Aloysio Nunes em entrevista à Veja mostra que a oposição no Congresso não pode agir conforme as regras do BBB

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Aloysio-Nunes

Clique aqui para ler a entrevista completa de Aloysio Nunes, líder do PSDB no Senado à Veja. Dá para ver uma diferença clara de tom entre vários tucanos do Congresso e os submissos nos governos estatuais. Isso é previsível, pois Dilma pode coagir governadores e prefeitos, mas não tem a mesma alçada para fazê-lo com deputados e senadores. Diante disso, vamos que vamos, contando com a pressão dos congressistas da oposição.

Sobre a Lei do Calote, Aloysio disse o seguinte, mostrando que a oposição fez o máximo que pôde:

O máximo. Não poderíamos ter feito além do que fizemos.  Com um número muito reduzido de parlamentares nós levamos o governo à exaustão e conseguimos explicar as razões pelas quais nós éramos contra. Houve um ganho político da oposição. Conseguimos nos sintonizar com setores da opinião pública que, como nós, consideram que essa medida é desastrosa para o governo. E conseguimos esclarecer as pessoas sobre as nossas razões, que não eram meramente regimentais. Era uma razão de fundo. Vencemos a batalha da opinião pública porque, para justificar essa medida eles tiveram que mentir mais uma vez, dizendo que essa mudança era para garantir investimentos no ano que vem. É uma rigorosa mentira. Não tem nenhum efeito sobre os investimentos do ano que vem, que serão condicionados pelo orçamento de 2015 e pela LDO de 2015, não pela LDO de 2014. Era só para limpar a cena do crime. Não tem nenhuma relação direta. Não vai garantir um centavo a mais de investimento para o ano que vem.

Sobre a liderança de Aécio, mesmo que este não estivesse na linha de frente dos embates na votação da Lei do Calote, Aloysio disse:

Muita gente tem habilidade e expertease nessa guerrilha regimental: deputados como Ronaldo Caiado, Mendonça Filho,Domingos Sávio e Antônio Imbassahy. No Senado nós não temos isso. Mas muitas vezes, sem ir para o confronto no microfone, Aécio ditou nossa linha tática. Frequentemente nós nos reunimos em torno dele no corredor central do plenário para discutir os próximos lances. Ele tem a experiência de presidência da Câmara, de vários mandatos parlamentares.

É particularmente relevante essa parte onde ele fala sobre impeachment (e por que não se deve banalizar essa conversa):

Se houver uma acusação grave contra ela, algo com um mínimo de plausibilidade jurídica, é claro que o assunto vai ser colocado. Mas o impeachment é um processo jurídico e também político. Basta ver como funciona. O que é o impeachment? É uma decisão da Câmara dos Deputados, que é tomada por maioria absoluta depois de um exame de uma acusação, com ampla defesa por parte do acusado, por uma comissão especial da Câmara de Deputados. Depois, se a Câmara concluir pela emissão de um decreto de impeachment, o presidente é afastado e julgado pelo Senado. O impeachment só pode prosperar no caso de um colapso da sustentação política do governo. Foi o que aconteceu com o Collor. Ele sequer chegou a ser julgado pelo Senado, renunciou antes. E foi absolvido das acusações que havia contra ele no Supremo. Foi um processo político. Você não pode ter como centro da sua atuação política o impeachment. Porque o presidente tem força política, acabou de ser eleita, ela é apoiada por uma série de instituições da sociedade. Com cooptação ou não, é apoiada por sindicatos, partidos, por isso, por aquilo. Acho que não se deve colocar o impeachment como objeto da luta política nesse momento. Tem que acompanhar os fatos e, se for o caso, agir conforme as circunstâncias. Lenin dizia que não se pode brincar com a greve geral. Eu diria: não se pode brincar com o impeachment, porque pode botar a oposição num caminho sem saída que pode levar à frustração.

As melhores partes são aquelas nas quais ele comenta a assertividade atual da oposição no Congresso:

Vamos ficar na ofensiva o tempo todo, exercendo o papel da oposição. Oposição tem que ser contra o governo. Tem que vigiar, criticar. Esse é o papel. E nós não vamos dar folga.

Claro que os jornalistas apaziguadores (ou mesmo petistas), tendem a pedir “oposição propositiva”. Leia o que Aloysio diz a respeito:

Nessa legislatura, quando eu voltei como senador ao Congresso, em nenhum momento nós demos folga ou entramos na linha do “social-patriotismo”. O problema é que não havia essa conexão com a população. A nossa luta era puramente parlamentar, porque as condições objetivas não haviam sido criadas ainda. Agora você tem essa condição, que é um enorme contingente da população dizendo que não aguenta mais o PT. Isso nasce primeiro na sociedade.

E sobre tréguas ao governo?

Trégua nenhuma para nada. Nem em voto de louvor, nem em telegrama de pêsames. Esse é o papel da oposição. [E em comparação ao que o PT fazia no passado] Eles faziam o diabo. Nós não: nós infernizamos, mas não fazemos o diabo.

O que importa é que a oposição tem agido bravamente no Congresso, diferentemente das vergonhas praticadas por governos estaduais de oposição. Acontece. Mas temos que ficar de olho nestes também.

Mas é no Congresso que as melhores lutas serão travadas, e é ali que devemos inserir nossas pautas.

Obviamente, o PT vai tentar o discurso padrão, dizendo que o PSDB tem que “descer do palanque”. Isso, na verdade, é apenas um truque psicológico onde o governo tenta convencer a patuleia de que o Congresso funciona como o BBB. Nesse programa, quem escapa do paredão tem imunidade por uma semana. É isso mesmo: ao pedir para o PSDB “descer do palanque” o PT tenta confundir a mente dos incautos para que eles achem que estão no programa da Globo.

Pelo visto, congressistas como Aloysio Nunes não estão caindo nesse truque.

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9 COMMENTS

  1. Luciano, creio que não se deva descartar o impeachment. Claro que se deve abordar as causas mais factíveis e possíveis primeiro, mas não penso ser errado ter o impeachment como objetivo final. Não como estão fazendo nas manifestações, mas mostrando a cada vez mais pessoas o porque da Dilma merecer um pé na bunda. Afinal, os caras pintadas tiveram sua parte na queda do Collor, não?

  2. O analista político, Heitor de Paola, explicou:

    “(…) Quem tentar entender a lógica interna e a atuação de um partido comunista ou de linha auxiliar do comunismo com os métodos tradicionais de análise política, CERTAMENTE SEGUIRÁ UM CAMINHO ERRADO E FICARÁ EXPOSTO A SURPRESAS E DESILUSÕES SEM FIM (…) [os partidos comunistas] encaram a política como guerra de extermínio e para isto se utilizam de métodos estranhos aos demais partidos (…) Consideram os demais partidos ‘burgueses’ não como adversários dos quais podem ganhar ou perder (…) mas inimigos a serem aniquilados (…) no cerne da própria estratégia está a abolição, em algum momento no futuro, dos mecanismos ‘burgueses’ da ESCOLHA DOS DIRIGENTES PELOS ELEITORES. Sua luta NÃO É política, embora dêem a impressão (…) a Sociedade terá que ser enganada até o momento em que [esta] se torne INCAPAZ DE MUDAR OS PRÓPRIOS DESTINOS PELA VIA ELEITORAL ou que esteja de tal modo encharcada de lixo marxista que já não reconheça nada diferente. Para ludibriar a sociedade os partidos comunistas lançam mãos de duas táticas simultâneas: uma ‘POLÍTICA’ democrática exigindo e se comprometendo com o maior grau de democracia possível, e uma ‘ESTRATÉGIA DE LONGO PRAZO’ que faz uso das franquias democráticas para acabar com elas (…)”
    (PAOLA, Heitor. O Eixo do Mal Latino-Americano e a Nova Ordem Mundial, pg. 74 e 75.)

  3. Disse Marx:

    “(…) se os pequeno-burgueses [= classe média e alta] propuserem comprar as ferrovias e as fábricas, têm os operários [= os comunistas] de exigir que essas ferrovias e fábricas – enquanto propriedade dos reacionários – sejam confiscadas simplesmente e sem indenização pelo Estado.

    Se os democratas propuserem o imposto proporcional, os operários exigirão o progressivo; se os próprios democratas avançarem a proposta de um [imposto] progressivo moderado, os operários insistirão num imposto cujas taxas subam tão depressa que o grande capital SEJA COM ISSO ARRUINADO; se os democratas exigirem a regularização da DÍVIDA PÚBLICA, os operários exigirão a BANCARROTA do Estado”.
    (K. Marx e F. Engels, Mensagem do Comitê Central à Liga dos Comunistas).”

  4. Justamente por conta do seu passado, acredito que Aluísio Nunes é o opositor mais preparado em termos de guerra política. Espero que em 2018, ele tenha um papel maior na campanha de Aécio Neves.

  5. Luciano, eu tenho uma proposta séria pra você.
    Você diz que devemos ser pragmáticos e conquistar aquilo que é possível, mas está realmente faltando uma lista de pedidos de mudança para que os grupos demandem.
    O Movimento Brasil Livre apresentou uma lista de apenas 3 tópicos para o Aécio ler no senado, eu acho é que devíamos fazer um documento com as reivindicações cabíveis, e basear os protestos na demanda de que eles sejam realizados.
    Considerando a sua fama e influência na internet, eu sugiro que você abra um espaço para discutirmos as reivindicações que queremos listar. Quem sabe isso poderia ajudar os grupos separados como o Revoltados Online e o Movimento Brasil Livre a se unirem.

  6. Por falar em impeachment, um exemplo quase hilário de corda-bamba esquerdopata é Ricardo Boechat. O homem está mais perdido que cego em tiroteio. Quer jogar para as duas torcidas ao mesmo tempo. É quase um contorcionista analítico. Um desavisado no assunto pode achar que Boechat mudou de time, mas eis que ele mesmo se desmente. Disse categoricamente que queria que Dilma se explodisse e depois que queria vê-la atrás das grades. Mas estava questionando porque Lula e Dilma não pressionaram mais os militares para que a Começão da Verdade obtivesse resultados, digamos, mais concretos. Ele fica cá e lá o tempo todo, como um pêndulo. É patético também. KKKKKKKKKKKKKKKKKKK

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