Rotina de censura: “Liberdade de imprensa não é liberdade de empresa”

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rachel

Você provavelmente já deve ter ouvido algum petista (ou membro do PSOL, ou membro do PCdoB, o que dá no mesmo) dizendo que “não há problema algum na liberdade de imprensa, mas não pode existir liberdade de empresa”.

Em uma entrevista com um picareta anti-liberdade de imprensa Marcelo Rubens Paiva coletou a frase “liberdade de imprensa virou liberdade de empresa”.

O truque é sutil e feito com um único intuito: colocar você como um sujeito “amigo das empresas” (as entidades malignas detentoras do “capital”, no léxico dessa gente), enquanto eles lutariam pelo “interesse do povo”.

Porém, ao falar sobre liberdade de imprensa, nunca, nunca, nunca, sob hipótese alguma, pense na questão como “apenas uma relação entre empresas e governo”.

Se pensarmos nisso, cairemos na ilusão de achar que toda a questão se resume a empresas recebendo verba estatal. Daí alguns liberais vão cair na armadilha de achar que “ah, se não tem dinheiro do governo, vem de outro lugar”. Nesse momento, muitos dão de ombros e não percebem o engodo. 

O problema é que toda questão de liberdade de imprensa possui três perspectivas, que devem ser avaliadas em conjunto.

São elas:

  • Liberdade das empresas: não podem ser coagidas por meio de pressão por verbas estatais. As verbas devem ser divididas por princípios de isonomia. Mas esse é o menor do problema, pois os empresários sempre se adaptam.
  • Liberdade do jornalista: não pode ter sua carreira ameaçada por pressão econômica do estado, que, como já disse, só poderia dividir verbas seguindo princípios de isonomia.
  • Liberdade do consumidor de notícias: não pode ter as notícias selecionadas a partir de pressão econômica do estado. E não preciso me repetir quanto ao princípio da isonomia, certo

Se alguém avaliar a questão somente pelo relacionamento das empresas com o governo, obviamente estamos diante de um seríssimo caso de deficiência de cognição política, ou então desonestidade mesmo.

O fato é que se o governo cerceia a liberdade das empresas, pelo uso da pressão econômica (fazendo uso das verbas estatais para essa pressão), automaticamente a liberdade dos jornalistas e dos consumidores de notícias são afetadas.

Um exemplo evidente é o caso de Rachel Sheherazade.

Pela pressão econômica da bancada governista sobre o SBT (ou seja, a empresa), uma jornalista teve sua voz calada. No efeito cascata, todos os consumidores de mídia que queriam ver e ouvir as opiniões de Rachel foram prejudicados.

Como se nota, basta olhar a realidade para saber que o slogan governista “liberdade de imprensa não é liberdade de empresa” é tão cínico quanto mentiroso.

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15 COMMENTS

  1. Liberdade de imprensa é liberdade de empresa. Se uma empresa não tem liberdade, seu jornalismo, cedo ou tarde, também não vai ter! Esses caras acham que todo mundo é idiota e vota no maduro!

  2. Estamos chegando numa fase em que o aparelhamento bolchevista está tão profundamente infiltrado na mídia que a grana estadual é mais um agrado, uma compensação, porque os canalhas defenderão o partido de qualquer maneira.
    É só fazer as contas de quantos estão sobrando com independência na imprensa, tomaram conta até dos programas esportivos, que ficaram insuportáveis!
    Que apareçam mais Sheherazades, Azevedos e aparecendo vamos lá dar audiência e deixar comentários incentivando o trabalho deles, porque a turma que baba na gravata certamente aparecerá pra tentar calar a liberdade.

    • Use o termo correto por favor: aparelhamento bolivariano. Faz diferença sim.(os republicanos nos EUA chamam erroneamente os integrantes do partido Democrata de liberais ou progressistas, só que de liberais e progressistas eles não tem nada).

    • É isto que eu também entendo como liberdade de imprensa e liberdade de empresa: compro a Veja porque já cansou de provar que fala a verdade e a maior parte das matérias que ela pública está alinhada com meu pensamento. Por outro lado jamais compraria Carta Capital, pela já comprovada falta de confiabilidade e falta de isenção. Não fosse receber recursos estatais CC já teria falido, enquanto a Veja continua como a maior revista do país. Sem o governo e com a imprensa livre, não estaríamos aqui discutindo o óbvio.😉

      • Pois é, Erreve. A gente não paga pra ser desinformado, enganado e iludido por matérias tendenciosas e ideológicas. Já disseram que a Folha não serve nem para embrulhar peixe. Ou seja, jornais do naipe da Folha são inúteis.

  3. Luciano. excelente análise.

    Aproveitei o texto supra para fazer alguns exercícios de refutação. Li a entrevista “dos experientes jornalistas” na Folha. As falácias expostas por José Arbex Jr. e Claudio Julio Tognolli, na entrevista, é algo surreal.

    Por exemplo, ao responder a pergunta: “É difícil hoje em dia se adaptar à grande imprensa?”, José Arbex confunde memória com inércia.

    “Eu acho insuportável. O tempo da grande imprensa virou um tempo industrial e obedece a um método nazista de desqualificação da memória. Você vive de sobressaltos, constantemente assaltado pelo novo”.

    Entretanto, a memória é o resgate de informações armazenadas. A mídia, ao buscar notícias novas, permitirá que a memória dos fatos sempre estarão guardadas para serem lembradas. Quem, por acaso, esqueceu do mensalão ou do Impeachment do Collor? Sendo assim, a mídia não apaga memória, mas cria memória.

    A mídia não é estática, uma vez que acompanha os acontecimentos do cotidiano. Se Arbéx quer limitar a mídia em sua fluidez, como ficou implícito, então ele é a favor da censura.

    O nazismo, assim como o comunismo queriam apagar a memória da liberdade em detrimento de uma utopia ditatorial, ao contrário da mídia.

    Uma coisa que eles poderiam ter discutido e não fizeram, diz respeito a desinformação da mídia como instrumento a favor do Estado, ou outras formas de manipulação ideológica praticada por jornalistas de esquerda. É claro que não interessa!

    Grato pelo espaço.

  4. “O truque é sutil e feito com um único intuito: colocar você como um sujeito “amigo das empresas” (as entidades malignas detentoras do “capital”, no léxico dessa gente), enquanto eles lutariam pelo “interesse do povo””

    Gostei da descrição de “no léxico dessa gente empresa = entidade maligna detentora do capital”, deu certinho com a minha ideia do dicionário de esquerdopatia

  5. Como da outra vez que você abordou essa temática especificamente quanto a relação entre a liberdade das empresas de jornalismo e a pressão política, e não apenas econômica do Estado, eu não entendi, sinceramente, o que você quer dizer com “[…] nunca, nunca, nunca, sob hipótese alguma, pense na questão como “uma relação entre empresas e governo”.”

    No caso das emissoras de TV a questão mais grave nem é tanto sob o aspecto econômico, mas pela chantagem acerca da cassação da concessão, pois, como está na Constituição, as emissoras de TV não são proprietárias do direito sobre o canal, o qual precisa ser renovado de tempos em tempos. Isso não afeta tanto revistas, jornais e portais na internet, mas a censura política sobre as emissoras de TV é a que prejudica mais a livre circulação de ideias e opiniões, pois é naturalmente o veículo mais popular.

    Se essa espada governamental sobre as emissoras de TV nunca, nunca, nunca deve ser cogitada, eu realmente não entendo qual a relação de causa e consequência entre a conduta que você desautoriza e o resultado que se espera com a sua adoção. Não me parece ter um sentido lógico.

    Eu acredito que toda e qualquer interferência externa que prejudique ou neutralize o equilíbrio de forças no ambiente de livre competição empresarial, inclusive no âmbito jornalístico, é uma questão essencial e que precisa ser denunciada, seja no contexto das verbas publicitária que compram consciência, seja na ameaça de cassação do direito de transmissão das emissoras de TV.

    RESP.

    Você está certo, já ajustei. O correto é “nunca trate a questão APENAS COMO relação entre governo e empresas…”

  6. Tem outro problema também, um partido não pode usar verbas estatais para se promover, e como faz o petê, que o faz para se perpetuar no poder. Embora o partido-quadrilha atue como se fosse dono do estado, eles não o são de acordo com a constituição, pelo menos por enquanto.

    Outra coisa que o partido terrorista faz é utilizar a influência de seus membros da gangue eleitos para influenciar a eleição de seus demais capangas. Por exemplo essa coisa de “o candidato a governador do RJ Sérgio Cabral é o candidato do presidente Lula” é simplesmente ilegal.

  7. Luciano,
    Li o texto e fiquei um tanto na dúvida, pois creio que a melhor forma de se ter liberdade de imprensa é NENHUMA distribuição de qualquer tipo de verba para qualquer via de notícias.
    Caso ninguém recebesse verbas para a distribuição de notícias a isonomia seria perfeita, e caso acontecesse seria bem visível a corrupção, correto? ou estou errado?
    Concordo que se há distribuição de verbas para uma, deve haver para todas, sem exclusão de nenhuma,
    coisa que no sistema bolivariano não acontece.

  8. Luciano, está atento à celeuma envolvendo a VUNESP?
    Alguns professores e alunos esquerdistas fizeram uma carta aberta em protesto contra a inclusão de nomes como Leandro Narloch e Rodrigo Constantino no vestibular da instituição (em nome, evidentemente, da pluralidade, da consciência crítica e de outras desonestidades marxistas).
    A carta teve repercussão entre os meios esquerdistas (entre eles a Maria Frô, a EscrevaLolaEscreva, o VioMundo, o Brasil de Fato e etc.), todos devidamente revoltados.

    Enfim, acho que seria interessante que você analisasse e divulgasse (seria uma forma de levar aos republicanos o conhecimento do caso e possibilitar reações e respostas do nosso lado. Sabemos que, na menor pressão, a esquerda arrega).

    A íntegra da carta pode ser vista aqui: http://www.brasildefato.com.br/node/30630

    E a página no Facebook é essa: https://www.facebook.com/pages/Carta-Aberta-%C3%A0-Vunesp-Professores-e-Vestibulandos/747193165360116?sk=timeline

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