Brasil247 publica texto usando o atentado contra o Charlie Hebdo como argumento para censura de mídia

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Mais um exemplo de desrespeito à liberdade de imprensa vindo do Brasil247, que cada vez mais tem se especializado em agir feito urubu em cima de carniça. Como sói tem ocorrido nestes casos, o pedido não muda: censura de mídia. (Aliás, a censura sutil não é censura a priori, antes que qualquer bolivariano se finja de desentendido)

O texto que vocês lerão foi escrito por Gustavo Gindre, jornalista integrante do Coletivo Intervozes (que vive pedindo “Ley de Medios”) e, conforme sua própria descrição, especialista em regulação da atividade cinematográfica e audiovisual. Isto é, alguém que ao invés de produzir algo que preste vive querendo regular o que os outros podem assistir ou não. Não dá para descer mais baixo que isso.

Enfim, leiam o texto Há limites para o humor?, de Gustavo Gindre:

Peço um exercício de imaginação para um debate que me parece importante.

Vamos imaginar que essa chacina em Paris não ocorreu. Por um minuto vamos imaginar que os jornalistas continuam vivos.

Então, sem o trauma dessas mortes, que tal refletir sobre os limites do humor?

Vejam que não estou falando de censura (que é sempre a priori). Ninguém está dizendo que não se possa fazer humor com QUALQUER coisa (inclusive racista, sexista, xenófobo, etc). Eu pelo menos defendo que não deva haver censura prévia (inclusive aquela que existe diariamente nos veículos de comunicação privada e que tão pouca gera tão pouca indignação).

Mas, suponhamos que haja alguma regulação (e não, por exemplo, o bundalele que impera no Brasil). Então, em que momento essa regulação pode ocorrer (sempre a posteriori) para punir eventuais excessos (como o racismo, o sexismo e a xenofobia que citei acima)?

Ou seja, imaginando que está claro que estamos falando de regulação a posteriori e não de censura a priori, deve haver algum limite? Se deve, qual é? Qual o limite que não inviabiliza a crítica, mas não permite o crime de ódio?

Vamos explicar de forma didática para os leitores, de forma que qualquer um possa compreender (e de forma que todos os bolivarianos vão rejeitar, obviamente).

Um dos maiores valores de nossa civilização é a liberdade de expressão, que se especializa na liberdade de imprensa. É a partir daí que podemos questionar o status quo, especialmente os donos do poder. Hoje falamos dos detentores de poder no estado inchado (antes eram os monarcas).

A sociedade civil ocidental permite que nós possamos exercer a liberdade de expressão sem que alguém tenha o direito de praticar qualquer tipo de violência contra nós por causa disso.

É claro que a liberdade de expressão pode configurar um crime quando você a utiliza para revelar dados de espionagem ou então praticar crimes (como calúnia e difamação) contra outras pessoas. Por exemplo, imagine que o Charlie Hebdo tivesse dito que um político adversário era filiado a máfia, sem apresentar provas. O jornal poderia ser processado por isso.

Mas quando a liberdade de expressão é usada para questionar pessoas públicas (políticos, celebridades, intelectuais e qualquer outro), ideias, argumentos, religiões, dogmas, ideologias e daí por diante, ela precisa ser ilimitada.

Quando nós abrimos exceções à liberdade de expressão, permitimos que pessoas e grupos possam se refugiar debaixo de ideologias e dogmas específicos para não serem criticadas, enquanto podem ter o direito de criticar os outros.

Por exemplo, imagine se fossem proibidas charges de Maomé. Seriam proibidas charges de Jesus Cristo? Muito provavelmente não. Mas a título de argumento, imagine se fossem proibidas charges contra qualquer símbolo religioso? Seriam proibidas charges de ideias seculares? Muito provavelmente não. Note que a proibição seletiva a conteúdos iria sempre privilegiar grupos em detrimento de outros. A partir daí, a liberdade de expressão perderia o valor. Basta se jogar debaixo de um guarda-chuva protegido. É precisamente isso que a turma do politicamente correto faz o tempo todo.

E quem não costuma respeitar a liberdade de expressão? Fundamentalistas islâmicos, marxistas, nazistas e fascistas. Eles sempre viveram de brechas, pelas quais achavam pretextos para dizer “liberdade de expressão não pode ser absoluta”, os quais sempre são usados para a manutenção do status quo, e, então, a perda de dois dos maiores valores do Ocidente: liberdade de expressão e liberdade de imprensa.

Quem usa o estado (ou sua força política) para ditar o que os outros podem ou não ler, no momento em que você questiona políticas públicas, personalidades, argumentos e símbolos, está praticando um crime moral contra aquilo que nos ajudou a sermos mais civilizados.

O uso desonesto de termos como “racismo” (e eles tentaram o truque para dizer que o Charlie Hebdo estava errado em publicar charges de Maomé), “sexismo” e “xenofobia” não atenua em nada este crime moral.

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20 COMMENTS

  1. e a ironia é que eles vivem criticando os militares e a direita pela censura, seria essa somente mais uma escorregada da esquerda? afinal para os esquerdopatas a única liberdade e direito absolutos são roubar e matar a burguesia e todos à direita..

      • Este é um espaço privado, sujeito às regras de seu proprietário. Portanto, se ele não quiser que algo seja comentado, tem o direito de vetar. Então você pode falar o que não pôde falar aqui em qualquer outro lugar que te aceite. É diferente de uma proibição estatal, que vale para todo e qualquer meio.

        E mais, o autor do blog pode ter problemas legais caso aceite comentários que tenham teor criminoso (caso alguém faça um comentário racista ou uma calúnia, por exemplo). Daí a importância de moderar os comentários, para se resguardar juridicamente.

  2. Esse filme já passou e sabemos como termina. Esse “remake” está ficando perigosamente igual a movimentos como o nazismo e o comunismo.

  3. Perfeito
    Deveríamos usar o seu texto e enviar para Deputados e Senadores e também para a OAB para mostrar que a omissão deles custará a nossa liberdade

  4. Acho que o Kibe Loco acertou nessa, com uma capa de revista que ridiculariza de uma vez só diversos artigos como este do Brasil 171. Destaque para o “Culpe a Vítima 2015”. Aliás, acho que ele é talvez o único que salve do Porta dos Fundos. Quando vejo o Gregório Duvivier nos vídeos, clico em “não gostei” antes de acabar de ver. O pior é que nunca me arrependo.

    http://www.kibeloco.com.br/wp-content/uploads/2015/01/LIBERDADE-DE-OPRESS%C3%83O.png

    • Estou cansada de ver tudo virar piada e a situcao só piorar. Tudo tem limite, desculpe-me nao é nada contra voce. È no geral, todos fazendo graca com tudo, é meio ridiculo. Ppor fazer piada para vender revista que esses chargistas tiveram esse triste fim. E no Brasil é a mesma coisa, piadas geniais e engracadas, mas só servem para mostrar o quanto somos incapazes de reagir e resumimos nossa revolta em rir da propria infelicidade. Já deu, passou da hora de levarmos as coisas a sério, aliás, seríssimo, 56.000 mortes por ano é mais que motivo para parar o Brasil. Na hora que a tragédia bater na porte de alguem, como bateu na minha, INFELIZMENTE; daí voces verao como está grave a situacao,. Nao esperem acontecer com voces… O Brasil é um fracasso, cabe a nós dar um ultimato, nao dá mais pra rir, pra mim acabou a piada.

      • Já diz uma música do Frejat que rir é bom, mas rir de tudo é desespero. Eu acho que o brasileiro reconhece sua impotência diante de fatos negativos da realidade e aí tenta se esconder no humor. Mas isso tem limite mesmo. Se a gente deixa a coisa rolar pode ser vítima de uma prisão sem grades.

  5. Só penso que todos devem ter a liberdade sim de expressão mas acima de tudo devem saber como usa-las pois usa-las para desrespeitar religiões e suas crenças também caracteriza-se terrorismo, sim terrorismo virtual, pois houve-se 12 mortes e quanto as milhões de pessoas que foram ofendidas e talvez até mortas em consequências de casos como estes? Deve-se fazer sim uma séria reflexão com relação a isso pois é claro que não sou a favor de terrorismo, mas nem tão pouco com terrorismo virtual como estão fazendo, pois pensem bem muitos vão dizer liberdade de expressão, tudo bem mas sabendo-se que tem responsabilidades pelo mau uso dela, pois não é pelo fato de a pessoa não crer, não ter a mesma crença ou ser ateu que deva usar o uso de liberdade de expressão como costumam falar para denegrir, humilhar as diferentes crenças no mundo. Pensem bem pois as escritas são palavras assim como os livros sagrados, assim como as imagens falam por si mesmas, pois todo ato tem suas consequências, pois antes deste atentado considerado terrorismo, surgiu um outro terrorismo que culminou a isso, sim o terrorismo virtual, pois só espero agora que tomem mais cuidados com suas liberdades de expressão, pois para que se tenha liberdade de expressão tem -se que se ter deveres e obrigações para com as sociedades humanas.

    • Vamos lá.
      Liberdade de expressão não se discute com ameaça de crime ou justificação de crime.
      O termo “todos devem ter a liberdade sim de expressão mas acima de tudo devem saber como usa-las”.
      Quem deve nos dizer como usar a liberdade de expressão? O Estado Islâmico?
      que deva usar o uso de liberdade de expressão como costumam falar para denegrir, humilhar as diferentes crenças no mundo”
      Deixe-me ver. Se eu achar a crença de outro risível, não posso expressar isso através de uma charge, certo? Se você achar qualquer ideia minha risível, você pode?
      pois todo ato tem suas consequências
      Acho que este é o reforço do problema. Se alguém tem medo de sofrer consequências por uma charge, isso deve resultar em uma ação contra quem quer trazer as consequências, não?
      pois só espero agora que tomem mais cuidados com suas liberdades de expressão, pois para que se tenha liberdade de expressão tem -se que se ter deveres e obrigações para com as sociedades humanas.
      E se alguém tem a obrigação moral, de acordo com o que acredita, de fazer duras críticas a uma religião? Esse dever não pode mais ser exercido?

  6. Brasil 247?? É aquele “brogui” chapa-branca que recebeu dinheiro do PETROLÃO! Tá explicado o motivo da matéria pro-ISIS, pró-Dilma e pró-PT.

  7. Liberdade de expressão “moderada” ou “regulada” por qualquer elemento externo ao autor da mensagem não é liberdade de expressão.

    Acreditar em liberdade de expressão implica em acreditar que temos o direito de dizer o que acharmos melhor, e implica também, que o outro, seja ele o maior dos imbecis, tem o direito de dizer seja lá o que acha que deve dizer….. não implica em defender pessoas, atitudes, ou ideias, mas sim, no direito de expô-las.

    Penso que o que pega é a frustração de tentar conversar com gente que não acredita nesse direito, pois, dependendo da mensagem ou apenas do teor dela, a resposta pode ir de uma gargalhada até um tiro na cabeça. Mas até aí, “ofensa” é um conceito meio elástico, subjetivo, e individual. Ultimamente as pessoas tem se ofendido com certa facilidade, porém, independente de tantos ofendidos, dizer ou não dizer o que se acha melhor em função de uma hipotética resposta desproporcional faz parte do foro íntimo de cada um. Liberdade implica em escolha.

    Se você resolver abrir a boca, então é melhor estar consciente de que sua mensagem vai suscitar as mais diversas reações.

    Penso que a inteligência e a polidez, no sentido de se preocupar com que a mensagem seja entendida sem que batam à sua porta com armas, ou tochas, ancinhos e foices, poderiam ser mais usadas. Mas isso também, depende da vontade do autor da mensagem. Penso que a polidez do autor está ligada diretamente a consciência que se tem da capacidade de resposta do ofendido, seja o medo de apanhar, de ser processado, de ser ridicularizado de volta, de perder o trampo, de ser preso e por aí vai. Geralmente, quem pensa que não tem nada a perder, costuma ter opiniões fortes.

    Acredito que existam formas mais inteligentes de se criticar terroristas, do que ridicularizar todo um grupo, e acabar fazendo com que apareça gente defendendo a censura, os terroristas, o revide desproporcional, e a matança, em função da tal ofensa. Mas, de novo, depende da vontade do autor da mensagem.

    Penso que não há sentido em matar alguém porque essa pessoa te acha um idiota, mas imagino que exista quem pensa diferente.

    Triste é pensar que tem nego que vai partir dessa #$%$#%$ que aconteceu na França, e vai usar isso para pedir e defender “regulamentação” de mídia, assim como já pediram a “regulamentação” da internet.

    Se a sua ideia de liberdade de expressão implica em calar, seja à priori ou à posteriori, seja lá quem for, sinto dizer, mas não creio que você seja amigo da democracia. Na democracia, a liberdade de expressão implica que, independente de alguém achar certo ou errado seja lá o que foi dito, você pode dizer. Pode falar.

    No momento em que você der ao estado o direito de calar seja o que for que ele não queira veiculado pelas diversas mídias, você perde sua liberdade de expressão, e tudo mais vira propaganda política e doutrinamento.

    E nós paramos em “1984”.

  8. A extrema-esquerda quer implantar uma espécie de Glavlit no Brasil. Era um órgão que fazia censura pós e prévia dos materiais impressos na União Soviética. Assim, todos eles precisavam ficar em conformidade com a ideologia do Partido. Pesquisem sobre ela!

  9. Prezados, expressei minha opinião pessoal a respeito em meu próprio blog, o Atitude e Reação, aqui no WordPress,com. Entendo que devemos garantir e assegurar o direito de livre expressão. Isso indubitavelmente. Mas eu creio que temos que ter a medida do bom senso a nos auto-limitar. Não é pelo fato de sermos céticos que podemos nos dar o direito exclusivista de atacar a ideologia ou a crença de alguém sem achar que o outro não se dará o direito de reagir. Vivemos em uma realidade e somos seres sujeitos a agir e reagir.

    Não há como fugir a essa regra. Mas o bom senso (e não o senso comum, que são coisas completamente distintas!) nos indica que podemos agir com ironia, mas também como sensatez. Atacar uma religião, credo ou filosofia metafísica (qualquer uma, sejamos honestos) fundamentalista ou com facções tais (me aponte alguma que não as tenha!), com opiniões, textos, charges, etc., com teor exarcebado (honestamente falando: radical e fundamentalista) é o mesmo que achar que bater com uma almofada de 10 kg de penas terá um efeito menos danoso do que com um porrete de 10 kg de chumbo. A massa é a mesma, o efeito será o mesmo!

    É bullying, é provocação, é ataque moral! Podemos satirizar, e devemos, mas atacar certos fundamentos é como provocar a ira, achando que a piada terá o efeito de penas fazendo cócegas… Não funciona assim, eles ainda não alcançaram a nossa visão das coisas, e isso é uma opção deles: somos culturas distintas, por mais que nós achemos que “somos mais evoluídos”! É como querer ensinar aos índios a falar nossa língua, vestir nossas vestes e se tornarem cristãos: para nós, nós estaremos tornando a eles civilizados, tornando-os cristãos, livrando-os do paganismo – eles estarão sendo violentados com a perda forçada da sua cultura pela imposição da nossa. Será que nós ainda não aprendemos essa lição e aonde ela nos leva inevitavelmente?

    Convido aos amigos a lerem a minha opinião a respeito em: https://atitudeereacao.wordpress.com/2015/01/12/charlie-hebdo-ser-ou-nao-ser/.

    Aproveitem para comentar e tornarmos esse e outros assuntos num debate construtivo, conforme a minha sugestão ao fim do texto: Que sejamos nós as mudanças que desejamos ver no mundo!

    A vós concedo!

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