécio para ela), lembro que haverá 2º turno. Deixem para descarregar suas frustrações com os tucanos nesta 2ª fase da disputa. Antecipar tal decisão, com todo respeito, é um absurdo.

      • Eu tenho gostado dos últimos programas dele, Luciano. Intercala críticas bem embasadas e irrespondíveis a Dilma e Marina com a participação de políticos e artistas. De certa forma, já considero isso uma consequência das cobranças. Se os resultados dependessem exclusivamente desse fator, a reversão já seria sentida nos próximos levantamentos. Mas não dependem.

      • Bedot, queria te perguntar uma coisa?

        Você realmente acredita em pesquisas de intenção de voto? Depois que o candidato a governador daqui subiu 12 pontos em uma pesquisa e 20 pontos em outra, não consigo mais acreditar em pesquisas.

        Agora, a pesquisa do Vox PTpuli/Carta CaPT de 3 dias atrás coloca Dilma com 36%, Marina com 28% e Aécio com 15%. Dá para engolir esse embuste?

      • Aguiar, eu acho que há institutos que são mais confiáveis do que outros. Na minha ordem, o Datafolha é aceitável, o Ibope já é bastante suspeito e o Vox Populi eu simplesmente ignoro. Como não acho que nenhum deles é plenamente confiável, me incomoda bastante esse excesso de discussão em torno das pesquisas. Elas direcionam discursos, modificam estratégias e acabam fabricando resultados. Como não se pode pensar em proibi-las, já que isso seria de um autoritarismo padrão chavista, é preciso ficar de olho nelas e botar pressão para que os institutos não cometam erros (essa última do Ibope, que teve divulgação retardada pela CNI, ficou bem suspeita – acho que os veículos sérios sequer deveriam noticiá-la).

        Particularmente, gostaria que o GALLUP voltasse a atuar aqui.

  3. Concordo com o objetivo principal, que é tirar o PT do Poder. Discordo em relação às estratégias. O que não foi dito neste post, mas está colocado claramente em outros é que a direita e, mais especificamente, Aécio devem parar de atacar Marina. Esta conclusão parte de premissas, a meu ver, falsas e/ou incongruentes: 1) de que acabaram as chances de Aécio; 2) de que os ataques de Aécio não estão funcionando para ele, mas para Dilma; e 3) de que esses ataques dificultarão a vitória de Marina.

    Aécio não pode agir como derrotado, nem hastear uma bandeira branca a Marina enquanto ela mesma insiste na linha de acusá-lo de “velha política”, de qualificar seus elogios como falsos e abomináveis, de escolher um único governador tucano prá centrar suas críticas nos Estados e não tem a decência de distinguir os tipos de contestação que recebe dele e do PT. Seria uma demonstração de fraqueza e um desrespeito com seus eleitores mais fiéis. Ele precisa continuar exatamente na mesma linha que adotou nos programas desta semana, deixando claro que oposição e mudança são exclusivamente com ele. Não houve sequer um ataque de Aécio a Marina que não fosse naquela linha que este blog definiu como “transversal”, ou seja, incluindo Dilma no bolo. Nem mesmo as constatações sobre o amadorismo de Marina, que também se aplicavam a Dilma em 2010 e que contribuíram para o desastre atual.

    Outro ponto são os movimentos de subida de Dilma e queda de Marina nas pesquisas. Querer usar estes dados para dizer que a estratégia de Aécio de atacar Marina “não deu certo” seria um enorme sofisma. A verdade é que Dilma trabalha com 11 minutos de TV contra apenas 2 de Marina. O que responde pelos recentes movimentos nas pesquisas é exclusivamente a campanha de Dilma. Aécio não tem absolutamente nada a ver com isso. Ele tem que continuar se preocupando consigo. Como existe a possibilidade das quedas de Marina se reverterem a favor de Aécio, ele não pode trabalhar no sentido de evitar que isso aconteça.

    Prá concluir, voltando ao objetivo de tirar o PT do Poder, mesmo com Marina, vamos imaginar que Dilma termine o 1º turno com 40%, Marina com 25% e Aécio com 15%, no limite da vitória sem necessidade de 2º turno. Seria a constatação de que a estratégia do PT deu certo…. para o 1º turno!! Isso dificultaria a vitória de Marina? Sim. Isso tornaria a vitória de Marina improvável? NEM DE LONGE! A rejeição ao PT está consolidada. Com este dado, com tempos iguais de TV e com embates diretos entre as candidatas (debates sem a presença de nanicos prá atrapalhar), Marina terá todas as condições para vencer o PT sem grandes dificuldades. É desnecessário, portanto, que os pragmáticos insistam na idéia de que Aécio deve poupá-la agora. Caso ele não obtenha sucesso para si, mas apenas contra Marina, isso não causará nenhum dano irreversível à candidatura dela para o 2º turno contra Dilma.

    • Bedot,
      Na verdade, toda a situação não foi criada agora, mas logo no início do crescimento de Marina.
      Mas estou considerando que o governo teria tudo contra si, mas segue com o território todo aberto, por que Aécio ainda está dividido.
      Eu já cheguei até a postar que o foco em ataques transversais seria uma boa ideia, mas vários ataques não são nesse sentido, como, principalmente, ao dizer que “vai ser oposição à Marina no governo”.
      Decerto seria um sofisma dizer que a estratégia de Aécio deu certo apenas pelos números, mas há uma explicação para isso e foi dada antecipadamente.
      Como eu leio muito o material da BLOSTA, eu sabia que eles PRECISAVAM que Aécio atacasse Marina para que o PT ficasse “livre para voar”.
      Essa discussão estratégica era feita o tempo todo por eles.
      Lembremos aqui também da fase “jihad” feita por colunistas contra Marina, que não tinha nada de ataque transversal.
      Por um período, víamos uma boa parte da direita priorizando o ataque à Marina, ao invés de Dilma.
      Aí, com o tempo de TV que o PT tem, ficou fácil para eles poderem atacar Marina à vontade e nem de longe deixarem o Petrolão respingar neles.
      O objetivo do PT agora é vencer no primeiro turno.
      Conforme previsto, o PT deve ter vida fácil até chegar a uma semana antes da eleição e Aécio perceber que “não dá mais”.
      Abs,
      LH

      • Desconheço a existência dessa tal ‘fase jihad’ contra Marina. Nem de colunistas e menos ainda da campanha de Aécio. Nenhum desses colunistas a que se atribui tal feito chegou perto de atacar Marina com a mesma contundência que sempre atacou Dilma e o PT. Quanta à campanha, a linha escolhida foi a transversal. E note-se, mais uma vez, a falta de generosidade da própria Marina, que sempre é mais virulenta com Aécio, Alckmin e os tucanos do que com o PT – deve Aécio retribuir essa gentileza mandando-lhe flores?

        Também discordo de que o PT precisasse dos ataques de Aécio contra Marina para “ficar livre para voar”. O PT tem seu próprio tempo e seu próprio controle sobre essa situação. A única coisa que o PT gostaria é que o embate entre Aécio e Marina fosse fratricida e o poupasse, o que, da parte de Aécio, não está ocorrendo.

        Sim, o PT trabalha pela vitória no 1º turno. Por que? Porque sabe que a batalha de 2º turno, em condições iguais, será complicadíssima para eles, qualquer que seja o adversário. Minha premissa: o 2º turno está mais do que assegurado. Logo, não vejo nenhuma razão para Aécio poupar Marina, já que é no lugar dela que ele pretende estar. Se as urnas mostrarem que não deu, Marina terá as condições materiais para vencer o PT sem problemas.

      • bedot,

        Eu gosto de agregadores de feeds, e pensei em fazer um “manchetômetro” dos ataques à Marina (e Dilma) no final do mes de agosto. Chegou em um momento onde vi algumas pessoas até se esquecendo do PT….

        Aguardaremos as pesquisas do dia 17/09.

        Abs,

        LH

  4. Richard Rumelt, no seu livro, good strategy, bad strategy, comenta que uma boa estratégia precisa estabelecer três elementos pelo menos: Um diagnóstico, uma política orientadora(guiding policy) e uma ação coerente. Outra coisa importante que ele coloca é que é bastante comum, mesmo em empresas experientes, encontrar gerentes que acreditam que uma boa estratégia se resume a objetivos ou crenças mágicas(como ter força de vontade ou não desistir). Uma estratégia começa com objetivos para desenvolver os três elementos que citei.

    O diagnóstico é um elemento que já está sendo feito a algum tempo pelo Olavo e outros. Ele consiste na identificação e organização do problema. Como se dá a dinâmica das partes que compõe este problema. No caso da direita, significa entender coisas como: Foro de São Paulo; partidos que não compõe o Foro, mas são esquerdistas; partidos que não são alinhados ideologicamente com o Foro; quais são as políticas defendidas em comum por partidos do Foro; Como agem movimentos sociais participantes ou não do Foro; como essas políticas podem estar aumentando o poder do Foro e promovendo a agenda esquerdista; que políticas e ações podem estar fazendo a contra-gosto, para evitar perdas políticas etc. Além dos elementos, é preciso entender como eles interagem entre si. Depois de uma noção razoavelmente clara(acho que já estamos mais ou menos nesse ponto), é preciso entender quais objetivos proximais podemos buscar para lidar com o Foro. Acho que podemos pensar em alguns objetivos gerais possíveis como: Enfraquecer a articulação do grupo, diminuir a entrada de recursos e estimular o gasto deles e buscar algum benefício ou vantagem de ações do Foro.Além do problema, o diagnóstico serve para analisar potenciais e fraquezas dos próprios recursos que voce tem no momento e quais recursos estão fora do seu domínio(como as condições sociais em que se encontra a sociedade).

    Guiding policy se trata de uma visão geral das ações que se pretende tomar. No nosso caso é, conhecendo a realidade do Foro e da sociedade onde ele está inserido, que elementos desta realidade podem ser reconfigurados para dar alguma vantagem em relação da obtenção dos objetivos? Por exemplo, poderíamos explorar a tendência do brasileiro de adotar posições e valores conservadores; poderíamos apelar para a educação que é recebida e explorar contradições entre o que é ensinado e atitude dos governantes; poderíamos enfatizar nosso tamanho reduzido e falta de recursos para demonstrar a covardia que a esquerda apresenta se atacar de forma desonesta; etc

    A ação coerente é o conjunto de ações coerentes para solucionar o problema. O importante não é detalhar tanto as ações, mas estabelecer a coerência geral entre elas. Por exemplo, sabendo que a direita não tem recursos para agir, então temos que pensar mais em ações de baixo custo, diminuir as dificuldades para quem quiser contribuir, investir em formas de captar recursos. Se há elementos de discordância entre as pessoas, diminuí-las ou fazer elas funcionarem produtivamente para a direita ao invés de levar a auto-destruição da direita. Pensar na colaboração de pessoas de forma que se perca menos recursos, como realizar o mesmo trabalho diversas vezes.

  5. O que queremos?!
    1)Executivo Nacional: Tirar o PT do Poder
    2)Executivo Estadual:Evitar candidatos de partidos do Foro de São Paulo.
    3)Legislativo Nacional e Estadual: Colocar o maior número possível de candidatos alinhados a propostas da Direita,e em caso de falta desses,evitar candidatos de partidos do Foro de São Paulo.

    Um trabalho bacana para divulgar e expandir é esse: http://meuprofessordehistoriamentiupramim.blogspot.com.br/2014/08/lista-de-candidatos-que-apoiamos.html

  6. Luciano, você estudou fora? Você não parece ter feito faculdade aqui no Brasil. Você tem ideias claras e lógicas, isso é raro numa vítima do ensino superior das terras tupiniquins.

  7. Continuo com o punhos de renda no 1º turno. Se ele ganhar logo de uma vez, vou soltar rojões e mais rojões. Vou fazer churrasco pra vizinhança. Vou comemorar até o sol raiar.

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