As janelas para a luta contra as urnas eletrônicas

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Você sabia que no mundo corporativo um dos maiores dramas para a gestão é lutar contra a procrastinação, a preguiça e/ou fanfarronice de quem entrega qualquer tipo de produto ou serviço?

Pois na era da governança, especialmente em TI, o mecanismo das janelas de liberação (ou release) ajudou a resolver parte do problema.

A coisa é extremamente simples: novos desenvolvimentos de software, ou mesmo atualizações de softwares já existentes, só podem ser lançados em produção em “janelas” específicas de tempo, variando de setor para setor.

Por exemplo, a indústria de bebidas tende a ter releases na última semana de cada mês, e, mesmo assim, nada pode ser lançado em produção durante todo o verão.

Isto é, afora estes finais de semana, além de todo o verão, nem adianta sonhar em lançar qualquer coisa em produção, pois o ambiente é “congelado” para qualquer atualização.

Embora possa parecer contra-intuitivo, na verdade isso aumenta a qualidade e potencializa as entregas, pois a tendência é o abandono da mania de se empurrar as coisas com a barriga.

Tente imaginar a expressão de desespero de um gerente de sistemas que, por desleixo, deixou de corrigir todos os bugs de seu sistema próximo ao último release antes do verão. É claro que ele vai fazer das tripas coração para entregar tudo na data. A “janela” irá pressioná-lo a fazer isso. Ou ele terá uma conversa não muito agradável com seu superior.

A cultura das “janelas” de release termina sendo um dos maiores potencializadores para a entrega de resultados reais. Por que não aproveitar esse tipo de insight para os debates políticos?

Por exemplo, podemos implementar janelas para a discussão sobre o problema das urnas eletrônicas.

Eu não gosto das urnas eletrônicas. Muitos também não gostam. Ora, então por que não fazer algo? Mas se for para fazer algo, que tal usarmos uma “janela” com foco em criar uma verdadeira pressão por resultados?

Esta é a janela que proponho para  discussão das urnas eletrônicas (e até de propostas para retornar às cédulas dos velhos tempos):

  • Três meses após o término da última eleição (e)
  • Cinco meses antes do início da próxima eleição

Quer dizer que o assunto das urnas eletrônicas deve ser abortado até o final de janeiro/2015, data após a qual devem ser discutidas propostas pela mudança da forma de votação (para que o eleitor consiga visualizar seu voto em formato físico). Estas propostas devem ser discutidas (e de preferência, com resultados obtidos) até aproximadamente maio/2016.

E para que isso? Por que esse período de tempo é aquele no qual os defensores da forma de votação devem conseguir resultados. Caso não consigam até maio/2016, deverão se abster de discutir o assunto até o final de janeiro/2017, quando poderão retornar a discutir o assunto novamente.

Alguém há de perguntar: “o que todos nós lucramos com isso?”.

Com o uso das janelas de tempo para a conquista de resultados, evitamos a perda de tempo com desanimadores e desculpistas em geral.

Realize a cena durante as eleições de 2016:

X: Olha, eu quero te dizer que não adianta votar, pois as urnas estarão fraudadas.

Y: Desculpe-me, mas você está fora da janela…

X: O que?

Y: Sim. O período eleitoral já começou. Se você não atuou para mudar as regras até o fim da janela, que era maio/2016, agora não preciso de ouvir sobre esse assunto até o fim de janeiro/2017.

Realize também a cena logo após as eleições:

X: Olha como eu falei, as eleições foram fraudadas.

Y: Que provas você tem?

X: Eu sei que foram fraudadas!

Y: Só tem um detalhe. Você está fora da janela. Só vou falar com você sobre este assunto no fim de janeiro/2017.

Eu não quero dizer que todos que ficam pedindo “anulação das eleições” imediatamente após o período eleitoral ter terminado agem assim, mas que uma boa parte é composta de pessoas que não gostam de se esforçar na guerra política, quanto a isso não há dúvida alguma.

Imagine agora o montante de esforço algumas pessoas da direita estão desperdiçando para reclamar das eleições no pior dos momentos possíveis: logo após o término da última eleição, justamente uma fase na qual toda reclamação pode parecer ladainha de mau perdedor.

E o engraçado é que essas pessoas não se mobilizaram suficientemente com a mesma carga de esforço cerca de um ano atrás, quando os candidatos estavam sendo oficializados. Sendo assim, por que gastam tanto esforço reclamando agora?

É evidente que, como de costume, esforço demais está sendo gasto no momento errado. E, como tal, não gera resultados. Em prol de resultados, a sugestão é usarmos as janelas para a discussão de temas como urnas eletrônicas, para, enfim, jogar uma efetiva pressão por resultados em quem está reclamando somente agora depois do leite derramado.

Em tempo: cada um pode falar o que quiser e quando quiser. Mas entendo que nós devemos usar as janelas para determinar períodos nos quais uma discussão potencialmente leva a resultados e períodos onde não temos nada além de desperdício de tempo.

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10 COMMENTS

  1. Eu até acho que a proposta é interessante, porém tem uma questão… deixar de falar das urnas nas eleições tem o problema de perder a oportunidade ideal para dar publicidade ao assunto, pois é o momento em que o país para acompanhar tudo que esteja relacionado ao assunto. As eleições são uma janela de oportunidade boa, tal como aconteceram em certo momento das manifestações de junho, que se tornaram a janela perfeita para trazer a visão direita da política… mas aí tem esse problema, pois questionar as urnas entra em conflito com escolher um candidato.

    • Essa é uma questão puramente logistica. Não há meios razoavelmente simples de se alterar completamente o sistema eleitoral a menos de 5 meses antes da eleição.
      Além disso dizem “as eleições foram fraudadas!”. O onus da prova está para quem faz a acusação. E mesmo que se mostre que é possível fraudar, não significa que ela foi DE FATO fraudada. O fato de eu poder cometer um crime, não implica que eu o cometi.

      Mesmo que haja falhas, e se não há provas de que as fraudes detectadas foram capazes de reverter as eleições, ainda assim isso não retira a legitimidade das eleições, dês de que tudo o ocorrido esteja de acordo com as regras do jogo estabelecidas até o dia da votação.
      Porém, havendo esses problemas que citei, cabe a oposição reivindicar com todo seu fervor que tais problemas sejam corrigidos.
      Caso a oposição não o faça dentro da janela, significa que ela é conivente com o problema.

      Querer mudar a regra do jogo quando ambos os times estão em campos, segundos antes de começar a partida não vale,já isso deveria ter sido discutido antes!
      O mesmo vale para o time que quer mudar as regras do jogo depois que já perdeu!!

      Cabe a oposição exigir com todo o sangue antes das próximas eleições (na minha opinião):
      – Voto impresso;
      – Urnas com código e hardware aberto;
      – Apuração dos votos aberta e em tempo real
      – Garantia de auditoria para todos os partidos caso desejem
      – Estabelecimentos de um limite técnico de inconsistências toleráveis (0,001% .dos votos por exemplo.. inconsistências sempre ocorrem: falhas de impressão, cédulas rasgadas pela máquina, pane em urnas…). Caso esse limite seja ultrapassado, novas eleições devem ser convocadas para os cargos que as as inconsistências pudessem ter alterado o resultado…

      Com todos esses quesitos atendidos, imagino que para o estado da arte tecnológico, as eleições estariam bem blindadas a fraudes 😀

  2. É fato que há diversas possibilidades de fraudes, é ainda aguardo o documento que prove a participação da SMARTMATIC nas eleições. O problema é que tudo isso é inutil discutir agora se não ha provas que realmente houve algum golpe, somente a participação da empresa não prova nada e gera o desgaste, nesse ponto concordo plenamente, sem provas, é estúpido lutar pela anulação de eleição. E muito dificilmente conseguirão provar alguma fraude nas urnas. O unico ponto que poderia ser usado para contestar a eleição é de irregularidade na participação de alguma empresa no processo, fica a dica para quem ler.

    No mais seu texto está absolutamente correto. Deveríamos gastar nosso tempo com duas coisas ao meu ver, verificação dos documentos oficiais para fazer um raio X da participação das EMPRESAS, o que a auditoria encomendada pelo PSDB tem a obrigação de fazer, sendo assim esse ponto teoricamente está em andamento. E formular uma lei de inciativa popular, que recria o sistema eleitoral com pesos e contrapesos ao tribunal para que ele não julgue a ele mesmo e não crie as regras que ele deve cumprir, e que não seja o seu auto-fiscalizador, e claro, um projeto para implementar segunda ou terceira geração de urnas eletrônicas para que seja garantida a recontagem de votos, e criar uma força tarefa com campanha das empresas e entidades independentes para cobrar e fazer vigília na análise disso no STF.

    Acho que medidas drásticas como colocar a população na porta do STF e do congresso fazendo uma mobilização dia e noite, tal qual os cidadãos ucranianos fizeram ano passado contra o governo opressor, até que gere uma pressão nacional e internacional pela votação favorável desde que dentro da lei, a esses projetos!

  3. Bem, peço que me desculpe, mas estou achando difícil concordar com sua sugestão. 5 meses antes e 3 meses depois das eleições, em minha opinião, dificilmente são suficientes para mobilizar toda uma opinião pública a favor da mudança no sistema de cômputo dos votos – ainda majs, uma opinião pública completamente manipulada pela mídia, que apoia o partido no poder, o qual, por sua vez, gosta muito das urnas eletrônicas do jeito que estão.

    Para mim, como diz o velho ditado: “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”.

    É a persistência em combater o uso dessas urnas que poderá nos dar uma mínima esperança de que venham a ser substituídas por formas mais transparentes de confirmar os votos do povo.

    Por outro lado, também acho totalmente esquisito quem passou em silêncio o tempo todo sobre o assunto e se descobre derrotado por uma margem de 3% sair por aí falando de uma fraude para a qual nunca deu importância antes da derrota. Isso me soa, sim, como mimimi!

    Eu acredito com tanta certeza quanto a de que o sol brilhará amanhã em algum lugar deste vasto mundo, que as urnas foram fraudadas e sempre têm sido. Quanto à pergunta que vem em seguida “como as urnas foram fraudadas?”, eu respondo, não sei! Mas devolvo outras perguntas: E alguém, conhece algum sistema informatizado com 100% de segurança contra fraude? E mais ainda, que garantia de “segurança” temos se o sistema mais seguro do universo for colocado nas mãos de uma quadrilha de bandidos psicopatas?

      • Concordo com o Luciano que as medidas necessárias devam ser tomadas ANTES da situação e nunca depois, entretanto concordo também com erreve que o prazo sugerido é insuficiente para a mobilização da opinião pública.

        Porém como pode haver mobilização se só o que vejo é uma grande massa dispersa, e ainda que está seja a grande maioria (quase 65% do eleitorado não votou no PT na última eleição), de nada importa se ela não pode ser mobilizada de forma assertiva e pragmática contra as propostas bolivarianas do PT, dentre elas, a fraude das urnas eletrônicas.

        Em suma, é ótimo que haja o debate e a exposição de idéias na internet e talvez através de outros canais, mas enquanto não houver integração desta grande massa os resultados serão pífios ou nulos.

        Portanto da mesma forma que o Luciano sugere (e está correto) a tomada de medidas ANTES das situações, sugiro que ANTES dos debates e exposição de idéias, que haja primeira a unificação desta grande massa eleitoral dispersa.

  4. Desde 26 de outubro que acredito que a JANELA para discutirmos as urnas eletrônicas está aberta.
    A questão é quem e como colocar o assunto em pauta, afinal, já vem o Natal, o Ano Novo, férias, carnaval, início das aulas, inicio dos campeonatos estaduais e nacional de futebol, por ai vai o País.
    Começar quando, com que e com quem?

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