E quanto ao Joaquim Levy? Você está falando sério ou está de zoação?

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Joaquim Levy é o assunto do momento. Muitos me perguntaram: “ele vai dar certo?”. Outros orgulhosamente se mostram acima das paixões políticas, dizendo que Levy merece apoio, pois o “que importa é o Brasil”.

Esse tipo de questionamento ou posicionamento parte de uma premissa errada: a de que o PT tem boas intenções para com o Brasil. Infelizmente, questionar sobre a possibilidade de “Levy” dar certo é o mesmo que dizer, com os olhos marejados de emoção, se um determinado especialista em invasão de redes é o melhor… para a equipe de um sujeito querendo invadir sua rede. Será que realmente você está fazendo a pergunta certa no momento certo?

Vamos falar as coisas como elas realmente são.

É fato que Joaquim Levy tem bastante competência. Também é respaldado pelo mercado. Se ele vai resolver as coisas, são outros quinhentos contos. Pensando bem, uma boa ideia seria fazer de tudo para que o PT não consiga aprovar a Lei do Calote no Congresso dia 02/12, para vem como Levy se sairia com esse primeiro grande desafio: livrar Dilma de um crime de responsabilidade.

Mas a questão nem é essa. Essa é a questão do momento: Dilma Rousseff conseguirá censurar a mídia? Vamos trabalhar com as respostas lógica. Sim ou não.

Caso a resposta seja positiva, imaginemos quando isso pode acontecer. Em seis meses? 12 meses? 2 anos? Jogue os dados e escolha um valor. Aí você terá o período no qual Levy terá que apresentar algum resultado real, mesmo que temporário. Quanto menor o tempo, maior possibilidade dele jogar tudo para debaixo do tapete.

Mas e se a mídia não for censurada? Neste caso, aí sim, podemos ter uma real expectativa (na verdade, um misto de esperança e fé) de Levy fazer um bom trabalho, na medida do possível, de acordo com o que a gerenta Dilma deixar. Ainda assim, estamos diante de uma incógnita, pois tudo depende do direcionamento de Dilma.

Voltando ao cenário anterior, onde Dilma conseguiria censurar a mídia: a partir daí, como já disse, a recuperação de nossa economia é irrelevante para o governo. Corrigindo: se a economia afundar tudo passa a ser até melhor para o governo. Pergunte à Cristina Kirchner e Nicolas Maduro.

Isso posto, fica claro que Joaquim Levy não deveria ser o assunto mais importante para a oposição, mas sim discutir se o governo vai conseguir ou não censurar a mídia. Caso consiga, espere o pior para a nossa economia. E o melhor para o PT.

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24 COMMENTS

  1. A primeira reação que tive foi “a fazenda ficou pro PSDB”, fizeram um maldito acordo e nos ferramos! Com o tempo passando fui ficando ainda mais puto, pois tudo que a gente não precisa agora são de pessoas competentes e respeitadas em suas profissões dando pro governo Dilma um respaldo de competência, democracia e responsabilidade. Sinceramente, nem sei quem vem a ser esse Sr. Levy, mas não conta com meu respeito uma pessoa que ainda não percebeu que o PT tem como plano uma “ditadura perfeita”, travestida de democracia, agradando seus movimentos sociais, invasores de propriedade privada e agressores de pés de milho. No futuro do governo do PT não fará diferença Sr. Levy ou palhaço Tiririca.

    • Muito boa sua colocação, Olivaldo. Realmente a gente não precisa de ninguém competente no momento. Precisamos de um bolha desacreditado até pela mãe para que o circo pegue fogo lode uma vez. Talvez com um choque de realidade os sonâmbulos acordem.

  2. É exatamente o que eu venho falando pros meus colegas. Joaquim Levy foi uma medida para GANHAR TEMPO, e esconder as intenções reais do PT, deixando a mensagem que eles realmente querem consertar as cagadas que o “Guido Mantega” (na verdade, que a Dilma) fez. A classe média petista que eu conheço comemora, como se esfregasse na minha cara que eles iam fazer o correto. Eu só respondo “vamos ver por quanto tempo, ainda mais se controlarem a mídia”. Caso consigam, é bem provável que o Levy nem fique no cargo muito tempo.

    • Essa classe média que apoia o PT precisa aprender a ser mais crítica. Se o PT fez o terrorismo eleitoral que fez, mentiu durante toda a campanha, e agora faz tudo para parecer mais conservador e austero para controlar a economia, qual a chance dele estar enganando o povo como fez nas eleições?

      • Realmente é impressionante. Eu fico revoltado no trabalho, e por causa disso às vezes não consigo rebater argumentos. Só me vêem contra-argumentos depois que o assunto passou. Tenho que me disciplinar mais no sentido de ficar calmo.

        Ainda me impressiona que haja pessoas inteligentes e estudadas, com formação e vivência ligada aos negócios, que defendem o PT. Ainda soltam idiotices do tipo “O que eu gosto no PT é que ele segue a convicção dele até onde dá, e quando vê que não dá, corrige o rumo. Ainda tem uns idiotas que acreditam mesmo que o Brasil vai ficar igual à Venezuela”. O máximo que eu consegui soltar na hora foi “A Venezuela começou assim, com a diferença que era riquíssima, por ser a detentora das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo. Hoje até petróleo falta lá”, mas depois eu pensei que poderia ter dito: “Se o rumo REALMENTE for corrigido, podem ter certeza que não foi por causa do PT, mas APESAR do PT, por ele se ver obrigado a ceder à pressão popular e oposicionista que vai ter que encarar esse governo”.

        Enfim, é como o Reinaldo Azevedo falou: “Quem não foi comunista antes dos 20, não tem coração. Quem continua sendo depois dos 20, não tem cérebro”. Eu acrescentaria “e/ou não tem caráter”. Eu comecei a me “descomunistar” bem por volta dos 20, até os 30 eu ainda era de esquerda, não percebia que a raiz dos problemas é o próprio estado. Foi quando, procurando estudar a tal da “Escola Austríaca de Economia” que minha mentalidade foi sendo reconstruída.

        Apesar do choque de realidade (ou por causa dele), nunca consegui me tornar totalmente libertário, porque sempre achei que “faltava alguma coisa” ou que havia “alguma coisa errada que eu não sei o que é” na lógica deles, e o mundo real está me puxando pra eu me tornar conservador, embora eu seja conservador pra mim e pra minha família, mas não consiga ser pros outros. Quem quer se destruir que se destrua, só não obrigue outros a se destruírem também. Mas quando conheço os ardis usados pela esquerda, e o projeto de engenharia social começado pelos Fabianos que se estendeu por todo o mundo, realmente não há a menor condição de defender idéias libertárias em público.

  3. E concordo contigo, Luciano. Que mané economia o quê? A censura da mídia enterra o desastre na área bem fundo. Só bobinhos ainda acreditam que o governo quer recuperar qualquer coisa que seja.

  4. Ato contínuo o presidente do partido Rui Falcão continua dizendo que a prioridade do PT éa “democratização da mídia”. Parece que esse anuncio da.equipe econômica é só cortina de fumaça para acalmar os ânimos dos desavisados.

  5. Olha, podem me chamar de louco mas nenhuma dessas loucuras -> “controle social da midia” + “conselhos populares” vai ser aprovada ou virar realidade por aqui.

    O PT perdeu o timing do golpe e vai sair do poder pra nunca mais voltar.

      • Eu compreendo as duas colocações. Os ataques à Revista Veja, não apenas quanto a verba de publicidade, mas também o insuflamento da tropa de choque da militância antissocial, que resultou naquele grotesco episódio de depredação da sede de Editora Abril, expõe mais fragilidade do que força política.

        O PT não se constitui fundamentalmente em uma militância paramilitar tradicional, pois se trata de um agente de transformação radical e progressiva no campo cultural e político (método Gramsci), cujas prioridades gerais são a degeneração e a desmoralização da ordem política (instituições) e social (valores tradicionais).

        Quando percebemos que os quadros mais violentos são invocados a emergir do subterrâneo para agir, seja por pura retaliação, seja para desviar o enfoque das notícias (mesmo que com pouca eficiência), percebemos sinais de desespero e de esvaziamento do poder de ação política. E toda ação política violenta tem um custo de popularidade e perda de capital político. O povo brasileiro não é muito simpático a vandalismo e apedrejamento.

        Hoje o PT tem duas prioridades emergenciais: a LDO e a Presidência da Câmara dos Deputados. A primeira muito provavelmente vai passar, mas o custo político dessa manobra e também o desgaste da imagem do País perante os investidores internacionais causará muitos danos à governabilidade. E quanto a segunda, já sabemos que o Eduardo Cunha disputa poder internamente com o Renan Calheiros, e algumas matérias que são votadas no Senado precisarão ser pautadas na Câmara, e eu acredito que o Eduardo Cunha, o principal responsável pela derrubada do Decreto Bolchevique na Câmara, não vai querer perder essa queda de braço.

        Há uma clara disputa de poder e influência dentro do Congresso entre facções do próprio PMDB, e eu acredito que em política se uma determinada ação mostrar-se ineficaz, o seu executor se enfraquece. A queda de braços, nesse caso, não é entre o PMDB e o PT, mas sim entre facções internas do PMDB, entre Eduardo Cunha e Renan Calheiros.

        A questão do Orçamento Público é ruim para o País, mas para a Direita, do ponto de vista estritamente estratégico, pode não ser tão ruim assim, já que o baixo fôlego orçamentário do Estado para os próximos meses — e quem sabe como será o desenrolar do próximo ano — poderá enfurecer e frustar alguns coletivos não-eleitos que andavam muito mal acostumados com a farra. E os bolivarianos vizinhos, que dependem do desempenho da economia brasileira, tenderão a sofrer os efeitos da gula descontrolada do PT.

        Eu não sei se estou fazendo uma análise correta, mas eu acredito na continuidade acelerada do derretimento do pouco apoio civil que o PT ainda desfruta, que é substancialmente a base de dinheiro público (há muito tempo o partido deixou de contar com a adesão espontânea da população).

        Essa etapa — crise — que é definida como fundamental para a implantação da etapa seguinte — normalização — conforme ensina Yuri Bezmenov, a meu ver, ainda não pode ser iniciada sob pena de se voltar contra o próprio projeto de poder total, pois o que está na iminência de acontecer no campo econômico e político (em face do Petrolão) não seria uma “crise” substancialmente forte o suficiente para demolir o Estado Democrático, mas sim para restaurá-lo. O atual cenário revela publicamente o PT como o agente provocador da desestabilização nacional e isso reforça o sentimento de rejeição, estimula arrependimento dos seus próprios eleitores e daqueles que não compareceram às urnas e já sentem os efeitos de sua negligência.

        Esse tipo de crise tende a unir o País ainda mais, mais ainda do que já está, como nunca esteve antes, e isso não é bom para o PT, pois ele trabalha para a desagregação, a desintegração do tecido social.

        Enfim, a escolha de Joaquim Levy não é bom para os interesses da Direita (que é a derrubada do PT, a ruptura da aliança com o PMDB, e o enfraquecimento econômico dos coletivos não-eleitos), porque se o dinheiro volta a encher os cofres do Tesouro, o PT voltará a ter mais munição para comprar apoio político no Congresso e melhor estimular a truculência do ativismo antissocial, além de assegurar o fluxo de dólares para as ditaduras bolivarianas que nos cercam famintas.

    • Posso estar enganado, mas ambas as coisas (censura da mídia e os tais “conselhos populares”) já estão acontecendo por aqui:

      1: a censura da mídia já se faz através da chantagem econômica aos veículos de comunicação, exclusão de comentaristas e jornalistas contrários ao governo e até de um lista negra oficial do PT de jornalistas “malditos”; e,
      2: os conselhos “populares” já estão sendo usados como argumento de justificação perante a Sociedade (não esquecer que a lei está em vigor). A título de exemplo: a farsa do tal “plebiscito” pela reforma política do PT foi montada como se refletisse os anseios dos “movimentos sociais” e ontem, 28/11, ao meio dia, em frente ao edifício sede da Petrobrás, houve uma manifestação programada pelo SINDIPETRO(PSTU) e pelos “movimentos sociais” reivindicando uma PETROBRAS 100% estatal. 😱

      Portanto se o amigo Ronald dependia disso para acreditar que já vivemos numa ditadura socialista, espero que tenha se convencido. 😳

  6. Minha visão sobre o assunto Joaquim Levy segue um caminho bastante distinto de todos que tenho visto por aí. Sinceramente, estou pouco me lixando para a qualidade do trabalho dele. O que interessa prá mim é constatar um fato político e comportamental: Levy está vendendo sua boa imagem perante os mercados prá tentar limpar a barra de um governo sabidamente corrupto, incoerente e autoritário. Condeno moralmente, tanto a postura pessoal do Levy, como a dos entes do mercado que colocam o pragmatismo econômico acima de quaisquer outras coisas. Imaginemos que Levy faça um bom trabalho: quem ganha com isso, o Brasil ou o governo Dilma? Considerando que não há a menor hipótese do Brasil sair ganhando através do sucesso do governo Dilma, temos a exata dimensão do trabalho a que Levy está se prestando. Prá mim, ele se transformou apenas em uma prostituta de luxo do PT. E acho que qualquer abordagem, da imprensa ou da oposição, que fique repetindo a ladainha de que o Dilma “tucanou”, como vi na capa da IstoÉ, não passa de uma inabilidade política provocadora de risos na turma do governo.

  7. Controle da mídia e “reforma” (destruição) política são as prioridades para os próximos quatro anos. Vão tentar equilibrar a economia até conseguirem estes objetivos. Quem for esperto e tiver grana pra investir e, obviamente, pular fora na hora certa, pode ganhar uma grana.

  8. Esse pragmatismo do economicismo, que deveria ser tratado como analfabetismo político, é de doer. Luciano foi spot on. Um antipetista não pode, em qualquer hipótese, elogiar QUALQUER atitude do PT porque o PT jamais tem boas intenções. Joaquim Levy vem para dar credibilidade em uma área para que eles possam avançar nas outras que garantirão o avanço da agenda ditatorial. Isso é mais claro do que água.

    A questão do Joaquim Levy deveria ser tratada como outro exemplo de lepra política, mas no âmbito interno. Quem fizer considerações elogiosas sobre algo envolvendo a nomeação de quadros ou atitudes tomadas pelo PT deve ser visto como um traidor ou um inocente indesejável. Que se dane o que o mercado acha! Nosso papel é fazer política e isso passa pela pressão incessante ao PT e à esquerda.

  9. Com relação à censura da imprensa, por qualquer eufemismo utilizado, eu enfatizo, apenas para deixar registrado aqui aos demais leitores do blog, que as artilharias devem ser apontadas para o Deputado Eduardo Cunha que assumiu publicamente o compromisso de barrar toda e qualquer tentativa nesse sentido.

    Eu não quero me livrar de qualquer responsabilidade, mas acredito que os eleitores do Rio de Janeiro têm um papel fundamental no cumprimento dessa meta. Certamente o Deputado tem um escritório de apoio na sua base eleitoral e juntar 50 pessoas pelas redondezas do lugar não deve ser uma missão muito difícil.

  10. Caro Luciano, existe outra possibilidade maquiavelica! Colocando um economista de peso para assumir uma economia desfigurada passa ser possivlel, em caso de piora do quadro colocar a culpa nele! Se houver alguem para colocar a culpa (e com semelhança com o FHC), pode afirmar em alto som que é uma prova de que o modelo ortodoxo não funciona! Sei que é uma opção cinica e de mau carater, mas exatamente isto é este governo! Conico de de ma intenção!

  11. Só pra dar um toque otimista: me lembrei de um episódio de Grey´s Anatomy (nem gosto da série) eu que o médico negão fala – Nunca subestime a elasticidade de um esfíncter…
    Bem a incompetência do PT em fazer algo que dê certo (certo do tipo certo, certo?) também não podem ser subestimadas.
    Acho que não tem Levy que dê jeito na nossa “presidenta” “prepotenta”.

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