Imundície sem limites: governo torra R$ 70 milhões em publicidade desproporcional com a BLOSTA

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Eis que agora surgem evidências incontáveis daquilo que este blog vem denunciando há tempos: dinheiro público sendo gasto com blogs de baixíssimo acesso, mas altíssimo potencial de destruição de reputações. A famosa BLOSTA (blogosfera estatal). Uma matéria de Fernando Rodrigues mostra que o governo petista gastou nada mais nada menos do que 70 milhões de reais para promover ataques sujos, difamações cínicas, baixarias inomináveis e campanha de esgoto em favor do governo. Tudo com qual dinheiro? Com o seu, bobo.

Se o que a matéria de Fernando Rodrigues nos mostra é aterrador, um outro texto, da Veja, não é menos assombroso: “em catorze anos, o montante cresceu 65%. Petrobras, Caixa e BB respondem por 86% do total gasto pelo governo federal com publicidade”.

Vamos ler mais um pouco o texto de Rodrigues:

As 3 empresas estatais do governo federal que lideram os gastos publicitários da administração indireta também são responsáveis por um volume respeitável de publicidade digital em veículos de audiência limitada na internet.

Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal gastaram, de 2010 a 2013, a soma de R$ 17 milhões publicando anúncios em meios de comunicação como “Opera Mundi , “Dinheiro Vivo”, “Conversa Afiada” e “Carta Maior”.

Achei estranho os Correios não estarem nessa lista, mas é o de sempre: estamos vendo aonde vai o dinheiro público. Para financiamento de blogs para apoiar o governo.

Em abril de 2013, o governo publicou um artigo no site “Observatório da Imprensa” no qual a Secom argumentava que praticava o que chama de “mídia técnica”: cada veículo receberia verbas de publicidade de acordo com a proporção de sua audiência.

Agora, com as informações fornecidas por força da Justiça, fica claro que os critérios não são lineares e a chamada “mídia técnica” não é uma praxe em todos os setores da administração pública federal.

O detalhe é que só estamos descobrindo essa barbaridade por que a Folha de São Paulo exigiu que a Secom divulgasse os dados. O governo perdeu na Justiça, e agora é obrigado a divulgar para onde os recursos são destinados. Ei, oposição, o que vocês estão esperando para abrir uma CPI dessa vergonha?

Empresas como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal usam critérios obscuros para comprar espaços publicitários.

Sim, os bolivarianos sempre usam critérios obscuros. Eles estão levando a expressão “sentir-se como um Deus” a um estágio ridículo. Bom, a única coisa que estão fazendo é escrever por linhas tortas. Mas escrevem errado.

Tome-se o caso do site “Conversa Afiada”, do jornalista Paulo Henrique Amorim. Sua audiência foi de 236 mil visitantes únicos em dezembro de 2013, ano em que recebeu R$ 618,2 mil em verbas do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.

Para ter a audiência de 1 leitor por mês no site de Paulo Henrique Amorim, os dois bancos estatais juntos gastam R$ 2,60 por ano (valor de 2013).
Como comparação, tome-se o portal Terra, cuja audiência foi de 24,9 milhões de visitantes únicos em 2013, ano em que recebeu R$ 5,5 milhões de verbas publicitárias federais. Para ter 1 leitor por mês, em média, as estatais federais tiveram de pagar apenas R$ 0,22 por ano. No caso do UOL, que é o portal líder na internet brasileira, o custo para ter 1 leitor por mês cai para R$ 0,21 por ano.

Dito de outra forma, as estatais gastam cerca de 1.100% a mais para atingir um leitor no site Conversa Afiada do que em portais como o UOL ou Terra –de acordo com dados de dezembro de 2013.

Para esta situações vergonhosas, o principal argumento petista de defesa é uma miséria: eles dizem que as grandes empresas de mídia “recebem muito mais”. Sim, mas não em termos proporcionais, e essa é a aberração que está sendo denunciada aqui.

Note que todos estes blogs estão desesperados querendo o financiamento público de campanha. Mas essas notícias são o melhor argumento contra o financiamento público de campanha. Esses blogs, financiados com o nosso dinheiro, ajudam o PMDB? Ajudam o PSDB? Ajudam o DEM? Não. Ajudam apenas o governo petista.

Ou seja, enquanto o PT quer fechar a torneira do financiamento privado de campanhas para todos os partidos, continua sendo dono do estado. Com isso, o governo do PT segue podendo gastar nosso dinheiro em campanha suja não apenas durante as eleições, mas sempre. Um exemplo é a BLOSTA, agora completamente desmascarada pelos fatos.

É preciso perguntar aos deputados do PMDB: “Ei, você já percebeu que o PT está fazendo vocês de trouxas ou a ficha ainda não caiu?”.

Vamos seguir:

Com algumas variações, essa relação se repete em outros veículos digitais de audiência limitada.

Os sites do jornalista Luis Nassif (Agência Dinheiro Vivo e Jornal GGN, entre outros endereços) recebem verbas federais de publicidade desde o ano 2000. Foram R$ 3,952 milhões até 2013, segundo dados fornecidos pela Secom.

E aí, leitor, você topa sair escrevendo textos insanos para justificar o injustificável? Topa perder todo e qualquer traço de honra e dignidade ao fazer encenação para enganar incautos? Topa participar de máquinas de assassinatos de reputações? Para gente como Luis Nassif, Paulo Henrique Amorim, Leonardo Attuch e outros nessa linha tudo não passa de um grande negócio.

Em dezembro de 2013, os sites Advivo e Dinheiro Vivo não tiveram audiência representativa e não aparecem na ferramenta de monitoramento da Nielsen, empresa que faz esse tipo de acompanhamento. O Jornal GGN, que também hospeda Luis Nassif, registrou 279 mil visitantes únicos no último mês de 2013. Os sites onde atua o jornalista tiveram verbas publicitárias federais naquele ano de R$ 806,3 mil. Isso significa que as estatais juntas gastaram R$ 2,9 por ano para cada leitor mensal que visitou os sites de Nassif em 2013.

Você ainda não está zangado com essa provocação? Quer dizer, estamos diante de algo que amplifica a corrupção tradicional. Aqui o dinheiro público não é apenas desviado para o bolso de canalhas, mas desviado para máquinas de triturar reputações de opositores. Isso ultrapassa o cúmulo da imundície moral.

No caso do Opera Mundi, dirigido pelo jornalista Breno Altman, a relação custo-benefício indica que o valor médio de um leitor por mês é de R$ 2,11 ao ano.

Sem comentários quanto ao Breno Altman. Ah, tem um sim: por que não estou surpreso?

O Carta Maior, “publicação eletrônica multimídia” que defende uma “mídia democrática no Brasil”, teve uma audiência de 100 mil visitantes únicos em dezembro de 2013. Como recebeu R$ 512 mil de empresas estatais federais naquele ano, entrega um leitor mensal ao custo de R$ 5,13.

Todos esses sites, sem exceção, querem apenas uma coisa quando falam em “mídia democrática”. Eles querem ver esse modelo usado pelo governo pela surdina agora transformado em um método oficial para que eles recebam cada vez mais verba estatal.

Agora vocês viram os números que bancam todos os discursos pedindo “democratização de mídia”. Você vai tolerar esse tipo de afronta?

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17 COMMENTS

  1. agora a pergunta: essa diferença de pagamento de 1.100% entre o site Conversa Afiada e o UOL ou Terra já não seria caso para impeachment da dilma por favorecimento ilícito?

    • 1) Red Herring. A regra foi aplicada para ambos os casos, então o chororô não se aplica.
      2) A audiencia de 24,9 milhões do Terra não era de 2013, era de um único mes. Aqui não é falácia, como acima, mas um erro de Rovai.
      3) Se a Fórum não foi citada nas contas do Fernando, é irrrelevante ela está aqui. E como o cálculo dele do Terra, acima, está errado, a comparação R$ 0,21 (Terra) com R$ 0,12 (Fórum ) está errada. Na verdade seria uns R$ 0,01 (Terra) com R$ 0,12 (Fórum), o que comprova a fraude do governo e o favorecimento proporcional à BLOSTA.
      4) A frase “Acontece que todas essas contas valem muito pouco, porque não há lógica alguma em nada disso” é um indício de fraude.
      5) Ué, por que agora o Rovai compara alguns veículos de mídia com a IstoÉ, que exatamente é uma que não está na análise das “grandes” de Fernando.

      Dica de leitura para não cair nestes truques:

      “Lie with Statistics”, de Darren Huff

      http://www.amazon.com.br/How-Lie-Statistics-Darrell-Huff-ebook/dp/B00351DSX2/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1418864215&sr=8-1&keywords=how+to+lie+with+statistics

      • “4) A frase “Acontece que todas essas contas valem muito pouco, porque não há lógica alguma em nada disso” é um indício de fraude.” E qual é a fraude neste trecho? Não entendo muito de publicidade na internet, e sem querer defender a BLOSTA, mas até que esta objeção de page views faz certo sentido.

  2. Luciano, segue a leva de hoje, primeiro no confronto Bolsonaro X Rosário:

    1) Acho que depois desta você vai incluir o Jô Soares na lista que já tem o Altman e outros:

    http://www.youtube.com/watch?v=zZc9Pl7m2ZU

    2) Outro golpe na linha auxiliar do PT: o deputado federal do PSOL que protestou contra Bolsonaro para logo após tietá-lo;

    3) Temos também o Negro Belchior fazendo um longo preâmbulo para esconder no último parágrafo a intenção real de seu amontoado de clichês marxistas-humanistas-neoateístas;

    4) O assunto também foi mourabrasilizado aqui, falando sobre as ofensas MHNs ao mais votado deputado fluminense, aqui, falando sobre o programa que supostamente mapeará crimes de ódio na internet mas que nos faz suspeitar que a última histeria dos viciados em marxismo-humanismo-neoateísmo resolveram usar o lance do Bolsonaro como pretexto para fazer usar algo que na prática poderá implantar censura de tipo chinês em nosso país, e aqui, em que ele comenta esta nota do Jair da discórdia:

    http://www.facebook.com/jairmessias.bolsonaro/photos/a.213527478796246.1073741826.211857482296579/416113951870930/?type=1

    Agora vamos falar do resto:

    1) Pode ser que a desvalorização em queda livre da Petrobras e a dilapidação da petrolífera que outrora faturou mais do que a Microsoft seja algo mais bem arquitetado do que imaginávamos e com objetivos escusos. Está em curso uma campanha para que petistas comprem ações da empresa. Dizem que a Petrobras estaria sob ataque especulativo para que se force a sua privatização e aí concordarei se o ataque especulativo em questão for vindo do referido partido para torná-la propriedade privada de seus correligionários. Dizem que Rui Falcão que o PT não tem nada a ver com isso institucionalmente falando e que a ação seria espontânea. Porém, como sabemos, o PT também não tinha ligação formal com o Passe Livre que convocou os protestos no ano passado, sendo que o Passe Livre apoiou o Haddad para a prefeitura paulistana. Logo, vamos considerar que seja o MHN como um grande negócio em que se dilapida o Estado para enriquecimento pessoal sem produção prática de riqueza;

    2) Não seria uma boa falar da reaproximação cubano-americana? Temos Obama (MHN mais do H, mas com contribuições históricas vindas do M) e Raúl Castro (MHN mais do M) fazendo algumas ações com fins de reatar relações diplomáticas entre os países. É algo MHN do começo até o fim, mas também temos no bolo o tal lance de que a Rússia tem intenções de instalar bases militares por lá, dentro do eurasianismo;

    3) Segue pronunciamento de Hermes Nery, feito ontem na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática do Congresso. Acho que o cara mandou muito bem:

    • Ai está o erro, “jamais pedirei desculpas”; Quando o correto é: Não pedirei desculpas, porque não a motivo(merecimento); Eu é quem fui atacado, e apenas me defendi no mesmo linguajar.

  3. Apesar de ser pouco relevante para o tema em questão, como trabalhei na empresa entre 2008 e 2010, acho que posso dizer alguma coisa a respeito desta afirmação: “Achei estranho os Correios não estarem nessa lista”

    Desde 2005 (salvo engano), quando ocorreu o caso Maurício Marinho, e os Correios ficaram sob intervenção do TCU, salvo engano a empresa ficou sem agência de publicidade até 2008. Nessa época pouquíssimos projetos iam pra frente porque as assessorias jurídicas pareciam trabalhar para dar pareceres que inviabilizariam o máximo possível de projetos, visando evitar qualquer tipo de questionamento pelos órgãos de controle. Isso alterou profundamente a cultura da empresa, e promoveu uma degradação constante nos indicadores operacionais da empresa, fazendo com que o lucro caísse por vários anos seguidos.

    Somando-se essas duas coisas, provavelmente os Correios devem, ainda hoje, evitar fazer propaganda, tanto por medo de ter as ações publicitárias questionadas pelo TCU, quanto por provavelmente ter uma verba reduzida para fins publicitários.

    Agora imaginem esse efeito na Petrobras pós Petrolão, que deixou o Mensalão no chinelo, quão mais não deverá se deteriorar a situação da empresa.

  4. Após reler o texto (postado às 2:45 da manhã), gostaria de pedir desculpas a quem quer que o leia. Esse texto está parecendo discurso da Dilma. Espero que esteja minimamente compreensível.

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