Alexandre Borges desconstrói texto de Leandro Mazzini sobre o NOVO

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mazzini

O amigo Alexandre Borges publicou o seguinte:

Vejam um exemplo lapidar, que poderia constar em livros sobre jornalismo, de como o mau-caratismo da imprensa constrói narrativas ideológicas baseadas em mentiras demonstráveis para venda de uma agenda política.

Leandro Mazzini, que assina a coluna “Esplanada” no UOL, “reproduzida em jornais de 24 capitais”, resolveu falar do nascimento do Partido Novo neste artigo “Partido Novo: A ultradireita consegue sua voz”.

São apenas 159 palavras, mas com tantas mentiras por linha que ele deve ter quebrado algum recorde. Vamos a elas:

1) Título da matéria: “Partido Novo: a ultradireita consegue sua voz”

“Ultradireita”? O que seria, segundo o “pós-graduado em Ciência Política pela UnB”, a ultradireita? Existe uma única proposta “radical” no estatuto ou nos textos publicados pelo NOVO? Alguém pode me mostrar? O site do NOVO é o www.novo.org.br.

A delinquencia intelectual do título está em carimbar “ultra” como sinônimo de extremista para isolar e alijar o NOVO do debate político nacional mesmo antes de receber o registro oficial, já que quem gostaria de um radical fanático criando o caos num cenário político tão ordeiro e subserviente ao Planalto? O ultracanalha que assina o texto não aceita uma alternativa aos 50 tons de vermelho que compõem hoje o quadro partidário nacional.

O próprio NOVO rejeita o rótulo de partido de direita no momento. Pode ser que essa posição evolua algum dia para isso, mas hoje não.

2) Primeiro Parágrafo: “Pelo andar da tramitação e articulações, ele vai surgir com uma fiel massa silenciosa que vai dar as caras nas ruas em breve: o Partido Novo (PN), idealizado pelo empresário João Amoedo, avança na papelada junto ao TSE e também nas redes sociais aproveitando a lacuna outrora ocupada pelo DEM (que definha): o de conservador e ultradireita declarado.”

– “Massa silenciosa que vai dar as caras na rua em breve”? São silenciosos os 51 milhões de eleitores de Aécio? Os milhões que foram as ruas em junho de 2013? Os milhares de paulistanos que já foram as ruas em duas manifestações recentes contra o governo? Ou será que o barulho do ar-condicionado do escritório do UOL em Brasília não deixa que o autor ouça o som das ruas? Não há nada mais ruidoso hoje na política brasileira do que o sentimento de repulsa ao petismo.

– “Partido Novo (PN)” – Ele simplesmente inventou “PN”, uma sigla que só existe na cabeça o jornalista, já que o NOVO é NOVO e pronto, assim como o Democratas é DEM. “PN” é a mãe!

– Onde que o NOVO se declara “ultradireita”? Se é “declarado”, cadê a declaração?

3) Segundo Parágrafo: “Entre outros pontos, propõe uma economia liberal, sem intervenção do Estado, fim das cotas raciais e diminuição drástica dos programas sociais. Nos bastidores, o PN é bancado por alguns dos maiores empresários do Brasil.”

– A economia liberal não é “sem intervenção do Estado”, estúpido! Isso é anarquismo, seja na versão clássica ou na versão hipster, burro! A economia liberal, pelo contrário, só floresce com instituições democráticas sólidas, o que pressupõe a participação do estado na garantia dos contratos e da propriedade privada com um judiciário independente e o império das leis, sua anta! Como é que a UnB dá uma pós-graduação em ciência política para quem comete um erro tão primário como esse?

– Não há uma única linha no programa do NOVO que defenda o fim do estado. É mentira.

– Diminuição “drástica” dos programas sociais? Onde isso está escrito? Vejam que é a velha tática petistas que assustar o eleitor, como fizeram com Marina e Aécio. É sair gritando “fogo na floresta” e assustar todo mundo. O “cientista político” ao menos sabe que os programas de renda mínima são propostas que ganharam relevância no debate depois que foram defendidos pelo liberal Milton Friedman? Até o Eduardo Suplicy sabe disso, mas o jornalista do UOL, não.

– “Nos bastidores, o PN é bancado por alguns dos maiores empresários do Brasil.”

Outra mentira deslavada. O NOVO (PN é a mãe!) é bancado pelos seus fundadores, especialmente seu presidente João Dionísio, um homem para quem um dia o Brasil ainda construirá um busto em praça pública por tudo que tem feito para arejar o debate político nacional.

Não haveria qualquer problema em que o NOVO (PN é a mãe!) recebesse doações legais de empresários, como o PT recebe, e é realmente uma vergonha a elite brasileira não despejar caminhões de dinheiro no NOVO, mas o fato é que não existe qualquer conspiração empresarial dando dinheiro para o partido. É pura canalhice de quem se diz jornalista mas é apenas um serviçal barato do petismo.

4) Conseguimos chegar ao terceiro parágrafo: “O Novo quer aproveitar o vazio que ficou com o fim do PL, o enfraquecimento do DEM e se mostrar opção declarada contra PCdoB, PT e o sentimento de bolivarianismo nas ações do governo que domina as conversas da oposição.”

– O NOVO não é um DEM renovado, sua besta! Não há um único político de carreira nos quadros do NOVO, nenhum! O NOVO não tem nada a ver com o moribundo DEM, nada. Seu atual presidente, José Agripino Maia, já se declarou socialista. É um partido de caciques políticos regionais e não tem nenhum parentesco com partido como o Republicano dos EUA ou o Conservador Inglês.

– Para o autor, o bolivarianismo do governo é apenas um “sentimento”. Jura? Qual é exatamente a diferença entre as idéias de Dilma Russeff e dos seus companheiros Cristina Kirchner, Nicolás Maduro, Fidel Castro, Evo Morales, Daniel Ortega, Rafael Correa ou até do asqueroso José Mujica? Ele faltou essa aula na UnB?

4) Último parágrafo: “Amoedo tem lotado auditórios, como o do Clube de Diretores Lojistas em Brasília na quarta-feira. Ontem passou em Goiânia e hoje estará em Belo Horizonte.”

Tem lotado mesmo, como pude comprovar na apresentação que fizemos juntos no Rio em 30/10. E é isso que está tirando o sono da petralhada da imprensa.

Por mais ultrajante que seja o texto, ele é bastante revelador do ultrapetismo da imprensa atualmente, especialmente dos áulicos do Planalto que vivem das migalhas caídas da mesa do governo em Brasília.

O NOVO está incomodando. E isso é uma excelente sinal.

Viva o NOVO!

Atualização em 21/09

Leandro Mazzini publicou recentemente um texto diferente sobre o NOVO, corrigindo as informações equivocadas. Ele e Alexandre já se entenderam.

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27 COMMENTS

    • De vomitar o palavreado desse povo! “Oportuniza”, “branquitude racista”, “subalternização”, “colega”, “objetificação”, “fala branca” e outros.
      Não sei quem é pior, o ex BBB ou essa militância pedante e metida a “intelectual” com essa enxurrada de neologismos.

  1. corrigindo…

    Um sistema democrático deve oferecer ferramentas para que a população seja representada politicamente.

    Mas os ideais da direita são REPUDIADOS pela “classe falante” dos país.

    Luciano,

    Um sistema onde dezenas de milhões de pessoas não podem ter seus ideais políticos representados é realmente democrático?

    CLARO QUE É! (na cabeça deles é!) kkk

    eles (os esquerdistas) que declarem com todas as letras e aos quatro ventos:

    POVO BRASILEIRO, SUA ESCOLHA FOI LIMITADA POR NÓS A DUAS OPÇÕES:

    esquerda moderada versus esquerda radical.

    o que passar disso nós boicotaremos, faremos chacota, xingaremos de golpista, fascista, nazista, etc, etc…

  2. Alexandre Mazzini deve ter comprado o diploma na feira do Rolo. Ou não. Nesses tempos bicudos, basta ser de esquerda para se conseguir uma pós, um mestrado ou doutorado. É uma desmoralização do nível superior. Qualquer besta comuna descola um diplominha fajuto. E isso me fez lembrar de uma colega de faculdade que tinha uma facilidade atroz de conseguir passar suas teses numa outra faculdade. Aquilo me deixava intrigada. Mas não há nada encoberto que não venha a ser revelado. Ela só lia livros comunas e suas ideias eram todas inclinadas para a ideologia do capeta. Foi aí que vi que tudo não passava de ideologia barata acima de qualquer conhecimento verdadeiro.

  3. Apenas uma observação confrade: assisti ao vivo recentemente Agripino Maia (DEM) em uma entrevista cedida ao um jornalista de um grande canal de mídia/imprensa – que infelizmente no momento não me recordo – afirmando categoricamente “não ser socialista”, mas sim “liberal democrata”. Abraços!

    • Dizer que é um liberal e depois apoiar ideias comunas é paradoxal. Não qual é a desses partidos que não tem cor ideológica e só pensam em mais uma boquinha no governo. Essa oposição brasileira é tão patética que as pessoas mais simples não conseguem nem lembrar que ela existe.

  4. Me desculpe mas parei no: “Como é que a UnB dá uma pós-graduação em ciência política para quem comete um erro tão primário como esse?”

    ELES NUNCA ESTÃO SE ENGANANDO!!! É VIGARICE !!!!!

    • Volte e termine a leitura, foi a única coisa errada no texto. Só faltou a ele perceber que a UnB deu a pós-graduação pro cara JUSTAMENTE por ele ter aderido de tal forma ao pensamento dominante da instituição. Ponto. De resto está perfeito.

  5. Ontem eu entrei na coluna deste sujeito e fiz um comentário neste artigo dele:
    http://colunaesplanada.blogosfera.uol.com.br/2014/11/30/lei-antifumo-entra-em-vigor-na-terca/#comentarios

    Falando que se o argumento para a proibição aos fumantes se deve ao custo do tratamento no sistema público de saúde (que para mim deveria ser privado) então deveríamos proibir relações homossexuais entre homens, já que a vagina possui uma mucosa espessa e é pouco vascularizada, diferente do ânus e pênis que são muito vascularizados, os tornando grupo de risco de diversas doenças que depois custam muito dinheiro aos cofres públicos. O coquetel para o HIV custa uma fortuna. Mas como era de se prever o meu comentário não foi aceito, talvez porque pela
    Olhando para a foto do figura já suspeito o motivo dele não ter aprovado o comentário.

  6. Eu também não vi o sentido nessa ideia do novo de limitar reeleições ao legislativo. No dia em que eu tivesse a sorte de eleger um político que prestasse, nesse país, eu o reelegeria eternamente, se ele continuasse me representando bem no legislativo. Há algum lugar do mundo em que tem limites de mandatos pro legislativo? Qual a lógica disso? Só defendo limites para o executivo por prudência, vivendo em um país dado ao populismo, à demagogia e a tudo que há de ruim na política latino-americana, e também pra prevenir pessoas carismáticas de dominarem o país todo, embora moralmente não vejo porque a reeleição infinita deveria ser proibida, pelo menos em relação à democracia (aqui tida como sendo somente a seleção de governantes via eleições).

    Outros problemas são já antigos da oposição brasileira: querer viver só de economia: o NOVO é liberal, ok, mas não tem nenhuma posição relevante sobre qualquer outro assunto, como drogas, aborto, energia nuclear, combate ao crime, forças armadas, Mercosul, UNASUL, política externa, imigração (li notícias prevendo que teremos muitos imigrantes lá pra 2030) federalismo, etc; quando alguém tenta perguntar a eles na página do Facebook, ficam só enrolando, ou, pior, dizem que “isso não é importante”, “isso a gente vê depois”, “o importante agora é criar o partido”, ou, pior ainda, como no artigo na Wikipédia “é um partido neutro ou progressista” em outras questões – educação feminista em escolas, então, é ok?. Pior que não responder é esse tom de “isso não importa, depois que você assinar o papel de criar o partido a gente resolve”, que me soa ou indeciso ou oportunista (nos usando de idiotas úteis).

    Também essa coisa de não ser “nem de esquerda nem de direita”, de não ter ideologia nenhuma e afins me lembram muito da Marina Silva, sendo ou pura indecisão ou a tentativa de agradar gregos e troianos ao mesmo tempo – quando tiverem alguma pessoa eleita e tiverem que tratar de algum tema qualquer, pode esperar muitas brigas internas e indecisão. O nome do partido (NOVO? Novo o que? Isso é sigla, palavra comum grafada toda com letras maiúsculas ou o que?) e seu símbolo (é um partido ou marca de tênis?) também parecem ter sido especialmente projetados por algum marqueteiro, e podem ajudar a esclarecer a indefinição do partido em relação a qualquer coisa: o partido quer se vender meramente como “a mudança”, “o novo”, “o moderno”, “a alternativa”, etc.

    Os Republicanos e os Conservadores, embora sejam partidos mais big-tent, justamente por existirem em locais de voto distrital e first-past-the-post, tem posições bem mais claramente definidas que o NOVO, que nem existe ainda, nem é grande nem nada, e já não defende muita coisa – além claro, de uma economia de mercado.

    obs.: aprova esse que tem link pro meu blog mais relevante pra esse site

  7. No Google, quando digitado capacho na aba imagens, deveria aparecer a foto desse imbecil, juntamente com seus colegas da imprensa paga/comprada..

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