Como Jandira Feghali será tratada como vítima pela mídia adestrada e o que fazer contra isso?

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Minha maior crítica em relação aos Revoltados On Line era focada em suas demandas: impeachment e anulação das eleições. Além de eu não defender nenhuma das duas opções, sempre argumentei que o foco deveriam ser nas metas realizáveis. E estratégicas, evidentemente. (E, como eu já disse no Facebook, ontem eles se redimiram, pois fizeram uma manifestação certeira, ao lutar contra a Lei do Calote)

Das posições a serem disputadas, a mais importante de todas é a mídia, hoje adestrada pelo governo especialmente após duas vitórias simbólicas devastadoras: o afastamento de Rachel Sheherazade dos comentários do SBT e o corte de verbas para a Veja, como retaliação à divulgação das declarações de Youssef dizendo que Lula e Dilma sabiam de tudo sobre o Petrolão, às vésperas das eleições. Foi o suficiente para o restante dos meios se ajoelharem à chantagem feita com as verbas estatais para anúncios.

O potencial de vitórias simbólicas assim é visto no atual comportamento da mídia. Se antes ela já era tendenciosa em favor do governo, agora se limita a fabricar notícias para favorecer o PT. É por isso que toda e qualquer publicação vai esconder as imagens de manifestantes agredidos pela Polícia do Senado. Também tentarão mostrar as deputadas Vanessa e Jandira como vítimas, mesmo tendo essa última fingido entender a expressão “vagabunda” quando na verdade os manifestantes diziam “vai pra Cuba”.

Agora, ao invés de chorar pelo leite derramado (ou seja, ter deixado o governo conquistar impunemente duas vitórias simbólicas na luta pela censura de mídia), o ideal é pararmos para uma reflexão e entender agora o motivo pelo qual o governo foi muito mais rápido ao perceber que a mídia é a Jerusalém desta guerra. O governo sabe que o controle do fluxo de informações deve ser a prioridade de qualquer governo totalitário que se preze. E a resistência deveria aprender isso, urgentemente.

Além desta reflexão, é importante lutarmos atualmente já considerando o adestramento da mídia, e, neste momento, será preciso neutralizar a propaganda a ser feita hoje em favor de Jandira Feghali e do governo, e, é claro, contra os manifestantes.

Na atual situação, isso só será feito a partir de ajuda dos deputados oposicionistas. São eles que precisarão denunciar os truques de Jandira, assim como a conivência da mídia com o governo. Repito: como a mídia está adestrada, o dia de hoje é importantíssimo para o desmascaramento dos truques de Jandira Feghali. Mas exatamente por que a mídia está adestrada, qualquer sucesso só será obtido através da obtenção do apoio de deputados da base. Sem isso, o governo vai capitalizar muitíssimo bem, mesmo tendo estuprado a democracia ontem.

A mensagem é clara: a batalha pela mídia decidirá esta guerra. No momento o governo leva clara vantagem, por que alguns manifestantes focaram em outras demandas. Como exemplo, anulação das eleições. Obviamente, uma barca furada. Já lutar contra a Lei do Calote é uma ótima demanda. Mas sempre tendo em mente que Jerusalém é uma só: a mídia. (Nota: nas metáforas usadas por este blog, o termo Jerusalém designa o ponto mais estratégico de uma guerra. É uma menção ao significado da cidade no tempo das Cruzadas. Não é que todos os esforços devem ser dirigidos para esse local, mas sim que a maioria deles deve se concentrar ali. O motivo: é o ponto mais estratégico sob disputa.)

Vocês vão sentir isso durante o dia de hoje com o ataque midiático violento a ser feito contra os manifestantes. Enfim, quem sabe neste momento fique claro para todos nós o quanto é importante priorizar a luta por uma imprensa livre.

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15 COMMENTS

  1. “Além de eu não defender nenhuma das duas opções, sempre argumentei que o foco deveriam ser nas metas realizáveis.”

    Antes de poder chamá-las de irrealizáveis, você teria que provar que são impossíveis. Por enquanto, elas são apenas irrealizadas, não irrealizáveis. De qualquer forma, como eu disse em outro comentário que foi cortado por algum motivo, não vejo porque as duas vertentes – a “pragmática” (e quem são esses? você e quem mais?) e a “não-pragmática” – não podem coexistir, cada uma atuando no seu respectivo front. Acho que seria interessante você esclarecer sua crença de que, somente abandonando por completo as demandas “irrealizáveis”, poderemos nos focar nas “realizáveis”.


    Um exemplo de como são irrealizáveis é a falta de ressonância que as manifestações do grupo geraram em termos de resultados no período de um mês. Já questionar a Lei do Calote e obter ao menos desgaste para o governo era uma meta realizável. E ali enfim eles tiveram os primeiros resultados.

  2. Acusar falsamente em publico, nao e crime e quebra do decoro parlamentar?
    processo nela!

    ontem foi um dia de ganhos, uma pequena vitoria porque se tocou a mesma musica: “nao a PLN36/2014”,
    mesmo que aja divergencias entre as liderancas da resistencia democrartica (movimentos brasil livre, revoltados on line, e outros grupos , mesmo os intervencionistas, os impeachistas , etc) o importante foi terem focado na pauta e atingido o objetivo.
    os deputados comunistas sao agressivos contra o povo que protesta, atacam verbal e fisicamente senhoras de idade e pessoas pacificas e desarmadas.
    Sao ,alem de ladroes do dinheiro publico, violentos!
    Foi ou nao foi um bom dia?

    alem disso o PRC botou no colo da Dilma a roubalheira do Petrolao!

    Venceu se uma batalha a guerra continua,
    Olho Vivo, vao tentar de novo
    E nao estao transmitindo da tv senado neste momento, nem na tv camara olha a censura !
    Os “ditadores do congresso” vao querer dar o golpe nas oposicoes, pra rua pesdoal !,

  3. Já na madrugada de terça para quarta-feira (dias 02 e 03/12), Jô Soares, entre suas ”meninas”, acusava histericamente a oposição de ”golpismo” contra “a _nossa_ presidente, recém-eleita”. Vê-se desde já que, para o aspirante global a David Letterman, o ideal é, efetivamente, um governo de homens, e não de leis.

    Referia-se expressamente à minoria parlamentar que valentemente permanece a fazer [alguma] oposição. Todavia emendou que ”os caras-pintadas representavam um outro momento, algo novo, que era até visto como positivo internacionalmente”. Quando uma das convidadas apontou que maus gestores das verbas públicas devem ser responsabilizados, e sugeriu como premissa menor que Dilma foi má gestora, Soares disparou: ”…mas o eleitor não pensa assim! Isso é golpe!” Q.E.D., governo de homens. Não de leis.

    Pela manhã, no Bom Dia Brasil, sequer menção à hipótese aventada pela minoria parlamentar de que a suposta ofensa a Jandira Feghali não fosse aquela por ela verbalizada (e o “suposto”, grifo, é acréscimo meu — adjetivo tão querido à cobertura de imprensa, curiosamente, não aparece quando o testemunho é lavrado por governistas em favor próprio: têm fé pública). Abrindo mão da guerra de versões a que, rotineiramente o preguiçoso jornalismo político se restringe, a palavra de Feghali foi apresentada como versão única.

    Mais: o fato foi introduzido sob o viés de que ”manifestantes INVADIRAM as galerias do Senado”. Invadiram! Que hooligans, não? É de ver se a mesma retórica vem empregada quando maníacos sociopatas em uniformes vermelhos dispõem-se a protestar-a-favor da agenda governista, ou se vem empregada exclusivamente quando cidadãos anônimos, portando como única arma a própria voz, surgem no parlamento para discordar dos Poderes.

    O âncora fez questão de encerrar com um comentário editorialesco, mencionando en passant as alegações do “empresário tucano” na semana anterior, acasaladas ao depoimento de Paulo Roberto Costa, ontem, na CPI, para deixar engatilhada aquela a que chamo “teoria da Ali Babá corregedora”: o esquema de corrupção ora exposto existiria, tal e qual, desde o regime militar e perpassaria todos os sucessivos governos da Nova República; a diferença seria, apenas, que o governo Dilma o investigou pela primeira vez. Corrupção a níveis de endemia e patamares estratosféricos seria, pois, como que uma força da natureza, sem responsáveis individualizáveis (especialmente no governo).

    Como de praxe, o jornalismo político mimetiza o de celebridades: diz-que-diz-que, sem nada apurar, menos ainda contextualizar. Faz lembrar Aécio em seus maus momentos de debate, quando se percebia de plano a impossibilidade de comunicar qualquer coisa ao eleitor. Evidentemente, Aécio tinha intenção de falar a seu público, mas lhe faltava uma linguagem adequada. No jornalismo político, entretanto, resta claro que a opção pelas desinformação é deliberada; que o generalismo é uma agenda; que a desmobilização daquilo que resta de resistência social ao engolfamento dos corpos intermédios pela máquina partidário-estatal é prioridade; que as empresas de comunicação, a começar pela Globo, não pouparão esforços — nem reputação — para tirar seus sócios governamentais da reta. O odor de verbas públicas torrando ultrapassa as telas das TVs e impregna as mãos que folheiam os jornais.

  4. Existem imagens mostrando o ódio e o fascismo da Maria do “Escárnio” e da Jandira mandando a polícia do senado atacar o povo que estava representado pelos manifestantes presentes no Congresso. É assim que estes golpistas fascistas agem contra a democracia e a constituição brasileira.

    • Estas imagens de ódio devem ser escancaradas sempre que estas golpistas fascistas defenderem o decreto 8243 e irem contra a democracia brasileira.

  5. Oposicao segue aguerrida, no Congresso!
    anotem os nomes dos senadores e deputados vendidos por 750 mil que nos vamos pagar para eles !
    Se passar a PLN 36, entupam a caixa de e mails deles ! (Com todo respeito)
    vamos trabalhar para acabar com as votacoes dos vendilhoes do templo, rsrsr

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