Censura de mídia for dummies

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ricardo_berzoini01

É de estarrecer como muitos republicanos não se indignam suficientemente ao serem afrontados com provocações que tirariam até mesmo niilistas de sangue frio de suas zonas de conforto.

Talvez pelas prioridades para protesto escolhidas nos últimos meses (onde se falou muito em “anulação de eleições”, “impeachment de Dilma” e, nos piores casos, em “intervenção militar”), os fronts mais importantes de batalha muitas vezes foram esquecidos.

Não raro víamos pessoas do nosso lado dizendo, diante das ações de censura sutil praticadas pelo PT (corte de verbas à Veja, e bloqueio às opiniões de Rachel Sheherazade no SBT), algo como: “Ah, é assim mesmo…”.

Não é normal dizer “é assim mesmo” ao tomar um cuspe na cara. Por isso mesmo, deve haver algo de errado com a percepção de muitos de nós em relação ao que realmente significa censura sutil. Censura sutil não é “um problema incômodo”, mas uma aberração ética, moral e política no mesmo pé de igualdade que os piores escândalos de corrupção possíveis. Assim, a ausência de prioridade nessa luta é sinal de que tem muita gente que não entendeu ainda o que está em jogo.

Nada melhor que usar uma forma didática, for dummies mesmo, de explicar o que realmente está acontecendo, assim como as consequências do desprezo por essa luta.

Censura sutil é simplesmente a bandeira mais importante de todas para os governos bolivarianos. Não há nada mais importante do que isso. A meta foi alcançada na Venezuela e na Argentina, que se tornaram ditaduras perfeitas. Tendo sido alcançada essa meta, o governo automaticamente se desobriga de qualquer ação em prol da economia do país, ao mesmo tempo em que garante que nenhum escândalo de corrupção seja sequer denunciado ao público.

Para implementar a censura sutil, há diversas formas. Uma delas é fazê-lo, de forma limitada, à margem da lei, como tem feito o PT. Basta cortar verbas de anúncio de 1 ou 2 publicações, assim como destinar verbas desproporcionais para quem elogie o governo, que a mágica começa. Sentindo-se chantageadas pelo medo de perder verbas estatais, automaticamente várias empresas de mídia começam a babar ovo do governo.

Isso é o que ocorreu quando o governo definiu o corte de verbas para a Veja, e agora para a Editora Abril em geral e para a Rede Globo, assim como usou seus cães de guarda do PSOL e PCdoB para pressionar o SBT a não deixar Rachel Sheherazade falar.

A torpeza desses ataques governistas, combinadas com a absoluta ausência de protestos do nosso lado, serviram para transmitir a mensagem poderosíssima para o resto da mídia: “Andem na linha, falem bem do governo, destruam os adversários do PT, que tudo ficará bem para vocês”.

A mesma leniência dos democratas diante do envio de verba desproporcional para a BLOSTA também serve para que o governo entenda que pode continuar comprando apoio (e silenciando vozes) impunemente.

Além da maneira ilegal, atualmente em curso pelas mãos do PT, temos uma proposta de “Ley de Medios”, já implementada na Venezuela e na Argentina.

Aí é simples: para o governo, basta dividir as empresas maiores em empresas menores, implementar oficialmente a chantagem a partir de verbas estatais, usar critérios “misteriosos” de regulação, para enfim conquistar o apoio quase unânime da mídia.

Alías, é sempre bom quando os petralhas dizem a verdade, especialmente quando não era essa a sua intenção. Por isso, deveríamos ser gratos a Eduardo Guimarães, por ter entregue mais um dos planos petistas:

Um acordo com a mídia é praticamente impossível. Simplesmente porque, no mínimo, empresas como a Globo, com regulação econômica da atividade Comunicação, terão que parar de crescer exponencialmente. Aliás, terão que parar de crescer de qualquer forma, ainda que o ideal fosse reduzir o tamanho desses conglomerados de mídia, inaceitáveis em qualquer sociedade civilizada.

Só faltou ele explicar que as maiores empresas de mídia dos Estados Unidos e Reino Unido são muito maiores e muito mais poderosas que a Rede Globo. Isto é, ele mentiu mais uma vez para tentar enganar o público.

Com a censura sutil implementada por lei, não é preciso nem uma ação oficial de censura, nenhuma carimbada, nenhuma invasão de redação. Nada disso. Basta usar bilhões de dólares de verbas estatais diante de empresas tornadas vulneráveis e dizer: “Cuidado hein…”.

Esse segundo passo, ainda mais radical, faz com que o governo socialista possa destruir a economia impunemente. Os escândalos de corrupção deixam de ser noticiados. O país começa, enfim, a ser devastado até o limite do insuportável.

Isso pode ser feito pois toda a percepção do povo estará dominada por uma mídia já totalmente aparelhada. Os problemas econômicos serão lançados nas costas de “imperialistas ianques”. Nesse futuro, as denúncias de corrupção da Petrobrás serão atribuídas as “especuladores internacionais querendo acabar com a empresa”. Enfim, começa aí o paraíso para os donos do poder, e um inferno para a população.

Com a economia devastada (e com os verdadeiros indicadores escondidos da população), a tendência é o desemprego explodir, os investidores fugirem e começar o racionamento de alimentos. Pequenas rebeliões poderão ser combatidas com extrema violência e o uso da tortura se torna um padrão.

Se depois dessa constatação lógica, que não passa da narrativa de tudo que ocorreu na Argentina e na Venezuela, e já está parcialmente ocorrendo no Brasil (nos casos Veja e Rachel Sheherazade), você ainda não está muito zangado, então não há muito mais que eu possa a fazer, além de uma última tentativa.

Vamos lá: imagine os fatos, que nos dizem o óbvio ululante. O dinheiro público é tão seu quanto meu. É nosso. De todos os brasileiros. Este dinheiro está sendo usado para financiar de forma superfaturada uma blogosfera estatal que luta para que você viva em uma ditadura. Ao mesmo tempo, este dinheiro está sendo bloqueado para qualquer um que critique o governo.

Se esse dinheiro fosse desviado para corrupção na Petrobrás, quase todos ficariam indignados. Mas se ele é desviado para formação da opinião pública (o que é o mais importante de tudo para o PT), a indignação parece muito menor. Reflita sobre isso.

Enfim, a nossa capacidade de nos indignar com essa aberração chamada censura sutil será decisiva nessa hora. E eu espero ter sido claro em relação ao que realmente significa esse tipo de censura, já implementada parcialmente pelo PT, que quer levá-la ao limite com as propostas chamadas por eles de “regulação da mídia”.

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6 COMMENTS

  1. Os bandidos governantes se defendem tanto com assassinatos de reputações,tanto no combate a mídia de opinião pública.Tanto no assassinato de candidatos ou até mesmo de presidentes.,o povo que constituiu a nação,não tem o direito opinar? Onde está o estado democrático de direito?

  2. Luciano, acho que devemos organizar em São Paulo, e demais cidades, uma manifestação nas ruas contra o controle de mídia. O que acha?
    E aos demais que lêem aqui: o que acham?

    Quem mesmo organizou as que ocorreram após as eleições no ano passado?

    Manifestação focada especificamente nisso: CONTRA A REGULAÇÃO DA MÍDIA.

    É um meio de falar: estamos de olho, já sacamos o que querem implementar, e não tem acordo.

  3. Temos de ser menos fracotes. Quando a Veja publicou que Lula e Dilma sabiam do Petrolão, capa histórica, o que aconteceu? No mesmo dia vandalizaram a sede da Abril em Pinheiros (fato que Aécio podia ter usado no debate, pois era o debate final naquela noite, mas talvez ele não soubesse…)

    Tá na hora de agir marcando presença também. Sugeriria manifestação na Faria Lima, só pra poder passar em frente ao Uol, portal do bate papo onde se pega sífilis só de entrar em alguma sala, chapa mais branca que cocaína.
    Ou, claro, Paulista.
    Quem manja de organizar manifestação ou qual grupo deve-se procurar para agitar uma? Cadê Lobão?

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