O apoio de Marina Silva a Aécio Neves e o que a campanha suja do PT tem a ver com isso?

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Na manhã deste domingo, 12/10, Marina Silva declarou seu apoio à Aécio Neves. Conforme transcrição vista no blog de Reinaldo Azevedo, leia a carta narrada por ela (repare na parte em negrito):

Ontem, em Recife, o candidato Aécio Neves apresentou o documento “Juntos pela Democracia, pela Inclusão Social e pelo Desenvolvimento Sustentável“.

Quero, de início, deixar claro que entendo esse documento como uma carta compromisso com os brasileiros, com a nação. Rejeito qualquer interpretação de que seja dirigida a mim, em busca de apoio.

Seria um amesquinhamento dos propósitos manifestados por Aécio imaginar que eles se dirigem a uma pessoa e não aos cidadãos e cidadãs brasileiros.

E seria um equívoco absoluto e uma ofensa imaginar que me tomo por detentora de poderes que são do povo ou que poderia vir a ser individualmente destinatária de promessas ou compromissos.

Os compromissos explicitados e assinados por Aécio têm como única destinatária a nação e a ela deve ser dada satisfação sobre seu cumprimento.

E é apenas nessa condição que os avaliei para orientar minha posição neste segundo turno das eleições presidenciais.

Estamos vivendo nestas eleições uma experiência intensa dos desafios da política. Para mim, eles começaram há um ano, quando fiz com Eduardo Campos a aliança que nos trouxe até aqui.

Pela primeira vez, a coligação de partidos se dava exclusivamente por meio de um programa, colocando as soluções para o país acima dos interesses específicos de cada um.

Em curto espaço de tempo, e sofrendo os ataques destrutivos de uma política patrimonialista, atrasada e movida por projetos de poder pelo poder, mantivemos nosso rumo, amadurecemos, fizemos a nova política na prática.

Os partidos de nossa aliança tomaram suas decisões e as anunciaram. Hoje estou diante de minha decisão como cidadã e como parte do debate que está estabelecido na sociedade brasileira. Me posicionarei.

Prefiro ser criticada lutando por aquilo que acredito ser o melhor para o Brasil, do que (sic) me tornar prisioneira do labirinto da defesa do meu interesse próprio, onde todos os caminhos e portas que percorresse e passasse, só me levariam ao abismo de meus interesses pessoais.

A política para mim não pode ser apenas, como diz Bauman, a arte de prometer as mesmas coisas. Parodiando-o, eu digo que não pode ser a arte de fazer as mesmas coisas.

Ou seja, as velhas alianças pragmáticas, desqualificadas, sem o suporte de um programa a partir do qual dialogar com a nação.

Vejo no documento assinado por Aécio mais um elo no encadeamento de momentos históricos que fizeram bem ao Brasil e construíram a plataforma sobre a qual nos erguemos nas últimas décadas.

Ao final da presidência de Fernando Henrique Cardoso, a sociedade brasileira demonstrou que queria a alternância de poder, mas não a perda da estabilidade econômica.

E isso foi inequivocamente acatado pelo então candidato da oposição, Lula, num reconhecimento do mérito de seu antecessor e de que precisaria dessas conquistas para levar adiante o seu projeto de governo.

Agora, novamente, temos um momento em que a alternância de poder fará bem ao Brasil, e o que precisa ser reafirmado é o caminho dos avanços sociais, mas com gestão competente do Estado e com estabilidade econômica, agora abalada com a volta da inflação e a insegurança trazida pelo desmantelamento de importantes instituições públicas.

Aécio retoma o fio da meada virtuoso e corretamente manifesta-se na forma de um compromisso forte, a exemplo de Lula em 2002, que assumiu compromissos com a manutenção do Plano Real, abrindo diálogo com os setores produtivos.

Doze anos depois, temos um passo adiante, uma segunda carta aos brasileiros, intitulada: “Juntos pela democracia, a inclusão social e o desenvolvimento sustentável”.

Destaco os compromissos que me parecem cruciais na carta de Aécio:

O respeito aos valores democráticos, a ampliação dos espaços de exercício da democracia e o resgate das instituições de Estado.

A valorização da diversidade sociocultural brasileira e o combate a toda forma de discriminação.

A reforma política, a começar pelo fim da reeleição para cargos executivos, que tem sido fonte de corrupção e mau uso das instituições de Estado.

Sermos capazes de entender que, no mundo atual, a ampliação da participação popular no processo deliberativo, através da utilização das redes sociais, de conselhos e das audiências públicas sobre temas importantes, não se choca com os princípios da democracia representativa, que têm que ser preservados.

Compromissos sociais avançados com a Educação, a Saúde, a Reforma Agrária.

Prevenção frente a vulnerabilidade da juventude, rejeitando a prevalência da ótica da punição.

Lei para o Bolsa Família, transformando-o em programa de Estado.

Compromissos socioambientais de desmatamento zero, políticas corretas de Unidades de Conservação, trato adequado da questão energética, com diversificação de fontes e geração distribuída.

Inédita determinação de preparar o país para enfrentar as mudanças climáticas e fazer a transição para uma economia de baixo carbono, assumindo protagonismo global nessa área.

Manutenção das conquistas e compromisso de assegurar os direitos indígenas, de comunidades quilombolas e outras populações tradicionais. Manutenção da prerrogativa do Poder Executivo na demarcação de Terras indígenas

Compromissos com as bases constitucionais da federação, fortalecendo estados e municípios e colocando o desenvolvimento regional como eixo central da discussão do Pacto Federativo.

Finalmente, destaco e apoio o apelo à união do Brasil e à busca de consenso para construir uma sociedade mais justa, democrática, decente e sustentável.

Entendo que os compromissos assumidos por Aécio são a base sobre a qual o pais pode dialogar de maneira saudável sobre seu presente e seu futuro.

É preciso, e faço um apelo enfático nesse sentido, que saiamos do território da política destrutiva para conseguir ver com clareza os temas estratégicos para o desenvolvimento do país e com tranquilidade para debatê-los tendo como horizonte o bem comum.

Não podemos mais continuar apostando no ódio, na calúnia e na desconstrução de pessoas e propostas apenas pela disputa de poder que dividem o Brasil.

O preço a pagar por isso é muito caro: é a estagnação do Brasil, com a retirada da ética das relações políticas. É a substituição da diversidade pelo estigma, é a substituição da identidade nacional pela identidade partidária raivosa e vingativa. É ferir de morte a democracia.

Chegou o momento de interromper esse caminho suicida e apostar, mais uma vez, na alternância de poder sob a batuta da sociedade, dos interesses do pais e do bem comum.

É com esse sentimento que, tendo em vista os compromissos assumidos por Aécio Neves, declaro meu voto e meu apoio neste segundo turno.

Votarei em Aécio e o apoiarei, votando nesses compromissos, dando um crédito de confiança à sinceridade de propósitos do candidato e de seu partido e, principalmente, entregando à sociedade brasileira a tarefa de exigir que sejam cumpridos.

Faço esta declaração como cidadã brasileira independente que continuará livre e coerentemente, suas lutas e batalhas no caminho que escolheu. Não estou com isso fazendo nenhum acordo ou aliança para governar. O que me move é minha consciência e assumo a responsabilidade pelas minhas escolhas.

Eu me lembro de um caminho muito perigoso tomado por algumas pessoas da direita na entrada de Dilma na disputa. Havia a necessidade de atacar Marina de qualquer forma, de maneira a impedi-la de chegar ao poder. Por sorte, essa mania parou após as pesquisas começarem a demonstrar avanço de Dilma, sem ganho considerável para Aécio.

Enquanto isso, o PT seguiu em sua campanha de mentiras contra Marina, o que praticamente impossibilitou qualquer forma de aliança com Marina no segundo turno.

O mais interessante é ver que em sua carta de apoio à Aécio há também uma dura crítica ao autoritarismo do PT e à política com base em projeto de poder, com base em estigmatização de adversários.

Segundo ela, não dá para continuar com esse tipo de “política” no Brasil. Parece que enfim ela colocou um preço na desconstrução desonesta feita pelo PT contra ela. E o PT vai ter que pagar esse preço.

Além da boa postura de Aécio na negociação de suas metas (sem aceitar coisas inviáveis, como a retirada de proposta por redução de maioridade penal), a postura antissocial do PT nesta eleição foi um diferencial para Marina apoiar o tucano.

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12 COMMENTS

  1. Ser do PT ou Votar no PT

    No começo parecia ser bom para mim e você

    Ter um governo que falava de uma ética boa para crê

    Onde fazer política com honradez era um desejo para além do burguês

    Mas como não acredito naquilo que está desonrosamente partido

    As atitudes incoerentes fizeram meu coração ficar sobremodo doído

    Então fiquei decepcionado com tanta falta de pudor desmedido

    De quem era arauto de uma moralidade prescritiva alusiva

    Restou um viver de intrigas por mentiras abusivas

    Para chegar o cúmulo de negar a existência de condenação ativa

    Por achar que o povo tem memória curta e esquecida

    Tentaram mudar o certo para uma vida de padrão empobrecida

    Por uma política que desagrega tanto a economia como a família eternamente estabelecida. (DSB)

      • Só aquela doida maluca pra aopiar a Dilma mesmo…
        Tenho uma amigo que resumiu bem: o pessoal da extrema-extrema-esquerda como PSOL e PSTU dizem que odeiam o PT, mas não é de coração. Na realidade eles só querem convencer que o PT é de direita, para dar um shift-left na política brasileira hahahahah

        Tomare que de tudo certo… na realidade seria bom ver sociais-democratas, eco-socialistas (marina e eduardo), e quem sabe liberais e conservadores disputando a presidência. Do jeito que tá não da pra continuar.

        A esquerda anti-democratica tá com força demais…..

      • Me lembrei que tinha um vilão, inimigo do Super-homem, que era uma espécie de duende. O único medo dele é que conseguissem dizer o seu nome ao contrário, pois isso o faria voltar para a quinta dimensão. O medo de Luciana é do PT tomar uma lavada do Aécio. Seria a 5ª dimensão da criatura.

  2. Se a campanha do PSDB tivesse recorrido à mesma forma de ataque perpetrada por Dilma contra Marina, relacionando idéias dela ao sumiço de comida da mesa dos pobres, eu concordaria sobre a contra-produtividade e sobre a vileza do ato. Da forma como os tucanos fizeram, apenas linkando Marina a seu passado petista, julgo ter sido mais do que positivo. Foi necessário. E decisivo. Contribuiu bastante para toda essa reviravolta.

  3. Luciano,

    O Aécio não foi tão sólido assim em sua posição.
    Retirar a prerrogaticava de determinar novas Terras Indígenas da Funai e passar para o congresso é condição elementar para a própria continuidade da vida de regiões inteiras do interior.
    Ele nos traiu quando fez isso!
    Não se deve confiar num esquerdista, mesmo que seje fabiano.

  4. “Sermos capazes de entender que, no mundo atual, a ampliação da participação popular no processo deliberativo, através da utilização das redes sociais, de conselhos e das audiências públicas sobre temas importantes, [b]não se choca[/b] com os princípios da democracia representativa, que têm que ser preservados”.

    Essa parte me lembra o decreto 8243… Eeee membro do Foro de São Paulo. É como se fossem um bando de serpentes, uma querendo engolir a outra, mas no fim, é tudo réptil mesmo.

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