A lepra da intervenção política: indesejados e indignos

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As manifestações de ontem, 15 de novembro, foram belíssimas expressões da democracia. Mas ainda tivemos problemas. É deles que falarei agora.

Às vezes é preciso “mandar a real”, e falar sobre as coisas como elas são. Já usei o termo lepra política para me definir em relação à presença de pessoas pedindo “intervenção militar” e “separatismo” nas manifestações. Mas acho que não fui suficientemente claro.

Não havia dúvidas de que essa gente apareceria para atrapalhar.

Há alguns dias vi a seguinte mensagem no Facebook:

AVISO AOS INTERVENCIONISTAS QUE SOFREREM QUALQUER TIPO DE CENSURA

Qualquer um que por ventura for impedido de expor suas faixas de intervenção militar em qualquer movimento de rua registre com vídeo o momento em que houver obstrução da liberdade de expressão para posterior identificação do infrator e vá a uma autoridade policial mais próxima denunciar o crime de censura fazendo o registro do BO (Boletim de Ocorrência).

Posteriormente abra uma denuncia no Ministério Público por crime de censura. Impedimento do direito constitucional de liberdade de expressão. Artigo quinto da Constituição de 1988: “É livre a manifestação de pensamento, e a Reunião pacífica e a Liberdade de Expressão”

IMPORTANTE: Coloque os registros de censura nas redes sociais, para que mais intervencionistas possam ajudar a tomar providências sobre a ocorrência.

Observações: O movimento promovido por pessoas que pedem a Intervenção Militar é apartidário, descentralizado, legitimo e feito por brasileiros livres cumpridores de todas as suas obrigações legais. E neste sentido, não podemos em hipótese nenhuma aceitar sermos caluniados, ou difamados, ou injuriados, pois caracteriza-se-a igualmente Crime, sujeito a prisão e indenização por reparação de danos morais.

Sempre pelo Brasil.

Um bom texto de Robson A. D. Silva no site Revista Sociedade Militar já deixava bem claro o quanto essas pessoas eram indesejadas, até mesmo pelas Forças Armadas:

Em momentos de crise, grande comoção, ou politizaçao da sociedade, ha sempre o risco de que surjam radicais. Radicalismo gera mais radicalismo. Ja ouviram falar em Malta? Resumidamente falando, é um grupo de maria-vai-com-as-outras que se junta e age de forma irresponsável e covarde se escorando na multidão que age igual.  Quem trata muito bem desse assunto é Elias Canetti, teórico que todo ativista devia ler.

Como o ativismo político no Brasil até bem recentemente era propriedade da esquerda, os loucos e extremistas radicais, como o que cuspiu em idosos em frente ao clube militar, eram quase sempre sua exclusividade.  Contudo, vivemos novos tempos, a sociedade esclarecida chegou ao limite de sua paciência e aos poucos sai de dentro de casa. A maioria se atém a protestos racionais, são apologetas da mudança por meios democráticos e racionais. Mas, ha uns poucos que nos mostram que já ha necessidade de auto-policiamento. Se isso não for feito rapidamente, ha sério risco de que ponha-se tudo a perder, e até que essas pessoas acabem gerando situações lamentáveis.

Como se não bastasse o árduo papel de orientadores nessa árdua jornada para a construção de uma oposição verdadeiramente fundamentada, os teóricos que constroem a oposição literalmente lutam agora, curiosamente, para aplacar os ânimos desses mais exaltados.

Por incrível que pareça, ha gente que fala abertamente em matar, guerra e “liberdade ou norte”. Destilam o ódio como se o país vivesse uma situação fora de controle. Estes acabam por fornecer combustível para ataques mortais da esquerda.

Nenhum grupo, nenhum partido, de direita, centro ou esquerda, legalizado ou em formação, pode compactuar ou permitir a presença de pessoas com esse tipo de comportamento. “Gerentes” de manifestações, que geralmente discursam em cima dos carros de som, também têm que se apressar em acabar com isso. Esse talvez seja o lado obscuro e mais perigoso da nova oposição em formação, onde alguns fazem incitação ao crime, à reação armada e imposição de uma idéia que não é e nunca será majoritária entre aqueles que se opõem ao atual re-governo.

Para esse tipo de extremista qualquer um que prefira a via democrática, é um covarde, fraco, desinformado etc.

Sim, somos contra os desmandos, a corrupção e o desgoverno. Mas nunca compactuaremos com qualquer incitação a violência e formação de grupos paramilitares. Lembremos sempre que Verdade e honestidade são princípios inegociáveis. Acreditamos que qualquer um pode pedir qualquer coisa. A presença do povo nas ruas é sim importante. Peçam ajuda aos militares caso achem que a soberania foi aviltada, peçam que General Heleno seja presidente, peçam que Bolsonaro seja ministro da defesa, peçam julgamento/Impeachment se acham que houve crime, peçam devassa no TSE e o que mais qualquer um achar necessário. Mas que isso seja feito por vias pacíficas, democráticas e dentro do que prescreve a LEI.

Feito logo após as manifestações, o ótimo texto Canalha minoritária e golpista macula protesto legítimo e democrático contra desmandos do governo petista, mas ficou claro: trata-se de uma minoria repudiada por todos, inclusive pelas Forças Armadas de Reinaldo Azevedo complementa bem o assunto.

Ele diz:

Os imbecis conseguiram.

Os idiotas chegaram lá.

Os zumbis se impuseram sobre os vivos.

Os estúpidos ganharam a ribalta.

A escória da democracia mostrou a fuça.

Reinaldo lembra que no mínimo 10 mil pessoas participaram dos protestos contra Dilma em São Paulo.

Mas eis que surgem várias matérias em sites:

  • “Pedido de ação militar racha protesto contra Dilma na Paulista” (Folha Online)
  • “Pedido de intervenção militar racha protesto anti-Dilma na Paulista” (Estadão Online)
  • “Defensores de intervenção militar dividem ato contra Dilma” (Globo Online)
  • “Lobão abandona ato após pedido de ação militar” (UOL)

Reinaldo prossegue:

As democracias não podem proibir a estupidez, ou democracias não seriam. As pessoas têm o direito de ser ignorantes. Mas eu também tenho o direito de repudiar a sua burrice. Se um único cartaz bastou para enviesar a cobertura jornalística do ato anterior, é evidente que um carro de som ganharia ainda maior saliência. Desta vez, ao menos, informa-se a coisa correta: o pedido de intervenção militar era coisa de uma minoria, que acabou marchando sozinha, por sua própria conta, até o Comando Militar do Sudeste.

Quem vai bater à porta de quartel é carpideira ou gente com vontade de lamber botas. Falaram para ninguém. Conheço generais da ativa que tratam essa gente por aquilo que é: um bando de trouxas, de oportunistas, que se aproveitam da justa indignação de pessoas decentes para lançar seu ridículo grito de guerra.

Por que esses celerados não dão ao menos um exemplo contemporâneo de governo militar que seja democrático e decente? Existem ditaduras militares no continente americano hoje? Sim. Qualquer pessoa informada sabe que a Venezuela, na prática, é uma. Cuba também. As fachadas socialista e comunista só escondem a real natureza do regime: são camarilhas militares que garantem a opressão.

Apanhei durante a ditadura. Fui perseguido com meros 16 anos. Repudio de modo absoluto esses asquerosos, que não sabem o que é democracia; que acabam, porque burros, legitimando o regime corrupto e de desmandos em curso. Se querem pedir ditadura, que marquem suas próprias manifestações.

Essa gente me dá nojo!

Sendo que já compilei a mensagem de um intervencionista indesejado, de um cientista político da Revista Sociedade Militar e de Reinaldo Azevedo, preciso fazer um apanhado da situação.

É fato que nem todos os adeptos da intervenção militar estão representados nesses energúmenos que apareceram nas manifestações. Aqui eu vou me referir a esses últimos.

Como podemos definir pessoas que não respeitam o direito de um grupo social definir as regras para este grupo social? Vamos dar alguns exemplos? Ativistas LGBT que vão se beijar em Igrejas. Por que fazem isso? Se as regras da igreja não permitem esse comportamento, por que eles precisam entrar lá para ofender os demais? Se a torcida do Corinthians não admite palmeirenses (e vice-versa) por que você priorizaria ir lá vestindo uma camisa do Palmeiras?

É claro que estamos diante de comportamentos antissociais, a partir dos quais a vida em sociedade torna-se inviável. São normas básicas de respeito a regras de grupo que essas pessoas se recusam a assimilar. Pessoas assim chegam no mais baixo estágio da indignidade humana.

Quem é indesejado em um grupo social (o qual se estabelece pela via não coercitiva) deveria procurar os grupos sociais que o aceitem. A rejeição a isso configura-se em autoritarismo.

A partir do momento em que intervencionistas foram definidos como indesejados nas manifestações, a única posição aceitável seria de que não participassem. Ou que fizessem uma manifestação em qualquer outro lugar.

Mas alguns deles não conseguiram, e, agindo de forma tão indigna quanto os petistas mais desonrados, resolveram aparecer por lá, demonstrando arrogância extrema e desrespeito total aos objetivos da organização.

O que eles conseguiram com isso? Como sempre, conseguiram atrapalhar mais uma manifestação legítima, sempre gerando capital político para o PT.

Ora, se eles são indesejados no grupo e se a participação deles só serve para ajudar aos petistas, é melhor tachá-los de petistas infiltrados mesmo, ou então de malucos indignos. Ao menos estes que apareceram nas manifestações.

Em relação a estes intervencionistas, estamos em pólos opostos em várias questões como:

  • fornecimento de capitalização política gratuita pelo PT (eles são a favor, nós somos contra)
  • luta somente pelas vias democráticas (eles são contra, nós somos a favor)
  • respeito às organizações sociais (eles são contra, nós somos a favor)
  • busca do realismo político (eles são contra, nós somos a favor)

Quer dizer que nós temos inimigos à nossa frente. Eles são tanto os bolivarianos, como os militaristas.

E, exatamente por isso, este blog a partir de agora estabelecerá uma regra: nenhuma postagem a favor de intervenção militar será permitida por aqui.

Eu até respeito pessoas que acreditem nessas coisas por questão de perda de fé nas instituições. Tenho divergência dialética com essas pessoas em minha discordância profunda com qualquer pedido por intervenção militar. Mas a partir do momento em que uma parte desses intervencionistas se recusa a aceitar regras sociais e decide partir para sabotar manifestações democráticas, novas regras precisam ser estabelecidas.

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30 COMMENTS

  1. O problema nao sao os que pedem intervencao, o problema sao os que dao destaque a isso , e que estao sendo pautados sobre esse assunto porque a grande midia enrolada ate as cuecas no esquemao, quer tirar o foco da roubalheira que certamente vai chegar aos negocios das empresas de comunicacao.
    o mais importante de tudo sao as pessoas vindo espontaneamente as ruas!
    gente que conseguiu enxergar que nao precisa de PT para nada!
    em vez de criticar meia duzia de gatos pingados e dar destaque a eles, tem que incentivar , as pessoas a continuarem a pressionar, porque e exatamente o que eles querem , desanimar as pessoas,
    Mesmo desorganizadas, mesmo com gente pedindo de um tudo, e melhor que estejam contra o PT, e que vejam isso.! Nas ruas!

    • Eles VÃO dar destaque, e eles sabem disso! Mas se não fizessem questão de manifestar essa agenda totalmente contraproducente, simplesmente não teria como dar destaque a ela!

  2. Muitos da oposição falaram dessa minoria que pedia intervenção. De fato ela existe, porém também existe a possibilidade real e concreta de que os que pediram intervenção neste protesto, num carro alegórico, sejam de infiltrados financiados por políticos, a fim de demonizar os protestos legítimos. Lembrem-se de que políticos brasileiros recebem um salário de 27..30 mil reais, além de regalias de todas as sortes (que basicamente correspondem a um segundo salário), e uma parte desse dinheiro pode ser tranquilamente usada para estes objetivos. Além, claro, da BLOSTA e da imPTrensa, as quais tentam a todo o custo deslegitimar os protestos espontâneos da sociedade. Os Black Blocs fizeram isso nas manifestações do ano passado, e hoje sabe-se que são ligados a partidos políticos de esquerda, como bem escreveu o Reinaldo em alguns de seus posts: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/a-marcha-dos-irresponsaveis-e-a-recuperacao-da-sanidade-ou-a-mae-e-de-um-ativista-e-o-que-uma-ideia-um-ideologia-uma-tese-uma-antitese-uma-sintese

  3. Tai concordo inteiramente com o Luciano, e eu ainda acho que esse pessoal era petista infiltrado pra deslegitimar a manifestação, só pode ser isso!!

  4. Tudo bem que você não apoia a intervenção militar. Mas então qual é a sua solução para eliminar de vez os esquerdistas e salvar o Brasil do comunismo?

      • 1. tomar a maior parte do poder paralelamente a difusão em massa do conceito religião política;

        2. tornar o estado laico algo em funcionamento verdadeiro, onde qualquer ideia religiosa deverá ser legada somente aos seus crentes, respeitando os direitos negativos dos descrentes;

        3. criar um estado virtual, emulado por uma espécie de estado maior, onde os esquerdistas funcionais poderão dar toda sua devoção a seus líderes, os quais irão fazer toda a lambança advinda ao marxismo;

        4. cunhar o termo Neo-esquerdista àqueles que agem em conforme ao estado laico operante.

        5. a esquerda será derrotada, humilhada e aniquilada, pois ficará claríssima a evidência de que ser um Neo-esquerdista é estar numa tremenda desvantagem existencial;

        http://lucianoayan.com/2013/04/30/glossario-neo-esquerdismo/

        Com todo respeito, é meio utópico, pelo menos por enquanto. Mas não é impossível.

    • Será que esse pessoal não entende que intervenção militar só vai fortalecer a esquerda a longo prazo? A ditadura fez exatamente isso, permitiu à esquerda ter a superioridade moral absoluta por anos e rotulou a direita como “golpista” e “fascista”. É só olhar na América Latina como a maioria dos países teve governos militares e a maioria hoje é governada por bolivarianos.

      Intervencionista tem titica na cabeça, só pode

    • Não há porque eliminar, e não se deve tentar ou querer eliminar ninguem.
      Isso é totalitarismo por definição, e é contra isso que os republicanos lutam contra, seja o totalitarismo de esquerda (comunismo) ou de direita (facismo, militarismo).

      Se deve tomar espaços por vias democráticas, de forma a have dialogo. Se haver um contraponto forte do lado direito, naturalmente o extremo-esquerdo perde força, ou mesmo relevância.

  5. Concordo com tudo do texto, com ênfase em não “colocar azeitona” na empada da situação e da esquerdalhada em geral. Mas não consigo considerar “leprosos” os que estão com uma justa revolta com todas as estratégias abertamente escrotas desse povo que manda na ideologia do Brasil, sem contraditório, há uns 50 anos! A revolta é compreensível e tem que ser calibrada, sim. Como faz isso, eu não tenho a menor ideia.
    Basicamente, vamos ter que conviver com essas pessoas que não são tão boas assim em estratégia. O chato é que do lado de lá, os caras também não são, (será que tacando fogo em alguns ônibus o movimento ganha “legitimidade” na “mídia”?) mas gozam de uma tremenda complacência da classe “jornalística”, vermelha de dar dó! Isso irrita, e com razão,

  6. Belo texto. O problema é realmente isso que você escreveu e também a imprensa resumir a manifestação em “intervenção militar”. Mas continuaremos a luta sem eles pois não temos medo do PT nem de nenhum comunista.

  7. Estas lideranças que estão aparecendo nas manifestações ainda precisam comer muito feijão da arte da guerra política. Os caras apresentam cada mancada que até da vergonha. Acho melhor os organizadores das manifestações começarem a ler com mais atenção este blog, se é que fazem isto.

    • Concordo com você quando diz que os atuais organizadores precisam melhorar suas estratégias. Também precisam se unir e, em alguns casos, abrir mão do “estrelismo” que, certo ou errado sempre surge em movimentos populares.

      Mas também acredito na infiltração de esquerdistas para gerar divergências, desacreditar e minar a confiança das pessoas no movimento. Isso, eu também vi acontecer aqui.

    • Algo gozado e REALMENTE intrigante é que simplesmente NÃO CONHEÇO NENHUMA LIDERANÇA INTELECTUAL MILITARISTA NO BRASIL HOJE. Caso você conheça me apresente, por favor!!!
      Todos que conheço do meio conservador, liberal e centro-esquerda repudiam intervenção militar.
      É meio difícil de acreditar que esse movimente pro-militar é totalmente expontâneo… o que está movendo ele? Qual é a massa catalizadora???
      Tenho 3 hipóteses plausíveis (estou descartando a que diz que é algo expontâneo, para mim é muito absurda). Estão organizadas em odem de possibilidade, da maior para a menor:
      – Existe um articulador, e eu não o conheço
      – O fato de de existirem militares anti-esquerda no legislativo (bolsonaro), fez com que pessoas aderissem esse ideal implicitamente, mesmo sem haver uma convocação
      – São ptistas infiltrados

  8. Pelo que vi parece que a manifestação teve quatro grandes problemas mais ou menos relacionados:

    1) Aparecimento de comunistas tentando criar confusão
    2) Aparecimento do carro de som do movimento brasileiro de resistência pedindo intervenção militar
    3) Saída e retorno posterior do Lobão na passeata
    4) Desentendimento entre o Paulo Batista e o Revoltados Online

    Dos quatro problemas, o que se conseguiu lidar da melhor forma foi o primeiro, que parece não ter tido nenhum incidente, tanto é que nem aparece na mídia. O pior problema concerteza foi o segundo, pois além de criar problema para a imagem da manifestação, criou o problema 3 e o problema 4. O quarto é talvez seja o mais duradouro e o pior problema para a direita como um todo, e não apenas na passeata. Vai ser mais difícil e mais lento, se é que vai ser construída novamente, a aliança entre o MBL e o Revoltados online. Para que isto ocorra, não dá para fazer apenas um hangout organizando os movimentos como foi feita da outra vez, deveria haver diversos hangouts apenas para discutir assuntos diferentes da política, para ir construindo uma confiança e acertando as diferenças de opinião. Isso provavelmente só será possível se houver interesse das partes e apenas depois de algum tempo, por enquanto o melhor é que se façam manifestações separadas, se elas ainda forem ocorrer.

  9. Eu achei esse texto do Reinaldo lamentável em diversos pontos, principalmente quando fala dos bolsonaros. Expressei minha opinião no blog dele com a mensagem logo abaixo. Aqui não se trata de apoiar a questão da intervenção militar, mas sim do peso que é dado à coisa. Já ficou claro que a esmagadora maioria das pessoas que comparecem às manifestações não é a favor da intervenção. Se a imprensa vendida continua a enfatizar essa questão, ela sim deve ser repudiada por descer ao nível mais baixo possível.

    Praticamente ela nos cobra que expulsemos os intervencionistas de lá na base do tapa para poder depois nos acusar de truculentos. Toda a rejeição social à tal lepra política já ficou mais do que clara e o percentual de intervencionistas foi ainda menor desta vez. No entanto, se ainda aparecer UM ÚNICO, a imprensa dará ênfase a ele. Vejam a armadilha que está sendo posta. Simplesmente não temos saída. É uma situação win-win para essa parte da imprensa, que fica como juiz do sentimento alheio e posa como falso redutor isento das questões sem ser devidamente cobrada.

    Isso é sórdido e deve ser denunciado com toda a veemência. Repare que o Felipe Moura Brasil acertou o tom. Em seus posts, ele saúda o movimento, cita as manifestações sobre o Foro de SP, trata das críticas aos intervencionistas lateralmente e desce a lenha na imprensa mau-caráter que desvirtua o sentido da manifestação de propósito. É assim que penso que a questão deve ser abordada.

    ==================================================

    Infelizmente, Reinaldo, não foi só isso que você insinuou a respeito dos “bolsonaros”. Assim mesmo, no plural. Leia de novo suas palavras: “Tenho asco de petralhas que assaltam os cofres públicos disfarçados de amigos do povo — e sei como combatê-los — e asco idêntico de oportunistas que se aproveitam da boa vontade alheia para colher benefícios e votos”.

    Me desculpe, mas a última insinuação é tão ligeira quanto seria uma outra, vinda de Bolsonaro ou qualquer um, afirmando que “Reinaldo Azevedo acha que uma ínfima minoria macula o movimento inteiro para não ter que atacar com vigor a torpe mídia que distorce o sentido do evento porque parte dela lhe paga o salário”. Não tenho procuração para defender os bolsonaros e sequer votei neles, mas são pessoas de bem sob as quais não pesa uma mancha e não merecem ser taxados de oportunistas.

    No mais, ainda que eles fossem oportunistas, “asco idêntico”? IDÊNTICO?? Dizer que os bolsonaros são Jean Wyllys com sinal invertido não aponta extremismos, mas rebaixa aqueles e legitima as reais canalhices deste último. Há aqui também um erro de observação. Jean Wyllys não colheu seu aumento de votos num suposto extremismo dos bolsonaros, mas dentro da base que já vota na extrema esquerda. Ele aumentou em 10x seus votos, mas Chico Alencar caiu pela metade e Jandira Feghali mais que isso. Os extremistas apenas redistribuíram votos que já eram seus.

    Cabe salientar que nunca vi os bolsonaros pedindo intervenção militar. Quanto a este último assunto (pedidos de intervenção militar), o que deve ser mais enfatizado? Os milhares que foram às ruas ou os poucos que cometem um erro? É correto dedicar-lhes um post inteiro com um tópico chamando-os de “canalhas” e “golpistas”? Pois você deu o mesmo peso para as duas coisas e tratou a sordidez da cobertura da imprensa (que repete até o lead!!) com um certo desdém. Algo como “Ah, já sabíamos que seria assim e etc….”. Não! Isso sim é grave!! Isso sim macula e rebaixa o país!!! Isso sim deveria merecer o seu mais completo REPÚDIO!!!! Não uns gatos pingados que apenas estão errados e não têm nenhum poder. Para mim, aquele post foi o maior escorregão que você deu desde que o blog foi inaugurado.

    • Para falar a verdade, desde a época que o Reinaldo disse que o PT não é comunista, eu tenho percebido um grande acúmulo de bobagens em seus textos. Acho que ele pode até estar atuando como agente de desinformação, trazendo algumas coisas positivas para ganhar confiança, e dando dicas para enganar os leitores. Se ele não faz isso intencionalmente, talvez alguém que tenha contato com ele, o esteja influenciando.

  10. Luciano não seria mais útil ao invés de deliberadamente dividir esse movimento “anti-pt”, digamos assim, fazer com que as lideranças da parte que não quer intervenção consigam utiliza-lós nas manifestações, porém suprimindo sua voz, ao ponto que da mesma maneira que haviam black blocks nas ultimas manifestações esses eram tratados sempre como uma “minoria de vândalos” estes também sejam representados da mesma forma. Defender abertamente que os “intervencionistas” sejam expulsos das manifestações é algo que atinge pessoas que podem ter algum papel importante, e nada impede de num futuro próximo, com certo esforço, o discurso seja melhor trabalho e as manifestações foquem em um ponto em comum, sem necessitar dessa perda de tempo em brigas internas, só ganhando em termos de eficiência.

  11. Para derrubar este sistema precisa de todos os aliados possíveis. Eliminando pessoas do bem e indignados, só porque estão revoltados e querem atalho para cortar na raiz todo este mal, mesmo sendo só na teoria, isso sim é falta de estratégia. Diria mais falta de coragem ou pequena hipocrisia. PMs, militares e outros são gente como qq um. Alias, graças a quem está tudo acontecendo, PF! Com certeza não esperaram a midia lhes dizer o que pode ser feito ou qual ideologia é certa.
    Com aparelhamento de tudo, PF cortada por 6% em orçamento e desmotivação desses profissionais para cumprir o proprio trabalho, qual seria a ultima instituiçao para chamar?
    Seria um jornalista indo em Brasilia prendendo todos, ou PF, exercito? Ng chama algum militar tomar posse do planalto mas intervenir no caso de sem saida. E tb – botar medo neles, pq não!?

    Todos querem ver eles presos, e a justiça sendo feita. Pronto. Parem de ofender bolsonaros e outras pessoas honestas que só estão lutando por mesmo objetivo. Investe energia para unir e não excluir seus aliados.

  12. Vi muitos criticando os pequenos pontos fracos das manifestacoes, parecem que foram pautados pelos petistas, o foco ficou na intervencao militar que ninguem pediu, o numero de pessoas ,como se fosse um concurso de quem poe mais gente na rua e outras bobagens,

    o mais importante , a melhor coisa de todas foi o chamado as ruas ter sido atendido!
    no pais todo , as pessoas foram para as ruas! CONTRA O PT!
    nao e maravilhoso?
    milhares de pessoas!

    vamos gente , pras ruas , esta dando certo , esta acontecendo, eles estao se afundando!

    ninguem desanimado! e hora de UNIAO,!
    De estarmos juntos contra o PT!

    NAO SE E DEIXEM PAUTAR PELOS PETISTAS!
    mandem eles praquele lugar, vcs sabem qual..

    .

  13. Há uma diferença gritante entre o artigo do Robson e o do Reinaldo: o primeiro é tolerante, o segundo é fascistóide, a começar pelo título. Também sou contra intervenção militar, mas as pessoas tem todo o direito de, pacificamente, clamar por isto. Você tem toda a razão ao destacar o oportunismo dos intervencionistas em comparecer numa manifestação sem um convite, mas, como cantou Castro Alves, “a praça é do povo”.

    Sobre o PIG (partido da imprensa GOVERNISTA), mesmo que não tivesse um único ‘militarista’ por lá, a cobertura seria tendenciosa. A impressão é que todos estão implorando pela simpatia da imprensa esquerdista. Só lembro uma coisa: basta Lula estalar os dedos e os presidentes dos meios de comunicação vão correndo lamber as suas botas. Se a turma do Bene Barbosa fosse esperar pela simpatia de jornalistas, não teria humilhado a esquerda por ocasião do plebiscito do desarmamento.

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