Por que Dilma não paga o preço de suas mentiras sobre a economia?

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Dilma

Na entrevista ao Bom Dia Brasil em 22/09 (gravado em 21/09), Dilma não apenas mentiu sobre questões relacionadas à corrupção, como também sobre economia. Veja detalhes a partir do Transparência Política:

O embate mais forte se deu quando a petista foi questionada sobre a piora da inflação em seu governo e seus ataques à proposta de um Banco Central independente , da adversária Marina Silva (PSB). Em suas respostas, Dilma disse que o Banco Central americano, o Federal Reserve, independente, enfrenta ameaça de deflação –inflação abaixo de zero, um sintoma de recessão econômica. Conforme apontou a jornalista Míriam Leitão, espera-se uma inflação em torno de 2% neste ano nos EUA.

A presidente e a entrevistadora também divergiram quando Míriam afirmou que a Alemanha, a despeito da crise europeia, deverá crescer 1,5% neste ano, acima do 0,3% esperado no Brasil. Dilma disse que a Alemanha está crescendo 0,8%. Essa, no entanto, é a taxa de expansão no segundo trimestre do ano.

A presidente também se equivocou ao dizer que a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), feita pelo IBGE, não apura desemprego. Com metodologia diferente da pesquisa mensal de emprego também do IBGE, a Pnad calculou desemprego de 7,1% em todo o país no primeiro trimestre do ano, enquanto a pesquisa tradicional, limitada às seis principais regiões metropolitanas, apurou taxa de 4,9% em abril.

Dilma disse ainda, sobre o desemprego, que “ninguém tem no mundo taxa de 4,9%”. Vários países têm taxas semelhantes ou inferiores, casos de China, Japão, Rússia, Coreia do Sul, Áustria, Suiça, Tailândia e outros.

Durante a entrevista, Dilma afirmou que a redução da participação dos bancos públicos inviabilizaria a realização de obras de infraestrutura no país. A presidente também afirmou que o Brasil está na defensiva na área econômica e depende de uma melhora na economia dos Estados Unidos para voltar a crescer.

Questionada sobre se estava satisfeita com o crescimento econômico brasileiro, Dilma apenas respondeu “não”. “O Brasil está na defensiva para proteger os empregos, salários e investimentos. Protegemos isso porque apostamos em uma retomada, em que vamos mudar de defensiva para ofensiva”, disse.

No entanto, para que isso aconteça, Dilma afirmou que o país depende de um crescimento dos Estados Unidos. “A gente tem de ver como que evolui a crise. […] Os Estados Unidos evoluindo bem eu acho que o Brasil pode entrar numa outra fase, que precise de menos estímulos. Pode ficar entregue à dinâmica natural da economia, e pode, perfeitamente, passar por uma retomada”, disse.

Enfim, a imagem de Dilma já está construída. Só falta agora ser propagada. Além da imagem de incompetência e corrupção (ainda não explorada adequadamente pela oposição), temos a imagem da mitomania.

Há um problema gravíssimo relacionado a esse comportamento, pois mentir sobre números e apregoar vantagens inexistentes é uma forma de não precisar fazer realizações efetivas. Só que pessoas sofrem com isso. Vidas são destruídas. O uso de números falsos é uma forma de afronta ao cidadão. Ela simplesmente joga as vítimas de seu descaso governamental para debaixo do tapete.

É fácil ilustrarmos essa depravação. Segundo o DIEESE, a taxa de desemprego supera os 10%. Mas o governo mente ao dizer que a taxa de desemprego é somente 5%. Isso é um cuspe na cara de todos os 5% ignorados na informação governista. Em suma, até quando o povo brasileiro vai tolerar este tipo de acinte?

Mas também existe outro tipo de provocação: a da oposição, que não cobra de Dilma o preço por mentir tanto nos termos mais fortes possíveis. Agindo assim, eles colaboram para que ela passe ilesa mesmo que sua turma aja de forma tão vil contra o povo.

Se Dilma pode ser facilmente pressionada por mentir tanto, a oposição pode ser pressionada da mesma forma a cobrar o preço dos governistas.

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34 COMMENTS

  1. Caro Luciano.

    Acho que essa situação fácil para a vagabunda não é apenas culpa da oposição, mas também do eleitor filho da puta que só enxerga seu próprio umbigo (idiota portanto) e vota na vagabunda.
    ……….

      • Não acho injusto culpar preguiçosos intelectuais e estúpidos que só querem baladas, novelinhas da Globo, Esquentas da vagabunda Regina Casé, funk ostentação, etc, etc, etc,,,

        Acho injusto NÃO CULPÁ-LOS.

        Braços.

      • A esquerda nunca pensou assim. A esquerda sempre pensou que a responsabilidade era dos intelectuais orgânicos DO LADO DELES.

        Esse é o erro da direita: a culpa é do comprador, não do gerente de marketing.

        Abs,

        LH

      • Exatamente com o Luciano falou. Imagine-se como uma pessoa pobre que mal teve a chance de estudar(e seus pais também viveram nessa realidade).Você dificilmente teria condições de analisar o sistema que foi criado pelos políticos vigaristas(e também cairia naquele discurso de que todos são iguais>ladrões).
        O mais claro exemplo disso é o Salário Mínimo que impede os mais pobres de ter um emprego formal,enquanto isso se utiliza o Bolsa Família para manter o pobre dependente do Estado(não esquecendo é claro de votar no PT). Se você vivesse a realidade que citei antes, provavelmente pensaria:Finalmente alguém fazendo algo pelos mais pobres(Lula é o salvador).
        Nos entramos nessa para desmascarar as vigarices e levar a liberdade que os mais pobres não sabem que não tem.

      • Marcus.

        Esses pobres que você citou jamais procurarão por informações em blogs eruditos, como este do Luciano, na internet, pois eles preferem o “funk ostentação” e o “Esquenta” da Globo.

        É necessário ter consciência da doença para se mexer e ir ao médico, ou ao dentista.

        É necessário querer o conhecimento para ir procurá-lo por conta própria.

        “Todo aquele que procura encontra. E a todo aquele que bate a porta ser-lhe há aberta.”

        A verdade é que o povo brasileiro pobre e “coitadinho” é vagabundo e cruel com seus vizinhos também pobres e “coitadinhos” como ele. Piedade é raridade. A maldade da exploração do homem pelo homem acontece entre pobres e ricos indiscriminadamente. Os “filhos da puta” existem em todas as classes sociais.

        “Queres conhecer o vilão? Põe-lhe na mão o bastão.”
        ……….

      • Draxyon,

        Eles não procurarão e NÃO PRECISAM procurar. O trabalho é dos 10% que influenciam a opinião pública. Somos nós que lutamos a guerra política, não a maioria do povo. Sempre foi assim e sempre será em qualquer nação.

        Abs,

        LH

      • Pra mim todo esse discurso só serve pra evidenciar como a democracia é uma merda. Um embuste feito para dominar o povo através da mentira de que eles é que estão se governando. O povo é tratado apenas como uma massa de manobra por quem quer que seja. Talvez a direita seja tão menos incisiva/participante/etc. nessas questões justamente porque qualquer ser humano decente teria nojo de participar de um negócio desses quando sabe como realmente funciona. O problema é que o preço disso é pago por todos, justamente porque os piores são os que mais se envolvem nesse tipo de coisa. Até porque é só nisso (mentira, roubo, embuste, enganação) que eles têm competência.

        Apesar de não estar sugerindo que o Luciano faça isso aqui no CP, volto a pensar se realmente é ruim tentar desmascarar a democracia. Talvez o problema seja em como isso é feito.

      • Jeferson,

        Peço que considere o contexto. Imagine que as mulheres valorizem os homens que, mesmo mostrando confiança, demonstre que elas tem a liberdade de escolha. E suponha que você defende que elas não devem ter a liberdade de escolha.

        Imagine-se defendendo esse tipo de coisa em público.

        É a mesma coisa que defender o fim da democracia, ou seja, propor que as pessoas não devem mais ter a liberdade de escolha.

        Se a direita abraçar isso, morre definitivamente.

        Uma dica em guerra política é não abraçar utopias, ou seja, um mundo onde a rejeição à democracia se torne uma ideia no mínimo aceitávle.

        Abs,

        LH

      • Apolo.Talvez eles não tenham condições de procurar,talvez eles nem saibam o que é ir além em matéria de conhecimento,talvez eles não queiram lutar para conhecer mais,mas mesmo assim nós devemos desmarcar as políticas vigaristas que atrasam o país e qualquer chance de melhora para todos.
        O Brasil tem apenas algumas centenas de anos de uma cultura,o que é muito pouco comparado a cultura milenar do Japão(onde o catador de lixo vai trabalhar com uma pinça de tão pouco e pequeno é o lixo que ele encontra. Detalhe>Lá quase não tem lixeira na rua quase por que um cara fez um atentado usando as lixeiras,então as pessoas tem que carregar o próprio lixo). É como se nós fôssemos um adolescente birrento enquanto eles são pessoas de meia idade maduros em termos de cultura.

      • Luciano, eu li os seus 3 (4?) textos sobre esse assunto, mas sempre que sou lembrado de como o mundo funciona, não consigo não me indignar. Ao mesmo tempo eu reconheço que a omissão não é a postura adequada, como eu disse no meu comentário: “o problema é que o preço disso [a omissão da direita] é pago por todos, justamente porque os piores são os que mais se envolvem nesse tipo de coisa. Até porque é só nisso (mentira, roubo, embuste, enganação) que eles têm competência.”

        Por isso eu não falei em me opor à democracia, mas sim em DESMASCARÁ-LA, e por isso também disse que não sugeriria que VOCÊ fizesse isso, apenas reflito se não vale à pena. Não consigo apoiar um regime desses, e nessas hora eu tendo a concordar com o H. H. Hoppe quando diz que a monarquia é melhor que a democracia justamente porque naquela o povo não tem a ilusão de que pode chegar ao poder (cabe ressaltar que só concordo neste ponto).

        Logo, a monarquia é mais “honesta”, mais fácil de se denunciar e desmascarar. Explicar pro cidadão comum o que é democracia de verdade me parece muito mais difícil do que desmascarar as imbecilidades da esquerda, no entanto, uma coisa não inviabiliza a outra, não conflita com a outra. As questões que eu vou pensar com meus botões são “vale a pena fazer isso?” e “de que maneira?”. Certamente não vai ser através das redes sociais nem de conversas em bares ou almoços com meus familiares ou colegas de trabalho.

        Apenas pra reforçar o desabafo, não consigo não ter nojo de uma forma de governo em que todos são obrigados a se curvar às idéias de quem conseguiu enganar a mais pessoas. No fundo a democracia não passa muito disso. Não na prática. Talvez na “democracia utópica”.

        Abraços.

      • Jeferson,
        Até entendo seu ponto de vista, mas há objeções.
        Mas quando você diz “a monarquia é melhor que a democracia justamente porque naquela o povo não tem a ilusão de que pode chegar ao poder” de que forma você vai comunicar isso para o povo?
        Você diz: “explicar pro cidadão comum o que é democracia de verdade me parece muito mais difícil do que desmascarar as imbecilidades da esquerda, no entanto, uma coisa não inviabiliza a outra, não conflita com a outra”.
        Depende, pois enquanto você diz para o povo que “a democracia tem problemas”, o esquerdista diz que “a democracia é tudo na vida” (mesmo que queira corrompe-la), você terá desligado o cérebro as pessoas para ouvi-lo. É como um interruptor, que você liga ou desliga. Ao se posicionar contra a democracia, você desligou esse interruptor.
        A esquerda aprendeu isso e por isso sempre vai pedir “democratização” ou “ultra-democracia”.
        Você argumentou: “não consigo não ter nojo de uma forma de governo em que todos são obrigados a se curvar às idéias de quem conseguiu enganar a mais pessoas”.
        Eu discordo, eu diria que a democracia é uma forma de governo em que todos se curvam às ideias de quem controlou o frame e venceu a guerra política. Mas e se você estiver com a verdade em mãos? Aí teria a obrigação moral de controlar o frame e jogar o jogo político, pois senão seria uma opção (a partir de que você conheça essas regras, claro) por não querer fazer sua verdade prosperar sobre a mentira.
        Ou seja, a democracia “não é suja”. Ela está corrompida pq a esquerda imoral joga o jogo e a direita se recusa a jogar.
        Abs,
        LH

      • Meu caro Luciano.

        Aprecio muito suas ideias e argumentações sensatas, e é justamente por isso que sempre venho a este blog procurando novas visões e conhecimentos.

        Mas, discordo de você neste tópico.

        Você disse:
        “Eles não procurarão e NÃO PRECISAM procurar. O trabalho é dos 10% que influenciam a opinião pública. Somos nós que lutamos a guerra política, não a maioria do povo. Sempre foi assim e sempre será em qualquer nação.”

        Acho que todos os homens, indistintamente, devem respeitar e valorizar seus atributos e faculdades intelectiva e cognitiva, e então PRECISAM, SIM!, procurar o conhecimento, crescer e transcender. PRECISAM, SIM!, evoluir espiritual e psiquicamente, além de apenas cientifica e tecnologicamente. Devemos perceber a situação ridícula de vivermos como bárbaros tecnologizados.

        O caminho do guerreiro no conhecimento é um caminho solitário e estreito. A natureza evolui por si mesma apenas até certo ponto, dali em diante é incumbência e responsabilidade de cada um ir além por si mesmo.

        Os que NÃO PRECISAM procurar o conhecimento são os animais inferiores (irracionais).

        Se continuarmos admitindo para nós mesmos que os responsáveis são apenas os formadores de opinião (10% como você mensurou), jamais iremos então ensinar, e cobrar do povão ignorante que ele cresça e se conscientize de suas responsabilidades existenciais, não apenas para consigo mesmo, mas, também, para com todos os seus semelhantes, pois o planeta Terra é a única morada possível para a humanidade no momento. Se continuarmos acreditando nisso jamais iremos ensiná-los a PESCAR e a se tornarem indivíduos responsáveis e fortes para o bem de todos nós.

        A almejada grandeza humana exige muito TRABALHO e SACRIFÍCIO INDIVIDUAIS. É necessário sacrificarmos grande parte dos clamores de nossos egos para vivermos com sabedoria e harmonia com nossos semelhantes. Para vivermos uma vida mais digna e satisfatória de verdadeiras melhores realizações.

        Provavelmente esse povo ignorante nos conduzirá a uma tirania comunista, para desgraça de todos nós. Mas, se isso acontecer, os tais formadores de opinião (elites) deverão ser devidamente responsabilizados por sua incompetência em educar corretamente o tal “povão” ignorante. Deverão ser responsabilizados por não chamá-los à razão de suas próprias responsabilidades existenciais.

        Devemos exigir das pessoas ignorantes que elas arquem com suas responsabilidades individuais, e aprendam, e assim estaremos fazendo um bem a elas.

        Cobremos o povo ignorante para que busque a grandeza, jamais o funk ostentação et ceteris.
        ……….

        Braços.

      • Draxyon,
        E por que eles fariam isso? Qual a prioridade deles? Você buscou conhecimento por que quis. Ninguém te obrigou a isso.
        O que eu quis dizer é que espera-se,em todos os países e em todas as épocas, que uma parcela menor de pessoas busquem conhecer os meandros mais profundos de como funciona a natureza humana.
        A humanidade chegou até aqui funcionando assim, os grupos tem sido evolutivamente selecionados dessa forma, ou seja, de onde vem a necessidade da eliminação da classe de formadores de opiniões pensando-se num mundo utópico onde formadores de opinião e o restante da população alcançam o mesmo patamar.
        Como ideal, é legítimo,mas acho extremamente improvável que ocorra, até por que a dinâmica da espécie humana não precisa disso.
        Alias, vale para outras espécies. Todas elas delegam aos seus machos alfa, beta e gama a condução das coisas.
        Veja o que você diz: “se continuarmos admitindo para nós mesmos que os responsáveis são apenas os formadores de opinião (10% como você mensurou), jamais iremos então ensinar, e cobrar do povão ignorante que ele cresça e se conscientize de suas responsabilidades existenciais”.
        Espere, você quer cobrar o resto do povo antes de priorizar a formação de você próprio como formador de opinião? Ou quer fazer as duas coisas paralelamente?
        Com dizia Sun Tzu, devemos escolher as batalhas que queremos lutar.
        Por exemplo, eu mesmo sou citado bastante por estratégias de como formar opinião. Você acha que eu considero suficiente? Não, tenho muito mais a evoluir nesse quesito. É uma prioridade?
        Qual sua prioridade? Quais os resultados que você espera alcançar?
        Você diz: “provavelmente esse povo ignorante nos conduzirá a uma tirania comunista”.
        Em várias sociedades que não caíram na tirania comunista não tivemos a sociedade “sem classes” em termos de formação de opinião. Ou seja, você está partindo de uma meta que não foi necessária para nenhuma sociedade ser livre e está estabelecendo isso como restrição.
        Mas e se você se especializar como formador de opinião e vários outros (da direita) fizerem isso?
        É por isso que eu digo que eles não podem ser responsabilizados, pois não tem condições de assumir essas responsabilidades.
        Acho que o sua ideia parte do “ótimo como impeditivo para o bom” (se me permite a observação). Suponha que como professor sua meta seja garantir aprovação de 50% de uma sala e obter 20% de alunos que cheguem a tirar média acima de 8,5. A partir disso, você estipula como obrigação que todos tirem acima de 8,5. Não conseguirá. Esse conflito entre o “perfeito idealizado” e o “possível realizável” irá te desfocar o tempo todo. E pior, vai te desestimular com o tempo.
        Tentar mudar a natureza humana é coisa dos comunistas. Entender o ser humano é mais prioritário, a meu ver.
        Em todas as sociedades, humanas ou não, a maioria se submete a alguns poucos, que dão a direção do todo. Se isso ocorre por inspiração, ao invés da coerção, muito melhor.
        Abs,
        LH

      • Escrevi, apaguei e re-redigi este texto umas três vezes, e ainda não estou satisfeito com ele. Provavelmente não vou voltar pra responder, pelo menos enquanto não chegar em casa, mas vamos lá.

        Primeiro, concordo em parte com suas colocações, justamente por isso falei que certamente não trataria disso em qualquer círculo, em especial aos círculos que possuem maior alcance: redes sociais, eventos sociais com amigos e família. Certamente ao falar contra a democracia em qualquer desses círculos, eu seria automaticamente desmoralizado antes de poder explicar a lógica por trás dessas idéias, no entanto, me falaram contra a democracia no passado, e eu ouvi. E ao ouvir, entendi a realidade.

        Não acho que a democracia seja corrompida porque a esquerda possui mais competência para “controlar frames” (manipular e enganar pessoas, no caso deles), ela é corrupta por impor a todos a vontade de alguns. Que – você está certo – não se trata de fato da maioria, se trata de quem enganou melhor, o que mostra que o sistema é muito pior do que parece! Também acho que você está certo ao dizer que podemos e devemos usar essas técnicas a serviço da verdade, mas acho que você está errado ao defender a ignorância do povo e atribuir a totalidade da culpa à direita, que nem partido político tem aqui no Brasil, em grande parte pela legislação eleitoral. Estão aí o Novo – que levou anos pra conseguir as assinaturas e ainda não conseguiu formalizar seu registro junto ao TSE – e o Liber, que provavelmente vai levar mais meia década para isso. Devemos apoiar? Claro! Mas é extremamente limitado o que podemos fazer em meio a todas as atividades que realmente temos obrigação moral de fazer em nossas vidas, como ganhar o sustento de nossas famílias e zelar pela nossa saúde física e mental.

        Democracia seria legítima se a totalidade de uma população concordasse em conceder determinados poderes ao estado, e a utilização ou aplicação desses poderes estivesse sujeita ao determinado pelos representantes do povo, que não poderiam ampliar seus poderes sem o consentimento de toda a população. A democracia real talvez funcione maravilhosamente bem em um mundo dividido em microestados, e sem a possibilidade de união entre eles. Onde o governo não tem como usurpar pra si mais poder do que aquele que a maioria esmagadora da população do seu territoriozinho medíocre concede, simplesmente porque quem estiver insatisfeito com as políticas públicas e/ou com seus efeitos tem bastante facilidade de se mudar, levando todos os seus tributos e poupança pra outro microestado.

        Por esses motivos eu cogito atacar o problema na raiz: a democracia. Mas não se preocupe, que mesmo se eu resolver fazer isso e angariar pessoas que colaborem comigo nessa causa, deve levar pelo menos um ano, provavelmente mais, até eu encontrar uma maneira que considere que possa dar certo, e começar. Sei que sua idéia sobre a democracia não vai mudar, aproveito e declaro que muito dificilmente as minhas vão. Esses seus argumentos eu já conheço, já digeri, aproveitei o que pude deles, e descartei o resto. E continuo tendo nojo da democracia e vendo ela como parte central do problema.

      • Jeferson,
        Eu chego a dizer que este blog não é mais apenas um blog de direita, mas também um lugar que defende todos que prezam a democracia. E eu respeito a sua opinião, democraticamente. Mas, em termos de objetivos, estaremos em lados opostos no momento em que a questão for defender a democracia.
        Mas existem alguns detalhes: “acho que você está errado ao defender a ignorância do povo e atribuir a totalidade da culpa à direita”.
        Eu não defendi a ignorância do povo,eu aceitei o que a biologia nos mostra sobre as espécies animais, que tendem a direcionar o comando para alguns poucos. Se você acha que essa análise é errada, ok, você pode apresentar um argumento. Mas apenas dizer que não acha justo ou correto, sem levar em conta o que o ser humano é, a meu ver é um equívoco.
        Se a direita não tem um partido aqui no Brasil, por que isso ocorre?
        Além do mais, se não tivermos a democracia, teremos o que? Uma ditadura? Teríamos que aceitar as determinações de poucos?
        Mas, enfim, respeito o seu direito de defender sua ideia, mas acho que, em termos de guerra de frames, os adeptos da democracia de direita levarão vantagem sobre essa linha de pensamento de direita anti-democracia.
        Se eu sou contra os bolivarianos da esquerda, por serem anti-democráticos, tenho que ser coerente e me posicionar contra a direita que também queira bandear contra a democracia.
        A meu favor, tenho os indicadores de países com maior liberdade de imprensa fornecendo um melhor nível de vida para o povo, tornando-se atraentes para pessoas querendo se mudar para lá.
        Mas vamos ver no que isso vai dar, dialeticamente falando.
        Abs,
        LH

      • Luciano, ao “aceitar o que a biologia nos ensina sobre o comportamento animal”, você ignora completamente que o processo de civilização nos diferencia dos demais animais. Ao passo que estes lutam para sobreviver, se adaptando ao ambiente, nós e nossos ancestrais sempre que pudemos adaptamos o ambiente às nossas necessidades. E com isso, nosso estilo de vida, nosso comportamento e até nossas necessidades mudaram. Se fosse para reduzir tudo isso a questões biológicas, nenhum tipo de debate sobre forma de governo, tamanho do estado, áreas em que ele deveria atuar ou sobre a necessidade ou não de existir um estado perdem sua razão de ser. Se é pra “aceitar o que a biologia nos ensina” e aplicar diretamente ao ser humano, ao invés de enxergar o ser humano como um ser que transcende suas raízes animais, vamos “aceitar” também que as coisas se desenrolem como se desenrolarem, e deixarem que os “alfa, beta e gama” da esquerda nos leve ao inferno que eles querem nos levar.

        Eu gosto de usar a biologia para ilustrar a ignorância de Marx e seus discípulos, que nos comparam a formigas, abelhas ou cupins ao sugerir que poderíamos viver nossas vidas trabalhando e construindo em prol do coletivo. Só não entendem por que essas espécies são assim e nós não. Mas se formos pela linha biológica, vamos ver que há alguns milhares de anos, alguns lobos cinzentos – animais que possuem um sistema hierárquico como o que você sugeriu – que eram menos ariscos, e se permitiram domesticar pelo ser humano, deixaram descendentes (os cães) que hoje – apesar de continuarem sendo animais da mesma espécie – possuem um comportamento extremamente diferente da subespécie original, e “delegam” a seus “machos alfa, beta e gama” muito menos deveres e privilégios que seus antepassados. E eles – diferente de nós – não alteraram o ambiente às suas necessidades, apenas pegaram carona nas alterações que nós fizemos.

        A última consideração que faço é que você não é ignorante para fazer a dicotomia “ou é democracia ou é ditadura”. Está agindo como um esquerdista ao fazer esse tipo de afirmação falaciosa. Eu prezo pela democracia como alternativa a regimes totalitários, mas não acredito que ela seja um “deus” ou um objeto digno de culto, acima da moral e da ética, que não possui falhas e não deve ser criticada nem ter suas defeitos denunciados. Não acho que a democracia liberal seja “o fim da história”, sei que há muito espaço para melhorar, e até o mundo estar preparado para viver sem estado (se é que um dia vai estar), ainda descobriremos diversas “tecnologias” de governar a vida em comunidade melhores que a democracia. Claro que isso não vai acontecer enquanto ela for tratada como infalível, enquanto ela for vista como a melhor forma de governo possível e enquanto suas falhas forem atribuídas a regimes específicos (exatamente como os socialistas fazem).

        Ironicamente, após 3 anos estudando autores libertários e conversando com libertários sem me tornar um, descubro aqui, graças a você, que sou muito mais libertário do que eu mesmo imaginava.

      • Jeferson
        Você está certo ao dizer que nos temos uma capacidade de modificação do ambiente muito maior do que qualquer outra espécie. Mas isso não muda o fato de que nós temos que nos adaptar ao ambiente. Quando o ser humano muda, ainda assim seu “hardware” continua do mesmo jeito. Isso não significa que não devamos mudar nada, pelo contrário. Devemos propor mudanças, mas sempre levando em conta as contingências humanas. Uma dessas contingências (que não dá sinal de mudança) é o fato de que a população de qualquer espécie delega sua direção, por inspiração, à alguns líderes. Quer dizer, enquanto não tivermos líderes em boa quantidade assumindo a direção intelectual do povo (como já faz a esquerda), continuaremos perdendo, pois a população sempre ficará à espera destes líderes. Ou seja, os intelectuais orgânicos. Essa é uma contingência da qual não podemos fugir.
        A forma como você se sente em relação à democracia é importante para um debate filosófico, mas é terrível em termos políticos. Isso é tão verdade que até a esquerda, que adorava tomar o poder pela força, hoje só fala em termos como “democratização da mídia” e “democratização da participação social”. Por que eles fazem isso? Por que o animal humano (assim como qualquer outra espécie) privilegia aqueles que lhe dão poder de escolha e aumento de liberdade. Quando alguém diz “não quero democracia, prefiro outra coisa” automaticamente é interpretada pelo público como alguém dizendo que não valoriza o direito de escolha do povo. É o mesmo que pedir para que ele vote em qualquer outro que não você.
        Esse é um dos principais motivos pelos quais meu paradigma de estratégia política diz que a vontade do povo é soberana. Hoje em dia, com as técnicas de propaganda já existentes, é muito fácil marginalizar qualquer pessoa que não apoie a democracia em público. Mas se você espera que resultados sejam obtidos por outra via, devemos fazer o teste. Eu particularmente duvido.
        Quer ver o quanto a coisa é crítica? É só perguntar para alguém: “No lugar da democracia, o que você quer colocar? Como funcionaria a liberdade de imprensa? E os pleitos?”. Mas isso tem que ser explicado claramente, como se você estivesse em uma sabatina. Depois de responder, com clareza, você deve estar pronto para a chuva de críticas que vier. Que tal?

      • Esse é o desafio que eu assumi a tarefa de pensar se encontro uma forma viável de solucionar. Quando eu disse em desmascarar a democracia, eu tentei por várias vezes deixar bem claro que não era de forma política, que eu não iria realizar discursos a respeito, que não iria tratar disso de forma trivial, como debates presenciais ou usando redes sociais. Achei que seria fácil pra alguém do seu calibre deduzir que seria pela via da discussão filosófica e só a quem se interessasse; pelo menos em um primeiro momento. E que não seria sem antes estudar muito a respeito para só então concluir se haveria estratégias de implentação viável.

        Até tenho mais colocações que gostaria de fazer, mas esta discussão e seus argumentos já estão se tornando excessivamente repetitivos.

        Ainda acho a comparação de nosso comportamento POLÍTICO com a delegação da liderança de outras espécies furada (embora ache a analogia bem pertinente no que tange à liderança natural), dentre outros motivos porque a estrutura política existente é mantida pela uso ou ameaça de uso da força, não concedidas voluntariamente após a demonstração, por parte do líder, de superioridade na tomada de decisões a respeito daquilo que lhe é delegado (como acontece na liderança natural), mas escolho não continuar lutando esta luta contigo.

        Abraços e obrigado pelas colocações.

      • O fato de você ser o único direitista brasileiro que eu conheço que diz isso é aterrador.

        Três séculos e meio atrás, Pe. Antonio Vieira disse que se a Palavra de Deus não é introjetada pelo povo, a culpa não é de Deus, nem do povo, nem da Palavra; a culpa é toda dos padres. A direita brasileira AINDA não entendeu essa lição.

    • Caro Luciano.

      Grato pela dedicação de seu tempo às minhas considerações.

      Saiba que este diálogo foi muito interessante, valoroso e produtivo para mim.

      É justamente por isso que gosto de vir sempre aqui, para consultar seu blog.

      Abraços e felicidades.
      ……….

  2. Luciano, mais uma sobre economia que você pode comentar, e desta vez contrariando um tema importante ao menos na retórica dos marxistas-humanistas-neoateístas: pode ser que a concentração de renda no Brasil tenha aumentado de 2006 a 2012, com os 5% mais ricos controlando 44% do total. E aí perguntaremos para onde foi aquela promessa dos MHNs de que suas medidas iriam garantir uma massa de renda mais igualmente distribuída pelos degraus da pirâmide econômica.
    Claro que concentração de renda isoladamente não quer dizer nada, mas ainda assim é a possibilidade de analisar o quanto dessa renda concentrada possa estar, por exemplo, nas mãos de empresários amigos do governo (que conseguem uma série de vantagens que não têm outros empresários) e que se recusam a correr os riscos normais do capitalismo. E aqui acaba sendo um daqueles pontos em que se pode usar um tópico do qual muito os MHNs falam para combater o que eles mesmos dizem, ainda mais se considerarmos o pouco incentivo que há por aqui ao empreendedorismo e às micro e pequenas empresas (essas que normalmente estão nas mãos dos mais pobres e que lhes permitem a chance de trabalhar sem patrão).

  3. O brasileiro é muito ignorante, infelizmente. Só pensa em se dar bem e comunga com muita coisa errada. Quando converso com populares vejo a praga da lei de Gerson sempre permear o pensamento deles.

    • A tal praga da lei de Gerson é o apelo ao auto-interesse, além da cultura que lhes foi implantada pelos intelectuais orgânicos.

      Não há indício de que o brasileiro seja biologicamente diferente de outras pessoas de outros países nesse sentido.

      Abs,

      LH

      • Caro Luciano, você acredita que uma nação mestiça pode se tornar uma grande civilização?
        Todas as grandes civilizações foram edificadas por povos homogêneos e de origem branca, judia ou asiática (extremo oriente, China e Japão).
        Você acredita em diferenças de QI e traços de personalidade distintos entre os povos?
        Já leu os estudos dos Drs Charles Murray, Richard Flynn, Philippe Rushton, entre outros?

      • “Caro Luciano, você acredita que uma nação mestiça pode se tornar uma grande civilização?
        Todas as grandes civilizações foram edificadas por povos homogêneos e de origem branca, judia ou asiática (extremo oriente, China e Japão).”

        Depois de anos chafurdando nos cantos mais obscuros da internet, aprendi a suspeitar de todo aquele que tenta debater miscigenação citando judeus, QI e povos antigos, mas sempre deixando de lado fatos históricos básicos, tais como:

        1) Os judeus são o povo mais mestiço do mundo;

        2) http://pt.wikipedia.org/wiki/Imp%C3%A9rio_do_Mali

        Mas enfim, se eu fosse um pouco mais ingênuo, acharia que isso não passa de ignorância (no sentido pedagógico da palavra), mas hoje sei que essas omissões estratégicas são muito úteis para serem acidentais. Por trás de todo argumento de que “só povos homogêneos racialmente podem triunfar”, há sempre uma ideologia insalubre.

  4. Ela mente porque isso não dá em nada, não tira votos de quem é lobotomizado ou agraciado pelos bolsa- qualquer-coisa, e ainda arrisca ganhar mais alguns de quem não usa o “espacejador de orelha”, também conhecido como “célebro”.

  5. Faço questão também de citar os verdadeiros TRAIDORES!
    Refiro-me ao PMDB: O PT e o resto da comunistada jamais teriam chegado aonde chegaram até agora sem a ajuda destes desgraçados do PMDB!

    Isso sem falar que sempre tivemos um Estado inchado e altamente centralizado. Fica muito mais dificil assim distinguir entre “direita” / “esquerda”. 🙁

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