Ética, vergonha na cara, o bom engodo e Jason Voorhees

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Imagine que uma cidadezinha do interior, com 100 habitantes, seja visitada por um psicopata estilo Jason Voorhess (da série Sexta Feira 13) em um final de semana. Esse psicopata começa a matar habitantes da cidade usando três recursos: armas de fogo, armas brancas e diversos ataques físicos, incluindo afogamento, estrangulamento, empurrão no precipício  e daí por diante.

Seria imoral reagir aos ataques deste psicopata? Pois imagine que um “sábio” da cidade tenha orientado todas as pessoas, incluindo a Polícia, a não usarem nem armas de fogo, nem armas brancas e nem sequer qualquer forma de agressão física contra o maníaco. Razão para isso: é que usando os mesmos métodos do psicopata, “nos igualaríamos a ele”.

Aí surge um sujeito com uma ideia brilhante: “Tudo bem, mas podemos nos esconder. Aí continuaríamos ‘morais’, sem usar os mesmos métodos do psicopata, e podemos ter chance de nos safar”. Ledo engano, pois o mesmo “sábio” diz: “Não, pois se você se esconder, estará enganando o outro. E o engano é imoral. Logo, você não pode se esconder”.

Como resultado, após o fim de semana, a cidadela se transforma em uma cidade fantasma. Todas as 100 pessoas foram mortas pelo psicopata.

Ok, eu sei que você achou a história acima absurda. E é mesmo! Algo assim dificilmente ocorreria na vida real.

Isso não ocorre por que temos alguns códigos funcionais e perfeitamente morais que usamos em nossas sociedades. Falarei de dois deles aqui:

  1. O uso dos métodos de criminosos (ou imorais) não nos iguala a eles caso não estejamos cometendo um crime (ou uma imoralidade)
  2. O logro pode ser justificado moralmente diante de imoralidades extremas

O item (1) é facilmente compreensível, pois caso contrário não poderíamos sequer ter polícias em nossas cidades, já que a partir do primeiro uso de uma arma de fogo por um bandido, a polícia não poderia mais usá-la. É bem diferente: imoral seria deixar de usar uma arma de fogo para proteger inocentes, quando você pode fazê-lo dentro da lei. Ocorre que o uso de um método utilizado por um monstro não nos transforma em monstros se nossas intenções não forem monstruosas.

Desta feita, creio que fica fácil eliminar a “trava mental” de algumas pessoas que podem argumentar dizendo ser “imoral jogar a guerra política, assim como joga a extrema-esquerda”. Na verdade, o imoral é deixarmos de jogar a guerra política, que, em si, não nos transforma em monstros. Somente se tivéssemos as mesmas intenções totalitárias e desonestas da extrema-esquerda, o que não é verdade.

Essa primeira questão é fácil de ser fechada.

Mas ainda temos o item (2), ou seja, a questão do logro. Será que é possível enganar alguém e permanecer com seu hímem moral intacto? Com certeza. Na guerra política, é preciso blefar, esconder ações, atrair seu adversários, gerar surpresas. Tudo isso se configuraria como “engano”.

Para resolver esse problema, basta usarmos um critério muito simples de avaliação ética. Diante de uma plateia composta por pessoas decentes (não envolvidas emocionalmente na questão), você teria vergonha de contar um logro praticado por você? Se você tiver, estamos diante de um problema moral. Se não tiver vergonha, não temos problemas. (Estou considerando a hipótese de você não ser nem psicopata nem histérico)

Exemplo: Você teria vergonha de contar para um público neutro que fez encenação para acusar seu opositor de um crime que ele não cometeu? A resposta, espero, será afirmativa para muitos de nós. Ufa! Se você tem vergonha de contar o que fez diante de pessoas neutras, é óbvio que estamos diante de um deslize ético.

Outro exemplo: Você teria vergonha de contar que usou armamento falso para despistar soldados nazistas? Foi exatamente isso que ocorreu na Segunda Guerra Mundial, o que foi muito útil para os aliados. Dificilmente algum general teria vergonha de contar esse feito. É evidente que não temos um problema moral aqui.

Em questões morais, pense não apenas nos que estão ao seu lado, e jamais nos seus opositores (se estes forem extremamente desonestos), mas na opinião pública neutra, bi-conceitual e que percebe os eventos do mundo sob filtros éticos mais amplos. O maior problema moral não está em enganar um inimigo fujão de qualquer padrão de moralidade, mas em enganar o senso comum da opinião pública.

Enfim, com esses aspectos em mente está claro não existir problema nenhum em jogar a guerra política, que, em muitos casos, vai incluir blefes contra seu adversário, não contra o senso comum.

Guerra política e consciência limpa devem sempre caminhar de mãos dadas se você estiver fazendo a coisa certa.

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10 COMMENTS

  1. Contra a Esquerda, toda a calúnia, difamação, tudo o que for sujo vale, desde que os blefes não sejam exagerados ou ridículos,ao ponto de fazer os neutros nos verem como patéticos. Eu teria sim, é vergonha de enganar gente honesta, mas enganar e blefar co ma Esquerda nem arranha minha consciência.
    Uma sugestão minha para a guerra política e a respeito de rótulos: comecei a chamar o politicamente correto da Esquerda no caso do Bolsonaro e no caso de um concurso para a escolha do nome de um gorila num zoo de BH, onde o Ministério Público se intrometeu afirmando que os nomes para o gorila eram racistas. Pensei em nomes históricos com conotação negativa, como Nazismo, Fascismo, mas o que mais se apropriou para a hora foi o de A Inquisição Bolivariana ! Acendam as Fogueiras ! E assim eu sugiro que esse nome seja gravado em nossas mentes. Qualquer tentativa de coerção do politicamente correto, brademos alto o nome Inquisição Bolivariana contra eles. procuremos nomes históricos ou não, fortemente atrelados á uma percepção negativa para rotula-los na guerra política.
    alguém tem mais sugestões ?

  2. Qualquer um aqui que sejam o trabalho, na escola, na universidade, seja patrulhado e coagido pelo politicamente correto, use expressões indignadas e digam : Ei, quem tem fósforo e lenha ? O Inquisidor-Mor do PT quer me queimar na fogueira . Lá vem a Inquisição!
    Ou dizer em tom sério: Ei, dá pra você respeitar a minha liberdade de expressão ? Por que você quer cassar meus direitos ? AI-5 do PT ! vamos usar também termos do Regime Militar, colocando os adversários na defensiva ao dizer: eu pensei que o AI-5 já tinha acabado ! O PT (Psol, PSTU, PCdob) inventou mais um agora ?

    • Perfeito, Lucio.

      ABSOLUTAMENTE PERFEITO!!!!!!

      É a melhopr tecnica das artes marciais: USAR ALAVANCAS e a PRÓPRIA FORÇA do ADVERSÁRIO CONTRA ELE MESMO!!!!!!!!

      PERFEITÍSSIMO!!!!! …No ÚRTIMÚ!!!!!!

  3. Cuidado com as palavras!!!!

    Só agora ficamos sabendo que se dissermos a alguém “você não merece uma bala” estaremos, em sentido contrário, a dizer que todos os demais mereceriam, e, portanto, cometendo o delito de incitação ao crime de homicídio (ou seria de lesão corporal?? kkkkkkk).

    É uma piada!!! kkkkkkkk

    E o “homem da lógica” endossa isso!!! Outra piada!!! kkkkkkkkkkkkkk

  4. Conforme os estudos clássicos sobre a moral e o dever, do emprego de meios iníquos advirá, necessariamente, um ato eivado de iniquidade — vício que não se pode sanar, a despeito dos melhores fins. A boa ação deve ser boa, verdadeira e justa — adequada, em suma — tanto em seus fins, quanto em seus meios.

    Não quero com isto discordar do mérito do texto. Pelo contrário, concordo com a avaliação de Luciano (sempre de máximo valor). O que sugiro é uma correção parcial da percepção apresentada: os métodos de “diversion” (não encontro tradução ao português que enquadre adequadamente o campo semântico do termo) não possuem, em si, carga moral definida. São instrumentais neutros — exatamente como uma arma, que tanto orna, quanto defende, quanto ataca; uma caneta, que redige sonetos, assina contratos e ordens de execução; uma garrafa d’água, que encontra em si a potência tanto para cessar a sede, quanto para, partida, cortar gargantas inocentes.

    Em si mesmos, tais objetos não são bons, nem maus. Sua moralidade depende inteiramente do emprego que recebem.

    Um colega mais acima comentava que, contra a esquerda, tudo o que for sujo seria válido — calúnia e difamação, nomeadamente. Disto discordo, e justamente pelo exposto acima. É despiciendo cometer crimes contra a esquerda, quando tudo de que necessitamos é saber deitar luz sobre a verdade. Quando empregamos as técnicas da guerra política, manipulamos luzes, não granadas de esterco: fazemos ver elementos do real que o inimigo, habitante do chiqueiro, busca enlamear e ocultar do grande público. Eles mentem, caluniam e difamam. Devemos conhecer meios eficazes de desconstruir mentiras, calúnias e difamações: eis a nossa missão na guerra política, e para isso precisamos dominar seu instrumental. Moralmente neutro, serve ele ao bem e ao mal, a depender do usuário. Eles sujam. Nós limpamos.

    Nenhum dos textos deste blog defende a mentira como método, senão a defesa eficaz contra as mentiras alheias. Nazistas e comunistas fabricavam armas para assegurar dominação e tirania; devemos nos armar contra o agressor retórico, em defesa da Liberdade.

    • Em tempo, como adendo ao que dizia acima: não devemos tão-somente desconstruir as mentiras postas pelo Inimigo, senão inibir suas reiterações. e amplificações. Essa é a função da [i]cosidetta[/i] agressão: expulsar o Inimigo de sua zona de conforto — no caso dos petistas, sua zona própria sendo a lama e a mentira. Atacamo-lo preventivamente com a Verdade, Arrastamo-lo para nosso terreno. Como? Aplicando as armas do political warfare para pautá-lo e neutralizar os seus jogos sujos. Não há nisso o menor indício de imoralidade. Pelo contrário — como dito pelo próprio Luciano —, tais ações são, de nossa parte, um dever. Imoral seria furtarmo-nos a ele: um ato de covardia.

      • Em síntese (sim, encerro por aqui): se a máxima do lado de lá é a leninista “chame-os do que voce é; acuse-os do que você faz”, nossa máxima deve se aproximar ao máximo desta, semelhante em formulação, todavia absolutamente diversa: acuse o adversário do que ELE faz; chame-o do que ELE é”.

        Eis a “trava moral” que infelizmente aflige a maior parte da direita: não a inibição à mentira (inibição mais que salutar, e que deve ser mantida para nosso próprio bem, tanto quanto da comunidade), mas o receio irracional de dar nome aos bois.

  5. Luciano, eu gosto de fazer uma analogia ao jogo de truco. Vale blefar, vale avisar por meio de sinais ao seu parceiro quais são as suas cartas, vale tentar saber quais são as cartas dos seus adversários. Só não vale roubar, tirar cartas da manga. Esta é a pior atitude que um jogador de truco pode ter. Roubar no truco é muito feio. E é isto que a esquerda faz, ela rouba no jogo de truco.

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