Guerra Política 2014 – 17 – Laudos sobre a debilidade adversária

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09-05-2010_23_38_09_

Basta caminhar pela BLOSTA que veremos a mesma conversa de sempre sobre os oponentes do partido: “O PSDB acabou de uma vez por todas” ou “Marina está definitivamente liquidada”. Nenhuma das duas afirmações é verdadeira. Mas por que eles são tão incisivos nessa campanha?

Vejam exemplos:

Será que eles todos estão fazendo uma análise séria ou lançando propaganda?

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Se lembrarmos do texto “O poder da confiança na vitória”, teremos uma visão clara de que este padrão é apenas o exercício de uma boa prática da guerra política. Alias, como também na vimos na parte 13 desta série, na guerra política os bons resultados tendem a se aproximar dos confiantes (na vitória) na mesma medida em que se afastam dos não-confiantes. O que novamente nos leva apenas à identificação de um padrão.

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Esta técnica é praticamente uma forma reversa de se mostrar “confiança na vitória”, simplesmente por demonstrar confiança na derrota do adversário. Muitas vezes, para tornar tudo mais crível, é possível até usar um estilo mais “solene” para que sua mensagem seja captada de forma mais ampla, especialmente pelos neutros.

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Outro componente fazendo parte deste recurso é uma forma específica do uso da inevitabilidade, poderosa técnica de propaganda. Como já sabemos, “uma das formas de se forçar psicologicamente alguém a aceitar qualquer ideia ou produto à venda é afirmar que o aceite desta ideia é inexorável, o que é um apelo ao instinto de manada”. Assim como sua vitória pode ser apontada como inevitável, a derrota do oponente também.

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Relembremos um pouco sobre o instinto de manada:

Inconscientemente, muitos gostam de pertencer ao grupo majoritário, e sentem-se mal quando isolados. Esta técnica basicamente manipula as pessoas apelando a estes instintos. O instinto de manada é facilmente explicável logicamente (e biologicamente). Imagine um animal fora do rebanho, que não está sequer “associado” com os machos beta e gama que seguem o macho-alfa. Isolado do rebanho, ele é uma vítima potencial dos predadores da natureza. Mesmo em uma sociedade civilizada como a nossa, esse instinto de pertencer à manada ainda reside no subconsciente humano. E sem expectativas de desaparecer…

Com isso fica muito mais claro o motivo pelo qual a emissão de “laudos” sobre a fragilidade de seu adversário é tão importante. Assim como no caso da demonstração de confiança em sua vitória, a certeza da derrota do oponente serve para (1) animar sua tropa, (2) aumentar a taxa de neutros juntando-se ao seu lado e (3) desanimar a tropa adversária.

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E aí, quantos “laudos” já foram emitidos por adeptos da direita, centro e esquerda moderada recentemente? É até difícil encontrar esses exemplos. Já a extrema-esquerda tem feito isso de forma praticamente incontável..

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6 COMMENTS

  1. Luciano, você não acha que falta militância pró-Aécio? O que eu quero dizer é que basicamente desconstruímos Dilma e Marina, porém não levantamos a bandeira Aécio. Talvez pela própria aversão que muitos de nós sentimos em relação a ele, uma vez que o mesmo não representa a visão da direita que queremos.

    • Verdade. Mas eu gostaria de elencar outros dois motivos:

      1 – A gente tem mais o que fazer do que ficar fazendo propaganda pra político, diferente do pessoal da Blosta que é patrocinado pelo governo, e dos MAVs que são pagos pra fazerem as merdas que fazem.
      2 – O próprio cidadão não ajuda. A postura dele como candidato deixa muito a desejar. Eu até tento fazer alguma propagandazinha pra ele, mas ele se encarrega de desconstruir parte do que eu tento falar a favor dele na próxima entrevista ou aparição dele em público… Aí complica.

      • Jeferson,

        1 – Desculpe, mas esse não é um bom argumento. O pessoal da BLOSTA é patrocinado pelo governo, mas muitos militam de graça. Então, não é um impeditivo. Você poderia até alegar que a existência da BLOSTA impede que você faça o que eles façam NA MESMA QUANTIDADE. Mas só isso.
        2 – Eu creio que isso se deve à pouca pressão que fazemos sobre ele. Veja a pressão que um Felipão sofre da torcida. A pressão de nós sobre Aécio não chega a um centésimo do que ocorreu com Felipão.

        Abs,

        LH

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