Mais uma entregada inacreditável: “A direita não pode falar do atentado ao Charlie Hebdo, pois a publicação era de extrema-esquerda”

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charlie

Alguns colunistas da extrema-esquerda (e na BLOSTA você os encontra em grande quantidade) estão surgindo com um novo argumento capaz de deixar alguns de nós com pena deles, tamanho o tiro no pé. Mesmo assim, eles continuam perigosos, motivo pelo qual o sentimento de comiseração não deve nos desanimar durante o empreendimento de refutá-los.

Leia um trecho do argumento do Pragmatismo Político:

Entender o atentado de 7 de janeiro contra o Charlie Hebdo, um dos mais graves já ocorridos na França, apenas como um ataque à liberdade de expressão é uma meia verdade e envolve um grande risco político de interpretação.

Na verdade foi um ataque à liberdade de expressão sim, pois os terroristas islâmicos não dão a mínima se os jornalistas gostam de Marx ou não. Aliás, eles são fundados em teorias revolucionárias no estilo marxista. O livro Al Qaeda e o que Significa ser Moderno, de John Gray, mostra como as bases do terrorismo suicida estão no marxismo, assim como nos principais formatos da religião política que o tenham antecedido.

Note que essa “coisa” que eles chamam de argumento segue o seguinte modelo: “A direita está denunciando o atentado ao Charlie Hebdo, o que é absurdo, pois eles nem imaginam que a publicação era de extrema-esquerda, portanto não faz sentido essa crítica da direita”.

E tem mais:

O risco de interpretar o atentado como meia verdade é alimentar ainda mais um dos principais oponentes do semanal satírico, o fascismo europeu, e fomentar a polarização entre os extremistas de direita e do Islã. Não indicar os assassinatos de Paris como um atentado à extrema-esquerda – e simplesmente contra a sociedade ocidental e a liberdade de expressão no abstrato – abre espaço para fortalecer aquilo que os jornalistas do Charlie Hebdo mais repudiavam: a extrema-direita. E, como dizia Charb, “a Frente Nacional e o fascismo islâmico são da mesma seara e contra eles não economizamos nossa arte”.

Heeeeeinnn?

É isso mesmo que você leu. Eles dizem que, pelo fato do Charlie Hebdo ser de extrema-esquerda, ninguém “pode falar nada”, a não ser se for de esquerda ou extrema-esquerda.

Mas é rigorosamente o oposto: uma moral racional deve abarcar tanto os membros do grupo como aqueles fora do grupo. Não é sequer preciso um estudo aprofundado de ética para chegarmos a essa conclusão. Dito de outra forma, qualquer pessoa que valorize – que realmente valorize – a liberdade, irá defendê-la tanto se ela for exercida por alguém de seu lado político, como por um oponente.

É isso que permite que nós achemos errado tanto um atentado contra o Charlie Hebdo, que é de extrema-esquerda, como contra uma publicação de direita.

Esses argumentadores da BLOSTA tem dito coisas como “se os reacionários ao menos soubessem que o Charlie Hebdo odiava seus posicionamentos”. Mas, para eles, o pior é que todos já sabíamos disso. E nem por isso eles deveriam ser assassinados. Na verdade, ninguém deve ser assassinado apenas por seu posicionamento político, seja de direita ou de esquerda.

O que é mais inacreditável é que todos os colunistas usando este tipo de argumentação estão nos confessando sua incapacidade de viver sob regras morais aceitáveis para a sociedade, exatamente por acharem que algo só é certo se cometido em favor deles, e errado se for cometido contra. Mas é precisamente isso que os torna tão perigosos.

Ou seja, sem querer, eles estão nos confessando os princípios de sua “moral” que os incapacita para a vida em sociedade.

Mas a melhor das confissões pode ser interpretada a partir desta declaração deles: “Não indicar os assassinatos de Paris como um atentado à extrema-esquerda – e simplesmente contra a sociedade ocidental e a liberdade de expressão no abstrato – abre espaço para fortalecer aquilo que os jornalistas do Charlie Hebdo mais repudiavam: a extrema-direita.”

O fato é que quase sempre que a extrema-esquerda chama alguém de extrema-direita, na verdade está se referindo a um perfil diferente de esquerdista. Mas entre os que rejeitam os ataques ao Charlie Hebdo estão direitistas, centristas e o que valha. Aliás, é da extrema-esquerda que estão vindo as transferências de culpa para os jornalistas do Charlie Hebdo. Isso por que ultimamente a extrema-esquerda tem achado melhor capitalizar em cima do truque da falsa islamofobia, mais do que defender a liberdade de expressão do Charlie Hebdo. Ironicamente, a extrema-esquerda ajudou a massacrar outros colegas da extrema-esquerda, com os quais não estavam muito alinhados. Marxistas influenciando a destruição de outros marxistas não é algo tão inédito assim, certo?

Mas, se como já ficou claro antes, os atiradores não estavam interessados no marxismo do Charlie Hebdo, mas em sua atitude de publicar as charges. É absolutamente irrelevante o posicionamento político da vítima neste momento. Na verdade, o que importa é o direito de alguém publicar charges satíricas ou não, independentemente de sua localização no espectro político.

Eis então a maior das confissões: pontualmente quando o assunto é relacionado à liberdade de expressão (sendo irrelevante o posicionamento político da vítima), eles fingem que a questão é ideológica, mostrando o quanto o tema da liberdade de expressão é pisoteado por eles.

Quer dizer que enquanto muitas pessoas mais lúcidas estão colocando suas ideologias de lado para discutir o valor da liberdade de expressão, a extrema-esquerda, representada neste texto do Pragmatismo Político (assim como em vários outros na BLOSTA), quer evitar discutir a questão, pois sabe que este é o momento onde eles serão mais facilmente expostos por sua rejeição à liberdade de imprensa.

Algo aconteceu com a extrema-esquerda após o atentado ao Charlie Hebdo. E não foi nada bom para eles. Desesperados ante a comoção mundial, começaram a tentar arrumar uma desculpa esfarrapada atrás da outra (especialmente por saberem como é fácil para qualquer pesquisador descobrir as relações promíscuas entre o islamismo radical e o esquerdismo, tanto europeu quanto sul-americano).

Como baratas tontas, estão se atropelando e dando confissões maravilhosas, como estas que acabamos de ver: para eles, (1) alguém só deve se importar com as vítimas se for do seu lado político, (2) não é tão importante falar sobre liberdade de expressão, mesmo que esse seja exatamente o assunto em questão.

Obrigado pelas confissões, pessoal!

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14 COMMENTS

  1. Mais um texto e informações relevantes. Assisti ontem um vídeo no youtube a respeito do Livro “A Arte da Guerra Política”, David Joel Horowitz, e o palestrante comentou sobre você. O vídeo tem o nome do livro de Horowitz. Parabéns. Com suas informações e pesquisas estou combatendo os psicopatas esquerdistas aqui da minha cidade, são muitos. Na verdade, os socialistas são psicopatas mesmo, testemunho todo o dia isso. O partido e a causa acima de tudo.

  2. Alguém que possui o senso ético e moral deturpado não consegue entender como outras pessoas de um espectro político diferente podem lutar pela liberdade de expressão. Agora conseguimos entender, por exemplo, como a extrema esquerda não atacou aquela lista negra de jornalistas que o PT publicou:

    http://oglobo.globo.com/opiniao/a-lista-do-pt-12915771

    Para eles, a frase do Voltaire sobre liberdade de expressão não possui significado algum:

    “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.”

  3. “Esses argumentadores da BLOSTA tem dito coisas como “se os reacionários ao menos soubessem que o Charlie Hebdo odiava seus posicionamentos”. Mas, para eles, o pior é que todos já sabíamos disso. E nem por isso eles deveriam ser assassinados. Na verdade, ninguém deve ser assassinado apenas por seu posicionamento político, seja de direita ou de esquerda.”

    Eles demonstram que julgam os fatos parcialmente, ninguém de direita deveria falar em prol do Hebdo, isso não entra na cabeça desses esquerdistas, afinal eles evitam a todo custo falar em prol de algo ou alguém de que tenha posições conservadoras, ou de direita. Ou seja, quando alguém é vitima de algo, antes de simpatizar com a vitima primeiro fazem um questionário sobre a cor da pele da vitima, sua condição social, credo religioso, nacionalidade e ideologias políticas; se tudo estiver de acordo com seus critérios aí sim eles bradam contra os agressores.

    Já a pessoa moralmente sadia condena crimes seja contra quem for e cometidos por quem for. Os esquerdistas querem insinuar que os direitistas só poderiam condenar o ataque islâmico na França se os humoristas do Hebdo fossem de direita! O que é um absurdo!!!

    No caso esquerdista esse caso os deixa em saia justa, pois eles defendem tanto o trabalho do Hebdo -que satirizava e zombava da direita, dos judeus e dos cristãos- quanto justificam a ações criminosas de islamicos, então neste caso eles tem de tomar uma decisão penosa similar a de um homossexual que assassinasse uma pessoa negra, o esquerdista ficaria em dúvida a respeito de quem tomaria partido, do gay ou do negro! De toda forma ele terá de pensar numa forma de capitalizar em cima da tragédia em prol de suas causas de esquerda o máximo possível.

    É interessante que embora as vitimas francesas fossem também esquerdistas, o que é vemos são esquerdistas muito mais preocupados em defender o islã do que a livre-expressão das vitímas, ou seja, estão traindo seus próprios co-irmãos assassinados!

    Quanto aos terroristas islâmicos eles não ligam se suas vitimas são pobres ou ricas, capitalistas ou socialistas, conservadoras ou liberais de direita ou de esquerda. A sua dicotomia de mundo baseada no conceito da Jihad é bem diferente, “se estão criticando nossa fé e zombando de nosso profeta já basta para serem nossos inimigos” pensam eles.

  4. é por este motivo que os esquerdistas estão solidários com as vítimas, embora alguns se entreguem, se fossem de direita os mortos, alguns esquerdistas ficariam quietos, os piores celebrariam.
    para esses esquerdopatas basta ser um pouco mais à direita deles para ser criminoso, alguns já até rotulam o PT como de direita.

    Direito, liberdade, justiça, é apenas quando, para o que e quem lhes convém.

    E é por isso que detesto esquerdista.

  5. Fantástico texto mais uma vez Luciano. Parabéns.

    Para eles – a esquerda – é simplesmente inconcebível que alguém abandone qualquer convicção ideológica em nome de defender o simples direito natural da liberdade de expressão.

    Isso acontece pois eles não conhecem o conceito de fraternidade. Para eles, a ajuda deve partir do estado. Iniciativas pessoais e privadas de qualquer tipo de benevolência são ilegítimas.

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