Paulo Moreira Leite: “A culpa é do Moro”

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Eles sempre encontrarão formas de superar seus próprios limites. Não, você não está diante de uma campanha da Nike. Falamos de Paulo Moreira Leite, colunista do Brasil247, que escreveu o texto “Escândalo pronto para servir”, uma peça bizarra que você pode ler a seguir:

Um dos aspectos mais curiosos da Operação Lava Jato reside em seu caráter totalmente previsível. Desde que, sob orientação do juiz Sérgio Moro, as primeiras prisões foram efetuadas e os primeiros depoimentos foram colhidos, já era possível adivinhar que o país iria assistir a uma operação-monstro, pré-destinada a fazer história pela quantidade de empresários e políticos denunciados.

Essa convicção prévia não se baseia em simples impressões nem se explica pelo conhecimento de testemunhos e provas reunidos nos últimos meses. Apoia-se num artigo publicado em julho de 2004, chamado “Considerações sobre a Operação Mani Puliti,” disponível na internet. Num texto de apenas seis páginas, escrito antes que Roberto Jefferson tivesse denunciado o mensalão que gerou a AP 470, quando a compra da refinaria de Pasadena pela Petrobrás sequer havia sido efetivada, Sérgio Moro deixa claro que há onze anos já estava decidido a repetir, no Brasil, uma operação semelhante a Mãos Limpas.

Nas palavras do jornalista Elio Gáspari, o primeiro a fazer uma ampla divulgação do documento, naquele artigo Moro “disse tudo.” Entenda-se o “tudo”: a partir da Mãos Limpas italiana, operação contra corrupção política realizada nos anos 1990, encerrada em ambiente de euforia com mais de 1200 condenações, Sérgio Moro define um modelo de trabalho para o futuro próximo e deixa claro que acha necessário repetir uma investigação semelhante no Brasil — a questão é encontrar a oportunidade.

Longe da postura equilibrada e distante que se espera de um juiz, ou mesmo de um trabalho acadêmico, o artigo de Sérgio Moro é um roteiro de agitação política. Transpira voluntarismo, pede ação e discute estratégias para atingir seus objetivos. O texto confirma que o conhecimento jurídico de Sergio Moro não merece reparos. O que se debate é o uso político que pretende fazer desse conhecimento — pois se trata de uma ideia em busca de uma chance de virar realidade, ou de um esquema mental à espera de um recheio.

Como ponto de partida, o juiz procura estabelecer várias semelhanças entre o Brasil e a Itália — recurso obrigatório para quem quer justificar a aplicação, aqui, do mesmo remédio que foi empregado por lá. Escreve:

“No Brasil, encontram-se presentes várias das condições institucionais necessárias para a realização de uma ação judicial semelhante. Assim como na Itália, a classe política não goza de prestígio junto à população, sendo grande a frustração pela quantidade de promessas não-cumpridas após a restauração democrática.”

Como sempre acontece numa situação descrita de forma tão clara, cabe perguntar se é assim mesmo. Até porque um diagnóstico tão definitivo sobre o sentimento da população (“grande frustração pela quantidade de promessas não-cumpridas após a restauração democrática”) resume uma visão frequentemente veiculada por comentaristas sempre nostálgicos do regime militar. A “grande frustração …após a restauração democrática” é um argumento essencial para justificar medidas anti-democráticas, não é mesmo?

Moro fez uma constatação que qualquer pessoa em sã consciência faria. Um sujeito que não dissesse o mesmo deveria ser questionado por sua falta de percepção de realidade, pois o Brasil de fato é um antro de corrupção estatal.

E observe essa parte aqui: “Sérgio Moro define um modelo de trabalho para o futuro próximo e deixa claro que acha necessário repetir uma investigação semelhante no Brasil — a questão é encontrar a oportunidade”.

Quer dizer agora que se você aguardar a oportunidade de cuidar de um caso de grandes proporções, isso invalida as provas encontradas nas investigações deste caso?

Observe esse trecho então: “Longe da postura equilibrada e distante que se espera de um juiz, ou mesmo de um trabalho acadêmico, o artigo de Sérgio Moro é um roteiro de agitação política.”

Não diga, Paulo Moreira? E que tal Dias Toffoli falando a favor do financiamento público de campanha, que é uma agenda petista? Acho que é bem fácil encontrar juízes emitindo opiniões sobre a política pública. Além de juízes constatando os fatos, como é o caso de Moro.

Moreira tenta um truque já manjado: pedir que jornalistas sejam imparciais em seus julgamentos (mesmo que isso seja impossível) e até que juízes não possam opinar sobre o cotidiano (o que jamais aconteceu). A partir desse critério, ele aplica um julgamento sobre um adversário que, se fosse igualmente aplicado a qualquer um da turminha dele, faria com que todos os juízes do STF indicados por Lula e Dilma tivessem que ser desclassificados à partida.

É assustador ver Moreira reclamando de Moro por que ele “transpira voluntarismo, pede ação e discute estratégias para atingir seus objetivos”.

Atenção, atenção: Moreira não quer mais juízes voluntariosos, com desejo de agir e pensando que certas ações de larga escala precisarão ser tomadas diante do mundo do crime. Isso, aliás, explica muita coisa.

Não podia faltar a acusação torpe e canalha, ao dizer que quando Moro menciona “grande frustração pela quantidade de promessas não-cumpridas após a restauração democrática” adota uma visão frequentemente veiculada por defensores da intervenção militar. Nada mais falso, pois é uma visão compartilhada por intervencionistas e não-intervencionistas, direitistas e esquerdistas. Só não é compartilhada por petistas. Até alguns de suas linhas auxiliares (especialmente o PSOL) compartilham desta visão.

Moreira deveria lavar a boca com sabão antes de atacar o Sr. Sérgio Moro, que tem feito um trabalho seríssimo e irrepreensível. Se um dia Moro teve um sonho de ajudar o Brasil a se livrar de corruptos em escala industrial (como na Operação Mãos Limpas na Itália), isso se materializou a partir de um trabalho até agora irretocável.

Tão irretocável que a única falha encontrada por Moreira, na patética tentativa de defender o PT, é dizer que o responsável pela investigação tinha desejo de longa data de atuar em uma operação de larga escala.

Que coisa fantástica, não?

Se a moda pega, é capaz de auditores serem desqualificados mesmo fazendo um trabalho irrepreensível, só por terem desejado um dia atuar em auditorias de grande porte, e estarem descobrindo falcatruas em escala industrial.

Na visão distorcida dessa gente, o problema não está nas evidências aparecendo para queimar o filme dos governistas, mas no desejo de um juiz, um investigador ou um auditor em encontrá-las.

E o mais incrível é que essa figura escreve um texto assim aparentemente sem o menor traço de constrangimento.

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15 COMMENTS

  1. E se fizessem uma Operação Mentes Limpas constatariam que esse sujeito tem um bostalhão enroscado dentro da caixa craniana no lugar do cérebro!

  2. Luciano, pessoas que ficam “constrangidas” têm SUPEREGO, às vezes sentem CULPA, essas coisinhas fora de moda. Essa figura patética é antiga na batalha podre que os orcs petistas promovem há décadas. É sempre o mesmo discurso, as mesmas falácias, a mesma FALTA DE PUDOR. São almas doentias, são psicopatas de carteirinha; não são metamorfoses ambulantes, são metástases em progressão geométrica, fruto de longa lavagem cerebral, que prossegue, ainda, em doses cavalares, corroendo a sanidade que restou no país.
    Oriana Curitiba

  3. Não é sem motivo que OdC se referia a esse sujeito como Paulo Moleira Leite.
    Eu sempre me sentia constrangido ao ler seus textos na revista Época e cheguei
    a comentar alguns, devido aos absurdos escritos…!
    Grande abraço Luciano, deve ser muito difícil pra você ter que parar de vez em
    quando o seu trabalho para ter que fazer exame nas fezes produzidas pelos esquerdistas!

  4. Luciano, passei o dia lendo os comentários de argentinos sobre esse incidente assombroso na Argentina, o assassinato do promotor que acusava Cristina Kirchner de cumplicidade com os iranianos.
    Pois bem, entre os defensores da Louca de Buenos Aires, percebi que o discurso e o modus operandi são EXATAMENTE IGUAIS aos usados pelos petistas aqui no Brasil. Uns dizem que o promotor estava a serviço da CIA, outros sugerindo que quem desconfiasse do envolvimento do governo no caso deveria ser calado, outros afirmando que toda a operação montada por esse promotor era uma tentativa de golpe de estado, outros culpando o Clarín e a imprensa de direita pela situação. Sério, sabemos que o discurso da esquerda é o mesmo em todo lugar do mundo, mas a semelhança mostrada entre os kirchneristas e os petistas é absolutamente assombrosa.

  5. Acredito que se o PT levar em frente essa regulação econômica da mídia (censura) apenas peças patéticas como a do sr. Moreira poderão ser lidas. O texto é simplesmente ridículo, só poderia ter sido publicado no Brasil247, ou 6x de 40.000.

  6. Resumindo o texto do Paulo Moleira…. Ele gasta quatro parágrafos com retórica e, talvez, um ad hominem; em seguida usa uma declaração do juiz para associá-lo a ditadura militar, pedindo que o juiz negue um fato, por que dizer a verdade serviria ou estaria associado a nostálgicos da ditadura.

    • É maaaaais ou menos como uns afetados (e não to falando de afetado de comportamento afeminado, é afetado de cérebro afetado mesmo) que vi no facebook (e excluí, inclusive) após a entrevista do William Bonner com a Wilma dizendo “esse Bonner é um fdp, onde já se viu, falar com nossa presidenta assim?”
      Que preguiça da porra, alguém manda eles pararem porque tá ficando chato já…

  7. Luciano, lembra-se daquele attention-whoring coletivo chamado Toplessaço? Pois bem, eis que foi repetido agora e ficou na base da história que vira farsa. Se naquela ocasião foram 8 mil confirmações e na hora todo mundo amarelou menos oito, agora foram 177 confirmadas com dez participações. OK, a amarelagem diminuiu em números percentuais, mas as confirmações diminuíram em números absolutos. Se observar, esteve na ocasião a mesma mulher que ficou conhecida naquela ocasião, mas agora também houve attention-whoring inclusive de algumas mais famosas, como a Mulher Melão.

    Logo, como se pode observar, não só não serviu como “transferência de ativos” da Marcha das Vadias como agora virou mais uma daquelas coisas que ficam soando como se tivéssemos criancinhas que fazem birra por saber que os adultos por perto não irão espancá-las ou sequer irão prestar atenção à birra feita. Destaque para o título que o Terra usou, em que dizem que elas fizeram isso “por liberdade”, que para marxistas-humanistas-neoateístas ou propagadores inconscientes de gramscismo que queiram pagar de rebeldes significa apenas e tão somente ficar fazendo coisas tresloucadas, em que os primeiros sabem que avança o marxismo-humanismo-neoateísmo e os segundos só ficam mesmo chamando atenção para si próprios.
    Do jeito que está a coisa, vai acabar virando mesmo folclore urbano, tipo aqueles louquinhos de estimação que toda cidade tem e que não fazem mal a ninguém.

  8. Paulo Mãe-dadeira-de Leite (perdão, não consigo evitar): volta lá pra mamar, melhor do que ficar escrevendo esse monte de lero lero pra vaca dormir hein… mas tá certo, vaca tem que dormir bem pra poder dar leite bom.

    PS: e mais um episódio da série Minha Chefe Esquerda Caviar, dessa vez em tempo real. Adivinhe o que ela está falando nesse exato momento? Falando BEM da regulação de mídia, risos. Isso porque a mesma é JORNALISTA, hein? Felizmente creio que estou pra sair desse estágio aqui pois acho que arranjei um melhor… torçam por mim, pra que lá não hajam esquerdas caviares.

  9. Trecho do artigo escrito por Moro não mostrado na reportagem de Moreira Leite: “Talvez a lição mais importante de todo o episódio seja a de que a ação judicial contra a corrupção só se mostra eficaz com o apoio da democracia. É esta quem define os limites e as possibilidades da ação judicial. Enquanto ela contar com o apoio da opinião pública, tem condições de avançar e apresentar bons resultados”. Não preciso falar mais nada sobre a acusação de apoio a golpe militar… jornalistas desse “partido”, quando tentam defende-lo, são patéticos.

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