Eis o framework da guerra política 1.0. Onde você está?

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Eu poderia me limitar a vir aqui e escrever textos contendo análises consideradas “certeiras” por alguns, e ficar só por aí. Mas eu não gosto de pensar assim. Ao converter esse tipo de ação em método, podemos compartilhar conhecimento. Tendo feito isso, quem compartilha conhecimento pode, com o tempo, “livrar um pouco” sua carga de atuar em uma direção específica para poder investir em agregar novos conhecimentos.

Sempre atuei desta maneira e com esta filosofia para metologias de TI. Tento fazer o mesmo para a ação política.

Já fiz algumas sistematizações no passado, incluindo mapeamento de rotinas esquerdistas, dos jogos esquerdistas, comecei a elaborar um glossário (que precisa avançar mais), uma sessão de propagandas e daí por diante.

Mas preciso dar uma avançada maior, pois estou confeccionando um conteúdo que virá sob forma de “treinamento” em guerra política. Para isso, é preciso de um framework, cuja versão inicial está abaixo:

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Por exemplo, comecemos com o centro de tudo, que são os atores políticos, ou seja, todos os seres humanos, considerando a impossibilidade de vivermos longe da política.

Atores políticos incluem políticos profissionais (e seus assessores), funcionários públicos (quanto mais alto o escalão, mais poder), coletivos não-eleitos, intelectuais orgânicos e, é claro, o povo em geral.

Especialmente os intelectuais orgânicos, dentro ou não de coletivos não-eleitos, junto a políticos profissionais ou não, vivem em um ambiente político, disputam espaço político, no qual lutam por resultados políticos. A consciência política de cada um é um aspecto fundamental.

Quem não possui consciência política é afetado pela ingenuidade política. Ingenuidade política e consciência política são medidos por grau, portanto não é possível obter consciência política absoluta, nem se livrar de toda a ingenuidade política. Para isso, seria preciso ler as mentes das pessoas. A luta é por adquirir consciência política e reduzir a ingenuidade política sempre que possível.

A ação política desses atores políticos é focada, neste framework, na política pública. Os resultados políticos devem surgir, evidentemente, de uma estratégia política. Esses resultados políticos, por sua vez, derivam em poder político essencialmente obtido via estado.

Aqui não há purismo para nos livrar dessa constatação, pois até para existir uma imprensa livre de ação estatal, você precisa de políticos (que estão no estado) garantindo uma imprensa livre. Isto é, até para se livrar da opressão estatal é preciso conquistar poder no estado, especialmente para evitar que os adeptos do totalitarismo tomem o estado para usá-lo contra você.

Um alto nível de consciência política não apenas reduz a ingenuidade política, como cria a cognição política, algo de que falei muito pouco até agora e falarei mais no futuro. Cognição política significa a consciência política de forma internalizada no nível subconsciente. A partir deste estágio, teremos novas reações aos estímulos do mundo externo.

Vou citar aqui uma cena do filme Black Hawk Down, pela terceira vez neste blog:

Muitas vezes sou abordado no Facebook, por pessoas assustadas dizendo “Olha isso que o petista fez” ou “Olha o texto que ele escreveu”. E muitos “travam” neste momento, mesmo estando diante de rotinas já conhecidas. A minha reação é similar a do Tenente Coronel McKnight (personagem de Tom Sizemore): “Ora, atire de volta”. Muitas vezes eu digo: “Ele [o esquerdista] está fazendo a parte dele”. No momento que esse tipo de reação for automática, adquire-se a cognição política.

É essencial também que o ator político entenda o seu ambiente político, e consiga compreender a disputa pelo espaço político. Depois de Gramsci, espaços políticos são redações de jornal, universidades, etc. Ultimamente as redes sociais são um espaço político. Qualquer espaço é importante.

Em todos os espaços políticos, temos as questões políticas. Questão política significa tudo que está em disputa. Como são questões sempre podemos fazer uma pergunta: “Devemos votar nesse candidato ou no outro?”, “Devemos apoiar a censura de mídia ou não?”. Todas as questões estão sob contínua disputa.

Voltando aos resultados políticos, que, como já disse, surgem a partir de uma estratégia política, devemos lembrar que eles dependem de projetos políticos (com objetivos claros), assim como operações políticas. Projetos tem início e fim definidos e metas claras limitadas no tempo, já as operações políticas não cessam nunca.

Especialmente as últimas, que andam sempre de acordo com os projetos políticos, devem ser sustentadas por causas políticas.

Nessa luta contínua, o ator político obterá mais resultados se estiver de acordo com os princípios da guerra política. E o exemplo mais acabado disso é o PT. Daí chega o sujeito irritado: “Ah, mas eles só dizem mentiras”. Então para fazer sua verdade prevalecer sobre a mentira você não tem outra opção que não jogar a guerra política.

Com esse tipo de framework, podemos começar a observar os discursos de maneira mais adequada.

Por exemplo, quando Daniel Fraga diz que “prefere não votar, pois não concorda com eleições”, devemos perguntar várias coisas. Qual a consciência política dele? Ele entendeu seu ambiente político? Que resultados políticos ele espera obter?

Podemos falar das manifestações recentes. Qual a consciência política dos organizadores? Qual o nível de entendimento do ambiente? Isso faz parte de um projeto político? Se sim, quais os resultados políticos esperados? Como foi definida a prioridade?

Não apenas podemos, como também precisamos partir para avaliar todas as ações da extrema-esquerda também.

Agora eles estão priorizando a reforma política e a censura de mídia, até nas manifestações. Vemos que há direcionamento diferente, em comparação com as manifestações de direita. Várias perguntas surgem. Isso faz  parte de um projeto político? Quais resultados esperados? Quando os resultados são esperados? Isso deve afetar um projeto político de nosso lado (se houver)?

Mas, enfim, este é o primeiro draft. Voltaremos a falar mais do assunto em breve.

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10 COMMENTS

  1. Ayan, falta atualizar a página das rotinas, acrescentando “não gostam do pt porque pobre agora anda de avião”; “conservadores preocupam-se com o rabo alheio”, dentre outras que agora não me recordo. Falando nisso, onde estão as rotina neo-ateístas?

  2. Aconteceu uma coisa importante nestas manifestacoes de hoje!
    as pessoas foram para as ruas!
    com varias demandas, nao organizadas,cada um por si, com um sentimento FORA PT
    alguns lugares foram poucas outros foram muitas, mas foram!
    podia nao ter ido niguem, o que seria a treva total
    Mas foram, porque tomaram consciencia, porque foram alertadas , porque se incomodaram , porque tiveram coragem, porque se uniram!
    achei muito positivo
    nao desanimem de protestar que nao e concurso de quem poe mais gente na rua
    a qualidade aqui e mais importante , porque este outro lado nao existia.
    A esquerda monopoliza as ruas a mais de 40 anos, raramente a populacao conservadora silenciosa se manifesta.porque nao e organizada
    mas agora esta se mostrando
    e tem que permanecer, sem se importar com futrica de jornalista, com cricri de petista.
    Nas proximas manifestacoes levem cartazes enormes e denunciem , os jornais que nao noticiam com isencao ,a midia pelo mesmo motivo, os infiltrados, os intervencionistas, os petistas .
    Viva os brasileiros que amam verdadeiramente o Brasil!
    vamos continuar pressionando
    nao desistam porque e isso que eles querem.

  3. Achei excelente o conteúdo desta matéria. Se bem aproveitado pelas lideranças dos movimentos de oposição ao Governo, poderão ser muito úteis.

    Gostaria de comentar, não como crítica, mas como oportunidade para melhoria de suas lideranças, de alguns deslizes – em minha opinião – ocorridos em manifestações que participei aqui no Rio de Janeiro.

    Participei, como observador apenas, de duas manifestações aqui no Rio de Janeiro e me pareceu evidente que. aqui, pelo menos ainda há muito o que fazer.

    Ambas as manifestações foram dirigidas por pessoas esforçadas, trabalhadores e empresários cheios de boas intenções, os quais angariaram meu respeito e admiração. Principalmente porque eram pessoas com muito pouco dinheiro para investir num evento desse porte. Portanto, dignas de elogios pelos sacrifícios que, sem dúvida, fizeram para tudo dar certo.

    A primeira manifestação foi programada para as 16:00 h do dia 13/11 em frente à Candelária. Esta manifestação, com cerca de 60 pessoas, primou pelo clamor do apelo à intervenção militar. Aparentemente, eles não tinham a menor ideia do prejuízo para o movimento, centrá-lo nessa reivindicação.

    Depois uma senhora, que se identificou como professora, pediu a palavra e em determinado momento de sua fala resolveu se dirigir às “mulheres” ali presentes. Senti que ela, ao fazer essa convocação dividiu as pessoas. Não tinha também, me parece, a mínima ideia de que estava seguindo um tática esquerdista.

    A manifestação na Praia de Copacabana, apesar da chuva e do frio, foi um pouco maior (200 ou 300 pessoas, mais ou menos) e teve momentos de grande emoção como quando o Copacabana Palace, voluntariamente, em meio dos discursos que ocorriam, hasteou no seu ponto máximo, uma enorme Bandeira Nacional que foi saudada por todos os presentes com o Hino Nacional.

    Mas houve também momentos não tão emocionantes, como aquele em que os discursos foram interrompidos por uma voz num alto-falante portátil que vinha dos organizadores de outro evento igual, que fora programado em outro ponto da mesma Praia de Copacabana, às 10:00 h do mesmo dia 15/11.

    Talvez alguns se lembrem que aqui mesmo pedi, sem sucesso, informações sobre o evento no Rio de Janeiro. Fiz isso também em algumas comunidade do Facebook e só poucos dias antes do dia 15, “descobri” que o evento fora programado para aquele local onde eu estava. Nunca tinha ouvido falar do evento das 10:00 da manhã.

    O pior foi o bate-boca que se seguiu entre as duas lideranças dos três movimentos (porque os líderes do movimento de 13/11 também estava lá), uma das manifestantes do grupo das 10:00 h, bastante destemperada, quase chegando às vias de fato.

    Temos um longo caminho a percorrer para nos igualar em profissionalismo com o Rolo Compressor dos marqueteiros do PT que programam as manifestações chapa-branca deles. Isso não necessariamente significa ter muito dinheiro, mas significa , isto sim, muito debate, diálogo e oranização, entre os diversos líderes dos movimentos de oposição, para centrar as manifestações em apenas um ou dois focos, como escreveu o Luciano, os focos mais urgentes no momento atual, e então todos nós trabalharmos juntos pelo sucesso de nosso empreendimento.

  4. Parabéns pelo seu trabalho Luciano!

    Imagino que em breve vamos ter um conflito de manifestações entre aqueles contaminados com esquerdose e nós.

    Imagino também que a esquerda vai forjar uma nova manifestação “popular”, tal como tentaram no ano passado, para exigir a tal “reforma política” que vai pegar vários bobos de plantão além dos militantes (Quanta ingenuidade desse povo, acham que bandidos vão criar regras para diminuir o seu poder ou se auto-prejudicar), vejo isso na minha própria família que acredita que apesar das mazelas do PT eles realmente querem fazer reforma política…. parece que sou o adulto conversando com crianças que ainda acreditam no papai noel e não adianta falar que o papai noel pode ser malvado fora do período natalino (período eleitoral), que eles preferem viver na fantasia.

    Se de fato essa profecia do apocalipse supracitada acontecer, a esquerda vai ter manifestantes ingênuos de forma gratuita 🙁 e não duvido nada que esses mesmos ingênuos vão defender uma nova constituinte.

    PS:
    Já tinha visto essa do salário da Marilena Chaui (R$ 23.508,00)? ganha mais de R$ 250k ano para promover o ódio entre as classes.

    https://www.facebook.com/ascontradicoesdaesquerda/photos/a.314281392097017.1073741828.314187822106374/320445484813941/?type=1&theater

    O melhor comentário sobre isso:
    As Contradições da Esquerda:
    – A hipocrisia transcendentalizou. Se faz necessário um neologismo: filhadaputagem. Com uma bela dose de esquizofrenia.

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