Por que a mídia é “a Jerusalém” para o governo atual?

14
209

kingdome of god

Nas metáforas que tenho utilizado, o que significa encontrar “a Jerusalém”?

Significa encontrar o ponto de disputa mais importante em um dado momento do tempo, assim como foi a cidade de Jerusalém na época das Cruzadas.

Esta “Jerusalém” é a posição mais importante a ser ocupada por um lado, e, ao mesmo tempo, é a que mais deve ser defendida pelo outro. É onde a batalha será decidida.

Elas devem ser as mesmas posições para ambos os lados. Se um lado não identificou “a Jerusalém” no conflito, então já se complicou para toda a guerra.

Imaginemos que neste momento (reparem bem que falo “neste momento”) a Jerusalém é a mídia, em pré-ocupação pelo governo. Eles sabem que controlando a mídia, conseguem esconder a corrupção e os indicadores econômicos. Chega a ser cômico que muitos denunciantes do Foro de São Paulo não tenham percebido este modus operandi em países como Venezuela, Bolívia, Equador e Argentina.

Todas as manifestações atuais perderão o sentido se o governo seguir impune em seu processo evidente e progressivo de censura de mídia, já visto na derrubada de Rachel Sheherazade no SBT, e no corte de verbas à Veja. Como já disse, duas vitórias simbólicas devastadoras.

Mas e a corrupção? Bem, vamos aguardar as provas dos delatores, mas pelo que tenho visto, Dilma está bem tranquila. Internamente, o PT acha que isso vai respingar fortemente em Lula, mas não acham que o mesmo vai acontecer com Dilma.

Sendo isso verdade, obviamente a corrupção não é o ponto principal da disputa. É claro que desgastar o governo com as denúncias de corrupção é importante e estes escândalos não podem ser esquecidos, mas, repito, não é de forma alguma o ponto central da disputa. Claro que se surgirem provas materiais, um impeachment será inevitável. E neste caso a corrupção se tornaria a Jerusalém desta batalha. Ainda não é. (Eu ainda usaria a questão da corrupção em par com a luta contra a censura à imprensa, por causa do efeito midiático das denúncias do Lava Jato)

E quanto a “anulação das eleições”? Quanto a isso, o governo está tranquilo. É uma demanda que não será atendida. Se fosse comparar na questão da guerra política, enquanto a mídia seria a Jerusalém, a “validade das eleições” seria uma cidadela desabitada em um local não-estratégico.

Saladino diria: “Quer invadir, invada…. Estou nem aí, estou nem aí…”

Quanto eu vejo o sr. Marcelo Reis, do Revoltados On Line, definir “anulação das eleições” como uma de suas duas pautas principais, fico desanimado. Ele me parece uma pessoa muito bem intencionada e é motivado. Tem postura de liderança também. O problema é para onde ele está levando suas tropas…

Mas aqui vai uma dica de ouro que pode ajudar: leiam os sites da BLOSTA (Brasil247, Conversa Afiada, Viomundo, Pragmatismo Político, Blog da Cidadania e Altamiro Borges, entre outros). Lá eles entregam o ouro, a respeito das prioridades do PT. Hoje em dia são duas: censurar a mídia e abafar os escândalos do Petrolão.

Lá também notamos que são três as posições ambicionadas pelo governo: controle da mídia (a maior de todas, ou seja, a Jerusalém), a assembléia constituinte e o uso de coletivos não-eleitos. Esta última está um pouco abalada com a derrota na Câmara.

Caindo as três, o PT afunda de vez. E são metas possíveis. Infelizmente, como não entendemos ainda qual é a Jerusalém do conflito, o governo tem boas chances de sair vitorioso.

O que o PT mais precisa neste momento é que nós não descubramos qual é a Jerusalém do momento (a mídia) e nem mesmo as duas grandes cidades ao redor (plebiscito constituinte e uso de coletivos não-eleitos, esta última abalada).

Caso descobríssemos, poderíamos exigir pautas como:

  • exigência de retorno de Rachel Sheherazade ao SBT, sob ameaça de boicote
  • CPI da Blosta, para investigar o envio de verba estatal para a mídia chapa branca
  • CPI da censura à Veja, para investigar o corte de verbas estatais para a revista
  • criação de um “mídia watch”, para denunciar os jornalistas desonestos a favor do governo em vários órgãos de mídia
  • e, essa iria doer neles… propor uma lei de mídia realmente democrática para bloquear o envio de anúncios estatais do governo, propondo no lugar a isenção fiscal por cotas de anúncio (quer dizer que o governo não poderia mais destinar dinheiro de anúncios para chantagear empresas e privilegiar amigos)

Com medidas assim sendo levadas à frente não apenas nas manifestações, como também em pressões a parlamentares e jornalistas (que não foram cooptados pelo PT), os petistas diriam: “Agora complicou. Começaram enfim a prestar atenção! Enfim, a batalha vai começar!”.

Anúncios

14 COMMENTS

  1. “Olavo de Carvalho
    4 h · Richmond (Virgínia) ·
    Parem de enxergar inimigos nos aliados imperfeitos. Isso é purismo adolescente. Se um quer intervenção armada e o outro não quer, ótimo: isso mostra que muita gente com idéias divergentes está contra o PT e o Foro de São Paulo. Que cada um faça a sua parte.”

    Tem outra dele falando que militaristas não são inimigos, por que vc, o Lobão e outros radicalmente contra a intervenção militar não tem coragem de dar um pio para criticar o velho? O cara está no pedestal e todo mundo se caga pra ele mesmo, coisa de líder de seita mesmo.

  2. Controlar quem Luciano? A Veja?

    Eu não vejo outro organismo da imprensa, com o mesmo porte, e que faça uma oposição de fato. Já está tudo dominado. O maior roubo da história e você lê uma Folha, e até parece que estamos na Suécia… Kkk… E uma afetação sínica, eles estão em negação… Kkk…

    A esquerda construiu a ideia de que quem impede a gornabilidade do pais é a Veja e os blogs “golpistas”, e 9 em cada 10 pessoas minimamente informadas concordam com esse embusteiro safado. Quando vejo alguém, como você, que faz parte dos ” golpistas maléficos”… Me pergunto: como conseguem criar uma ameaça que não existe? Um grupo compra o Congresso e destrói as instituições democráticas e o outro apenas divulga os desmandos. Qual seria o bandido e qual seria o mocinho? O modo de pensar esquerdista diz que vocês, que são pessoas honestas, são os vilões, inimigos dos pobres, da “justica social”, da distribuição de renda e do mundo ” multipolar sul-sul”, inimigos dos ” povos soberanos anti imperialistas”.

    O maior domínio que se pode alcançar é o dos corações, mentes e anseios. Para a esquerda brasileira falta muito pouco para alcançar o estágio de monopólio, de hegemonia total. As únicas “pedrinhas” no “no meio do caminho” em relação ao meio instruído são voces e pro povão, são as lideranças evangélicas não alinhadas com o Planalto.

    Se conseguirem silenciar, então a ditadura “mais que perfeita” se instalará.

    A Hegemonia Cultural, imposta sob a forma de lei, e travestida sob o manto da “democratização”, ” quebra de monopólio”, é o “Santo Graal” do Marxismo Cultural. É a Jerusalém do Foro. Será o pilar de sustentação futura “Pátria Grande”.

    Questões como corrupção não são tao importantes como o controle legal da consciência. O que é o ser humano sem a liberdade de consciência? Um individuo ou apenas mais uma peça de um todo maior, um coletivo? É possuidor de direitos ou apenas um cumpridor da vontade estatal?

    Isso me faz lembrar do Nazismo e da máquina de propaganda que eles montaram através do rádio.

    Obs: obrigado por ter respondido meu comentário.

    • Se fizesse um jornal com os ALL-STARS (jornalistas: Reinaldo Azevedo,Rachel Sherazade, Paulo Eduardo Martins,…. e colunistas:você, professor Olavo de Carvalho,Diogo Mainardi,…) certamente teria um bom número de assinantes, não?

  3. Que tal as próximas manifestações em frente às sedes dos principais jornais? Estadão – marginal Pinheiros; Folha – Masques de Limeira, e assim por diante, O Globo, Zero Hora, O Estado de Minas, …
    Também nas emissoras de tv: Globo, Bandeirantes, Cultura, …

  4. Acho que a mídia não fala sobre o Foro de São Paulo… isso seria uma flechada no calcanhar de Aquiles.
    Seria esclarecer para a população brasileira o método com que eles pretendem implantar o socialismo no Brasil. Está no programa do PT alcançar a hegemonia, mas aposto que quase a totalidade dos brasileiros não sabe disso e a imprensa não divulga.
    É só começar a divulgar que acaba com essa brincadeira comunista.

  5. Tem que fazer barulho até a imprensa chapa branca não ter alternativa a não ser mostrar as manifestações, como no movimento pelas Diretas Já, que a Globo fingiu que não existia enquanto foi possível. Aí, uma hora não foi mais possível…:)

  6. Eu concordo com as quatro primeiras propostas, mas a quinta pode não fazer muita diferença, pois o governo pode aumentar impostos para os canais e ainda continuar a restringir a publicidade privada. E com o imposto mais alto, o governo daria insenção fiscal, na prática exerceria o mesmo controle, mas poderia ser pior por que não faria o governo gastar nenhum centavo com controle economico. Acho que o que precisamos NO MOMENTO é uma lei que obrigue que toda publicidade pública seja paga proporcionalmente a quantidade de pessoas assistindo o canal, sendo obrigado manter enquanto houver determinada campanha publicitária. Poderia haver algo parecido para outros tipos de mídia, além da TV. Isso evitaria o controle atual.

    Uma coisa que percebo é que pouca gente se dá conta do processo de censura que o governo faz. Ele se dá em quatro etapas:

    1. primeira fase: pouco investimento estatal, muito invesimento privado. Esta é a fase inicial, quando a mídia é verdadeiramente livre. Esse é o nosso objetivo

    2.segunda fase: equilíbro entre investimento estatal e investimento privado. Essa é a fase em que o governo tem algum controle economico da mídia, mas ainda é bastante diluído por conta de haver igualmente investimento privado. Nesta fase começam as restrições a públicidade privada.

    3.terceira fase: pouco investimento privado, muito investimento estatal.Fase em que as restrições da publicidade privada são bastante fortes, e a ameaça de corte de publicidade estatal é mais forte.Eu diria que estamos nessa fase ou na segunda fase caminhando para esta.É aqui que alguns liberais costumam falhar, eles acham que retirando o investimento estatal estamos indo para a fase 1, mas como para chegar na fase 1 teríamos que passar pela fase 2, então na verdade estamos indo para a fase 4.

    4quarta fase: ausência de investimento estatal e privado.Esta é a fase do controle “social” da mídia, que na verdade é controle estatal. Nesta fase o controle não é mais economico, mas legal e direto. A tal “democratização” da mídia, é na verdade, “Estatização” da mídia, pois a esquerda tenta atribuir uma característica do Estado(a democracia) para entidades privadas. Esta é a Ley de medios da Argentina. Aí voces podem se perguntar, “mas como o governo pode aumentar o controle reduzindo o investimento estatal da fase 3 para a fase 4?”. É mais simples do que parece, o governo faz isso sufocando os ultimos oposicionistas, retirando-lhes os anúncios. E quando não há mais parte da mídia que seja contra o controle estatal(pois quem é favor do governo não se incomoda de eliminar quem é contra através do controle exercido pelo governo), a mídia que sobrou começa a ser estatizada.

  7. “ética” segundo jornalistas de esquerda é aplicável apenas para os de direita, pois os esquerdopatas se consideram deuses perfeitos, e acima de qualquer poder. A “mídia” se cala por estar infestada de esquerdopatas, assumidos ou não.. acho que precisamos esfregar a ética jornalística na cara deles.

  8. Luciano, se me permite, vou copiar aqui o comentário que postei no seu artigo propondo uma verdadeira lei de mídia democrática: http://lucianoayan.com/2014/05/29/por-uma-verdadeira-lei-de-midia-democratica/

    Gostei muito das propostas. Só falta a gente fazer um plano e seguir. Sugestão:

    1 – Abrir os olhos de todas as lideranças dos movimentos republicanos para o fato de que a VERDADEIRA democratização da mídia deve ser a prioridade zero dos movimentos;
    2 – Baseando-se nesses princípios, elaborar um projeto de lei VIÁVEL de aprovação no congresso nacional;
    (Obs.: Acredito que o ideal seja que já se discuta como se quer o projeto antes, para exigirmos que ele seja aprovado ipsis litteris, ao invés de apresentarmos um projeto utópico, mas altamente sujeito a alterações pelas casas legislativas.)
    3 – Realizar em paralelo às manifestações nas ruas, um abaixo-assinado via Avaaz, Citizen-Go ou similares. Acho importante escolher uma única dentre essas ferramentas e usá-la, ao invés de tentar dividir os esforços;
    4 – Apresentar o projeto de lei ao Congresso, junto com a petição e realizar mobilizações em massa como as que têm sido realizadas, exigindo a aprovação do projeto de lei SEM EMENDAS.

    Acho que não seria muito difícil conseguirmos 2 milhões de assinaturas pra apresentarmos, por exemplo, só exigiria muito trabalho e dedicação por um intervalo de tempo considerável. A Lei da Ficha Limpa – sem entrar no mérito da efetividade da mesma – surgiu mais ou menos dessa forma. Não sei quão boas são essas minhas idéias, mas acho que é um começo de discussão, não?

  9. Sou obrigado a repetir aqui:
    Vou aproveitar a deixa e fazer uma sugestão. Da mesma maneira que o Aécio tentou, mas parece que esqueceu, transformar os programas sociais em política de governo, com a intenção de evitar o uso político como foi usado nessas eleições, deveria propor uma lei contra esse tipo de censura, a auto censura, no caso do SBT, Globo, Estadão e no caso da Folha parece que não tem jeito, foi por opção que se vendeu e a tentativa de censurar a Veja ao transformar em realidade essa ameaça, através da manipulação do uso das verbas de publicidade públicas e das estatais, uma lei que, para evitar isso, obrigasse que essas verbas fossem aplicadas nos mesmos veículos pela média dos últimos 5 anos, por exemplo, caso contrario vamos ver acontecer aqui o mesmo que acontece na Venezuela e na Argentina, quando impediram a publicação de jornais contrários pela falta de papel para essa imprensa.

Deixe uma resposta