O dia em que Duvivier viu o mundo sem (todas) as viseiras da extrema-esquerda

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gregorioduvivier

O fim do mundo parece estar próximo. Depois de Adriana Calcanhoto, é a vez de Gregório Duvivier falar algo para desgradar o partidão. Ontem ele lançou o texto Viva a Falta de Respeito, humor não é ofensivo, na Folha:

Um dos problemas de morrer é esse: vão falar muita asneira a seu respeito. E você já nem pode se defender. Não bastou serem fuzilados, os cartunistas do “Charlie Hebdo” foram vítimas de um massacre póstumo.

Pessoas de todas as áreas de atuação lamentaram a tragédia, MAS (não entendo como alguém, nesse caso, consegue colocar um “MAS”) lembraram que o humor que eles faziam era altamente “ofensivo”.

Poucas coisas irritam mais do que a vagueza desse termo “ofensivo” quando usado intransitivamente. Ofensivo a quem? A mim, definitivamente, não era. “Eles não deviam ter brincado com o sagrado”, alegam alguns. MAS (aqui sim cabe um “mas”) o que define o humor é exatamente isso: a brincadeira com o sagrado.

Discordo de quem pede respeito pelo sagrado. Para começar, acho que a palavra respeito é uma palavra que não cabe. Uma vez, vi o Zé Celso pedir a um jovem ator que não o tratasse por “o senhor”, mas por “você”. O ator disse que não conseguia porque tinha muito respeito por ele. E ele respondeu: “Não me interessa o respeito. O que me interessa é a adoração.”.

O espaço da arte não é o espaço do respeito, mas o espaço da subversão, ou então da reverência, do culto. Do respeito, nunca.

No mais, tudo é sagrado para alguém no mundo. A maconha, a vaca, a santa de madeira, o Daime, Jesus e Maomé: tudo merece a mesma quantidade de respeito, e de falta de respeito.

Esperava essa reação raivosa dos fanáticos religiosos. No Brasil, o fundamentalista prefere os meios oficiais: não usa metralhadoras, mas tem bancada no Congresso e milhões no exterior.

Muitos (dentre os quais o pastor Marco Feliciano) já externaram o desejo de que o Porta dos Fundos “brincasse com islamismo pra ver o que é bom pra tosse”. Até nisso temos complexo de vira-lata: nosso fundamentalismo tem inveja do deles.

O que nunca imaginei era que a mesma reação de “fizeram por merecer” partiria da própria esquerda. Muitos condenaram as charges como sendo islamofóbicas e lembraram que os imigrantes islâmicos já sofrem preconceito demais na França.

Mas esses imigrantes não eram os alvos, definitivamente, do humor do cartunistas assassinados. O embate não era entre franceses e não franceses, mas entre humor e fanatismo.

O traço infantil talvez confunda o leitor desavisado, mas é bom lembrar que as charges do “Charlie Hebdo” não tinham nada de ingênuas: eram facas afiadas na goela do ódio.

As coletâneas de capas do semanário sobre islamismo fazem parecer que esse era o grande tema do jornal. Não era. O jornal atirava para todos os lados, mas o alvo preferido era justamente a extrema direita de Le Pen –esse sim, islamofóbico.

Os chargistas que, mesmo ameaçados, não baixaram o tom, não devem ser tratados como pivetes malcriados que “fizeram por merecer”, mas como artistas brilhantes que morreram pela nossa liberdade. Nosso dever é continuar lutando por ela, sem fazer concessões nem perder aquele ingrediente essencial: a falta de respeito pelo ódio.

A questão por trás disso tudo é a mesma de sempre: existe limite para o humor? A questão é complexa, mas a melhor resposta parece ser a seguinte: o limite está no objeto do riso. Rir de quem está por baixo é covarde, rir de quem está por cima é corajoso. Deve-se rir do opressor, e não do oprimido.

O problema é que essa resposta gera novas perguntas. Quem é o oprimido? Quem é o opressor? Muitas vezes, essa distinção não é clara.

Uma dica: quando surgir a dúvida sobre quem é o oprimido e quem é opressor, em geral, o indivíduo que foi fuzilado é o oprimido.

Antes, algumas adições. Por exemplo, Gregório diz: “Rir de quem está por baixo é covarde, rir de quem está por cima é corajoso. Deve-se rir do opressor, e não do oprimido.”

Bom, então se rimos de artistas aparelhados pelo governo, rimos dos poderosos.

Ele também se equivocou ao dizer que o partido de Marine Le Pen era “islamofóbico”. Na verdade, é até bem moderado, mas defende uma regra para imigrações. Nada tão absurdo assim.

De resto, Gregório falou algumas coisas coerentes, que o pessoal do PT, PCdoB e PSOL não esperavam ouvir.

E não havia motivos para ele se surpreender, pois a extrema-esquerda precisa mesmo babar o ovo do Islã, pois isso atende a propaganda anti-americana, além de justificar imigração excessiva, permitindo aumento do aparelho estatal. É a típica indústria de criação de miséria socialista.

Ademais para cultivarem seu show de vitimismo, eles usam o politicamente correto sempre que necessário.

Realmente, a extrema-esquerda é a opressora de todo este cenário.

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33 COMMENTS

  1. “O que nunca imaginei era que a mesma reação de “fizeram por merecer” partiria da própria esquerda.”

    Não imaginou porque é um idiota útil.E não tem essa de “mesma reação”, até mesmo porque essa reação só veio da extrema-esquerda (que usou a ridícula desculpa de que direitistas não podiam defender o os cartunistas pois estes eram de esquerda).

    “Rir de quem está por baixo é covarde, rir de quem está por cima é corajoso. Deve-se rir do opressor, e não do oprimido.”

    Ora, mas partindo desse princípio ele está apoiando justamente o discurso da extrema-esquerda da Europa, que diz que os islâmicos é que são os “oprimidos”
    E por favor, dizer que rir de quem está por baixo é covardia?Será que essa topeira nunca viu humoristas como Chris Rock, que faz piadas satirizando o racismo que os negros sofrem?

    https://www.youtube.com/watch?v=GgTQXGLQB8M

    Será que o Rock é covarde?Eu posso qualificar o Porta dos Fundos como “covarde”, já que o humor que eles fazem com o cristianismo também pode ser qualificado de “rir quem está por baixo” (principalmente aqueles que são perseguidos pelo Isis)?

    Ele critica tanto o “mas” que usam para o chargista, mas no final comete o mesmo erro.

      • Quando eu perguntei se ele era racista estava perguntando segundo a visão do Duviver (para ele quem rir de quem está por baixo é covardia).O Chris Rock vive fazendo piadas com os próprios negros (o início do vídeo ele faz piadas com indígenas).Segundo a “lógica” de Duvivier ele seria um covarde que rir de quem está por baixo e é oprimido.
        O vídeo que você postou não vem ao caso, assim como não vem ao caso a posição política do Rock.

  2. “A questão por trás disso tudo é a mesma de sempre: existe limite para o humor? ” (Gregório)

    Respondo: Sim, existe. O limite que o humorista tem é o mesmo que o de qualquer pessoa. Ele pode pegar algo da realidade, destacar e ampliar, mas não pode falsificar e atribuir aquela qualidade à pessoa de maneira fraudulenta. Passou do que é verdade, aí é injúria, calúnia ou difamação.

    Acho que tanto você quanto o Gregório estão fazendo confusão quanto a isto.

  3. Como é proibido fazer uma imagem do profeta Mohammed, achincalhá-lo é visto como uma transgressão grave. O grupo terrorista de plantão (ISIS) infiltrou alguns e acabou com a “graça”. Isso será comemorado por muitos. Uma observação imparcial.

  4. Pô, novamente equiparar os terroristas islâmicos com religiosos no Brasil. Esse cara é mais um filho da puta que utiliza as vítimas dos atentados na França para atacar os líderes cristãos daqui. É vigarice sem limites.

  5. Duvivier chama de fundamentalistas os que defendem aqui no Brasil a fé cristã, valores familiares, valores na sociedade e que seguem a Cristo??? Hum, interessante, e eles esquerdistas seguem a quem? A Marx?? Um cara totalmente sem valores, que se quer trabalhava e sustentava seus filhos e é venerado por suas abobrinhas socialistas. Duvivier coloca tudo no mesmo saco fundamentalístico, cristãos brasileiros na política que defendem a família e terroristas islâmicos. Comparação totalmente descabida e estúpida.

  6. Republicou isso em Enquanto há vida, há esperança!e comentado:
    Desde as primeiras imagens do ataque ao Charlie Hebdo que penso nesse ator em razão de uma polêmica surgida a respeito de um vídeo do Porta dos Fundos sobre o nascimento do Cristo, publicado, se não estou enganado, próximo ao Natal de 2012 ou 2013. Video este que me levou a me juntar aos religiosos que protestavam por ser desrespeitoso para com suas crenças. Naquela ocasião, parei de acessar o sítio do Porta dos Fundos na Internet, o que não deve tê-los prejudicado em absolutamente nada.

    Os eventos da semana passada me ajudaram a clarear bastante o sentido da frase Liberdade de Expressão que o governo do PT está se esforçando por sufocar aqui no Brasil a exemplo do que já fizeram bem-sucedidos ditadores sul americanos como Maduro, da Venezuela e a Kirschner da Argentina.

    O que o Duvivier fala aqui, nesta matéria, é um soco na boca do estômago de todos os representantes covardes ou psicopatas (não sei como classificá-los) da imprensa chapa branca que se levantaram para acusar as vítimas e defender os terroristas os quais, como aquela que nos governa, só entendem que “direito à vida” só têm aqueles que se sujeitam às suas ditaduras.

    Jamais seria leitor assíduo do Charlie Hedo se fosse publicado aqui no Brasil, como fui, no passado, na época do regime militar. do Pasquim, porque respeito que outras pessoas considerem sagrados e dignos de respeito símbolos e valores que não são exatamente os meus. Mesmo assim, considero os jornalistas assassinados ,mártires da democracia como, aliás, qualquer pessoa normal, em seu estado mental equilibrado.

    Também não tenho certeza se voltarei a colocar o Porta dos Fundos entre os meus “Favoritos” do Youtube, mas admito que, apesar das ideias socialistas que defende, e mesmo tendo se limitado apenas à arte do humor – o que não significa que ele não apoie a “democratização” dos meios de comunicação proposta por Dilma e seus cúmplices – o Duvivier ganhou meu respeito pela coragem de se colocar contra seus pares ideológicos nesta questão todo importante que é a da liberdade total de expressão!

  7. Concordo com dois comentários já feitos aqui: Embora o texto seja BEM melhor do que a média do que Duvidier costuma escrever, ele só está defendendo a própria causa, já que participou da criação daquela piada sobre a mulher que tinha a genitália parecida com Jesus. Ele não pode colocar o MAS, porque cairia sobre ele.
    Além disso, no meio do texto, ele aproveita para dizer que esperava a defesa dos assassinatos por parte dos fanáticos religiosos daqui, o que é uma mentira deslavada. Até alguns podem ter defendido, mas a imensa maioria das defesas veio da esquerda mesmo. E dizer que nosso fundamentalismo tem inveja do dos outros é uma frase de efeito estúpida. Existem muitos criminosos do PCC que são evangélicos. Não custaria nada que algum fosse lá no Porta dos Fundos e matasse todo mundo. Mas isso não é feito porque o Cristianismo lida de forma diferente com os não cristãos, ao contrário dos muçulmanos.
    Enfim, o texto merece no máximo uma nota 4, o que é uma evolução nos textos dele, que são sempre nota zero…

  8. Ele pode crer que se continuar lambendo o governo, vai ter o mesmo destino do pessoal do “Charlie”. Pode não ser eliminado fisicamente, mas pode ser podado em sua arte. Censura é censura. Um dia ela bate na porta dos alinhados também.

  9. Duvivier é mais um idiota útil. Daqueles que realmente acredita no discurso vazio da esquerda e acha mesmo que a direita é malvada, rascista, homofobica, mimimi…

    O otário, pobre coitado, não sabe que ele está ajudando a implantar uma ditadura nesse país e vai chegar a hora em que os que são cheios de idealismo, como é o caso dele, serão os mais reprimidos, como na união soviética onde os idealistas foram os primeiros grupos fuzilados quando se tocaram que haviam ajudado a implantar o inferno e não o paraiso que acreditavam.

    Duvivier é só mais um dos inumeros papagaios a repetir cega e burramente o discurso de como a esquerda se vende para os inocentes e trouxas. Mas parece que ainda tem um ou dois neuronios vivos, visto que mesmo que por uma fração de segundo, tenha enxergado o óbvio!

  10. Legal que ele tenha falado algo que vai desagradar PT e suas bolsinhas de prostituta (novo apelido para as linhas auxiliares), mas “legal” não no sentido de “puxa, que demais, que sacada genial” e sim “legal” no sentido de “quero ver os esquerdopatas agora amolando ele”. Estou aguardando a diversão. Adoro ver briga interna de esquerdopata.

    Agora, o texto dele como um todo, uma bosta. Vem com essa ladainha de rir só do opressor, nhénhénhé, traz uma resposta vergonhosa em uma parte, nada além de toda a vergonha alheia de sempre.

  11. “Deve-se rir do opressor, e não do oprimido.”

    Gostaria de saber dele quais são os critérios objetivos para definir quem é o opressor e quem é o oprimido. Os humoristas do Porta dos Fundos, são opressores ou oprimidos???

  12. Luciano, Duvivier foi coerente, afinal ele é do Porta dos Fundos, incoerente é o LATUFF.

    Ambos trabalham com humor ofensivo as religiões, assim como o era o Charlie, seria muita hipocrisia ele dizer que o Charlie foi longe demais, que mereceu ou que etc, pois estaria se autoincriminando com as blasfemias que ele mesmo faz no porta dos fundos

    • Entre Duvidier-ô-dó e o Latuff, prefiro o primeiro, já que o segundo é um senhor apologista do crime, e não em suas charges, mas em seus ditos mesmo. Boa observação.

  13. Pois é …

    MAS caberia indagar a esse medíocre se a falta de respeito do humor, conforme ele defende, se estenderia à militância gayzista, atualmente ultrapoderosa no Brasil e em vários outros países do mundo. Ou ainda à militância ateísta, que se destaca pela agressividade extrema enquanto, por outro lado, posa de intocável.

    Muito fácil é achincalhar, sob alegação de humor, a fé religiosa alheia, sabendo que não sofrerá maiores problemas que não a reação (compreensível) de alguns religiosos. Nada que sequer se aproxime do atentado ao Charlie Hebdo. Enfim, não passa ele e o resto da corja de um bando de covardes, metidos a intelectuais do lado dos “oprimidos”, valendo-se do desrespeito pelo desrespeito, dissimulando sua intolerância religiosa – por que não dizer, até, fundamentalismo anticristão – em peças rasteiras e estúpidas.

    • O texto dele não defendeu a liberdade de expressão, somente a liberdade de expressão para fazer chacotas com religiões e religiosos. Não se engane! Ele seria um dos primeiros a defender leis para criminalizar qualquer crítica ao governo PTista.

  14. Não vi nada de mais, a única coisa que o cara aí está fazendo é defender o ‘direito’ dele de fazer humor sensacionalista e chulo com a religião dos outros
    Como todo esquerdista, além de mentiroso ele é covarde:
    ‘Muitos (dentre os quais o pastor Marco Feliciano) já externaram o desejo de que o Porta dos Fundos “brincasse com islamismo pra ver o que é bom pra tosse”. Até nisso temos complexo de vira-lata: nosso fundamentalismo tem inveja do deles.’

    Eu também queria ver isso, e não é por inveja de nada mas sim pra que todo mundo veja como esse pessoal é covarde, como eles só humilham os cristãos porque todo mundo sabe que os cristãos não revidam.

  15. ‘o limite está no objeto do riso. Rir de quem está por baixo é covarde, rir de quem está por cima é corajoso. Deve-se rir do opressor, e não do oprimido.
    O problema é que essa resposta gera novas perguntas. Quem é o oprimido? Quem é o opressor? Muitas vezes, essa distinção não é clara.’

    Claro, vitimismo barato é o que essa raça mais gosta, eles não sabem viver sem isso.
    O dia que o vitimismo foi tanto que deu bug na matrix:

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