Rotina de censura: “Foi aprovada regulação de mídia no Reino Unido, então aqui também devemos fazer”

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lnassif

Entre as rotinas que os bolivarianos tiram da cartola para tentar convencer o público de que “regulação de mídia” é uma “coisa boa” se encontra uma falácia bem básica. É a seguinte: “A lei que você critica também foi aprovada no Reino Unido, logo ela é uma boa lei”.

O fato é que mesmo que essa lei fosse aprovada no Reino Unido, isso não provaria a sua validade, até por que habitantes do Reino Unido podem aprovar tanto leis ruins como boas.

Para piorar, nem mesmo está provado que a “regulação de mídia do Reino Unido” é igual à “regulação de mídia bolivariana”, que é o modelo usado por Bolívia, Venezuela, Equador e Argentina. É este modelo que o PT quer implementar por aqui.

Imagine que no Reino Unido exista uma lei para casais dizendo que a cada ano é preciso que eles validem sua satisfação através de declarações mútuas para continuarem com o direito de adoção. Uma lei opcional, somente se quiserem.

Agora imagine que proponham no Brasil uma lei para casais forçando a esposa a liberar o brioco contra a sua vontade, sob risco dela perder a guarda do filho.

Visualizou a situação, não?

Imagine agora que um defensor da bizarra lei brasileira diga: “Por que você é contra lei para casais? Leis para casais também existem no Reino Unido”.

É claro, animal, mas o detalhe é que a “lei para casais” do Reino Unido não tem nada a ver com a “lei para casais” que está sendo proposta aqui. Então não adianta nada citar Reino Unido para enganar incautos.

Até mesmo o Jornal GGN, de Luis Nassif, reconhece a diferença.

A regulação do Reino Unido foi aprovada pelos três grandes partidos e sancionada pela rainha Elizabeth II em outubro de 2013. Essa lei não tem absolutamente nada a ver com interferência econômica nas empresas, mas a coibição de abusos praticados contra cidadãos.

Leia mais:

A novidade deve sujeitar revistas e jornais britânicos a um órgão de fiscalização do governo com a função de coibir os abusos descobertos com o escândalo dos grampos – que revelou que repórteres do jornal “News of the World”, do magnata Rupert Murdoch, e de outros meios de comunicação, tiveram acesso ilegal a ligações telefônicas de celebridades, políticos e vítimas de crimes. Também torna mais fácil para as pessoas que se sintam atacadas pela imprensa terem suas queixas ouvidas, além de permitir ao órgão federal cobrar multas aos meios de comunicação.

Repito: é claro que a lei do Reino Unido para mídia não tem absolutamente nada a ver com as propostas já implementadas em países bolivarianos.

As leis de mídias propostas por aqui são focadas em aumentar a vulnerabilidade das empresas de mídia ao poder estatal. Primeiro, pela redução forçada do tamanho das empresas, para aumentar sua vulnerabilidade. Segundo, pelo governo investir pesadamente em anúncios estatais, de forma a poder direcionar conteúdo de empresas mais vulneráveis. Em outras palavras, as leis de mídia propostas pelo PT, assim como já vistas nos outros países bolivarianos, são censura.

Não existe nada disso na lei do Reino Unido.

É incrível que eu tenha que refutar um embuste tão primário, não? Mas acredite: a tropa de choque do PT já tentou enganar pessoas com esse truque e vai continuar tentando.

Ao menos em relação ao truque de tentar validar a “regulação de mídia” por aqui com a tal “regulação de mídia do Reino Unido” você já está vacinado.

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6 COMMENTS

  1. Tem um detalhe também, no Reino Unido o órgão regulador de imprensa é formado por um conselho das próprias empresas, ou seja, não é o estado que interfere, ainda que a BBC seja uma grande empresa pública…

  2. Ótimo desmascaramento, Luciano.

    Pessoal, se estiverem discutindo com MAVs, copiem e colem esse texto do Luciano nas respostas AD NAUSEAM, igual fazem com esse argumento totalmente falacioso.
    “Regulamentações” aos moldes do Reino Unido já existem no Brasil, o que querem fazer é interferência econômica do governo para os mídias brasileiras que quiserem, isso nem de longe existe em nenhum país desenvolvido, incluindo o Reino Unido.

  3. “Corrente do PT defende criação de jornal de massas, hegemonia cultural e menos PMDB”
    http://linkis.com/estadao.com.br/1KpTs

    Texto explica as correntes internas do PT. Serve para complementar a notícia do link anterior e também para entender um pouco de como é internamente o partido:
    http://tiagosandes.blogspot.com.br/2008/06/um-pouco-da-histria-das-tendncias-do-pt.html

    Panelinha opressora com Kim, Paulo Batista e membros da Panelinha opressora:

  4. Segundo essa lógica deveríamos copiar TODAS as leis do Reino Unido, com isso já teríamos um belo aumento do capitalismo no Brasil.
    Ah, e vamos ter que ter um rei ou rainha também. Hora de contactar os descendentes da família imperial.

  5. É bom esclarecer que o problema da mídia nesses países é um só: por falta de escândalos de corrupção, coisa que no Brasil não falta, a mídia britânica tem como passatempo predileto se intrometer na vida pessoal de cada homem público, em busca de bizarrices, para transformar em escândalos. A reforma da mídia de lá, visa única e exclusivamente preservar a vida intima de cada cidadão.

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