Qual a relação da reação de muitos com o caso Bolsonaro X Rosário e o atentado ao jornal Charlie Hebdo em Paris?

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jihad

O site O Antagonista, de Diogo Mainardi e Mario Sabino comentou duas reações da extrema-esquerda acadêmica brasileira diante do atentado terrorista contra o jornal Charlie Hebdo:

Leandro Narloch, na Veja.com, reproduziu o comentário de uma professora da USP, Arlene Clemesha, sobre o atentado terrorista contra o Charlie Hebdo. Ela disse: “Esse jornal deveria compreender que isso não se faz, é atrair o problema. É claro que não estou defendendo os ataques, mas não se deve fazer humor com o outro”. O professor Williams Gonçalves, da UERJ, foi ainda mais abominável. De acordo com Narloch, ele declarou o seguinte: “Quem faz uma provocação dessa não poderia esperar coisa muito diferente”.

Pergunta que não quer calar: já não vimos este comportamento há um mês atrás quando aliados do PT decidiram considerar uma piada grosseira de Jair Bolsonaro mais grave do que o crime de calúnia e difamação praticada por Maria do Rosário contra ele?

Para piorar, na época algumas pessoas da direita caíram na encenação e disseram: “É, isso que Jair Bolsonaro falou é inadmissível”. Só para uma mente que considera uma piada grosseira de defesa pior que um crime de calúnia e difamação praticado anteriormente.

Basicamente, o que Arlene e Williams fazem é exatamente a mesma coisa: transferir a culpa para as vítimas, com a ausência deliberada de senso de proporções. Por isso, vou falar um pouco mais desse assunto.

Eu fui muito, mas muito crítico em relação ao comportamento da direita em relação à pálida defesa de Rachel Sheherazade, além de erros táticos em não combater o comportamento petista diante de encenações contra Aécio Neves (no caso da “leviana”) e Jair Bolsonaro (ao dizer que “Maria do Rosário não merece ser estuprada”).

Na verdade, eu me incomodava com a conivência de muitos do nosso lado em relação a uma das maiores aberrações morais de nossa era: a ausência deliberada de senso de proporções, método dominado pela extrema-esquerda e por demais religiosos políticos, como os marxistas e os fundamentalistas islâmicos.

Esse tipo de método serve para, dentre outras finalidades, prover sanção moral para praticantes de toda e qualquer barbárie, a qual sempre será diluída em um discurso chantagista onde seus adversários são atacados por supostas faltas. Mas, pela ausência deliberada de senso de proporções, o foco da crítica pode ser lançado para um oponente que tenha cometido algo muito menos grave (ou até nem tenha cometido nada censurável), através do teatro, enquanto o praticante do método consegue fazer suas barbáries passarem despercebidas.

O mesmo fenômeno pode ser visto na questão das charges de Maomé. É fato que muitos islâmicos podem reclamar de se sentirem ofendidos, mas é da vida. A liberdade de expressão é um direito inviolável, e se você não está sendo vítima de um crime (como difamação, calúnia ou revelação de informações obtidas via espionagem), não há o que proibir. No máximo, você pode reclamar de volta, satirizar e até boicotar. Mas os fundamentalistas islâmicos não pensam assim: para eles, a divulgação das charges de Maomé é o maior de todos os crimes. Eis o demônio da ausência deliberada de senso de proporções.

Com um tanto de encenação teatral, muitos deles convencem estar diante de uma abominação (o que é um absurdo), o que lhes daria sanção moral para a prática de assassinatos. Motivados por este sentimento, eles entendem como normal atacar a sede de um jornal, matando 12 pessoas.

O mais irônico de tudo é que isso ocorreu na França, um dos países mais incisivos na promoção do politicamente correto, obsessivamente dependente da ausência deliberada de senso de proporções.

Não é possível dourar a pílula: a partir do momento em que as ações não são mais julgadas por critérios morais tendendo à objetividade, certo e errado tornam-se conceitos fluidos. A partir daí, passa a ser considerado aceitável que uma garota tenha sua vida destruída por chamar um goleiro de macaco. Ou que um deputado seja furiosamente atacado por fazer uma piada de mal gosto, ao se defender de uma outra deputada que praticara um crime contra ele (crime este que passou despercebido). Daí para se tornar aceitável retrucar charges com assassinatos é um pulo.

O fantasma do barbarismo é invocado pela relativização do certo e errado, potencializada por um método sórdido. Infelizmente, muitos de nós também temos nossa parcela de responsabilidade (mais por erro de percepção que por dolo), pois diante de várias instâncias da ausência deliberada de senso de proporções do outro lado, não raro ficamos na defensiva, e inadvertidamente entramos no debate dialético, quando na verdade deveríamos denunciar a monstruosidade moral contida no comportamento dos defensores da relativização.

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12 COMMENTS

  1. Eu li 4 comentários no DCM e 2 no Brasil171 de pessoas falando sobre esse atentado como “um ataque da extrema-direita para incitar o ódio racial”. Se essas pessoas estivessem sob efeito de LSD, eu não me importaria. O pior é que estão sob o efeito da “propina”.

  2. Para ficar na história: Poucas horas após o ataque, a mídia esquerdista começou a dizer a mesma coisa em várias partes do Brasil e até em blogs internacionais: “A culpa é da extrema-direita.”.

  3. Exato! Precisamos denunciar com voz trovejante esses crimes da esquerda, a contemporização com o terrorismo islâmico, o silêncio da esquerda internacional quando o ISIS lançou um panfleto incentivando o estupro de mulheres e meninas capturadas, e quando uma norueguesa foi presa em Dubai por ter sofrido um estupro e outras injustiças mais – tudo pela islamofilia, já que esses cretinos recebem um cascalho, ou petrodólares das arábias -, enquanto que, assim, a esquerda se exalta deliberadamente com coisas ordinárias. Redundando: o povo não se escandaliza com a corrupção e as mazelas porque essa subversão o impingiu a ser passivo com isso, e os horrores nosso do dia a dia se tornam perfunctórios, enquanto que infringir a novilíngua do politicamente correto passou a ser um crime digno de se aplicar um ordálio, como no caso de Bolsonaro com Maria do Rosário e da menina com o goleiro Aranha.

    Como escreveu Theodore Dalrymple: “O politicamente correto é propaganda comunista em pequena escala. Nos meus estudos acerca das sociedades comunistas, cheguei à conclusão que o propósito da propaganda comunista não era o de persuadir ou convencer, nem sequer informar, mas era o de humilhar (…). Quando uma pessoa é obrigada a permanecer em silêncio quando lhe dizem as mentiras mais óbvias e evidentes, ou ainda pior, quando ela própria é obrigada a repetir as mentiras que lhe dizem, ela perde, de uma vez por todas, o seu senso de probidade. O assentimento de uma pessoa em relação a mentiras óbvias significa cooperar com o mal e, em pequeno grau, essa pessoa personifica o próprio mal. A sua capacidade de resistir a qualquer situação fica, por isso, corrompida, e mesmo destruída. Uma sociedade de mentirosos emasculados é fácil de controlar. Penso que se analisarem o politicamente correto, este tem o mesmo efeito e propósito.”

    Sempre vale repetir com Edmund Burke: para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada. É inadmissível que esses intelectuais especialistas em nada relativizem tamanha barbárie e saiam impunes, culpando as vítimas dos terroristas, enquanto que uma pessoa sensata, por infringir a linguagem politicamente correta (que é mediocrizante de todas as maneiras, inimiga número um da liberdade de pensamento e expressão) é posta no olho do furacão, sendo desmoralizada pela mídia ativista e feita de bode expiatório. Já quanto aos muçulmanos, eles ficam mais ofendidos quando alguém que conhece minimamente o Corão (ao qual bem chamou Churchill de Mein Kampf de Maomé) aponta as barbáries que nele contém do que os terroristas que matam em nome do islã, gerando assim de modo justificado o medo a essa religião e aos próprios muçulmanos, que são estimulados a mentir pela religião (Taquiyya). Não temos que temer esses bárbaros. Desafiemo-los, como toda a esquerda ! Eis um discurso alentador: https://www.youtube.com/watch?v=PIb3PpKC5V0

  4. Luciano, vc vai me desculpar, mas vou discordar de vc em um ponto: a questão da ‘liberdade de expressão’. A questão é: até onde vai a liberdade de expressão? Ridicularizar, ofender algo/alguém que tem um valor inestimável pra vc é liberdade de expressão? Veja que não estou entrando no mérito do senso de proporções. É óbvio que o assassinato dos caras é uma resposta bem mais contundente. Não é esse o ponto! O ponto é que alguns estão embarcando no discurso da conveniência. Vamos lembrar que a grande maioria das opiniões que nos chegam são de jornalistas, ou seja, há aí um certo corporativismo.

    Pra ficar claro onde quero chegar, vc, naturalmente, vai se lembrar de quando um pastor da IURD chutou uma santa em pleno programa televisivo. A mídia caiu em cima do cara. Por que? Simples, porque era conveniente. Quase todos eram contra o crescimento da IURD, portanto tomaram partido dos religiosos que foram ofendidos. E o que ocorre agora? Dois pesos e duas medidas? Chutar a santa dizendo que aquilo é apenas gesso não pode. Esculachar Maomé pode? Vamos lembrar que eles também satirizaram Jesus, Deus, Espírito Santo etc. Esse papo de ferir a liberdade de expressão é balela esquerdista. O semanário se definia como de extrema esquerda. O que se fere aí é o respeito à pessoa. É mais ou menos assim: eu não acredito em Deus, então vou ‘zuar’ tudo que é relacionado a Deus. Não tô nem aí pra quem acredita, se ele tem alguma representatividade pra alguém etc.

    Pela ótica dos defensores da tal liberdade de expressão, eu poderia fazer a charge da mãe de alguém pelada, fazendo sexo, e divulgar pra todo mundo. Eu estaria exercendo minha liberdade de expressão, ainda que isso ofendesse alguém.

    Reforço: não sou a favor da censura, mas penso que o conceito de liberdade de expressão deve ser melhor definido. Desenhar um padre e uma criança insinuando pedofilia pode ser muito constrangedor para um católico, mas há margem pra isso, pois há casos reais. Desenhar um pastor com dinheiro insinuando roubo de dízimo pode ser muito constrangedor para um evangélico, mas há margem pra isso, pois há casos reais. Agora, desenhar Deus, Jesus, Maomé em situações embaraçosas, envolvendo sexo etc apenas pelo prazer de ridicularizar o que não acreditamos, ainda que isso fira a muitos??? Vai me desculpar, mas não concordo!

    Abs

    • Concordo, esse tipo de atitude a meu ver pode sim dar margem para indenização e em alguns casos até para um processo penal (caso esteja no contexto de um ultraje ao culto aqui no Brasil, por exemplo)

      Agora, devemos nos concentrar na diferença entre processar alguém e sair trucidando barbaramente qualquer um que esteja pela frente. Não há absolutamente NADA de comum entre as duas reações. Ninguém em sã consciência pode imaginar que morte imediata seja uma punição proporcional ao agravo. Já recorrer ao judiciário ou iniciar um boicote é um direito do cidadão.

      Não duvido que a BLOSTA comece a comparar essa atitude dos cristãos brasileiros que ameaçaram o porta dos fundos com processos e boicotes. Na verdade, tenho quase certeza que isso é exatamente o que eles vão fazer.

  5. Luciano, devemos passar por um processo de desintoxicação da praga do “politicamente correto”. Eu, particularmente, não sou adepta do método, pois sendo crente teria que entrar em contradição com os ensinamentos divinos. Se Jesus fosse politicamente correto jamais teria chamado os fariseus de raça de víboras, nem derrubado as mesas dos vendilhões do templo. O cristianismo, infelizmente, foi contaminado por essa ideologia vagabunda e diabólica e muitos crentes estão confusos. Mas eis o que Deus pensa disso:

    Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo! Isaías 5:20

    A interjeição “Ai” na Bíblia indica juízo severo contra os que praticam um determinado erro. Deus não tolera esse tipo de comportamento.

    Jesus reitera o mesmo pensamento quando diz “Seja sua palavra sim, sim e não, não, o que passar disso é de procedência maligna”.

    Concluindo: a lavagem cerebral deve ser desfeita em todos os sentidos.

  6. Só vale lembrar uma coisa: existe diferença entre o humor inteligente e o escárnio e desrespeito com a fé e cultura alheia… Aqui no Brasil, isso dá até processo (Artigo 208 do CP).

    Abraços!

  7. Para variar, aquele lixo em forma de gente chamado Gregório Duvivier defencando no computador:

    https://twitter.com/gduvivier/status/553192769817444352

    Não foram os conservadores que atacaram a sede da Abril, assim como não são os conservadores que vivem pedindo a censura da mídia.

    https://twitter.com/gduvivier/status/553215086945632259

    Claro!Até porque o pessoal que atacou a editora Abril fez isso em prol da liberdade de expressão.

    https://twitter.com/gduvivier/status/553246233364815872

    Não, o negócio do PT é censura sutil mesmo.

    https://twitter.com/gduvivier/status/553199212410970112

    Disse o cara que apoia a Luciana Genro e o seu “socialismo concreto”.

    Para terminar a merda dita pelo Latuff:

    http://oglobo.globo.com/mundo/charge-de-maome-sem-roupa-provocacao-religiosa-rasteira-diz-carlos-latuff-14994133

    Quem fala em provocação rasteira é autor disso aqui:

    https://latuffcartoons.files.wordpress.com/2014/07/blame-hamas-altagreer.gif

    https://artintifada.files.wordpress.com/2009/01/hamas_fighter_by_latuff2.jpg

    http://latuffcartoons.files.wordpress.com/2012/11/mainstream-media-different-weight-given-to-israel-and-gaza.gif

    (Quem vê Globo News e cia sabe que essa charge é falaciosa)

    https://latuffcartoons.files.wordpress.com/2014/08/hamas-e-israel-negociam-no-cairo.jpg

    Latuff está seguindo direitinho os ensinamentos de Lenine (Acuse-os do que você faz, chame-os do que você é).

  8. “Quem faz uma provocação dessa não poderia esperar coisa muito diferente”. Isso pode ser usado por nós pra desconstruir essa praga de extremismo islâmico. Realmente, dado que sabemos que estamos lidando com adeptos de uma religião que incentiva o assassinato de quem blasfema contra seus profetas, não dá pra se esperar reação muito diferente dessa. O que é totalmente diferente de dizer que uma coisa justifica a outra.

    Só acho que seria ideal se conseguíssemos puxar isso pra associar também à esquerda.

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