O que significa a potência da indignação real na luta política?

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silas

Um amigo me questionou a respeito de meus repetitivos e incisivos pedidos para que as pessoas demonstrem mais indignação diante das atrocidades praticadas pela extrema-esquerda. Eis o questionamento resultante: “Mas como eu expresso a indignação?”. Hora de esclarecimentos, portanto.

Para início de conversa, de fato é preciso estarmos indignados diante de várias coisas propostas pelos bolivarianos. Se você não está indignado com propostas como censura de mídia, financiamento público de campanha,  decreto soviético e unificação das polícias, então provavelmente ainda não entendeu o que são essas propostas. Meu texto aqui será dedicado aos que entenderam. (Em outros momentos tenho feito esclarecimentos a respeito do real significado das propostas petistas)

Para quem está indignado de fato com propostas ultrajantes, é importante lembrar que de nada adianta sentirmos a indignação. O principal está em sabermos como expressá-la adequadamente. A forma como reclamamos de algo define muita coisa. Um “ah, que coisa chata, não?” é quase o oposto de “isso não pode mais acontecer”.

Para a adequada manifestação de indignação, precisamos saber converter o sentimento real de indignação em palavras, além de tentar neutralizar qualquer forma de derrotismo antecipado e conformismo patológico.

Conformistas sempre validam o discurso oponente, pois, ao aceitarem as condições impostas pelo inimigo, sub-comunicam para a plateia a ideia de que seu adversário está “no caminho certo” ou “não tão errado assim”. Derrotistas fazem o mesmo tipo de sub-comunicação, e, em muitos casos, dão mais poder ao adversário do que ele realmente tem.

Sei que é desagradável reconhecer as coisas como elas são, mas é a dinâmica social. Quem declara “ah, é assim mesmo” valida o comportamento considerado errado. “Ah, é assim mesmo” era a frase proferida por vários escravos quando estes não tinham esperança alguma de libertação. Frases assim tinham uma única funcionalidade: desanimar qualquer ação de mudança. Conscientemente ou não desta funcionalidade, sem querer muitos acabam lutando por sua própria opressão. A mesma regra vale para “ah, não tem mais jeito”, que é a declaração antecipada de vitória de seu oponente.

Enfim, uma verdadeira e eficiente manifestação de indignação depende antes de tudo da extirpação de comportamentos conformistas e derrotistas, que, ao contrário de danificar o seu oponente, só o fazem aumentar em poder.

A indignação deve demonstrar rejeição ao status quo, dando um senso de urgência para a mudança. Logo, expressões como “não podemos mais aceitar (x)” ou “é inacreditável que alguns de nós ainda tolerem (y)” atendem a esses princípios. Expressadas de forma assertiva, elas transmitem ao público de que uma mudança não só é possível, como urgente. E, além de tudo, você exige essa mudança, ao menos em termos morais.

Em resumo, então, seguem os três itens para um checklist de manifestação de indignação, que deve, (1) Demonstrar a possibilidade da mudança, (2) Demonstrar a urgência da mudança, (3) Demonstrar que você exige esta mudança.

Fugindo de qualquer forma de discurso derrotista ou conformista, e tendo estes três princípios em mente, você está no caminho certo da adequada manifestação de sua indignação.

Especialmente quando você está mudando o status quo, esse é um diferencial para fazer as outras pessoas comprarem a sua ideia.

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7 COMMENTS

  1. Buscando contribuir para o post, acho que a indignação contém três elementos: (1)Declaração da rejeição, (2) justificação da rejeição e (3) retórica da rejeição. Nesse sentido, os três pontos que o Luciano colocou, fazem parte da justificação da rejeição. A declaração é necessária ou, pelo menos se voce for habilidoso, levar a pessoa com quem voce conversa a declarar. Declarar explícitamente pode ser útil para esclarecer para as outras pessoas o que voce está defendendo, mas pode perder um pouco o efeito persuasivo. Se, a partir das próprias justificativas, a outra pessoa chegar na mesma rejeição é mais provável ela ceder ao que voce está defendendo, pois vai ficar mais claro para a própria pessoa como a justificativa justifica a rejeição(já que ela fez esse raciocínio sozinha). A retórica da rejeição envolve todos os aspectos secundários ao argumento e a rejeição que voce defende. Esta retórica, envolve a expressão da emoção, clareza das idéias, a comunicação adequada, uso de figuras de linguagem etc. Esta retórica tem duas funções: potencializar o convencimento das justificativas e da rejeição; e aumentar o sentimento de indignação e desejo de ação da outra pessoa.

  2. Para quem está indignado de fato com propostas ultrajantes, é importante lembrar que de nada adianta sentirmos a indignação. O principal está em sabermos como expressá-la adequadamente.

    Bingo.

    O problema, acho, é que muita gente não consegue se expressar e não deixa a indignação passar do estágio do sentimento. Daí a indignação fica sempre atrelada à emoção, o que é um problema — afinal, emoções são temporárias. Quando a gente consegue raciocinar a nossa indignação, ela se atrela ao nosso raciocínio e perdura na nossa mente, nos dá foco, e em última análise molda nosso comportamento.

  3. Ainda nem li o artigo, mas hoje mesmo estava pensando no assunto do título, e resolvi tentar aplicar o shamming com exposição de indignação. Compartilhei em meu facebook este artigo do Moura Brasil, deixando os tweets do deputado petista aparecendo:

    http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/2015/01/08/em-2-tuites-o-extremo-cinismo-de-um-deputado-do-pt/

    Junto foi esta mensagem:

    “Esses pilantras petistas deviam ter vergonha de vir a público fazer declarações como esta, que demonstram a completa falta de senso de proporção, bem como a completa desconexão com a realidade. Alguém já viu um cristão – seja evangélico ou católico – agredindo um praticante de alguma outra religião “em nome de Jesus”? Ou agredindo, mesmo verbalmente, alguém que faça piada com Jesus ou algum dos apóstolos ou profetas? Ou dando tiros em gays por serem “pecadores, filhos do diabo” ou qualquer coisa que sequer se pareça com isso?
    O que existe é um extremismo anti-cristão e anti-civilização ocidental, ávido por nos difamar e nos silenciar. Só não nos perseguem, agridem fisicamente e matam porque isso colocaria a opinião pública contra eles, mas eles já estão cuidando disso. Imagine essa corja com a capacidade de manipular a mídia, secando as fontes de renda de todos aqueles que os criticam e denunciam, e enriquecendo os seus puxa-sacos particulares? Sem dúvida não serão os Cristãos os únicos a sofrer. Por isso URGE que nos mobilizemos!”

    Aceito elogios, mas prefiro críticas, pra tentar melhorar o tom, pois pretendo escrever um blog sobre política direcionado a cristãos a partir deste ano, e quero aprender a jogar direito este jogo.

  4. Antes de começar a ler esse blog eu agia muito na linha Direita da Depressão, de dizer que “não tem jeito mesmo”, “que bosta, e não vai ter como mudar”, afinal os amigos mais próximos meus eram dessas opiniões também, conversávamos sobre que merda tá o país com o PT e terminávamos com um “é, o Brasil não tem mais jeito mesmo”.
    Aí comecei a ler aqui, no começo do ano passado. E vi que eu não estava simplesmente “não ajudando em nada”: eu estava ajudando sim, a porra do inimigo, a porra do PT!
    Mudei completamente de postura. Compreendi que muito do problema era cultural, era preciso agir na cultura, nas conversas por aí, nas redes sociais… e mandei pro caralho aquela postura depressiva e derrotista. Não deu pra fazer isso com todos os amigos, infelizmente… alguns ainda afirmam com quase um certo prazer masoquista que “não adianta, isso é bonitinho falando, mas não tem jeito, PT já dominou tudo”. Explico que tem um petista rindo a cada uma dessas, mas não adianta. Ao dizerem que “nao tem mais jeito” não estão falando do país – estão falando deles mesmos.
    Por outro lado, outros amigos e parentes agiram bem diferente. Recomendei esse site pra muitos, e alguns já são leitores diários.
    Antigamente comentava em sites esquerdistas mas tinha parado, e agora estou aos poucos voltando mas melhor, mais esclarecido e treinado, graças ao Ayan (antigamente eu só ia pra xingar e xingar e ser bem grosseiro, não levava a nada).
    Com amigos de faculdade tenho minha turma que não é muito chegada em PT mas não muito chegada também em conversas desse tipo. Mas, de um ano pra cá, aprendi com esse site a falar melhor sobre esse assunto, de um jeito que fique interessante e esclarecedor.
    Onde faço estágio não rola: a tal chefe esquerda caviar, que troca de carro todo ano, mora em condomínio fechado numa casa com gramado e piscina, trata mal todos os que estão em função menor que a dela, mas é petista roxa, adora declamar discursos sobre pobreza, distribuição de renda, e fala mal de ricos e elitizados e do Aécio o dia todo. Às vezes converso com colega de estágio a respeito desses assuntos quando ela tá longe, mas é raro.
    Espero estar sabendo fazer minha parte e sendo um bom soldado, mas também espero que muitos que comentem aqui não fiquem apenas comentando aqui.

    • Cauê, somos dois. Grato por compartilhar sua historia, vivenciei algo parecido, mas no meu caso tinha mais tendências anarquistas (algo que veio depois que sai do esquerdismo ao qual fui doutrinado) e todas as minhas conversas tendiam ao niilismo, desde agosto do ano passado comecei a acompanhar esse blog aos poucos e depois diáriamente e foi aí que realmente aprendi o valor de ser pragmático em política e na vida!

      Mais uma vez grato pelo seu trabalho Ayan.

  5. Sobre acessar sites de esquerda me incomoda saber que estou clicando e aumentando suas audiências. Geralmente faço isso no Observatório da Imprensa para um público mais educado. Postar em Carta Capital e Pragmatismo já desisti. UOL com um público mais heterogêneo talvez dê um resultado melhor. Brasil 247 nunca postei nem o farei.
    Pensando seriamente em motivos reacionários para festas infantis. Festejar o Mickey não surte mais resultado.

  6. Isaías 10
    1 Ai daqueles que fazem leis injustas, que escrevem decretos opressores,
    2 para privar os pobres dos seus direitos e da justiça os oprimidos do meu povo, fazendo das viúvas sua presa e roubando dos órfãos!
    3 Que farão vocês no dia do castigo, quando a destruição vier de um lugar distante? Atrás de quem vocês correrão em busca de ajuda? Onde deixarão todas as suas riquezas?
    4 Nada poderão fazer, a não ser encolher-se entre os prisioneiros ou cair entre os mortos. Apesar disso tudo, a ira divina não se desviou; sua mão continua erguida.

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