O que fazer para eliminar o hábito mais terrível da direita e começar a conquistar resultados políticos?

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Em projetos de segurança da informação, um dos principais desafios chama-se conscientização. É preciso criar uma cultura na organização para que as pessoas percebam as fraudes acontecendo, especialmente aquelas relacionadas à engenharia social. (Exemplo: “um sujeito aparecendo e pedindo um acesso indevido, após contar uma história dizendo-se amigo de um gerente sênior”)

Sem essa fase de conscientização, seus esforços certamente falharão.

Claro que dentro da empresa existem os mal intencionados, mas a conscientização geral é o que resultará em ganhos, pois os honestos também precisam se defender dos mal intencionados.

Exatamente o mesmo vale para a direita (e agora os republicanos em geral).

Ontem postei o vídeo de uma petista que defende leis para eliminar a PM. (Errada: erradamente me informaram que essa pessoa era Severine Macedo, mas não é)

Veja-o:

O que eu esperava era ver a percepção de um embuste acontecendo. Mas em muitos casos ocorreu o inverso: vários ficaram com “pena” dessa petista, achando-a “fora da realidade”. Mal percebiam que ao agir assim estavam aniquilados e incapazes de oferecer uma reação à altura.

Foi aí que tive que citar o que aconteceu no vídeo. Essa petista não era uma iludida, mas a mais esperta daquele evento. Quem é incapaz de perceber isso sempre será uma vítima perfeita para esse tipo de gente. Após dar esse tipo de explicação citei o trecho abaixo do livro “Maquiavel Pedagogo”, de Pascal Bernardin:

“Porta na cara”
Técnica complementar à precedente, a “porta na cara” consiste em apresentar, de início, um pedido exorbitante, que naturalmente será recusado, depois do que se formula um segundo pedido, então aceitável. Em uma experiência clássica, Citaldini et al. solicitaram a alguns estudantes que acompanhassem, por duas horas, um grupo de jovens delinquentes em uma visita ao zoológico. Formulada diretamente, essa solicitação obteve somente 16,7% de aceitação. Entretanto, colocando-a após um pedido exorbitante, a taxa elevou-se a 50%. Naturalmente, um “pé na porta” ou uma “porta na cara” podem ser úteis para se extorquir um ato custoso, o qual, por sua vez, consistirá em um ato aliciador, no caso de um próximo pé na porta. Com tal expediente, é possível obter comprometimentos cada vez mais significativos. Essa técnica de “bola de neve” é efetivamente aplicada.

Enfim, muitas vezes o direitista cria uma ficção, dizendo para si próprio que seu oponente é um “iludido, enganado” para se auto-enganar, evitando reconhecer os jogos armados pelo outro. Em outras palavras, é uma vítima de fraude de cartão de crédito que, para recusar a realidade (de que é uma vítima de um fraudador, capaz de aprender aos poucos a fugir deste tipo de fraude), prefere vender para si próprio a noção de que seu oponente é um “coitado e iludido”.

Exemplos assim ocorrem todos os dias. Por exemplo, vi este diálogo no Facebook:

X: Eu entendo que não é necessário existir um Dia de Consciência Negra.

Y: Isso demonstra o seu racismo.

X: Que parte do que eu falei menciona qualquer discriminação aos negros…

Y: Isso está nas entrelinhas de seu discurso.

X abandona o “debate”. Y ri de como foi fácil vencer mais um embate político.

Indignado, X comenta com seus amigos sobre o “delírio” do comportamento do outro. Ele pensa ter se defrontado com mais uma pessoa com falta de percepção da realidade. Y sabe, no entanto, que o bobo da história não é ele.

Ora, na guerra política o agressor sempre prevalece, e Y fez exatamente isso ao rotular seu oponente. Entretanto, a mente de X estava treinada para um “debate”. Note que ele negou uma culpa que não tinha. Por que ele teve que ficar na defensiva?

Mais ainda. Ao abandonar o debate, X não percebeu que era exatamente o que Y esperava.

Este é o problema mais grave para que nós resolvamos: o fim da ingenuidade política da direita. Ingenuidade política é o oposto da verdadeira consciência política. Sem esse tipo de capacidade, não existe a percepção dos jogos oponentes feitos contra você. E, mais grave, nem mesmo a percepção de que se está dentro de um jogo.

Como já disse, vejo isso todos os dias no Facebook, quando alguns me perguntam, via inbox, sobre como alguém do PT ou PSOL consegue “dizer algo como W”. No que eu digo: “Ele está fazendo a parte dele. Falta você fazer a sua.”

Outro exemplo pode ser visto na questão da intervenção militar. Quantos você já viu, do lado da direita, aparecendo com este discurso? Realizou? Agora veja nas manifestações petistas pedindo censura de mídia se alguém dirá que “é preciso censurar os meios de comunicação”. Eles dirão, ao contrário, que é preciso ”democratizar a comunicação”. Se aparecer alguém com qualquer demanda cujo frame é automaticamente negativo (como “censura de mídia”) será expulso da manifestação.

Depois ainda nos damos o direito de “não entender como o PT conquistou tanto poder”.

Como já escrevi no passado, um jogador de futebol consegue denunciar ao juiz um jogador adversário simulando falta. Muitos da direita, mesmo com muito mais estudo e cultura do que a maioria absoluta dos jogadores de futebol, não tem estrutura mental para reagir aos eventos do mundo da mesma forma que até um jogador de futebol consegue.

Se você ainda cai nos jogos políticos da esquerda, estaria disposto a se comprometer com o fato de que é preciso efetivamente mudar a sua estrutura mental?

Isso envolve modificar a forma como seu hardware codifica e decodifica qualquer  (qualquer mesmo) comunicação diante dos bolivarianos. A partir daí, você conseguirá atuar, mas sempre com base no framework da guerra política. A questão não é mais vencer “debates”, mas vencer confrontos dentro de uma guerra política.

Para começar, crie um checklist automático, a ser internalizado em seu subconsciente, recobrando os seis princípios da arte da guerra política. Vamos revê-los:

  1. Política é guerra conduzida por outros meios
  2. Política é guerra de posição
  3. Na guerra política, o agressor geralmente prevalece
  4. Posição é definida por medo e esperança
  5. As armas da política são símbolos que evocam medo e esperança
  6. A vitória fica do lado do povo

A partir daí, pergunte para você próprio: “A mensagem transmitida pelo seu oponente está mais ou menos alinhada com esses princípios?”. Se ele for um bolivariano, muito provavelmente a resposta será positiva, mesmo que seu interlocutor seja apenas um emulador de conteúdo criado por líderes muito mais espertos que ele. Isso não faz a menor diferença. Um garoto inocente carregando uma bomba relógio é tão perigoso quanto um terrorista que pretende se auto-explodir.

Pois bem. Tendo você compreendido o conteúdo de seu oponente com base neste princípio, sua resposta será mais ou menos aderente a esses seis princípios na comparação com a mensagem de seu interlocutor? É este tipo de pergunta que você precisa fazer para você próprio.

Mas vamos a um exemplo didático em uma interação de Marcelo Freixo com um questionador da platéia:

Deixe-me relembrar como resumi esta interação:

Obviamente, mesmo com raciocínios falsos, ele venceu o seu questionador por três motivos: usou o recurso da polarização (básico da guerra política), afirmou que o oponente pensava errado (“partia de premissa errada”) e principalmente posicionou-se como o “amigo do povo”. Observe quando ele conclui com “eu estou do lado do povo, não do mercado”.

Quem pensa da forma tradicional, tende a não perceber o quanto frames estratégicos são embutidos durante o discurso opositor e muitas vezes acaba respondendo “ah, mas o mercado é bom por isso, por aquilo, é mais livre, etc.”. Como consequência, muitos se esquecem de neutralizar e rebater todos os frames, especialmente “amigo do povo” (associado a ele) e “inimigo do povo” (associado ao oponente). Ou seja, pensam que estão no debate, enquanto Freixo com certeza ri sordidamente da ingenuidade do oponente.

A esquerda pensa em frames, mesmo que alguns deles de forma subconsciente. Eles fazem isso por que os discursos nos quais acreditam e/ou propagam foram arquitetados cinicamente desta forma, mesmo com total desapego aos fatos. Por isso eles obtém poder. Já a direita sempre pensou mais em argumentação básica (e nisto são muito mais consistentes), mas ignorou os frames. Exatamente por isso tem perdido poder. Conclusão: o poder não é conseguido principalmente pelos argumentos, mas pela vitória em uma guerra de frames.

O que aconteceu neste tipo de interação? Um bolivariano adulto politicamente transformou automaticamente seu oponente em uma criança de 7 anos, em termos políticos, apenas por jogar um jogo que este último foi incapaz de perceber.

É preciso que sejamos duros com nós mesmos. Se um jogador de futebol consegue perceber a falta cavada de um jogador adversário, por que muitos de nós ainda não conseguem perceber os jogos embutidos no discurso oponente? Será justo que um policial (como aquele da platéia diante dessa petista) se comporte como uma criança política diante dessa petista apenas por não ter percebido que todos na plateia estavam sendo vítimas de um jogo?

Enfim, a verdadeira mudança de estrutura mental proposta aqui é baseada na modificação da percepção de toda a comunicação diante dos adeptos da extrema-esquerda, não apenas pensando em “argumentação dialética”, mas especialmente em entender os padrões existentes na comunicação de acordo com a guerra política.

Repito: é preciso de muita dureza com nós mesmos, a ponto de criarmos uma sensação de ódio profundo pelo ser ingênuo politicamente existente dentro de nós. Eu iria além: é preciso reconhecer aos poucos a ingenuidade política como um verdadeiro crime moral. Sim, pois todas as conquistas monstruosas da extrema-esquerda só puderam existir pela ingenuidade política de seus oponentes. Pense nas milhões de vidas salvas se tivéssemos aniquilado a ingenuidade política de 1/5 dos oponentes da extrema-esquerda.

Todavia, a internalização dos princípios da arte da guerra política deve ser apenas o começo. Isso deve ser como o “chute” do filme “A Origem”, de Christopher Nolan:

Mas e como fazer para descobrir se realmente você começou a modificar sua estrutura mental? Um teste bem simples é suficiente.

Procure as mensagens mais aberrantes escritas por adeptos da extrema-esquerda. Escolha a escória mesmo, como Jean Wyllys, Leonardo Sakamoto, Maria do Rosário e Gilberto Carvalho. Perceba como eles discursam. Se você, ao ler, ver ou ouvir os discursos deles, reagir com sangue frio e começar a pensar “Ah, interessante esse jogo” e daí ter a capacidade de rebatê-los, pelos mesmos princípios da guerra política, já tem um indício de que está “desperto”.

Mas se você continuar surpreso, quase sem palavras, é sinal de que você ainda não recebeu o “chute”. Vá tentando de novo, relendo Horowitz, tentando combiná-lo com autores com Sun Tzu, Maquiavel, Greene e Clausewitz, dentre outros. Os insights contidos neste blog também devem ser úteis. Do Brasil, recomendo bastante o trabalho de Olavo de Carvalho. Leia “Ponerologia Política”, de Andrew Lobaczewski, e “Maquiavel Pedagogo”, de Pascal Bernardin.

A partir do momento em que o “chute” ocorrer (ou seja, o início da reforma da estrutura mental), você começará a atuar na guerra politica para obter resultados.

E sem jamais esquecer da constatação mais cruel e verdadeira: o maior inimigo da direita não é a esquerda, mas a ingenuidade política criada pela própria direita ao historicamente não ter tido acesso a autores focados em estratégia política (enquanto os esquerdistas tinham Lenin, Gramsci, Alinsky, Chomsky e Lakoff, dentre outros).

Mas pelo menos agora já descobrimos essa deficiência e sabemos o que fazer a respeito: tratar a ingenuidade política como uma doença a ser curada.

Em tempo: Não se ofenda com o termo ingenuidade política, pois todos nós somos ingênuos vez por outra. A ingenuidade política nunca pode ser eliminada por completo, pois para isso seria preciso ler mentes alheias. Mas reduzi-la consideravelmente, a ponto de termos modificado nossa estrutura mental para entender a mensagem do oponente e rebatê-la de acordo com a ótica da guerra política já é um ótimo começo.

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34 COMMENTS

  1. Tenho acompanhado seus posts e tem sido de muita importância, pois o que sinto mais dificuldade nesse embate com algum esquerdista é manter uma atitude de não mandá-lo já num primeiro momento ir TNC. Li Ponerologia e num primeiro momento me assustou bastante o fato de lidarmos com psicopatas, mas depois acho que filtrei o essencial, que estamos lidando com a maldade e aí não cabe medo nem pena, é estratégia e luta política, no momento o que estou fazendo é ler e me preparar e como sei que essa luta não será rápida, desde já preparo minha filha de 11 anos pra essa batalha, pois eu acho que o conhecimento é a vacina pra essa praga ideológica que não terá fim, mas pode ser neutralizada.

  2. Qual seria a resposta correta de alguém curado da ingenuidade política ao comentário de Y de que as palavras de X sobre achar que não é necessário existir Dia da Consciência Negra “demonstra todo o seu racismo (de X)”?

  3. Este foi um post duro, mas corretíssimo e altamente inspirador. Não digo que eu tenha internalizado todos os antídotos prá lidar com a esquerda, mas como nunca fui esquerdista e os combato desde a adolescência, em uma época em que eles mesmos estavam distantes do poder, já tomei há muito tempo as porradas necessárias prá criar uma carapaça anti-embuste e detectar muitos frames falsos instantaneamente, a tempo de poder neutralizá-los. Minha maior dificuldade ainda é lidar didaticamente com os direitistas, ter paciência prá explicar a eles, com a calma necessária, a importância desta mudança mental. Como eles estão dialeticamente corretos, não julgam ser necessário fazer estas modificações, já que a razão inexoravelmente se imporá – nada mais falso! Esta foi, inclusive, uma crítica que tive ao presidente do Partido NOVO, João Dionísio, em uma das palestras dele em que estive presente: ele julga que os pontos defendidos pelo partido são tão claros e inequivocamente corretos que o convencimento virá quase que naturalmente, a ponto de se poder até abir mão do apoio dos poucos que não se convencerão. Para o bem da direita, espero que ele esteja tomando umas aulas de guerra política ou que esteja frequentando este blog.

  4. O pensamento de um esquerdista é assim: o fim justificam os meios.

    O de um direitista conservador é: a verdade é suprema, os valores e a moral estão acima de tudo que possa ser conquistado. Digamos que um conservador cristão prefira a prisão e a morte à relativizar uma verdade moral.

    São dois públicos TOTALMENTE DIFERENTES.

    Infelizmente, Luciano, eu sou evangélico e posso te garantir que essa “malicia” que você deseja incutir na cabeça dos direitistas só funcionará com alguém não religioso. Na mente de um cristão, até na própria narrativa bíblica, vemos profetas dizendo verdades nuas e cruas a governantes impios. É um contrassenso. Teu argumento pode funcionar para um direitista liberal, mas para um conservador cristão é algo totalmente incompatível, pelo menos é essa impressão que tenho.

    As estratégias corriqueiras da esquerda são bem parecidas com as características de demônios trapaceiros, malignos. É totalmente contra a nossa natureza adotar esse formato ardiloso. Os conservadores gostam mesmo é de esfregar a verdade na cara de qualquer um subversivo.

    Luciano, você faz um grande trabalho em codificar essas estratégias e apresentar para a direita liberal.
    Digamos que os conservadores são SUPER/ULTRA/MEGA apegados a uma “régua moral”, presente em suas consciências e eles não se importam com o juízo que a sociedade fará de seus posicionamentos. Se você conseguir imaginar um cristão sendo devorado por um leão por não negar a Cristo em uma Arena Romana, você então começará a compreender como a mente de um cristão funciona quando condenado pela coletividade da sociedade.

    (conservadores) Somos vacinados contra a rejeição do meio social.

    Porém, essa Força que nos faz resistentes, não nos permite ser “astutos”, compreende?

    A força da esquerda é a mentira, o ardil, o subterfúgio, a ilusão coletiva, o embusteiro argumentativo. Consigo ver um liberal se “armando” dos mesmos métodos em prol de um objetivo comum, mas não consigo enxergar um conservador adotando tal estratégia.

    Essa é só a minha impressão. Sempre leio teus argumentos, já estudei alguns textos, mas não posso deixar de transparecer isso que me incomoda. Não é por maldade, é algo automático… posso estar generalizando sobre os conservadores. Talvez uma pequena parte intelectual não seja tanto apegada a fé… mas quem é sente essa incompatibilidade.

    obs: quando me refiro a conservador, me refiro a um que seja de alma (cidadão comum), não a um político profissional.

    • Thiago, acho que voce está um pouco equivocado. Sempre vi os conservadores como a parte mais combativa da direita, com excessão talvez dos nacionalistas, embora estes últimos costumam fazer ataques menos eficientes. O que eu vejo é que justamente esta ênfase na falta de dignidade dos comunistas é que torna muitas vezes os conservadores mais indignados e sua ênfase no estudo principalmente da história e estratégia comunista, tornam seus ataques mais eficientes. Os liberais costumam cair em retóricas e argumentações esquerdistas e inclusive tem alguns que tentam se passar por esquerdistas tamanha é a ingenuidade e desconhecimento a respeito da esquerda. Os liberais tem muitas qualidade que outras partes da direita não tem, costuam ser mais pragmáticos, tem uma noção econômica melhor e estão conseguindo formar uma rede de grupos pelo país com o EStudantes pela Liberdade e outras iniciativas, mas tem muitos que não conseguem perceber que os comunistas e a esquerda no geral são seus principais inimigos, e por isto, tentam agradar a esquerda enquanto sistematicamente tomam ‘pancadas’.

      • oi Acervo,

        se eu entendi, você quis dizer que:

        os conservadores são combativos

        e os liberais são ingênuos.

        Eu também concordo. Mas pra mim tem UM PORÉM… a maioria dos conservadores não são ardilosos. A esquerda é traiçoeira, e os conservadores são DIRETÕES. Ela “floreia” seus argumentos; já os conservadores o negócio é “nú e cru”. Nossa sociedade politicamente “corretinha” se assusta com o discurso dos conservadores. Posso estar enganado, mas eu acredito que os conservadores não consigam usar a mesma astúcia da esquerda, pelo menos na média geral.

        Esse fenômeno está estampado bem aqui em baixo, no argumento do senhor Gabriel. No meu comentário acima eu afirmei que sou evangélico (herege, para os católicos), e os senhor Gabriel não perdeu tempo e gritou “aos quatro ventos” qual o conceito que ele tem sobre essa parte da população.

        obs: senhor Gabriel, eu tenho em consideração os católicos e a sua Igreja. O conceito AMOR AO PRÓXIMO, não se limita a placa de igreja ou religião, pois essa é a mensagem contida na PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO. Um abraço e fique com NOSSO SENHOR E SALVADOR JESUS CRISTO.

      • Senhor Thiago, não estava me referindo a evangélico nenhum com meu comentário. Como eu sou católico, dei alguns exemplos de como a Igreja foi combativa no ~PASSADO~, e que não é exatamente um problema moral para os conservadores (já que é óbvio que a Igreja é uma instituição conservadora) ter a mesma combatividade em relação à esquerda.

        Talvez se você tivesse alguma noção histórica do que eu estou falando, esse mal entendido não teria ocorrido, porque quando Santo Inácio e Santo Antônio estavam vivos, sequer existiam protestantes. O que existiam eram arianos, cátaros, coisa completamente diferente. Enfim, eram tempos completamente diferentes, e é óbvio que não faz sentido um pregador entrar na igreja do outro e gritar que ele é um “sepulcro caiado”.

        A sociedade só se “espanta” com o discurso conservador porque a esquerda tem a maior autoridade moral atualmente. Mas dando outro exemplo de como isso pode ser revertido, é só olhar para a situação do nazismo. Os nazistas perderam completamente a autoridade moral, e por isso chamar um neonazi de “monstro” e dizer que ele deveria ser preso vai arrancar aplausos da maioria da população, enquanto fazer a mesma coisa com um comunista vai no mínimo trazer olhares desconfiados para o indivíduo, mesmo que o comunista tenha matado 10x mais que o nazismo.

    • Olá Thiago,

      Suas objeções são interessantes, mas eu acho que elas estão infundadas. Ser conservador não é ser um idiota pacifista que prefere se esconder da luta a “derramar o sangue” de um agressor. É exatamente esta crença em uma moral objetiva e em uma Força maior (que não é necessariamente o Deus cristão) que faz muitos conservadores, como eu, desejarem jogar a guerra política como o Luciano mostra. O processo de conscientização política de um conservador pode até ser diferente de um liberal, mas eu garanto que o primeiro tem uma capacidade tão boa quanto – ou mesmo maior – de se indignar com as desgraças que a esquerda causa e lutar contra elas.

      Vou dar um exemplo: na tradição católica, existem inúmeros santos que ao lidarem com hereges não pouparam palavras para denunciá-los como “ímpios”, “malignos” e outras coisas. O próprio Cristo possui uma linguagem bem forte: só em Matheus 23 ele utilizou os termos “hipócritas”, “filhos do inferno”, “guias cegos”, “tolos e cegos”, “sepulcros caiados” e “raça de víboras” contra os fariseus. Santo Inácio de Antioquia se referia aos seus oponentes como “lobos” (Filadelfienses 2), “feras na forma humana” (Esmirniotas, 4), “defensores da morte” (Ermirniotas 5). São Jerônimo designava os inimigos da Igreja de “asnos bípedes”, “cães furiosos”, “cachorros de Cila”, “insetos”, “porcos”, “escorpiões”, “ave de mau agouro”, “animal mudo, mas venenoso”, “cobra”, “cão que volta ao seu próprio vômito”, “víbora”. São Antônio – que ficou conhecido como Martelo dos Hereges – denominava os infiéis, mesmo padres e bispos, de “prepotentes”, “ladrões”, “falsos profetas”, “hipócritas”, “padres avarentos”, “luxuriosos”, “bispos indignos”, “presos de todos os vícios”, “prelados infiéis”, “mercenários”.

      Existem muitos outros exemplos. Evidentemente os santos da Igreja são conservadores, mas isso não os impediu de lutar vigorosamente contra os seus oponentes. Se já foi assim no passado, então pode ser novamente; e se é assim na religião, pode ser na política também.

    • Demonstrar que os regimes socialistas sempre destruíram a vida de seu povo. Em seguida, usaria polarizações, dizendo “eu, ao contrário dele, fico do lado do povo, ao dar liberdade para eles, e então dando melhor nível de vida aos pobres. “.

  5. Pergunta
    Para evitar que aconteca novamente, o que deve ser feito
    Chutar a petista fora do encontro logo apos usar uma tatica dessas ou
    ter alguem apto para em 2 ou 3 minutos demascara-la no ato>??

    Obrigado

    • Sobre a petista o que deveria ser feito é que um destes policiais, já conscientes do truque, deveria falar em direção à platéia (SEM SEQUER OLHAR PARA A CARA DELA) os truques feitos, explicar a técnica porta na cara e ridicularizá-la.

  6. Se eu sou um guarda ali naquela palestra iria perguntar quantas vezes a sujeita em questão se viu em uma situação de ameaça á sua integridade física, e sem ninguém para ajudar, para se meter a falar no assunto como se o conhecesse.
    será que ela esperaria o estuprador arrancar sua saia para só então abrir a bolsa para procurar o spray de pimenta?
    .
    Esse povo é muito vigarista mesmo!

  7. Aceitar o rótulo de “direita” simplesmente por criticar ou ser contra o PT é cair no jogo político deles.
    Muitos dos que estão contra o governo, não são a favor de um estado mínimo ou pelo menos acreditam que o governo deveria se responsabilizar apenas em pontos essências como segurança, educação e saúde.
    O próprio PSDB está longe de ser um partido de direita, muitos liberalistas apoiam o PSDB por falta de opção.
    Acho que o tamanho do estado e em que pontos e quanto o estado deve intervir são discussões importantes que sempre estarão em pauta e evoluirão de acordo com o desenvolvimento da sociedade e da consciência ética e política de cada um.
    O ponto crítico deste momento é barrar um programa de governo que prega hegemonia e coloca todas as discussões acima em risco.
    Nosso quadro político atual já coloca o poder de forma desproporcional na mão de quem está no governo. E achando que isso é pouco, o PT vem com propostas de ampliar esse poder e dificultar o controle do próprio estado e de seus governantes, o que coloca a democracia em risco.
    Existem muitas variáveis e opiniões políticas e econômicas divergentes. É exatamente isso que devemos preservar. O mais importante é a preservação da democracia, independente do modelo econômico e político que cada um defende.

    O crucial é evitar medidas que ampliem o poder do estado: plebiscito pro-constituinte, regulamentação da mídia e unificação e desmilitarização da polícia.

    • Olá Roberta,
      Ótimo texto, com apenas uma crítica. O PSDB nunca foi um partido de direita e jamais será. Infelizmente eles (PSDB) deram munição para o oponente e ele cresceu sem controle. Oposição no Brasil sempre foi muito incipiente e não temos representantes no Congresso que revertam tal situação. O PT se apoderou do Estado (como nunca antes na história desse país) e agora será muito difícil para ser desmantelado. A discussão de um estado mínimo é uma utopia. O que o Brasil precisa neste momento é fortalecer as instituições que estão em frangalhos para que só após isso, coloquemos em pauta a diminuição do Estado. Outro ponto importante (já citado em comentários anteriores) é a rediscussão por parte do Congresso, do pacto federativo. Só isso, já diminuiria consideravelmente o poder Central e fortaleceria os Estados. Isso só vai acontecer com um Congresso atuante e focado em questões cruciais para a manutenção do Estado de Direito. A revogação do decreto 8243 e da regulação da mídia também será um grande avanço institucional. Oposição já !!!!!!!

  8. Bom, eu acho que se eu fosse o sujeito X, abandonaria o debate de ideias de cara pois já perceberia que o sujeito Y não quer debater ideias e sim colar um rótulo em mim

    Partiria para o ataque para desestabilizar emocionalmente o sujeito Y mostrando a ignorância e falta de capacidade dele em apresentar argumentos…
    Além disso diria que racismo e crime, e chamar alguém de racista é uma acusação grave que requer prova, portanto tiraria um print da acusação e diria que entraria com uma ação de calúnia e difamação contra o sujeito Y.

    Claro faria isso para desestabilizar ele e joga-lo contra a parede como se estivesse dizendo a ele “Ou prova que sou racista ou vai responder processo criminal”

  9. Olá Luciano.

    Onde posso ver os vídeos completos? Estou estudando sobre o tema e tenho me apoiado nas suas sugestões de leitura e, claro, nos seus textos. Acredito que você esteja dando uma rica contribuição para a construção de uma frente digamos assim, mais “consistente em argumentos”, para poder confrontar os bolivarianos desmontando seus artifícios retóricos.
    Se não for possível postar os vídeos completos (da petista e do freixo), gostaria de saber onde e/ou quando foram gravados. No mais, muito obrigado pelas suas preciosas contribuições em prol de um país justo e decente.

  10. Uma dúvida: essa abordagem me convence, mas essa estratégia só é efetiva (indispensável) para quem lida com o público (jornalistas, blogueiros, políticos, marqueteiros, etc.), ou ela é igualmente importante para os indivíduos como a maioria de nós?

    Por exemplo, eu não lido com o público, não participo diretamente da ação política, apenas me limito a algumas discussões em grupos fechados do Facebook, conversas informais com amigos em mesa de bar e bate-papo cara-a-cara. Em geral eu me satisfaço em neutralizar a ideologização de determinadas questões.

    Aconteceu comigo uma situação “interessante” entre os meus amigos da faculdade. Eu não os vejo pessoalmente há uns 5 anos e nessa época eu ainda era bastante alienado sobre o que estava acontecendo no Brasil e no mundo, e certas questões não faziam parte das nossas conversas.

    Há cerca de 2 meses, duas amigas estavam falando sobre “machismo” em um grupo de whatsapp e eu já estava de saco cheio desse assunto por causa de outras discussões que estavam rolando no Facebook e disse mais ou menos o seguinte: “Essa vitimização de algumas mulheres é pura dissimulação de mentalidade psicopática. Violência contra mulher é crime e pronto, machismo não é violência. Machismo é o homem pagar a conta de um jantar, é se oferecer para abrir a porta do carro para a namorada descer, é pedir a sua mão ao pai para casar, é o pai que leva a filha ao altar e a entrega ao marido, isso é machismo e nenhuma dessas conveniências sociais pode ser enquadrada como violência contra a mulher.”

    A reação dos outros que não estavam participando da conversa inicial foi imediata e me acusaram de ser grosseiro, etc.

    Eu pensei logo nas lições desse blog. Alguma erro estratégico na forma de abordar a questão eu tinha cometido, mas já era tarde e eu retruquei da seguinte forma: “O problema é que vocês não estão acostumados a lidar com o discurso assertivo e livre de eufemismo. Quem aqui me conhece sabe que eu não gosto de falsidades, e o que eu tenho a dizer, digo diretamente a quem precisa ouvir. Como homem me sinto ofendido com essa insinuação de que o brasileiro é um povo hostil as mulheres e a forma como me expressei rastreia a origem da fraude argumentativa. Se quer ser tratada de igual para igual, porque eu deveria agir como se estivesse pisando em ovos?!”

    Eu fiquei com a imagem de grosseiro e inconveniente, mas ninguém mais apareceu para dizer que o Brasil é um país machista e hostil às mulheres.

    • Dennys,

      Eu não acho interessante a abordagem política diante de discordantes de GRUPOS DE AMIGOS.

      Eu sugiro os embates em territórios abertos.

      Neste caso, seria melhor a ironia. 😉

      Além do mais, o termo “machismo” já é considerado negativo. E, portanto, você gastaria muito tempo se explicando.

      Política é como guerra por outros meios, e as ações devem ser balanceadas de acordo com a capacidade disponível de acordo com o tempo.

      Abs,

      LH

  11. Esses dias eu estava pensando, “que vontade de fazer um blog ou uma página no Face pra destruir todas as falácias e hipocrisias petistas uma a uma, mostrando os seres imprestáveis que eles são.”
    Mas aí eu descobri esse blog e vi que já havia sido tudo feito. Parabéns pelo trabalho.

  12. O Marcelo Freixo pertence ao PSOL que é a esquerda da esquerda. Sua técnica consiste em ludibriar e difamar que fazem parte da estratégia da guerra política. Todo discurso já está moldado nesse sentido. Não há em hipótese alguma interesse em debate, pois eles jamais controntarão ideias. A existência em defender um Estado forte é condição básica para a manutenção dessa escória podre e nefasta.

  13. Freixo muito espertamente logo de cara disse que respeita muito a posição do oponente, posando de democrata e defensor da liberdade. Seu argumento questionando para quem o Estado governa, poderia ser facilmente rebatido pelo oponente se este declarasse que Freixo que parte da premissa errada, pois da forma que está, o Estado beneficia a si próprio e toda sua estrutura burocrática, em detrimento do povo que banca com seu suor, mediante impostos e inflação o gigantismo estatal.

    Quando Freixo conclui que “eu estou do lado do povo, não do mercado”, o argumento também poderia ser contestado facilmente com a argumentação de que o povo é o mercado, pois O Mercado, não é uma organização ou empresa, mas é próprio o povo que consome e negocia fazendo suas escolhas do que vender e do que comprar. O Mercado é o dono da quitanda, o camelô, a dona de casa, o médico, o eletricista, o beneficiário do Bolsa Família…O Mercado não é criação de algum intelectual. O Mercado surgiu espontaneamente de trocas voluntárias da população.

    Em suma, os argumentos de Freixo são fracos porém ele que tem facilidade de expressão e usando da malandragem esquerdista, consegue intimidar o oponente.

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