Mandando a real sobre o intervencionismo. Para fechar temporariamente o assunto.

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A partir de agora aqui serão bloqueados comentários defendendo intervenção militar. Já aviso que não sou contra ações militares legítimas para nos salvar de invasores ou mesmo frear uma situação de guerra civil, a partir de convocação do Executivo, Legislativo ou Judiciário. Minha crítica se direciona aos pedidos de intervenção militar feitos como método de tomada de poder com forma de substituir os atuais donos do poder.

Vamos deixar algumas coisas bem claras. Nós somos adversários. Lutamos por objetivos opostos. Eu não quero viver em um país dominado por militares, censurando a imprensa. Assim como não quero viver em um país bolivariano, também com censura de imprensa.

A vitória do intervencionista é minha derrota. A minha vitória é a derrota deles. É a mesma regra que devemos usar para tratar os bolivarianos.

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A mente do intervencionista é interessante. Como objeto de estudo, é claro.

A democracia é desafiadora e depende de extrema vigilância. A democracia as vezes é abalada. Hoje está fragilizada no Brasil. A única solução que os republicanos encontram é lutar pela democracia. Já os intervencionistas partem do princípio de que se a democracia do Brasil está corrompida, ao invés de recuperá-la é melhor destruí-la de vez. É claro que não podemos deixar eles vencerem.

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Há quem diga que os intervencionistas “não são nossos inimigos”. São sim. Devemos ver os intervencionistas como defensores de uma gangue de narcotraficantes querendo disputar o morro com outra gangue de narcotraficantes que se estabeleceu por lá. Ambos são foras da lei. Caso você queira atuar dentro da lei, a união com uma gangue para derrotar outra só serve para demolir seu empreendimento de livrar o morro de tráfico de drogas. Tanto intervencionistas quanto bolivarianos são inimigos da democracia. Ponto.

Quem se une aos intervencionistas, passa a mensagem de que “a democracia não vale nada”. Será que na luta contra o crime valeria passar a mensagem de que “o crime compensa”?

A luta é uma só: salvação da democracia. E, é óbvio, a valorização da república. Esse discurso dizendo que “não podemos nos dividir” não cola por que os intervencionistas são minoritários demais. As manifestações cresceriam muito mais sem a presença deles.

E mais:  precisamos ser extremamente ofensivos na guerra política contra os bolivarianos. A mera aparição desses intervencionistas (indesejados, conforme os organizadores da manifestação afirmaram) fizeram com que todos nós ficássemos na defensiva. A simples presença dessa gente já implica em redução de poder de fogo do nosso lado.

Só seria possível uma aliança com o inimigo se tivéssemos controle deste inimigo, além de quase uma certeza deste resultado. Algo como a aliança entre os Estados Unidos e a Rússia para derrotar Hitler. Mas um cenário assim não acontece. Logo, não há motivos para nos aliarmos a intervencionistas. Devemos combatê-los, democraticamente.

Mas a melhor coisa a dizer para esse pessoal é a seguinte: “Intervencionistas, mostrem dignidade e criem uma manifestação só para vocês. Vocês querem derrotar o PT, assim como queremos. Ótimo. Mas nós temos objetivos exatamente opostos após essa tal “derrota”, pois o mundo que virá depois, ambicionado por vocês, não é o mundo ambicionado por nós. Em relação à democracia, os valores que vocês defendem são exatamente opostos aos nossos. Não há união diante de valores diametralmente opostos.”

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Vi por aí um papo dizendo que ao nos dividirmos, estamos “atendendo aos desejos do PT”. Mal sabem essas pessoas que muitas vezes é vital dividirmos um grupo.

Gramsci fez isso entre 1920 e 1925 antes de ir para a prisão, defendendo a divisão entre pragmáticos (que ele defendia) e os fatalistas, que, segundo ele, só “queimavam o filme”. Os resultados estão aí…

Já passou da hora de dividirmos a direita entre a que gera resultados e aquela que só funciona como âncora…

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Essa é sensacional: “sou a favor da intervenção militar, mas sou contra a ditadura”. Ora, mas de que jeito uma intervenção militar vai poder trocar pessoas no poder, sem o chamado do Judiciário, Executivo e/ou Congresso, senão ditando ordens, com o uso da força total do estado em suas mãos?

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Existem algumas formas de se tomar o poder de forma totalitária:

(a) usar o próprio exército de seu país para isso
(b) usar uma força revolucionária que tome o exército do país, convertendo-o para seu lado, ou aniquilando-o
(c) via dominação de espaços, de forma dissimulada (estes são os gramscianos e bolivarianos), a partir da democracia, tentando corrompe-la
(d) aceitar a democracia e jogar pelas regras dela, sem tentar corrompê-la – esta, aliás, não é forma de se tomar o poder de forma totalitária, mas está aqui por ilustração

A extrema-esquerda sabe que (a) é uma opção morta e liquidada. O item (b) funcionou no passado, como em Cuba.

Em 1964, os marxistas perderam por que o regime militar usou (a), mas já era uma coisa obsoleta. Tanto que os militares estão queimados até hoje, humilhados por coisas como Comissão da Verdade.

Ao invés de pensarem em (c), o que os intervencionistas fazem? Continuam pedindo (a), o que os torna verdadeiros trogloditas em termos de estratégia para tomada de poder.

Os bolivarianos morrem de rir sabendo que eles lutam por algo que já estava obsoleto em 1964. Agora, então, tornou-se impossível, principalmente para um país complexo como o nosso.

Aí resta a eles a técnica do “beco sem saída”. Vão ampliar o poder da extrema-esquerda e dizer “tá tudo dominado”. Nada que uma leitura de Robert Cialdini, um dos melhores autores de técnicas de persuasão, já não nos tenha ensinado em termos de imunização.

Só um aviso para esse pessoal que usa a tática do “beco sem saída”. A opção (c) foi exercida pelos esquerdistas enquanto o regime militar tinha (a) em mãos. Portanto, a tática do “não temos outra opção” não me engana.

Intervencionistas estão apegados à uma mania, uma obsessão, a uma ideia fixa, não a algo que vá dar qualquer tipo de resultado.

Só peço que não nos façam afundar junto com vocês.

***

Em tempo: as Forças Armadas são consideradas as instituições mais seguras do Brasil pela maioria dos brasileiros. Eu também confio muito neles. Especialmente pelo fato de não caírem na conversinha dos intervencionistas. Uma coisa são os intervencionistas. Outra coisa são as Forças Armadas. Criticar os intervencionistas não é criticar as Forças Armadas. É bom avisar antes que intervencionistas tentem essa falácia manjada…

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21 COMMENTS

  1. Concordo com tudo pois como disse, salvo engano ,Reagan ” a democracia não é passada para novas gerações de forma hereditária mas conquistada e mantida por cada geração “. Infelizmente muita gente honesta não sabe do risco que estamos correndo, assim sendo temos a obrigação como pessoas bem informadas de combatermos os bolivarianos. O Luciano está fazendo a parte dele e devemos buscar meios de também colaborar.

  2. Por eles serem a minoria absoluta e por ser impossível removê-los totalmente de passeatas que tenham o PT como alvo, (a menos que se considere expulsá-los um a um a tapa…), considero que estamos incorrendo em erro estratégico ao darmos tanta ênfase a essa questão.

    Por mais rejeição social que lancemos sobre eles, sempre haverá alguns (talvez até pessoas infiltradas) e a imprensa venal irá à caça deles para nos demonizar. É como procurar agulha num paleiro. Dessa forma, julgo que o foco principal deve ser o sucesso do movimento, ressaltar as pautas principais, tratar a questão da intervenção apenas lateralmente e repudiar a cobertura dessa imprensa venal mostrando fatos, como fez o Felipe Moura Brasil.

    Outra sugestão seria criar um antídoto juntando algumas lideranças antes do próximo evento para conversar com os profissionais de imprensa (mesmo os vendidos) que cobriram os eventos do dia 1/11 e ontem e reafirmar, em documento prévio, que a intervenção militar não é pauta do movimento, mas que eventualmente haverá indivíduos isolados seguindo tal pauta que não teriam como ser expulsos. Se, ainda assim, a notícia do dia seguinte vier com leads dizendo “Passeata contra o PT volta a pedir intervenção militar”, a rejeição e o repúdio precisam ser lançados a esses profissionais, diferenciando-os dos veículos. Façamos isso de novo, de novo, de nov e, de novo. Uma hora essa mesma imprensa venal vai ser vencida pelo cansaço e pela força dos fatos.

    Discutir a intervenção em si também é chover no molhado. Eu ainda acho que, no estágio atual, é mais frutífero lançar luz sobre alguns desses supostos intervencionistas, chamando-os à razão, como procurei fazer ontem o dia inteiro (e acho que convenci alguns), do que simplesmente chamá-los de canalhas. Muitos pedem intervenção por desespero, não por consciência política. Sobre estes, é preciso instruí-los, não aliená-los. Sobre os teimosos, cabe convidá-los a fazer suas próprias manifestações, mas reitero: em eventos com milhares de pessoas é IMPOSSÍVEL evitar que alguns deles apareceram.

    O mais importante é não deixar a peteca cair e fazer alguns ajustes internos. Não podemos cair na armadilha da imprensa venal, tampouco ficar na defensiva. O evento foi um sucesso e isso tem que ser repetido à exaustão! Os torpedos lançados contra nós precisam ser devolvidos com o dobro da força. Nesse caso da intervenção militar, é impossível evitar que alguns nos atinjam, mas optar por devolvê-los nos alvos certos ou não será escolha nossa.

  3. Depois de todos os posts que você fez tratando da lepra do intervencionismo, que haja ainda defensores disso querendo argumentar só pode ser sinal de uma burrice gigantesca.

    • Perfeita a sua observação Bruno!
      É a mais pura verdade! Democracia dá sim, MUITO TRABALHO.
      E, exige, acima de tudo, MUITA PRÁTICA!
      O intervencionismo, seja ele de quem for, é nefasto sobretudo porque IMPEDE A PRÁTICA DA DEMOCRACIA que, de momento, é do que mais necessitamos.
      Nem à Esquerda e nem à Direita! Queremos nós mesmos fazermos nosso próprio destino e nossa própria Nação!

      E, antes de morrer, ainda vou me divertir, olhando alguns destes petralhas, enjaulados em alguma prisão federal, feito animais perigosos…

      Sds.

  4. Evidentemente quem apoiou o intervencionismo é gente infiltrada em grande parcela e idiota em sua minoria. Foi identificado um petista do RJ na passeata junto a mais alguns pedindo por intervenção, o cara se intitula artista, o que explica muito. A polícia está lá para evitar confrontos. Antes de começar os manifestos, seria interessante dissociar os grupos, de preferência, deixando claro que não são o mesmo grupo, por agenda e local. Se não temos o direito de impedir seus manifestos, também não somos obrigados a coexistir geograficamente. Acredito que pessoas como o Lobão tem que parar de coçar o próprio ego querendo sair de herói da história, e dividir a responsabilidade com outras pessoas. Nunca vi ninguém ganhar uma guerra sozinho. Não é uma questão de escolha. Esse vício brilhantismo vai afundar os reacionários. Nenhum marechal ganha a guerra sozinho, nem presidente governa sozinho. Acredito que existe muita gente de coragem para assumir postos de responsabilidade distintos. Só com organização e uma rede descentralizada combateremos o PT a um nível mais próximo do ideal. Se acontecer alguma coisa com um desses caras que concentram liderança, o movimento perde muita força. Distribuir responsabilidades é o ideal, assim o movimento cresce, fortalece, e se destaca das minorias. Não devemos aceitar vaidades, porque como está, a coisa emperra e nêgo sai vazado pro exterior nos deixando às minguas.

    • Gozado ter sido justamente a irmã de uma ativista… ativismo no Brasil a gente sabe como é: burgueses com salários acima de 10 mil por trás de petistas e “movimentos sociais” tal como os terroristas do MST. Além disso, estava lá e não vi nada disso aí. Só tinha gente família lá, gente decente e ordeira, mas, é fácil forjar com infiltrações este tipo de coisa pra querer queimar o filme. Esperaram um momento oportuno, porque a polícia estava acompanhando lado a lado. Acho melhor não nos desgastarmos com as exceções e mantermos o foco.

  5. Sublime

    PERFEITO!!

    Melhor texto que li sobre o assunto.

    Acho importante que todas as lideranças tenham isso em mente, e comuniquem isso em seus meios de divulgação: INTERVENCIONISTAS SÃO NOSSOS INIMIGOS. PONTO.

  6. Também sou radicalmente contra intervenção militar, mas considero algumas críticas lançadas _neste_ texto pouco fundamentadas:
    – a imprensa também foi censurada sob governos civis e, hoje, há casos de censura a jornalistas isolados e caminhamos para uma prática metódica;
    – fato: no Brasil republicano há exemplos de ingerência militar que _preservaram_ a democracia, (claro, estes exemplos não justificam outra intervenção);
    – podemos até considerar os “militaristas” como foras da lei, mas eles não são. As suas manifestações são tão legítimas como as dos “democratas”.
    – uma placa pedindo “Intervenção Militar” é tão legítima como uma pedindo “Fora Dilma”. Ambas tem o objetivo de pressionar as _instituições_ para, legalmente, remover o mau governante.

    No mais, há muito barulho com este tema e perde-se um tempo precioso. Melhor marcar a posição “contra a intervenção”, deixando-os seguir com a sua agenda e manifestações, bem ao longe. Aí os sócio-fascistas do PT terão duas preocupações: anular os “civilistas democratas” e ter pesadelos com os “militaristas”. De uma coisa tenho certeza: os comunas se borram de medo da simples ideia de intervenção militar (é trauma).

    Zé fini, pra esse assunto!

    • Detalhes

      – a imprensa também foi censurada sob governos civis e, hoje, há casos de censura a jornalistas isolados e caminhamos para uma prática metódica;

      Mesmo assim, isso não valida a censura dos militares. Na verdade, ambas são criticadas por mim.

      – fato: no Brasil republicano há exemplos de ingerência militar que _preservaram_ a democracia, (claro, estes exemplos não justificam outra intervenção);

      E todos meus textos consideram este fato.

      – podemos até considerar os “militaristas” como foras da lei, mas eles não são. As suas manifestações são tão legítimas como as dos “democratas”.

      Eles não são fora da lei. Mas são indesejados nas manifestações republicanas.

      – uma placa pedindo “Intervenção Militar” é tão legítima como uma pedindo “Fora Dilma”. Ambas tem o objetivo de pressionar as _instituições_ para, legalmente, remover o mau governante.

      Claro que é legítima, mas somente em manifestações onde eles são bem vindos. É o critério do grupo social, que já tratei tabém.

      Abs,

      LH

      • Luciano, o documento abaixo indicado é uma análise do comportamento do PT, por ocasião da crise Collor. Uma aula prática de guerra política, que deveria ser lida pelos organizadores das manifestações atuais e, principalmente, pela oposição incomPTente. Recomendo os tópicos:
        a) 1ª fase: o temor ao golpismo e a necessidade do acúmulo de forças
        b) 2ª. fase: apoio à abertura da CPI do caso PC Farias e a luta contra a corrupção no governo Collor

        []
        PC

  7. Dia 25/11 é a última tentativa de se estabelecer a democracia no Brasil, se a oposição deixar passar as mudanças na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Caso isso aconteça, não sobrará mais nada a se discutir, não adiantará protestos, nem intervenção. Acredito que a oposição é o último bastião da democracia com todos os defeitos que possa ter.

  8. Texto muito bom! Como já observei mais acima, o problema crucial do Intervencionismo é que o mesmo impede a PRÁTICA DEMOCRÁTICA, que é o que mais necessitamos.

    Apenas uma obsevação: A rigor, em 1964, não houve, verdadeiramente, um “golpe” e sim um “contra-golpe”. E, o mesmo, só ocorreu depois de dias da população cercando os quarteis e pedindo a intervenção dos militares. Aliás, pode muito bem ser por isso, que o PT está há vários anos deslocando os quartéis PARA FORA DAS GRANDES CIDADES…

    Mas como já disse mais acima, é apenas uma observação, que em nada afeta o conteúdo do texto em si.

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