Nicolas Maduro comemora o “sucesso” do bolivarianismo na Venezuela

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Um editorial do Globo, muito bem intencionado (e ao mesmo tempo ingênuo politicamente), nos fala do 15º do ciclo chavista. Vamos ler o texto intitulado Venezuela se desmancha em 15 anos de chavismo, com algumas observações mais focadas em ceticismo político.

A Venezuela encerra o 15º ano do ciclo chavista. A cada dia, a situação do país — lucrativo mercado para empreiteiras brasileiras — se torna mais crítica política, social e economicamente. A inflação, acima dos 63% anuais, tende a avançar para o patamar dos três dígitos, aguçando o conflito social. O declínio de 25% no preço do petróleo aprofunda a crise (Chávez assumiu com o barril a US$ 30, imperou com o óleo a US$ 140 e hoje o país não consegue sequer comprar alimentos com a cotação a US$ 80.) A Venezuela, que depende do petróleo para 96% da receita de exportações, virou um pária internacional — sobretudo em direitos humanos, com a oposição encarcerada —, e o governo imerso em corrupção.

Isso quer dizer que a cada dia se constrói um verdadeiro paraíso na terra para os donos do poder totalitário por lá. Quanto mais destruído economicamente está um povo, mais ele é vulnerável ao domínio de poderosos. A Venezuela é sim um pária internacional, mas é o modelo ambicionado pelo governo petista. A Venezuela é o maior “case” de sucesso do Foro de São Paulo.

A população enfrenta a cada vez mais aguda falta de produtos alimentícios e essenciais, por conta da escassez de divisas para as importações. A disparada de quase 30% do dólar no paralelo torna os produtos importados inacessíveis para uma vasta parcela da população. Os ricos continuam comprando o que lhes apraz no exterior. A criminalidade e a violência dispararam. O caos social não está longe.

Mas exatamente por isso a censura de mídia – exatamente a mesma censura ambicionada pelo governo petista – cuidou para que a população só saiba o que é conveniente para os chavistas.

A colunista Marianella Salazar resumiu a situação, no jornal “El Nacional”, de Caracas. “Não há fraldas para os anciãos nem é possível tratar doentes terminais de câncer e outras enfermidades por falta de remédios, mas o governo destina dólares para importar pinus canadense e enfeites para árvores de Natal. É um absurdo”.

Quanto mais um país é socialista, mais ele investe em sua própria imagem, em detrimento do povo. É isso aí: Venezuela, 15 anos de previsibilidade para quem estudou o socialismo, especialmente o socialismo dissimulado que é base do bolivarianismo.

Lembremos que o jornal “El Nacional” tem sofrido contínuas sanções governamentais por deixar escapar algumas poucas críticas a Maduro.

No pós-globalização, o chavismo adota o planejamento centralizado da economia, que não deu certo em lugar algum. O Estado avançou sobre as empresas, nacionalizando-as e, portanto, jogou a eficiência no fundo do poço e afugentou investidores. Tudo em nome do “socialismo do século XXI”. O governo, tanto com Chávez como com seu sucessor, Nicolás Maduro, transformou a galinha dos ovos de ouro, a estatal petroleira PDVSA, num organismo gigantesco, totalmente aparelhado por aliados, com baixa produtividade, incumbida de servir de caixa para o Tesouro e responsável por programas populistas.

É verdade que o planejamento centralizado da economia não dá certo para o povo em lugar algum. Assim como a compra de bilhete premiado não dá certo para o comprador do bilhete. Mas quem disse que era para “dar certo” desse jeito? Seu professor de História? Sinto dizer-lhe, mas ele mentiu para você. Na verdade, tudo ocorre conforme o previsto na Venezuela. O planejamento centralizado dá certo para os donos do poder de um partido socialista, e é só isso que importa agora que a mídia está controlada.

Em tempo: a PDVSA servindo como caixa para o governo? Ou por que você acha que na Venezuela o financiamento empresarial de campanhas não existe mais? Aha… é por que o governo chavista detém o monopólio dos recursos estatais. Como sempre, bobos eles não são.

O subsídio à gasolina torna seu preço ao consumidor um dos mais baixos do mundo, menos de um centavo de dólar o litro. O governo reconhece que a PDVSA perde anualmente US$ 12,6 bilhões com a diferença entre o custo da produção e o de venda. O último ajuste do preço foi em 1997. Maduro voltou a falar em cortar parte do subsídio para reduzir o déficit fiscal, mas é pouco provável que o faça: em 1989, um aumento desaguou no “Caracazo”, violentos protestos nos quais morreram centenas de pessoas.

Mas preste atenção: quem perde é a PDVSA, assim como a Petrobrás no Brasil. Mas o governo de Maduro ganha com isso…

 Na última semana, Maduro aprovou uma saraivada de 28 decretos na área econômica, aproveitando os últimos dias dos poderes especiais que o Congresso e a Justiça, dominados pelo chavismo, lhe outorgaram por um ano. Não se espera que problemas tão graves como os da Venezuela sejam resolvidos por decreto.

Mas com certeza os probelmas de Nicolas Maduro serão resolvidos com esses decretos, pois, como sempre, o bobo não é ele.

E por falar em decretos, também é importante comentar a notícia Maduro decreta lei anticorrupção e reforma policial na Venezuela, da Folha, mostrando, como sempre, um padrão:

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, decretou nesta quarta-feira (19) a reforma da lei anticorrupção e da polícia do país. Estas foram as últimas medidas aprovadas na vigência da lei habilitante, que lhe permitia governar por decreto por um ano.

A principal medida contra irregularidades na gestão pública aprovada por Maduro é a criação do Corpo Nacional contra a Corrupção, instância vinculada à Presidência que investigará as atividades ilícitas dos agentes públicos.

Os integrantes do conselho deverão ser indicados pelo presidente e, de acordo com Maduro, só serão chamados “homens incorruptíveis”. “Estou pensando e avaliando nomes de homens e mulheres incorruptíveis, guerreiros e guerreiras da verdade e da honestidade, para colocá-los a frente desta tarefa histórica.”

O processo de investigação também será responsabilidade da nova Polícia Nacional Anticorrupção. A força de segurança realizará ainda operações de inteligência e de análise estratégica. Segundo o mandatário, as ações dos agentes, incluindo operações, “poderão ser consideradas confidenciais para evitar especulações”.

Com um terceiro decreto, reformou a Lei de Contratações Públicas, incluindo a participação popular na gestão dos recursos do Estado e a simplificação das licitações de obras do governo.

Não é uma maravilha? Uma comissão para “investigar corrupção” escolhida diretamente por Nicolas Maduro. É esse o tal Decreto 8243 que Dilma que tanto quer.

Além das mudanças na lei contra a corrupção, Nicolás Maduro prometeu depurar e reestruturar as forças de segurança para diminuir a criminalidade no país, onde a taxa de homicídios é de 50 casos a cada 100 mil habitantes. O índice é o segundo mais alto da América Latina, atrás de Honduras.

Em um ano de vigência da lei habilitante, foram aprovadas por decreto pelo mandatário 56 leis. A maior sequência delas foi na última terça (18), quando Maduro assinou 28 mudanças nas leis do país.

Dentre elas, está uma série de medidas econômicas, como o aumento da tributação sobre as bebidas alcoólicas importadas, outros artigos vindos do exterior e a reativação das zonas econômicas livres que vigoravam na fronteira com a Colômbia.

O que tem a ver essas medidas com redução da violência. Ele realmente é um sátiro.

Por fim, culpou os Estados Unidos e sua exploração de petróleo por fraturamento hidráulico pela redução dos preços da commodity, principal fonte de renda venezuelana, no mercado internacional. “Eles inundaram o mercado com objetivos geopolíticos: querem golpear a Rússia, o Irã e a Venezuela”.

Diante da falta de investimento na estrutura petroleira venezuelana, o país, com uma das maiores reservas conhecidas de petróleo do mundo, foi obrigado a exportar óleo leve da Argélia para diluir com variações mais pesadas pela primeira vez na história.

E, como sempre, a culpa é dos Estados Unidos.

Estes são os padrões de linguagem de Nicolas Maduro, que você também vê em Dilma Rousseff, assim como em qualquer dirigente que venha do Foro de São Paulo.

Entendem por que é tão fácil prever os próximos passos deles?

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10 COMMENTS

  1. Por isso a importancia das armas.Tentem fazer isso nos EUA, com a populacao armada ate os dentes, duvideodo!
    sou a favor de uma cultura de paz e entendimento, mas a sabedoria da historia da humanidade nos ensina que existe a paz quando existe equilibrio de forcas,
    Admiravel e ver essas coisas acontecerem ciclicamente , em diversos paises mundo afora, ascensao de psicopatas ao poder, e pior ainda e nao serem eliminados sumariamente, casos para seculos de estudos.

  2. Merecido castigo para uma nação que idolatra um sujeito como Simón Bolívar como se fosse um semi-deus. Aliás, acho que é um castigo até… ameno.

    Mas pior ainda é saber que mais da metade daquela massa acéfala chamada de ‘povo’ idolatra Chávez como se fosse realmente O Deus.

    Não tenho pena nenhuma da Venezuela. Como disse antes: merecido o castigo.

  3. Comemora a falta de papel higiênico e nas farmácias não se encontra um simples analgésico, agora por último, anda criminalizando as “milicias” que usou para reprimir protestos da população.
    Fome, miséria, prisões, mortes, militares cubanos gerindo a Venezuela, comemora o quê?

    Só pode ser um demente, alienado da realidade, para corroborar o que digo, Maduro escuta Chaves falando-lhe através de pássaros.

    Pobre povo venezuelano.

  4. Não podemos deixar o governo atual modificar a constituição, não podemos deixar que seja feita uma reforma, seja por plebiscito (catástrofe) ou referendo, não antes que haja um movimento de oposição realmente consolidado, no caso do referendo a pressão popular poderá influenciar na decisão dos parlamentares, o que seria arma do PT e seus movimentos sociais nesse primeiro momento. Temos que ir ganhando tempo, cada um ache um parlamentar que possa fazer oposição e grude no cara, apoio nas redes sociais, elogios a cada atitude positiva com o movimento e cobrança de firmeza de posição. Eterna vigilância.

    • É verdade, mas o povo fica preocupado demais com a vida particular, esquece que é momento de guerra. Enquanto nos concentramos no Trabalho para sustentar a máquina publica, o PT fazendo as falcatruas para nos aprisionar. Eu sou a favor de uma galera ir para Brasiliia. Ja passou da hora.

  5. Entendi que a Igreja foi a última a saber das intenções malignas do governo. Eu não sei o que os crentes estavam fazendo nesses últimos 12 anos, mas é muito decepcionante ver que eles se interaram dos fatos AGORA!?! Fora os frequentadores de currais que idolatram os pastores e fazem o que eles mandam como se fossem autômatos, os cristãos verdadeiros também deixaram a desejar. Credo! Agora está batendo o desespero e pode ser tarde demais. Eu estava comentando com minha mãe que os ateus bem que avisaram, mas o povo de Deus preferiu pagar pra ver.

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