Chico Vigilante em prol da “radicalização” da democracia

9
96

vigilante

Chico é um homem vigilante. Sempre à espreita de algum pretexto para defender propostas de censura de mídia. Seu texto “O processo de radicalização da democracia”, publicado no Brasil247, é especialmente revelador. Vamos comentá-lo:

É isso que o Partido dos Trabalhadores quer. Uma sociedade organizada e participativa com mais peso neste governo que a política de alianças existente anteriormente dentro do Congresso.

Como sempre tenho dito, é evidente que o uso de coletivos não-eleitos, financiados pelo PT, fingindo representar “a sociedade”, tornou-se uma prioridade. Como disse Vigilante, “é isso que o PT quer”.

A palavra de ordem politizar e mobilizar a população, aprovada em resolução do partido no final de 2014 já surtiu seus efeitos.

Exatamente por isso que eu dizia, desde o dia 26 de outubro: foquem nas demandas estratégicas para o governo, não em pedidos de “anulação de eleições” e “impeachment”, que, como sabemos, seriam de difícil realização. E os resultados das investigações da Lava Jato são coisas do meio de 2015 para a frente…

Enquanto isso, o PT se preocupa com o que realmente importa para eles.

 As articulações para a formalização de uma nova frente de esquerda, de caráter nacional, formada pelos principais movimentos sociais brasileiros, centrais sindicais e partidos políticos de esquerda, já estão adiantadas.

Logo, nada mais importante para nós que recuperarmos o tempo perdido nos meses de novembro e dezembro. Ou nos articulamos para evitar que o PT censure a mídia, que unifique as polícias, que reforme a constituição, que use financiamento público exclusivo de campanha, ou então veremos o resultado da mobilização deles em torno do que é estratégico, aliada à falta de foco do outro lado.

O documento do PT de 2014 apontava para a necessidade de se “compor uma ampla frente onde movimentos sociais, partidos e setores de partidos, intelectuais, juventudes, e sindicalistas possam debater e articular ações comuns, seja em defesa da democracia, seja em defesa de reformas democrático-populares”.

Sempre que o PT fala em democracia, isso significa “calar a boca de quem os critique”. Em cima deste princípio, é claro que eles estão motivados e organizados.

É exatamente o que está acontecendo. A frente de esquerda pretende atuar no Congresso pela aprovação de agenda progressista, como a reforma política, por exemplo, e nas ruas em contraponto às manifestações direitistas que pedem a volta do governo militar.

Que o PT iria usar as manifestações pedindo intervenção militar como um poderosíssimo instrumento de marketing é outra bola que eu cantei nesse blog há meses. Com certeza, esse pequeno grupo foi o maior tiro no pé político que assistimos em muitos anos.

Mas o caminho das pedras está aí: eles irão ao Congresso, fingirão que os coletivos não-eleitos “representam o povo”, e pressionarão pela aprovação das propostas bolivarianas. Logo, a comunicação direta com o Congresso, mostrando toda nossa indignação e expondo todas as fraudes petistas, será um diferencial.

Mas de novo é o que sempre tenho dito: foquem em demandas realizáveis, como a quebra das iniciativas bolivarianas. Deixem coisas como “intervenção militar” e “anulação das eleições” de lado. São causas políticas mortas. Sobre urnas, melhor focar em criar uma proposta positiva pedindo “transparência do voto”, onde o eleitor poderia ver uma versão impressa de seu voto. E isso só para as próximas eleições…

A força popular da frente de esquerda que se forma é clara. Entre seus líderes estão nomes de peso como o de Guilherme Boulos, dirigente do MTST, e o do ex-presidente Lula, que fez declarações públicas sobre a necessidade de ser retomado o trabalho de mobilização dos movimentos sociais e partidos da esquerda no país.

Esse é outro ponto que eu já havia desmascarado com antecedência neste blog: o PT iria nomear ministros capazes de “irritar militantes”, apenas para tê-los motivados para lutar pelas causas que mais interessam aos bolivarianos. Tanto que até Lula, o próprio “chefe”, está liderando essa iniciativa.

Até pode parecer que eu tenho bola de cristal, não? Não, não tenho. Eu apenas li La Cocina de La Ley, de Néstor Busso e Diego Jaimes. Também li The New Censorship, de Joel Simon. Assim como The Dictator’s Learning Curve: Inside the Global Battle for Democracy, de William J. Dobson. Enfim, tudo o que o PT faz não passa de um método. É só combatê-los na implementação deste método.

Outra mobilização similar se faz sentir, há cerca de um mês, por parte de intelectuais de esquerda em torno de uma agenda progressista vista como necessária neste momento da vida brasileira.

O Fórum 21, pólo de debate de intelectuais cidadãos, oficializado dia 15 de dezembro em evento em São Paulo, se propõe a atuar como oficina de idéias e respostas à estratégia de retrocesso desenvolvido pela direita.

A frente que se forma não é, certamente, a solução para conter o avanço da direita por si só, mas tem energia e robustez para fortalecer a resistência contra o desvario conservador, inconformado até agora com a vitória da presidenta Dilma Rousseff e seu programa de governo.

Uma cristalina demonstração de que o Fórum 21 conhece as necessidades do país é que a primeira assembléia, no Sindicato dos Engenheiros, elegeu como uma de suas prioridades a luta pela democratização dos meios de comunicação.

Não é grotesco que ainda existam muitas pessoas da direita escolhendo algumas demandas com base em suas manias enquanto, até irritantemente, os petistas seguem confessando onde fica Jerusalém? Chico Vigilante é mais um entregando o ouro, assim como Eduardo Guimarães o fez ontem.

 A indicação do deputado Ricardo Berzoini (PT-SP) para a pasta das Comunicações pela presidenta Dilma representa um passo importante neste processo.

Exatamente por isso logo após a nomeação de Berzoini afirmei que o PT havia escolhido o homem “certo” para o Ministério mais importante de todos atualmente: o Ministério das Comunicações.

A vitória de Dilma Rousseff, reconhecida como importante por setores democrático progressistas e de esquerda do mundo inteiro, assim foi vista porque ai enxergaram que o fato representa um avanço contra a direita e por tabela contra o oligopólio da mídia, aliadas incondicionais.

Uma série de atos públicos estão previstos em vários estados para conscientizar a população sobre a importância de sua participação na discussão destes temas.

Atos pela convocação de uma Constituinte exclusiva para a reforma política deverão acontecer em janeiro, e para fevereiro está prevista no Congresso Nacional uma manifestação pela cassação do deputado Jair Bolsonaro pelas ofensas verbais proferidas contra a deputada Maria do Rosário, que se configuraram como quebra de decoro parlamentar.

O desafio vital da frente de esquerda que se forma será deixar claro para a sociedade brasileira a importância da mobilização responsável em torno de temas definidos como a democratização da mídia, a reforma política e o combate a agressões que envolvam qualquer tipo de discriminação ou atentado a direitos humanos, de forma, inclusive, a evitar excessos como os ocorridos nas manifestações de junho de 2013.

Isso significa que eles vão sair às ruas usando os frames mais positivos possíveis, sempre apelando à “democratização da mídia”, dizendo “lutar contra os poderosos”, pedindo “participação popular” em torno de “aumento da democracia”. Será que não é momento de nos preocuparmos com a construção de frames que nos permitam lutar contra eles? Sobre frames neste sentido, este blog tem publicado conteúdo constantemente.

 Em última análise, a luta da frente de esquerda que se articula atualmente, é tornar visível à sociedade que existe uma batalha entre a democracia social e as forças regressivas, as mesmas que se sublevaram contra os avanços sociais no Brasil em 1932, 1954 e 1964, com as terríveis consequências causadas à democracia e à vida de milhares de brasileiros.

Prestaram atenção em como eles vão posicionar os frames de ataque na direção de dizer que há “inimigos do povo” (ou seja, nós), ao mesmo tempo em que se auto-rotularão como “os defensores dos oprimidos”? Bem, foi exatamente esse o melodrama usado na campanha eleitoral de Dilma. E deu certo. Como você combaterá esse tipo de frame? Como você vai reagir sabendo que, em prol dessa campanha, eles rotularão todos os defensores da liberdade de imprensa como “inimigos do povo”? Pense nisso.

Podemos até achar ridículo o discurso de Chico Vigilante, pois “radicalizar democracia” é uma picaretagem sem fim. É como se um amigo falasse a respeito de sua (hipotética) irmã mais nova: “Posso radicalizar a virgindade de sua irmã?”. Como você reagiria?

Em síntese, o post de Chico Vigilante não deixa margem a dúvidas, além de nos permitir compreender que ignorar a importância da luta contra as propostas bolivarianas já pode ser definido como leviandade.

Anúncios

9 COMMENTS

  1. Esse texto precisa viralizar. O grosso do cronograma da oposição para 2015 está contido aí, bem como seus principais desafios. Yay, ceticismo político!

  2. O problema é quem é a liderança política da Direita? Só o Bolsonaro? O Aécio e o PSDB é que não são, já está provado. São pelegos da esquerda e não duvido que queiram um Brasil Bolivariano. Essa falta de liderança que justifica o desesperado erro político dos que pediram a volta dos militares, afinal, para a maioria das pessoas quando se pensa em direita se pensa em militares, devido aos rórulos colados nas costas deles. Onde estão as pessoas que acham que a livre iniciativa pode ser implantada no Brasil? Por que estão acomodados em seus lares e não participam da cena política?
    Você pontuou bem a agenda política da direita para o Brasil, o problema é que ela inexiste de forma organizada.

    • AÉCIO NEVES é a liderança da OPOSIÇÃO. Na oposição estão: direita, centro e esquerda moderada. É qualquer um que não queira isso que o PT está fazendo. Quem disse que o PSDB quer um Brasil Bolivariano? O Luciano já bateu 30 mil vezes nessa tecla dizendo que essa birrinha com o PSDB e com o Aécio só faz os petistas rirem mais. Vamos, de uma vez por todas, nos unir e apoiar AÉCIO NEVES, que é quem mais se aproxima e melhor preparado está para assumir essa bronca.

    • Mas justamente isso serve como alavanca para um discurso de oposição contundente. Podemos argumentar que todo país democrático que se preze tem uma esquerda e uma direita atuantes. Querer desesperadamente impedir um dos lados de existir é nitidamente um sintoma totalitário.

    • Philips, alguns diriam que esse discurso seu “não ajuda em nada”, mas na verdade ajuda sim: ajuda ao PT. Oposição fracote, deprimida e conformada é tudo que eles mais querem. Que tal ajudar a oposição com cabeça erguida, punho firme, muito sangue nos olhos, muita vontade de lutar pela salvação da democracia?
      Numa situação de guerra, quem fica chorando num canto ao invés de ir pra briga só favorece ao inimigo, por desconcertar seus aliados e dar aos inimigos parte do som da vitória.

  3. Algum esquerdista que me observasse por um bom tempo aqui diria (e como um não-esquerdista que comenta aqui já me disse uma vez): “você é um mau educado que adora comentar como a pessoa que é assunto do post é feia, ridícula, etc”.
    Mas acontece que nessa esquerda-vermelh-sangue SÓ APARECE GENTE FEIA E RÍDICULA. Oh a cara desse Chico Vigilante! QUE. SUJEITO. FEIO. DA. PORRA.
    Mas se só fosse feio e rídiculo, ok, juro. Só que além de tudo é mau caráter pra cacete! Olha o projeto totalitário que ele entrega! FANÁTICO DA PORRA. Estrume de gente, verme. Inimigo da democracia, inimigo da sociedade, e sociedade-sociedade mesmo, aquela que pega CPTM às 4h40 da manhã pra ir trabalhar. Inimigo do povo.

    Não vamos deixar por isso mesmo. Por favor, alguém tem contato com o pessoal que fez as manifestações de novembro do ano passado com o Lobão, ou contato com o Lobão? Vamos organizar uma manifestação, contra a censura de mídia e contra o uso dos coletivos não-eleitos. Duas manifestações, uma pra cada. Não vamos deixar pra lá.
    Por favor, vamos fazer isso. Alguém que tenha o contato e possa falar com eles, ou passar o contato?

Deixe uma resposta