Como reagir diante de colegas de trabalho petistas em ambientes desfavoráveis?

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Um leitor me questionou sobre a crise criada entre ele e seus colegas de trabalho por posições políticas diferentes. O detalhe é que ele atua em uma estatal e agora está sofrendo sanções de seus amigos. Todos eles petistas.

O dilema: o que fazer nessas situações?

Como sempre digo, precisamos entender o conceito de guerra política para todos os momentos de nossa interação política. Absorvendo definitivamente este conceito, passa a se tornar vital sempre fazermos a pergunta: “Para que estou fazendo esta ação nesta interação política?”.

Na guerra, agimos quando há um ganho para a ação, pois todos os esforços devem ser feitos depois de uma avaliação nossa capacidade e disponibilidade de meios, assim como das consequências e possíveis resultados.

Mais aí temos uma situação: de que valem as interações políticas em um ambiente onde você não tem o controle da situação, e no qual as sanções podem ser graves? Pior, falamos de um ambiente dominado pelo inimigo.

Você pode achar até que está falando com amigos. Mas será que eles não poderão, mesmo nos casos em que tiverem boas intenções, te “entregar” para seus coletivos não-eleitos?

Para quem ainda não entendeu a situação atual, vamos colocar de forma simples.

Imagine-se sendo um judeu na Alemanha Nazista, assistindo vários artistas e órgãos de mídia apoiando o partido nazista. E isso vale para vários de seus amigos.

Por que fazem isso? Por causa da verba estatal. Isso, é claro, no caso dos beneficiários, mas estes fazem com que uma multidão de funcionais lute por eles. Essa é a dinâmica socialista em qualquer encarnação.

Estou dizendo que as consequências serão as mesmas do nazismo? Não. Eu duvido. Hoje vivemos a era dos Smartphones. Atualmente ninguém é louco de criar campos de concentração para massacrar opositores.

Mas que a vida de todos será conduzida a um verdadeiro inferno, quanto a isso não há dúvida alguma. E é esse inferno que os intelectuais orgânicos que apoiam o PT querem para todos nós.

Será que temos “apenas uma divergência dialética” com eles?

É duro reconhecer, mas você deve pensar duas vezes se vale a pena confiar em amigos petistas.

Mas e se a amizade for socialmente importante? O que fazer neste caso específico?

A sugestão é partir para a dissimulação absoluta, escondendo suas intenções. Isso, é claro, especialmente quando você estiver dentro de um ambiente controlado por eles.

Se você se encontra na mesma situação que o leitor por aqui, a batalha nas redes sociais é muito mais interessante. Se você acha que vai correr riscos, sugiro utilizar um perfil “alternativo”. Se você não perceber tais riscos, é possível selecionar os amigos com os quais você compartilha posts.

Se o ambiente de trabalho permite o uso da Internet, uma ideia pode ser usar as conexões 3G ou 4G, evitando as conexões de trabalho.

Voltando ao exemplo do nazismo, mesmo que seu amigo seja bem intencionado, ele poderá se tornar um risco, pois o que vale aqui agora é um projeto de poder, não as vontades de seu amigo. E até ele pode ser mal intencionado.

O filme Good, de 2009, mostra o personagem Halder (Viggo Mortensen), como um nazista aliado ao governo alemão, enquanto Maurice (Jason Isaacs), é seu amigo judeu. A incapacidade de Maurice de perceber que seu fornecimento de informações e planos pessoais para Halder iria lhe destruir dá o tom do filme.

Não quebre as amizades, evidentemente. Pode dar na cara. Ao invés disso, use as amizades com petistas de forma estratégica.

Precaução e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.

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27 COMMENTS

  1. Também trabalho cercado por petistas (não é estatal, mas meus superiores são todos da esquerda caviar) e já sigo a cartilha da dissimulação.

    Além de manter o emprego, vejo outra vantagem na estratégia: como ninguém sabe que sou “coxinha”, ouço todo tipo de sandice esquerdopata sem filtro, que mais tarde será usada na composição do livro “A história da burrice brasileira”.

  2. Luciano,
    Minha situação é muito semelhante. Assim, de uns anos para cá, resolvi ser uma espécie de agente de desinformação, já que, como conquistei a confiança de gente ocupante de cargos altos em razão da minha atividade, frequentemente sou chamado a opinar sobre muitos temas, alguns relevantes para a estratégia geral do partido no comando. Como uma das coisas positivas que o convívio diário me trouxe foi a capacidade de pensar como eles, aprendi a “contaminar” os processos mentais desse pessoal com ideias daninhas a eles e levá-los a decidir e a fazer coisas que normalmente eles não fariam: como, em geral, essa gente pensa por chavões e não sabe de onde suas ideias vêm, isto é, essas pessoas não refletem seriamente sobre elas, é como se houvesse um hiato entre suas bases mentais inteligentes e a área, se é que se pode chamar assim, onde a ideologia parasita fica “instalada”; é preciso compreender que a ideologia é como uma doença autoimune, que, além de destruir o “tecido bom”, que, neste caso, é a inteligência, ela blinda-se a si mesma contra argumentos, por melhor que sejam, em contrário. Por isso mesmo, é nesse hiato que as idéias devem ser plantadas, por meio de um processo que seria complicado explicar aqui. No mais, no meu caso, é essencial que eles me vejam como alguém capaz de compreender aquilo que eles veem como circunstâncias políticas favoráveis e como alcançá-las, mas sem envolvimento partidário, o que me dá certa margem de atuação. Em outras palavras, eles precisam me ver como alguém comum, com feeling para o que eles julgam ser bom, mas que, por ser de fora do partido e não estar familiarizado com sua cartilha, possa “falar umas bobagens” de vez em quando – sendo amigavelmente “esclarecido” em seguida -, sem que isso abale, em suas cabeças, minha simpatia tácita com a causa. É um teatro e tem que ter estômago, mas dá resultado.

    • O meu caso é exatamente esse.Trabalho em uma empresa estatal. O ambiente para quem não reza pela cartilha do Partidão é simplesmente claustrofóbico, como você pode imaginar.

      Por mais que eu entenda essa sua sugestão de partir para a dissimulação absoluta, ainda assim eu me vejo em uma espécie de dilema.

      Minha estratégia até aqui tem sido fingir que sou uma pessoa que não se interessa muito por política. Nunca falo sobre minhas posições políticas (apesar já ter exposto minhas ideias para alguns poucos colegas que pensam como eu)

      Mas acho essa situação muito desgastante. Às vezes penso que seria melhor expor totalmente minha posição política. Caso as sanções dos colegas fiquem pesadas demais, simplesmente peço minhas contas e vou procurar fazer carreira em um lugar que não seja tão aparelhado.

      Não é uma coisa simples ficar em um lugar onde você deve fingir o tempo todo. É brabo.

    • Participo de um Conselho, também recheado de petistas e esquerdistas de modo geral, e descobriram semana passada que não votei na Dilma. Uma das pessoas disse estar genuinamente interessada nas razões, mas tão logo eu disse uma frase, já fui cortada por outros pró-PT. Fui silenciada. Estou receosa de como serão as próximas reuniões e se vale a pena manter-me neste Conselho. A única vantagem é poder identificar os chavões e linhas de pensamento que eles têm.

    • Interessante… Tb acho que é por aí. Quebrar essa AUTOIMUNIDADE pra mim é o principal. E isso não impede de vc AVANÇAR na desconstrução da cultura revolucionária que se impôs, a grosso modo, de maneira tão dissimulada e psicótica. Fora que vc preserva sua ética & moral agindo dessa forma meio “em cima do muro esquerdista”. A palavra ‘teatro’ define melhor isso, já que é necessário que haja um fundo de verdade pra vc trabalhar a personagem e convencer a platéia. É como um pai austero tendo que educar um filho pequeno levado usando de prerrogativas ocultas àquela criança. Essa turma da esquerda vive num limbo de mentiras e enganos existenciais tão grande que a mentira cotidiana (aliada a uma “ingenuidade cínica e orgulhosa”) escorre do nariz assim que olham pra vc. É o olhar da mentira e do engano.

      Dica: seriado ‘Lie to Me’.

  3. Uma outra coisa que se pode fazer é aproveitar essa aproximação para conseguir informações privilegiadas e se adiantar em relação a certos ‘argumentos’ ou rotinas argumentativas de esquerdistas. Caso já esteja marcado como não esquerdista ou não petista, talvez valha a pena baixar o tom das conversas e se mostrar indeciso por um tempo, para depois seguir um padrão de discurso semelhante ao deles. Uma coisa que pode ser interessante é tentar desarmar as formas de pensar que os levam a agir de forma eficiente ou agressiva contra opositores.

  4. É importante não brigar, e discutir como se fosse a coisa mais singela do mundo os planos do PT. 90% do pessoal nem é filiado. Mas isso requer mais do que um intervalo para lanches e café, além de um clima amistoso. Revolte -se internamente com o fato de você ter muito mais amigos colorados do que gremistas e trabalhe nisso, sabendo que tudo o que produzem sectarios no poder são medidas contraditórias sucessivas.

  5. Minha situação é mais ou menos parecida. Não trabalho em nenhuma estatal, mas sou funcionário do Município, atualmente administrado pelo PT. Tirando o grande número de funcionários com cargos, o restante não parece ser muito afeito a politicagem. Mas mesmo assim, me sinto pouco à vontade em debater política com meus colegas.

  6. Gostei muito da sinopse do filme. Vou assisti-lo. Estou atualmente cheio de dedos com meus amigos petistas, alguns do ambiente de trabalho também, apesar de não estar numa estatal, mas eles estão a solta.
    No início eu era o apaziguador. Que publicava no facebook mensagens de “não vamos fazer disso uma guerra entre amizades”, etc etc, bati muito nessa tecla de que não poderiam haver brigas por causa disso.
    Mas aí pensei o seguinte: legal, tenho amigos que votam no PT por razões deles. Mas muitos desses me respeitam mesmo sabendo que sou de posição contrária. Agora, outros, se eu precisei pedir RESPEITO deles, então, é amigo porra nenhuma, e se não se tratar de um amigo mas sim de um colega de trabalho, pior ainda. É sinal que é gente que não presta mesmo, que merece o DESPREZO.

    A partir do momento que vc precisa pedir a um amigo/colega de labuta RESPEITO,
    então você é que não está se respeitando mais.

    SEM ACORDO.

    Corte o contato, fale só o essencial. É bem o que você, Luciano, disse no fb: essas “amizades” serão as que estarão entregando nossas cabeças em breve.

    Vão pro caralho.

  7. Em tempo: sou estagiário e tenho uma supervisora PETISTÍSSIMA. Não escondi dela nunca que PT comigo não cola. O que faço é, quando ela começa a bombardear o PSDB (acreditem, ela fez isso MUITO no último mês, MUITO, irritou até um outro estagiário que votou na Dilma) e começa a lamber as bolas do PT com palavras, falando como é bom, eu trato com desdém. Não olho pra ela enquanto tá falando, fico mexendo nas minhas coisas. No máximo um “hum” quando ela termina a frase, e se me pergunta algo (do tipo “mas é um absurdo isso aí, não é?”) eu “ah, mal, não ouvi” ou então só um “hum”. Demonstro claramente que não gosto desse papo furado. E que comigo não cola, PT não cola.

    Ela veio me dizer na véspera da eleição que era pra eu pensar bem no que fazer. HA HA.

    SEM ACORDO.

    SEM.
    ACORDO.

    • Ah, e como disse o camarada lá em cima, bem lembrado, essa supervisora é MUITO esquerda caviar: mora numa puta casa em condomínio fechado com piscina, churrasqueira e o escambau, tem um puta carro, tem um salário super alto, quando viaja gosta de hotéis de luxo, adora tecnologias caras (já me “zuou” por eu ter um celular bem merda), vive fazendo pouco caso de pessoas que tem cargo mais baixos (e nem precisa ser muito baixo – pra ela por exemplo secretárias trilingues são cargo “pra ralé”), e acha que o que eu ganho (que, acreditem, é uma miséria bem miséria, mas ok, sou estagiário) é muito, já falou abertamente que acha que os estagiários aqui ganham muito pro que fazem.

      E quando abre a boca, o que sai
      “PT é o único partido que se preocupa com o país”,
      “Lula botou o país nos trilhos”,
      “Dilma é a presidente mais honesta que já se viu nesse país”
      “PSDB tinha que ser exterminado todos”
      “tenho nojo do Aécio”
      “tenho nojo da Wanessa Camargo que apoiou o Aécio”
      “tenho NOJO de quem vota no Aécio”
      “Rodrigo Constantino é o cara mais imbecil que existe”
      “Olavo de Carvalho tinha que ser queimado”
      Tudo isso são frases reais dela, sem contar os elogios à Cuba, dizendo que o cidadão cubano vive muito mais feliz que o Brasil pois “eles sabem a podreira que é a riqueza” (WTF).
      Falou que a Venezuela não tá nada ruim como está, ELOGIA DE MONTE OS PRESIDENTES DA VENEZUELA E DA BOLÍVIA DIZENDO QUE ELES SÃO QUERIDOS PELA POPULAÇÃO E A VEJA QUEM FAZ A GENTE PENSAR QUE NÃO…

      E me mandou um dia um texto de um economista X dizendo que o Brasil não ia virar a Venezuela e a Argentina.
      Um texto que começava se referindo a Dilma como PRESIDENTA.
      HA HA.
      E quer que eu dê moral?
      Todo mundo está enganado então, menos o autor e ela, né? Claro.

      E é do tipo que elogia bandido, um dia tava elogiando bandidos que entraram numa casa, amarraram toda uma família e levaram tudo da casa, mas elogiou que “eles não machucaram ninguém, só amarraram e ficaram apontando uma arma e disseram que se não se mexessem não iam atirar. são muito profissionais esses bandidos assim”
      HA HA HA HA HA HA.

      Troféu Esquerda Caviar.

      • Essa aí deve tudo que tem ao partido no governo. É como se tivesse casado com o PT e vivesse no século passado. Caso perdido. Coloque nas cifras de “pessoas que votam no PT” e lembre-se que política é uma guerra de posição, precisamos avançar no território inimigo pelos flancos! Ela só se tornaria uma potencial votante do Aécio ou o que quer que venha de democrático no próximo pleito se alguém da nomenklatura superior a ela se tornasse opositor. Tenho uma pessoa que exibe comportamento similar no facebook, mas considero um comportamento aceitável por ser jovem, vestibulanda e sem ocupação. Ela busca se autoafirmar quando tira o valor do seu trabalho, provavelmente nem sabe (ou nega) que está lá apenas para fazer vista grossa, sentar num conselho e aprovar contas sem fiscalizar.

  8. Um exemplo maravilhoso é o do pai do George Soros. Eles eram judeus, embora, creio, não muito fanáticos. Ainda antes da guerra, ao ver o que acontecia na Alemanha, o Soros pai pressentiu que a coisa chegaria até lá e conseguiu certificados de batismo católico para todos eles numa paróquia perdida no interior. Quando os nazistas invadiram o país, ele procurou o comando deles e se ofereceu para lhes fornecer os vinhos e quitutes de alta qualidade que trazia do exterior. E enquanto os campos de concentração e os guetos se enchiam, os Soros viviam tranquilos e protegidos. Perto do fim, pressentindo que a derrota era iminente, o pai procurou seus amigos nazistas e pediu para salvar sua família. E os alemães os escoltaram até a fronteira com a neutra Suíça, de onde eles depois foram para os EUA.

  9. Aqui no trabalho há alguns esquerdistas barbudinhos. Gente que votou em Luciana Genro no primeiro turno e Dilma no segundo. Não preciso dizer mais nada sobre o naipe dos caras, né? Um pouco antes da votação no 2º turno, as discussões, embora respeitosas, eram intensas. Até que certo dia, um desses barbudinhos tentou o truque da ‘equivalência moral’, com o argumento: “cara, todos são corruptos… não há santinho nessa história… o PSDB tem o escândalo disso, daquilo e blá, blá, blá”. Minha resposta foi: “é sério que você quer comparar os escândalos, quando temos inúmeros condenados de um lado apenas? Tem certeza que seu senso de proporção está calibrado? Se vc me disser que sim, posso concluir que se vc for preso e o guarda der a você a opção de ficar em uma cela com um maníaco estuprador ou um cara que está preso por não pagar pensão alimentícia, você dirá que tanto faz, já que ambos são criminosos perante a lei, acertei?” Não sei se tem alguma relação, mas ninguém quis mais brincar de discutir comigo! Auhauahu

  10. Tendo a discordar de ti nesse ponto da dissimulação, caro Luciano…

    Se numa guerra cultural, a guerra de posição é estratégia primordial, então, em vez de se omitir e ir levando com a barriga dentro do ambiente de trabalho (ou em sala de aula, grupo teatral, clube, reunião de condomínio…) o certo seria se impor, exercitando aquilo que vc mesmo diz que poder não é aquilo que eu tenho, mas aquilo que o outro pensa que eu tenho. Como diria o tal general de um certo governo americano: “A FRAQUEZA ATRAI A AGRESSIVIDADE”.

    Se c não assumir pra si essa postura, como vai conquistar posição nessa hegemonia cultural socialista?

    Entendo que é mesmo complicado agir dessa forma caso vc seja um funcionário público (ou tenha chefes da esquerda caviar), mas mesmo assim vc pode CRIAR situações pró-ativas dentro desse ambiente, que podem até despertar interesse nos seus colegas de trabalho que vivem entediados por suas funções apenas servirem para manter o status quo do “sistema capitalista” do qual eles tanto criticam quando estão no happy hour de 6ª feira.

  11. Luciano, meu caro, gostei muito desse tema, especificamente pelas últimas semanas terem sido bastante conturbadas pelas eleições. No meu ambiente de trabalho(sou professor em uma escola pública) sou o mais feroz crítico do PT. Alguns colegas mais inteligentes e também amigos mais próximos compreenderam as motivações de minhas críticas e também se “converteram”. Mas sobre o ambiente laboral ainda percebo algo bem incomum: não tenho “inimigos” em argumentação sobre o governo; claro que há petistas(no sentido de que apoiam o modo de governar mas não militam), mas estes são dóceis e a convivência longa não permite atritos maiores. Minha dúvida é: como me comportar em um ambiente hostil, como por exemplo redes sociais abarrotadas de esquerdistas(entre meus contatos são vários professores, e como vc bem sabe, esta é uma classe bem doutrinada)? Além do mais, amanhã posso estar em outra escola e não ter mais a liberdade que tenho hoje com meus pares. Obrigado.

  12. Caro Luciano,

    Obrigada pelo post, há tempos penso em fazer essa pergunta. Dou aula num reforço escolar (sou professora de química e física) em que só tenho uma colega que compartilha das minhas opiniões. O restante dos meus colegas (incluindo minha chefe) são todos petistas. Sou baiana e aqui a ser petista é tão comum quanto ouvir axé e pagode.
    Concordo com sua sugestão e também me comporto assim no trabalho. Mas não posso negar que quando vejo os professores de história de lá dizendo que capitalismo é ruim e socialismo é melhor, ou as ideias de Marx são ótimas, meu sangue começa a ferver…

    Abraços

  13. Eu tb trabalho numa estatal federal e costumava discutir com esquerdistas, tanto que na época dos protestos de julho eu não quis participar e dei minhas justificativas e, muitas pessoas depois disso, tb não quiseram participar e se utilizavam dos mesmos argumentos para justificar suas posições. Geralmente esquerdistas não tem conceitos claros de capitalismo, fascismo nem mesmo socialismo que eles tanto defendem. É dificil explicar para eles que capitalismo é um sistema econômico que por cima dela pode ter uma democracia ou uma ditadura, por que em cima do capitalismo temo um sistema de poder. Não é de se admirar tal confusão, pois estamos num país onde universitários lêem apenas dois livros por ano.

    Nessas eleições eu fiz de tudo mostrando o projeto de poder do PT com o requinte de mostrar as próprias fontes dos “conspiradores” já que sempre tem um bostinha a chamar vc de teórico da conspiração, que a ameaça bolivariana é invenção da direita raivosa. Só que dessa vez eu fiquei mais atento com o comportamento dos meus colegas, principalmente após as eleições. Tão logo a Dilma ganhou alguns dos que votaram no Aécio já começaram a repetir aquele papo de união e essa bobajada toda.

    Com relação aos eleitores da Dilma percebi a moral dupla desse pessoal, eles falam de corrupção do Aécio e do PSDB, coisa que só virou livro sem ter nenhum condenado. Até no mensalão mineiro o principal suspeito é petista. Querem falar de corrupção qdo a cúpula do partido está na cadeia. Mas para eles isso tudo foi truque da mídia (olha só!). Todos viram a baixaria da campanha petista, e eles acusam os outros de campanha sórdida e se vc rebate dizendo que todo mundo viu nas redes sociais e até mesmo nos debates que quem atacava os adversários da maneira mais baixa possível foi PT eles se fazem de desentendidos, fingindo surpresa. Puro teatrinho.

    Para esses caras se o PT disser que o céu é verde eles passarão a acreditar exatamente nisso, colocarão nas redes sociais vários artigos de “cientistas” provando que o céu é verde e só “fascistas” enxergam ele azul, obviamente. Esse tipo de amigo nós não precisamos, nem do PT roxo nem do simpatizante, que mesmo sendo uma pessoa bacana, não passa de uma peça que um dia vai nos prejudicar, essa é a realidade. Vários amigos meus de direita não estão mais convivendo com pessoas de esquerda (os fdp, obviamente) justamente por esse abismo moral. Um fdp de direita é um fdp de direita e merece um pé no rabo, mas um fdp de esquerda é herói para eles. Não tem como ter amizade com esse tipo de gente. Não se exponha mais em conversar e “debater” com essa gente principalmente se vc está numa estatal, vc está correndo risco. Vcs sabem que o auxiliar do cafezinho pode virar chefe da repartição por politicagem e perseguir vc. É só dar poder, pouco que seja, para um medíocre que ele vai aprontar com certeza, mesmo que ele fosse aquele carinha pacato, gente fina. A diferença é que eles dominam o ambiente e vc está em pouco número e ainda por baixo e sem nenhum poder nas mãos. Pra que então colar um alvo nas costas? Depois das eleições ninguém mais tem opinado nada onde eu trabalho, justamente com medo do rebote.

    Só pra vcs terem uma idéia da diferença, os carinhas de esquerda fazem greve pedindo aumento de salário e são os que menos trabalham, os de direita não fazem greve (e são poucos óbvio), pois sabem que os impostos são os mais elevados do mundo sem qualquer retorno digno à população, logo é vergonhoso deixar de trabalhar para elevar o gasto público só pra ganhar mais no final do ano em cima do trabalhador privado. É um paradoxo mesmo, os direitistas da empresa tem mais “consciência social” do que aqueles que vivem cacarejando isso.

    Outro detalhe, que quero vcs entendam. Dias atrás rolou na internet um vídeo do Maduro entregando os planos dessa gente. Muitos esquerdistas não tiveram o que responder diante daquilo e ficam ainda mais na defensiva qdo vc mostra para eles o pdf do plebiscito, onde fala em acabar com o direito de herança exatamente como tá no manifesto comunista. O que recebi como resposta? TODOS disseram que se a Dilma fizer essa traíção eles são os primeiros a lutar contra o governo, mas que eles não acreditam que isso irá acontecer. O que eu digo? Mentira. Quando eles perceberem que o bicho vai pegar para eles, eles saem rapidinho do país, como muitos estão inclusive providenciando. E se fizerem isso, para não dar o braço a torcer, esses esquerdinhas caviar ainda vão ficar defendendo o governo, como muitos deles fazem com relação a Venezuela e Cuba dizendo que sim tem probreza lá mas se vive com diginidade, repetindo essas bobagens que aprenderam com a BLOSTA. E como disse um amigo meu: “se eu ver um desses bostinhas de esquerda querendo fugir do país qdo o PT der o golpe, eu sou o primeiro a denunciá-los para as milícias bolivarianas, para eles terem uma aula prática daquilo que defendem”.

    Resumindo: não percam tempo com essas amizades, não percam tempo debatendo com esses idiotas, pois eles não debatem apenas repetem chavões e vc não vai fundir inteligência nessas pessoas. Procure amizades com pessoas decentes que pelo menos estudam o que está acontecendo. Sei que serão poucos amigos, mas de ótima qualidade, é o que interessa. Não se exponha se vc está numa estatal, conforme dito no artigo do Luciano.

  14. Trabalho numa estatal. Embora ela ainda não esteja aparelhada (tenho contato direto com outras, e a explicação é que nossa estatal não possui lucro proprio, como as eletricas ou a petrobrás, nem toca ou fiscaliza obras) há muitos pró-PT nela, principalmente pelos aumentos de salário da era Lula.
    Recentemente editaram duas normas. Uma de boas maneiras na internet, que orienta os funcionarios a não compartilharem pornografia, material ilícito, fazer campanha política etc. Esta norma é bem generica e não tem nada de muito suspeito. Ela foi amplamente divulgada, inclusive em versões impressas. A outra norma trata do uso de recursos de TI. Foi divulgada somente numa especie de “diário oficial” interno. É bem mais restritiva e cheio de limitações. É cheia de termos tecnicos e, a rigor, proibe muita coisa, mesmo banal de debate político.
    Por isso, limei de todas as minhas redes sociais qualquer vinculo com minha empresa, além de limitar a visibilidade do que eu posto somente a amigos. Uso o Tor pra acessar e comentar qualquer conteúdo político e não uso a internet da empresa pra comentar em nenhum site. Comento nos sites politicos sempre com pseudonimo, sem qualquer vinculo com minha identidade real. Pode parecer paranoia, mas acho que é onde ocorrerá o Pogrom no serviço publico, com justificativa de “usar recursos de TI para vinculação de material político”.

    • Todo cuidado é pouco. Depois que soube que a IBM ajudou os nazistas a catalogar os judeus e persegui-los, temos que ter olho vivo. Se em mil novecentos e antigamente fizeram essa maldade, imagina agora.

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