Aécio Neves e a refundação do PSDB

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Eu sempre afirmei que, antes de criticarmos os partidos existentes “por não nos representarem”, melhor seria que pressionássemos um desses principais partidos para que este viesse pouco a pouco para o nosso lado.

A própria pressão atual, junto ao levantamento de tom de vozes mais liberais, tem levado a uma nova perspectiva por parte do PSDB. Conforme matéria do O Globo, intitulada Aécio inicia processo para atualizar programa partidário, isso tem gerado frutos:

De olho nos novos segmentos da população que se uniram à oposição nas eleições deste ano, o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), comandará nos próximos meses uma atualização do programa partidário tucano. O objetivo é tentar manter mobilizados jovens e demais eleitores que participaram ativamente da última campanha.

Segundo o tucano, o foco é o eleitorado que estava afastado da vida política mas que, desde junho de 2013, foi às ruas para reclamar mudanças na condução do governo. Como parte significativa dessa população aderiu à oposição, a ideia é oferecer uma estrutura de participação mais atraente para mantê-la ativa.

O senador quer apresentar na próxima convenção do PSDB, que ocorre em maio de 2015, o novo programa do partido, um texto que incorpore temas sensíveis a esse eleitorado. – Vamos discutir a atualização do nosso programa para incluir novos temas, como a sustentabilidade, e confirmar teses mais liberais na economia. O PSDB saiu muito renovado desta eleição, e o campo contrário saiu com cara de coisa velha. Acreditamos em um partido renovado e impulsionado por uma nova militância – afirmou Aécio.

O partido está estimulando o que é considerado um fato novo nas fileiras tucanas: o alistamento de estudantes para o comando de diretórios acadêmicos em universidades, espaço que tradicionalmente foi ocupado pelos partidos mais à esquerda. Essa militância que está sendo formada deverá ter participação na atualização do programa tucano.

O presidente do PSDB mineiro, deputado Marcus Pestana, afirma que é preciso “dinamizar” a vida partidária para que cresça o interesse da juventude. – Queremos definir no programa o que seria a nova política, compatível com a sociedade contemporânea, que é ligada nas redes sociais e mais participativa. É preciso modernizar essa estética antiga do discurso unilateral, gritado, para um estilo de retórica e relacionamento mais atual. Assim vamos estar sintonizados com a juventude – afirma.

As reuniões para definir essa “nova agenda” devem se intensificar no ano que vem. Mas, nas próximas semanas, Aécio iniciará conversas sobre a proposta.

Voltando ao método que sugeri para uma ação política pragmática, este é um exemplo de ação:

  1.  Observe os dois partidos principais.
  2. Escolha aquele que está mais próximo do que você acredita.
  3. Pressione esse partido a ir adotando suas pautas.

Hoje em dia os partidos que temos para a liderança são PSDB e PT. É preciso escolher um deles, ao passo que a alternativa “nenhum dos dois” não serve.

Você pode até se juntar ao DEM ou ao NOVO (que são boas opções), mas a pressão sobre um dos dois da frente, para este partido ir aos poucos ir pendendo ao seu lado é essencial. Esses dois partidos principais coordenam muita coisa, mas são também movidos por pressão externa.

Quando alguém diz “desisto dos dois”, está tirando pressão de um dos dois que está mais próximo a você para ajudar aquele mais distante de você. Isso não tem nada a ver com “confiar em partidos”, mas em tomar decisões com base na melhor escolha entre duas opções possíveis no momento de dispender esforços.

O abandono das duas opções é o que Lula inteligentemente sempre definiu como “falta de politização”. Ele estava certíssimo nisso. Lula sabe que o PT será abalado quanto mais pessoas do lado deles disserem “nem o PT nem o PSDB”. Mas o mesmo vale para o outro lado: o PT será reforçado quanto mais pessoas do lado de cá disserem “nem o PT nem o PSDB”.

E este fenômeno é pervasivo: sempre existirão argumentadores dizendo racionalizações para “nem um nem outro”. Essas racionalizações podem (e não devem, prestem atenção) dar vazão a estímulos subconscientes para não se conseguir nada, e, então, sustentar uma argumentação dizendo “tudo está perdido, vamos para a opção mais radical’.

É preciso também entender que a opção “nem um nem outro”, por recusar o fato de que sempre é possível ir puxando um dos dois mais para o seu lado (por uma pressão contínua, as vezes até abrasiva e bastante crítica), pode fornecer à mente um relaxamento, no qual a pessoa diz: “enquanto um partido não me representar, não farei nada, e esperarei surgir um”. Novamente, é um risco que se corre por causa do purismo.

Aqui não existem verdades absolutas, mas é importante observarmos com atenção cada vez mais os comportamentos, as reações, e o que elas tendem a gerar. Claro que não vou rotular todos os que dizem “nem um nem outro”, pois não temos como ler as mentes dos outros. Mas uma boa parte desse discurso tende a ser facilmente mapeável.

Da minha parte, sigo defendendo uma mistura de pressão e apoio ao PSDB.

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28 COMMENTS

  1. Luciano, escreva um texto sobre o Ricardo Melo, “jornalista” nariz marrom e páreo duro para o não menos embusteiro Janio de Freitas na Folha de São Paulo. Os textos desse cara estão repletos de fraudes escandalosas.

  2. Teu post é exatamente o que eu penso. Não precisamos criar partidos ou simplesmente sair do jogo político por que nenhum dos partidos levanta TODAS as nossas bandeiras, pois a direita não tem uma ideologia uniforme no final das contas, alguns são a favor do aborto, da liberação das drogas e outros não, mas todos são a favor do mesmo fundamento: da liberdade individual, do livre mercado, do estado não se sobrepor ao indivíduo.

    O PSDB se mostrou mais sensível as nossas demandas, embora esteja longe de ser perfeito. Mas temos que ser pragmáticos e jogar com as opções reais que temos, devemos invadir o partido e mudar a cara dele, arrastando-o para a direita se necessário. Não interessa se ele se chama social-democracia, interessa é que ele possa implementar tudo aquilo que defendemos. Pouco importa nomes, até por que a esquerda adora falar em democracia sendo fundamentalmente inimiga dela.

    Pra que fundar um novo partido ou esperar para um existir defendendo tudo que valorizamos? Que ocupemos, então, todo espaço nos terrenos que melhor nos recebem e combatamos diariamente a esquerda no plano cultural. A hora não é de reclamar e sim de ter paciência e perseverança

  3. Apoiar o PSDB enquanto não existe uma outra opção mais viável é uma coisa. Mas daí a ser tucano existe uma distância quilométrica. O PSDB, querendo ou não, tem o filme “queimado” no país. Querer tirar da bancarrota uma empresa quase falida é coisa de esquerdista.

  4. Uma coisa crucial é a adoção de uma agenda de sustentabilidade ambiental. Hoje, quem defende o meio-ambiente, tem a ética moderna nas mãos. A medida que se desmistifica as noções de sociedade “justa” apregoada pela esquerda, a pecha negativa que cai sobre a direita é a do capitalismo predatório, que não se preocupa com o meio-ambiente e que destrói nosso futuro com o progresso econômico a “qualquer custo”, ainda que a esquerda tenha sido responsável pelo que de pior aconteceu na natureza. Criar uma cultura de responsabilidade ambiental e pró qualidade de vida, ao mesmo tempo que demonstra-se sempre que a única saída para um meio ambiente equilibrado é a inovação tecnológica capitalista é crucial para seduzir as mentes mais jovens a aderirem à direita ressurgente. A união de Aécio com Eduardo Jorge é emblemática para esse processo, e cada vez que a esquerda nos atacar, é preciso colar nela a pecha de inimiga da natureza, inimiga do futuro da humanidade, inimiga do meio-ambiente, a qualquer custo. Pq se não fizermos, será mais um território ideológico que eles terão tomado para si. Além disso, é preciso criar ongs verdes, criar programas ambientais, criar eventos de comunhão com a natureza entre jovens de direita, projetos júnior de indústria verde e de produtos ambientalmente conscientes para enfrentar o fronte de cabeça erguida.

  5. E se o PMDB largar o PT mesmo, como isso afetaria o quadro político brasileiro? Estou pensando aqui especificamente num candidato a presidência do PMDB. Não consigo, no momento, pensar em nenhum nome forte, mas e se eles arranjassem um? Acabaria indo para a esquerda ou direita? E a fusão DEM-PSDB ou DEM-nanicos?
    Parece que, com o Kassab fazendo um partido novo, o DEM vai perder mais gente ainda (o ACM Neto, dizem, vai largar, e no Nordeste ele é um dos nomes mais fortes do partido, com pretensões a ser governador e aprovação alta como prefeito), então o partido deve mudar algo aí. Mas o PPS também fala em se fundir com PSDB (ou PSB), e se isso ocorresse o partido iria mais pra esquerda ainda. Não adianta nada privatizar uma ou duas coisas e continuar esquerda em tudo.

    • Nesse caso, o deputado Eduardo Cunha me parece o mais provável pra isso, e ele é conservador.
      Representantes do DEM disseram que não pretendem fusão com o PSDB, mas talvez com alguns pequenos, caso a justiça deixe que logo após a fusão outros parlamentares de outros partidos se filiem ao novo sem perder mandato por infidelidade partidária.
      Seria adequado um blocão de oposição composto por PSDB, DEM + nanicos de centro, PV+PSB+PPS. No caso seria um bloco republicano com três grandes partidos: um de centro – e influenciado cada vez mais pela direita -, um de centro-direita e outro de centro-esquerda, respectivamente. E é o mais provável de acontecer – por volta de 2016 -, pelo que li em algumas notícias.

  6. “mimimi não gosto do PSDB mimimi é tão ruim quanto au au au PSDB é chato ai ai ai não vou votar no Aécio”

    Aécio foi o melhor candidato das eleições de 2014. O que teve melhor desempenho em debates, e que conseguiu praticamente empatar com a candidata mais “forte”.
    Aécio foi pra briga. Esteve bem nos debates. Vestiu a camisa da oposição, e eu vesti junto com ele. Vamos continuar apoiando-o, porra. Muitos que to vendo aí choramingando “ai, não gosto de PSDB” são uns que já vi aqui nesse espaço de comentários defendendo Fidélix chamando-o de candidato da família (só se for da de vcs…).
    E são os mesmos também que estragaram a ascensão da Marina, latindo feito cachorro pequeno chato que “ela é pior que a Dilma”.
    Acordem!

    Aécio não se calou após a vitória da Djilma, tá aí, chamando eles pra briga, chamando os covardes pra briga. Eu to indo com ele! Vocês não?

    • Marina vs Dilma seria uma péssima escolha para segundo turno. O povo do mimimi era o que queria afundar a candidatura do homem prematuramente e apostar numa figura que, quando falava coisa com coisa, defendia as mesmas coisas que o PT – projeto bolivariano, por exemplo. Muito mais Aécio 2018 do que Marina 2018. Dividir o país entre PT e PSB seria bem pior do que PT e PSDB. Aécio >> Marina (que, aliás, perdeu mais votos por causa das propagandas dizendo que ela ia “vender o país pros banqueiros” e “tirar comida da boca do pobre” que qualquer outra coisa, além do fato dela dar uma de tucana e se recusar a responder essas difamações. A primeira vez que um tucano responde responder de volta, quase ganha, espero que a oposição aprenda.)

    • Ele não se calou? Pois ele não falou NADA sobre as urnas eletrônicas, e nem o PSDB. Cadê a auditoria daquela bagaça mesmo? O Aécio fala sobre a reunião da UNASUL em Quito, que discutiu abrir nosso espaço aéreo para o tráfico de drogas e armas? Não. O Aécio luta contra o estatuto do desarmamento e a conseqüente escalada dos homicídios em nosso país? Não, ele é desarmamentista! O Aécio fala de como o PT é aliado do que há de pior no mundo, inclusive com os empréstimos secretos (leia inconstitucionais) para Cuba, ditadores africanos e afins? Não, ele faz um discurso banana de que o PT não sabe gastar dinheiro, e não toca na ferida que o PT só apóia a galera totalitária genocida. O Aécio fala das tendências ditatoriais do PT? Não.

      É vergonhoso alguém se chamar de oposição mas se recusar a falar o que a população quer escutar, e ignorar tanta coisa que o PT que é ultrajante. Falar que o PT poderia administrar o país melhor e que há casos de corrupção, isso até o PSOL faz.

      Chamar a Dilma de leviana é muito pouco, ela é terrorista, apoiadora de genocidas e deveria estar no xilindró por diversos crimes, incluindo de alta traição. Perceba que Aécio REAGIU à campanha difamatória do PT, eles botaram até a mulher do cara na campanha. Aécio não a atacou Dilma primariamente, e quando a mídia governistas fez um chororô porque essa anta não aguenta nem discutir com uma porta, ele voltou a ser frouxo nos debates, em vez de ser levemente frouxo.Mas é como diz aquele ditado, os ratos se contentam com migalhas.

      Aécio era a porcaria menos fedida que estava disponível, mas se você pensa que ele faz uma oposição firme contra o PT, você está enganado. Mas ainda há tempo dele elevar o seu discurso e começar a tomar medidas para lutar de verdade contra o PT, mas não tenho nenhuma esperança de ver isso acontecer.

      • Minha alternativa é apoiar quem está batendo de verdade no PT, como Jair Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Paulo Eduardo Martins, se precisar ser um tucano por sei lá qual razão, tem o Rodrigo Mezzomo. O Álvaro Dias já falou uma coisa aqui e ali que preste, mas pelo que vi nos últimos dias, ele está mais preocupado em fazer a Futebrás do que lutar contra o PT, e depois os liberais ficam com essa quedinha pelos social democratas.

        E Bolsonaro tem um grande apoio popular, teve 464.572 votos, no estado que tem bastante esquerda festiva, a terra de Marcelo Freixo, Jean Wyllys, Chico Alencar e Jandira Feghali. Foi o terceiro deputado mais votado do país.

        Tem que pressionar os tucanos mais “calados”, mas caso eles não tomem medidas de combate direto ao PT, eles devem ser sumariamente ignorados em prol dos que estão fazendo o bom combate.

        O Aécio era a melhor opção em 2014, mas ter de apoiá-lo até 2018 (já que o PSDB desistiu de investigar as eleições) é pedir demais, a não ser que ele crie coragem. O apoio deve vir depois que eles tomarem posição, e não antes, a coisa é simples, demonstre que você vai até o fundo contra os petistas e terá o meu apoio. Se é para fazer esse teatrinho de 2014 de falar uma palavra contra o PT nos últimos debate foi muito pouco mesmo, isso apenas reforça que o foco é apoiar quem tenha coragem de bater de frente com essa turma vermelha.

        É um tanto curioso como o Movimento Brasil Livre e liberais diversos festejarem por ter apoio do PSDB, e que o Serra falou sobre o Foro, parece que não estão enxergando que esse pessoal os despreza profundamente. Para ele subir no carro e fazer aquele discurso sem sal era melhor ter ficado no chão mesmo. Não falou nada de proteger as liberdades, e mudou de assunto logo quanto ao FSP. Não que ele deva ser expulso, mas isso parece ficar feliz com migalhas. Já pensou na possibilidade do PSDB tentar amansar os protestos, com uma pauta vaga “contra a corrupção”, similar aos protestos de julho de 2013? Talvez estou indo longe demais, mas se eles estão lá para não bater no PT, estão convocando pessoas a participarem, o que fazem?

      • Ele não se calou, tanto está incomodando que o PT ordenou (tiranos como são) que “descesse do palanque”.
        Há muito o que se falar, sim, muita briga pra comprar, mas “é o que tem pra hoje” e eu to satisfeito por ser o Aécio.
        Queria que fosse quem, Serra, com aquela pose fúnebre?
        Bolsonaro, com aquele estilo aprendiz de Malafaia, caricato até dizer chega?
        Pode dizer que não há ninguém que brigue com o PT ao nível que merecia, e concordo, mas não apoiar o cara que está mais próximo de fazer isso, como o Luciano diz muito, é ponto a favor ao PT.

      • Cauê, o PT não aguenta nenhuma oposição, o Aécio chamou a anta de “leviana” e a mídia governista teve uma síncope, ela e o partidão não conseguem reagir a um ataque, por mais leve que ele seja. Eles conseguiram se vitimizar ao ponto que Aécio parou de atacar no debate depois do que ela simulou ter uma queda de pressão, o que foi uma bola fora enorme, já que a população adorou o vexame que Dilma passou. Segundo eles, até um bundão como o Serra vira um monstro se ele chamar o PT de feio e bobo. Esse pessoal é assim o tempo todo, quem fala uma vírgula contra vira um monstro de 7 cabeças, dissimulação sem parar.

  7. Sou filiado do PSDB desde 1995. Quem não tem partido ainda não entendeu a legislação eleitoral brasileira e as eleições proporcionais. O voto é do partido. Vais propor um projeto de lei como ? Pelo Avaz? Avaz estadual ou municipal? Concordo !! 100%

  8. Acho que nesse caso o ideal era fazer como o Olavo falou: Ocupar os espaços. Isto é, sendo que o PSDB é um partido que até então não fedia nem cheirava, e que parece ser mais sensível ás demandas do eleitorado, o ideal seria que a direita começasse a se filiar pra ir tomando o PSDB aos poucos, antes que o PT faça isso. Nesse caso, já herdaríamos toda a força política e a influência do PSDB na sociedade, onde os resultados poderiam vir mais rapidamente.

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