Hora da verdade: uma avaliação de desempenho de Aécio Neves e os novos Datafolha e DataCP

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Aécio Neves - Apresentação do promessômetro do governo Dilma Rousseff

Às vezes sinto uma ponta de melancolia ao notar que alguns críticos de meu trabalho (e eles existem, o que é ótimo, pois senão eu ficaria em zona de conforto, o que seria péssimo) ainda não entenderam o objetivo de meu empreendimento. Por isso, alguns disseram “o Luciano defende que Aécio faça X, mas ele deve fazer Y”. Na verdade, as dicas do que Aécio deveria fazer sempre estavam atreladas a um resultado. Quando eu sugeria uma ação por parte de Aécio, eu me importava mais com o resultado do que com a ação em si. E sempre praticava a auto-análise com o seguinte tom: “Será que minha dica foi seguida? Se foi seguida, acertei? O resultado foi o esperado?”.

Essa falta de dogmatismo em relação às táticas é uma lição de Saul Alinsky. Portanto, erram os meus críticos quando acham que eu propus que Aécio fizesse alguma coisa apenas por que isso atende às minhas manias. Eu sempre tentei me policiar para não me apegar às manias, mas aos resultados. Tanto que sempre estive aberto às críticas, pois acredito que qualquer um querendo discutir estratégia política deve saber que vai cometer erros táticos aqui e ali. Se um estrategista acertar em 70% a 80% das vezes, está bom demais. Diante dessas constatações, deve ser óbvio que ficar apegado às manias não é uma postura de quem quer discutir estratégia. Vamos falar de resultados agora, e não de argumentações focadas em “devia fazer X” e “devia fazer Y”. Deixemos as manias para nossa vida privada, não para ações públicas que envolvam consequências. (Aliás, essa é uma dica para qualquer leitor deste blog que queira focar mais nesse tipo de discussão. Se você quiser viver a vida querendo provar para os outros que está sempre certo em suas estratégias e táticas, melhor procurar outro foco de interesse, como filosofia ou economia, mas não a análise estratégica da política)

Vamos ao que interessa. As pesquisas para as eleições, especialmente os resultados do Datafolha de hoje: Dilma 40%, Marina 27% e Aécio 18%. No DataCP atualizado, a coisa é um pouco mais interessante: Dilma 36%, Marina 30%, Aécio 20%. Por questões de desempenho (onde devemos sempre buscar um “pouco mais” que o necessário) vou usar a pesquisa Datafolha, enquanto o DataCP será usado para alinharmos as expectativas entre nós, eleitores.

O que diriamos se Aécio Neves fosse um gerente em uma avaliação de desempenho? Simplesmente teríamos que avaliá-lo com base em uma meta, a qual é estabelecida de acordo com o contexto. Ora, se o PT está afundado em escândalos de corrrupção, além da economia estar em situação desastrosa, sem esquecermos do fato do partido ter mentido psicopaticamente na campanha (o que aumenta o ativo político de qualquer adversário atento), então qualquer meta diferente da que mostrarei aqui é no mínimo um sandbagging (técnica de jogo político corporativo onde se estabelece uma meta baixa, apenas para dizer posteriormente que a alcançou). Eis as metas realistas:

  • Dilma 30%
  • Aécio 30%
  • Marina (qualquer resultado, desde que menor que os anteriores)

É simples assim! Portanto, não existe isso de “tem que fazer X” ou “tem que fazer Y”. Já ouvi gente dizendo que “Aécio tem que bater nas duas”. Desculpem-me, mas as sugestões que lancei aqui pedindo que Aécio priorizasse o ataque à Dilma focavam em um princípio da guerra (retirar o poder de ataque de seu maior adversário), mas não eram imperativas. Eram sugestões, que poderiam dar resultados ou não. Mas não foram seguidas. Ao contrário, Aécio fazia uma ou outra crítica à Dilma, mas chegou a criar “sem querer” uma campanha para o PT… contra Marina. Vamos relembrar o que eu escrevi naquele texto:

O que eu posso fazer? Esperar os próximos resultados das pesquisas e ver no que isso vai dar. Nesses momentos, eu sempre me lembro de Sun Tzu: “devemos escolher as batalhas que queremos lutar”. Cada um é cada um…

A meu ver, Dilma adquiriu ultimamente uma liberdade de ataque inacreditável ao ter o monopólio do ataque (e ela não poupa nem Aécio nem Marina, privilegiando o ataque à esta última), e por isso está indo bem nas pesquisas.

Mas como todo aquele envolvido em discussão estratégicas, não existe isso de “tem que fazer isso” ou “tem que fazer aquilo”. O que existe, para quem discute estratégias e táticas a sério, é “algo é feito… e resultados são esperados”.

Espero vir aqui no dia 5 de outubro reconhecer que estou pegando pesado nas críticas à postura de Aécio (poupando Dilma até o limite do ridículo, o que tem sido notado por muitos eleitores com os quais converso).

Quer dizer, não há dogmas para mim. Se a escolha do candidato está em desacordo com minhas sugestões, ainda temos o critério menos dogmático de todos: os resultados. E o que vemos? Dilma está pontuando 8% acima do que devia e Aécio 12 % abaixo (ambos de acordo com a meta). Em termos de resultado, falamos de um verdadeiro desastre. Eu acho que quando saírem os resultados das urnas, o desempenho deve ser um pouco melhor. Mas do jeito que vemos, a coisa não está muito diferente do que ver o Felipão indo para o vestiário, no intervalo do jogo contra a Alemanha, com 5×0 nas costas. Enfim, nós somos um povo que consegue derrubar um técnico da seleção depois de vários fracassos em partidas, mas não conseguimos pressionar um candidato que apoiamos. Também temos uma parcela de responsabilidade nisso.

O ego deve ser vencido pela estratégia se realmente quisermos resultados. E antes de nos dividirmos, devíamos nos unir na cobrança em direção ao candidato Aécio, questionando-o, duramente, por que ele não está empatado com Dilma na proporção 30/30? Devemos deixar bem claro que essa é a eleição onde o PT possui maior vulnerabilidade por causa dos escândalos de corrupção e da estagnação econômica. Não há um argumento decente para ele justificar um desempenho tão pífio. Não é justo que ele não seja pressionado por resultados. Creio que a menos de 10 dias das eleições nós já demos sugestões demais, por diversos canais. Está na hora de exigirmos resultados, assim como o torcedor fez com Felipão. (Não interrompam as sugestões, evidentemente, mas agora ele já precisa prestar contas para nós)

Eu vou além ao dizer que a pressão deve ser lançada sobre o PSDB, que tem a obrigação moral de não permitir que o PT consiga um quarto mandato. Já é a quarta eleição onde depositamos expectativas no PSDB para que este impeça o projeto de poder do PT. Está na hora de darmos um ultimato ao partido.

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23 COMMENTS

  1. Ultimato para o PSDB? Aécio está satisfeito com o seu lugar no Palácio do Planalto: contínuo. Não entra no jogo para ganhar, mas para observar. Fazer o quê?

  2. Caro Luciano.

    Você disse ao final de seu texto:

    “Eu vou além ao dizer que a pressão deve ser lançada sobre o PSDB, que tem a obrigação moral de não permitir que o PT consiga um quarto mandato. Já é a quarta eleição onde depositamos expectativas no PSDB para que este impeça o projeto de poder do PT. Está na hora de darmos um ultimato ao partido.”

    Permita-me indagá-lo e então pergunto:

    1.) Por que o PSDB tem essa tal “obrigação moral” de não permitir que o PT consiga um quarto mandato?

    1.1) O PSDB, por acaso, é estruturado segundo critérios morais e éticos? Quem acredita nisso? Quais as provas que temos disso?
    ……….

    2.) Por que as nossas “expectativas” deveriam ser importantes ou relevantes para o PSDB?

    2.1) Essas tais “nossas expectativas” são também expectativas dos “capos” do PSDB? Quem acredita nisso? Quais as provas que temos disso?
    ……….

    3.) Por que deveríamos dar um ultimato ao PSDB se fazer “oposição” não for de seu interesse imediato ou sua prioridade na politicalha nacional? Apenas porque nós queremos isso?
    ……….

    O definitivo aqui é o interesse ou objetivo do PSDB, não o nosso.

    Quem em sã consciência ainda acredita na existência de patriotas nas elites brasileiras?
    ……….

    • O interesse do PSDB depende de como os pressionamos. Existindo demanda por oposição, ela surge. Se eles querem ajudar o PT a ter um quarto mandato, é preciso que tornemos um imperativo moral passarmos a exigir que outro partido nos represente, se possível pressionando o DEM para que se junte a mais um ou dois partidos. O PSDB contou com um ativo intelectual da direita que lutou desesperado por ele durante toda uma eleição e exatamente por isso estão conseguindo desgastar a Marina para ajudar o PT (não-intencionalmente). Eu acho que o interesse nosso deve ser vital e devemos focar nisso. SE o PSDB não nos representa, é importante termos um posicionamento quanto a eles.

      • Sim! Claro! Sempre deveremos, como patriotas, forçar todos os mecanismos à nossa disposição, para o melhor ao Brasil.

        Respeito sua opinião, mas acho muito politicamente lúdica para o atual cenário da “politicalha” nacional. Exigir simplesmente que outro partido nos represente não fará acontecer a existência de um tal “patriótico” partido defensor dos interesses do “grandioso” povinho brasileiro.

        Liberdade não se exige, conquista-se.

        “O preço da liberdade é a eterna vigilância.”

        E note, meu caro Luciano, que já passamos do nível das discussões meramente políticas, e adentramos ao nível das discussões sobre LIBERDADE ou ditadura. Estamos indo cada vez mais rápido ao fundo do poço do poço do poço do abismo.

        Abraços.

      • E tem mais, Luciano.

        Com mais de 70.000 assassinatos por ano, já podemos nos considerar em estado de plena guerra civil.
        ……….

      • Como seria essa conquista?

        Ora bolas! Através dos melhores e mais legítimos meios possíveis. Afinal somos ou não seres inteligentes e superiores de carácter valoroso?

        É uma questão de escolher entre a liberdade e o “politicamente conveniente” escravizador. Você acha satisfatória e digna uma vida de escravo que possivelmente o faria submisso até mesmo aos “prazeres mais abjetos” dos escravizadores ?

        o Mao Zedong ou Mao Tsé Tung da Revolução Comunista na China era conhecido como o maior comedor de moleques da história da China. E ai ai ai daqueles que não queriam submeter-se à pederastia dele. Até onde deveríamos submeter nossa dignidade humana em prol de uma fictícia vida “pacífica civilizada” ?

        Existem coisas e estados de vida piores que a morte. É impossível amar verdadeiramente o bem, sem odiar veementemente o mal.

        Como seria essa conquista? Boa pergunta!

        Mas fundamentalmente dependeria do carácter valoroso de um povo.

        Será que o povo brasileiro tem esse tal “carácter valoroso” para ser um POVO LIVRE ???

        That’s another good question…
        ……….

  3. Aécio? Já era.
    São 10 dias, Aécio precisaria ganhar 1% por dia para ir ao segundo turno.
    Sem chance.

    Vislumbro de longe que a melhor estratégia para derrotar o PT é o PSDB apoiar integralmente Marina, para de repente essa vencer Dilma em um apertadíssimo 2º turno.

    Se o PT vencer essas eleições, dado o aumento do assistencialismo e contando que os “eleitores” do PT se proliferam muito mais que os anti-PT, faça um exercício e imagine quantos milhares atingirão 16 anos até 2018.

    Com a economia em frangalhos e o desemprego a espreita, o povo ficará mais e mais dependente do assistencialismo, o populismo vai nos trazer o de sempre, congelamento de preços, ameaças a empresários etc…

    Nada de democrático emerge em um cenário desse.

    Se o PT realmente levar essa, quem puder que caia fora daqui.

  4. ja pensaram na possibilidade de pesquisas compradas? pequem o telefone e disquem para um punhado de numeros de diferentes ddds do pais e façam uma pesquisa, eu fiz e o resultado foi bem diferente do apresentado na tv …

  5. Será mesmo?!
    Eu me pergunto se não estão colocando muita emoção nas cobranças ao PSDB.
    Acho que devemos ser mais assertivos e frios, menos críticos neste momento, procurar uma solução, achar problema é sempre mais confortável.
    Queremos ver resultados reais, que tal colaborar e pararmos de tratá-los como se os psedebistas fossem alienígenas, diferentes de alguma forma de nós. Nós temos a última janela de oportunidades, e o pior candidato é Dilmaleita. Lembrem-se, esperança e medo move qualquer campanha.
    Onde está a super-promessa de transformação que qualquer vendedor de caneta e enciclopédia porta-a-porta sabe fazer?!
    Qual é A OFERTA a clara, na linguagem do povo-analfabeto-funcional que de esperança?! Como dizem os marketeiros americanos, temos que dar “conversa que índio entende”, toda figurativa. Que gere um pequeno cenário dentro da cabeça, “talk to the monkey”, do tipo…
    Imagine você ter orgulho de conviver em um país que tem um governo honesto, que sobra 200 bilhões para investir em ônibus com ar-condicionado em Cuiaba.
    Imagine viver em um país que tivesse IDH comparável a Suíça, ou ao menos a Austrália, e renda percapta de U$30.000 por pessoa!
    E temos que dar medo e esperança…
    Imagine viver em um pais que desmascarou os piores facínoras e manipuladores da história da república, e mandou para rua os petralhas, demitidos por justa causa, sim por incompetência em dar saúde, segurança, justiça e por exemplo, educação mínima e nos colocando em últimos lugares entre os piores países mais miseráveis do planeta Terra!
    Temos que quebrar as objeções a Aécio, porque o povo quer comprar a mudança, mas tem medo de gastar seu rico dinheirinho suado do assistencialismo e dos reporteres engajados!
    Bem, vamos manter o sangue frio, a regra da certeza da vitória também ajudará… Pois afinal na média-movel Aécio mantém um cenário de subida.

  6. A direita não fechou integralmente com Marina, alguém em sã consciência acha que o agronegócio vai apoia-la? Sem falar em diversos setores produtivos ligados a energia,obras etc … esses setores se o Aécio não for ao segundo turno tendem sim a votar em Dilma.

    A questão é que o Aécio não atacou Dilma como deveria porque nem ele e nem seu partido são de fato oposição as politicas publicas adotadas pelo governo e nem a catastrófica política externa, enquanto nós brasileiros normais ficamos indignados com o porto em cuba, com a refinaria da Petrobras doada a Bolivia, com os diversos empréstimos, o PSDB fica com ciúmes do Pt, dizendo olha a audácia deles, coisa que nos nunca tivemos, lembremos que eles estão no mesmo espectro politico, tem a mesma agenda só diferem na forma de implanta-la, o Lula é amigo do Fidel, ja o Fernando Henrique sempre foi um “paga -pau” do ditador e do Chávez também.

    O Pt ligou a imagem da Marina a filha do banco Itaú, e agora fica a pergunta como a oposição não quis ligar até agora o governo Dilma ao Eike Batista através do empréstimo de 7 bilhões, ou qual o partido dos pobres, que pensa nos pobres teria coragem de emprestar a fundo perdido 7 bi ao ex oitavo homem mais rico do mundo? enquanto a oposição não conseguir quebrar o monopólio do PT como partido dos pobres será impossível ganhar uma eleição.

  7. Por que este tipo de cobrança não foi feita à candidatura de Marina em 2010? Naquela época, pós-mensalão (em relação ao qual Marina se calou obsequiosamente), todo cidadão com mais de dois neurônios já enxergava o mal que o PT representa.

    Ainda assim, ninguém ousou acusar Osmarina Silva, a melancia, de ajudar o PT a ganhar pela 3ª vez consecutiva a presidência da república, na medida em que ELA prejudicou deliberadamente a candidatura do Serra no 2º turno (e também no 1º, ela bateu feio no PSDB durante toda a campanha) e por ter prestado covarde, subliminar e “envergonhada” colaboração à própria Dilma, mesmo sendo esta última, como todos que acompanham política sabem bem (notadamente os que trabalham em Brasília), uma das principais razões para a sua saída do PT.

    Ao contrário, em 2010, toda a mídia classificou Marina de “fenômeno político” (e não de “traíra” ou falsa oposição ao PT) por ter angariado os mesmos 20% que o Aécio teria hoje e de ter fingidamente se calado no 2º turno.

    Exigir que hoje em plena campanha de 1º turno Aécio fique ao lado de Marina (que sempre ODIOU o PSDB, como todos que acompanham a política nestes últimos 24 anos sabem bem!) e do PSB, partido que sempre foi base de apoio dos governos Lulopetistas, é, do meu ponto de vista, uma sacanagem sem tamanho e, quiçá, uma torcida organizada para que o PSDB acabe o quanto antes.

    PS: Trackings dos partidos já apresentam empate entre Aécio e Marina (23% X 23%), qual campanha séria e honesta desistiria de confrontar um adversário neste cenário?

  8. Luciano, acompanhei quase todos seus comentários e analises técnicas. Impecáveis. Mas, a meu ver, eles não encontraram ressonância, nem mesmo junto a Aecio. Uma pena. Agora, meu pragmatismo fala mais alto. Tenho comentado com amigos que o eleitor/doador do PT eh fiel, eh corajoso, eh organizado, não troca de camisa, defende o que quer, para o bem ou para o mal (não vou entrar no mérito disso). Ele vota, seja porque acredita, seja porque visa ao beneficio imediato (a dentadura), seja porque visa ao mediato (o contrato futuro). Ou alguem não sabe como a dentadura eh paga? Assim, os 30 ou 40% que Dilma detem sempre existiram, existirão e, agora, crescerão ainda mais porque a massa dita “pensante”, a menos de uma semana do primeiro turno, ainda se encontra num dilema para o qual me faltam adjetivos. Se o objetivo maior era o “Fora PT” e se com o Aécio não vai dar, qual a duvida????? Preconceito? Miopia? Conservadorismo? Medo? Inexperiência? Nada poderah ser pior que a seguinte, e atualmente, bem provavel situação para os próximos 4 anos: PT/PMDB no governo federal, PT no governo de MInas, Marina novamente sem mandato, PSDB nanico. E não me venham falar que foi a massa dita “ignorante” que reelegeu o PT. Não. Foi a massa dita “pensante” que deixou isso acontecer. Obrigada pelo esforço.

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