Guerra Política 2014 – 19 – A importância do ataque defensivo

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bufalos

Por que o cérebro humano valoriza tanto o ataque na política? Hora de entendermos esse mecanismo (de forma que não esqueçamos jamais), o que permitirá que você possa mandar “pastar” todo aquele “especialista em política” dizendo que “ataques” não são bons em política. (Só vai ser difícil essa figurinha explicar como o PT conseguiu neutralizar Marina tão facilmente com uma propaganda unicamente baseada em ataques)

A grande verdade é que o animal humano entende o mundo como “cheio de problemas”. Isso é bastante compreensível para leitores de Schopenhauer, o qual dizia que a vida é baseada em sofrimento (em quase todos os casos, especialmente no caso dos mais pobres), com alguns espasmos de felicidade. Esse componente é ainda mais intenso no ser humano, em comparação aos outros demais. Não há nada que possamos fazer para fugir desta contingência.

Quando alguém ataca um oponente político, sub-comunica para a plateia que está afastando opções negativas que inviabilizam mudanças/melhorias para este mesmo cidadão. Por isso, o maior ofensor sempre ganha pontos preciosos, enquanto os “bons moços” perdem.

Como toda regra da política, essa também admite exceções, mas somente sob circunstâncias muito particulares. Por exemplo, imagine que apareça um vídeo com a liderança petista reconhecendo todas as tramóias contra o povo, de forma clara. O impacto pode ser tão grande que nem mesmo uma campanha de ataque pode resolver. Mas em linhas gerais, com a manutenção de um discurso adequado e sem nenhum desastre desse nível, o agressor geralmente prevalece.

De mais a mais, o “atacante” é percebido como o macho alfa da manada de búfalos, em proteção contra os predadores. Obviamente a manada vai “eleger” o búfalo mais agressivo, demonstrando potencial de derrotar as ameaças, mas também com alto nível de controle. Ou seja, é diferente de se privilegiar um búfalo maluco, que ameaça a própria manada. O privilégio é dado àquele que se porta de maneira agressiva (e controlada, sem perder a calma) contra aqueles a quem se opõe.

E por que o cérebro humano despreza tanto pessoas que ficam na defensiva? Além de todos os motivos anteriores, também precisamos reconhecer que análises objetivas não existem na politica. A verdade que reside nesta constatação é que todo o público terá suas influencias, seus interesses, etc.

Além de tudo, todo esse público terá recebido uma overdose de propaganda. Isso nos mostra que é raro encontrar quem tenha uma visão objetiva dos fatos. Não é possível fazer com que as análises objetivas se tornem uma norma. Elas são uma rara exceção. Em alguns casos, é como encontrar um unicórnio.

Para a massa que se banhou em propaganda, a análise dos eventos do mundo sempre terá seu viés. E quando alguém se defende, por exemplo, dizendo “Eu não fiz X”, tenta comunicar para a platéia sua inocência. Mas esta mesma plateia, em muitos casos, pode pensar: “Por que raios ele está se defendendo?”. Muitos, inclusive, entendem que a defesa é uma forma de um culpado tentar se defender. Lembre que para que você esteja se defendendo é preciso antes ter havido uma acusação. Ou seja, o influxo de propaganda vinda de outra parte, na maior parte dos casos. 

Como já vimos que o agressor geralmente prevalece, só há uma forma de demonstrar sua inocência perante uma acusação torpe e falsa: atacar o seu acusador, e somente aí, dentro desse ataque, embutir sua defesa.

Por isso jamais diga “Eu não vou cancelar o programa X”, mas “O partido X mente de forma calhorda para fingir que eu cancelaria o programa X”. Somente assim o ataque oponente se transformará em um ataque de sua parte contra o seu oponente. Se o teu oponente o chamou algo pejorativo, você também estaria fazendo o mesmo com ele.

Esse tipo de regra deveria ficar gravado a ferro e fogo na mente de todo direitista. Aliás, essa postura é usada pela extrema-esquerda a todo momento. Mesmo que eles estejam mentindo na busca do poder, costumam jogar de acordo com as regras da guerra política, como essa que tratei aqui. Quando a direita não joga o jogo, ficando na defensiva e deixando de atacar, mesmo que tenha os melhores argumentos em mãos não terá feito um serviço adequado na direção de fazer a verdade superar a mentira.

Então, eis a regra, de forma tão clara quanto possível: cravar em sua alma a noção de que o atacante geralmente prevalece, e, mesmo que você esteja se defendendo de uma acusação, essa regra é ainda mais importante, ou seja, torne o ataque seu método principal mesmo quando precisa se defender.

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