Argentina, um país místico: Cristina já tem certeza que Nisman se suicidou, mesmo que não exista pólvora nas mãos do promotor

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Esses bolivarianos continuam cada vez mais nos surpreendendo. Assim como os norte-coreanos atribuem poderes místicos aos seus líderes, a coisa já caminha assim na Argentina.

Enquanto um perito da polícia forense precisa fazer um longo curso, desenvolver certas habilidades e, mesmo assim, não dá diagnósticos imediatos, Cristina Kirchner é bem diferente: sem qualquer curso de perícia, ela consegue saber de imediato que o promotor Nisman se suicidou. Para ela, é “case closed”. É um dom sobrenatural, no mínimo.

Leia a matéria do Brasil247:

Em longa carta publicada no Facebook, a presidente Cristina Kirchner rebate rumores sobre a morte do promotor Alberto Nisman e afirma que se trata de um suicídio.

Cristina questiona o fato dele ter antecipado sua volta das férias e ter deixado suas filhas, menores de idade, sozinhas na Espanha; e a publicação sequencial de capas do jornal “Clarín” sobre a denúncia de Nisman.

Sobre a denúncia feita por ele na semana passada, afirma que ela busca “desviar, mentir, encobrir e confundir”; mas afirma que seu governo reabriu as investigações, canceladas em 2000 por suspeita de encobrimento de militares.

Resumo da ópera. Para Cristina Kirchner, o falecido Nisman era mentiroso, acobertador, dissimulado e desonesto.

Talvez por isso ele tenha se suicidado, certo?

Em seguida, o UOL noticia que não havia pólvora nas mãos do promotor:

Buenos Aires, 20 Jan 2015 (AFP) – A promotora argentina que investiga a morte de seu colega Alberto Nisman, encarregado do caso do atentado antissemita em Buenos Aires em 1994, voltou a mencionar nesta terça-feira a tese de suicídio, apesar de os exames não terem encontrado pólvora nas mãos do falecido.
“O resultado do varrimento eletrônico da mão de Nisman lamentavelmente deu negativo, mas não é um resultado inesperado”, declarou Viviana Fein.

A funcionária recordou que o varrimento eletrônico é apenas um dos testes que se faz para tentar achar resíduos de pólvora.

No entanto, em caso de armas de pequeno calibre como a 22 que, segundo a investigação, causou a morte do promotor, a quantidade de resíduos de pólvora pode ser tão ínfima que elimina resultados positivos.

“Isso não descarta que tenha disparado contra si mesmo. Isso não descarta nada. O resultado da necropsia confirmou de maneira categórica que não havia uma terceira pessoa no local que tenha disparado”, afirmou Fein.

A promotora indicou que ainda é preciso esperar pelos testes de DNA do sangue que havia na arma e no chão do banheiro de seu apartamento.

A Argentina acordou na segunda-feira chocada com a morte de Nisman, o procurador que acusou a presidente Cristina Kirchner de acobertar o Irã no caso do atentado de 1994 contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), em Buenos Aires.

Os resultados preliminares da necropsia feita no corpo do promotor, encontrado morto em seu apartamento com um disparo na têmpora direita, apontam para a hipótese de suicídio, informou o Ministério Público.

Por que foi usada a expressão “lamentavelmente” ao se referir que o resultado do varrimento eletrônico da mão de Nisman deu negativo? Aliás, é surpreendente como já descartaram a hipótese de haver outra pessoa no recinto. E se essa pessoa usou pantufas e luvas?

Mas a bola de cristal deles não erra uma.

E eis que um tal Atilio Borón, acadêmico da área de humanas (os bolivarianos adoram esses) já tem outra tese: quem matou Nisman foi a CIA, ou o FBI. Ou ambos…

Leia, conforme o Pragmatismo Político:

O governo de Cristina mantém relações frias com Washington há anos, uma ligação que se enfraqueceu ainda mais quando Buenos Aires se aproximou do Irã.

“Tudo isto que aconteceu é muito raro, não vamos cair em teorias conspiratórias, mas também não seremos ingênuos ao tentar entender as coisas que estão em jogo”, afirmou Atilio Borón, pesquisador universitário e ex-secretário da CLACSO (Conselho Latinoamericano de Ciências Sociais).

“A primeira coisa a se fazer é responder esta pergunta, quem sai muito prejudicado com este fato? Indubitavelmente é o governo argentino”, acrescentou Atilio Borón em declarações concedidas nesta segunda-feira a uma emissora portenha. TVs, rádios e sites modificaram sua programação para dedicar atenção total ao crime do ano.

Um dos apresentadores estatais do grupo Clarín afirmou estar quase certo de que o promotor foi assassinado para evitar que prejudicasse Cristina. Com linguagem demagógica, argumentou “nas ruas todo mundo diz que Nisman foi assassinado”.

Se os partidos de oposição não demonstraram capacidade para formar uma aliança forte, os partidos de fato têm capacidade para criar um estado de angústia nacional e semear um clima de desestabilização. Possivelmente, o partido da mídia, junto à corporação jurídica, sejam as forças mais hostis à Casa Rosada.

Durante o fim de semana, os jornais tradicionais publicaram com grandes manchetes o anúncio do promotor Nisman sobre as revelações que faria nesta segunda-feira no Parlamento. No Clarín, publicou-se uma notícia sobre o “fim de um ciclo” iniciado em 2003 pelo ex-presidente Néstor Kirchner, continuado por sua esposa e atual chefa de Estado.

Dezenas de papéis revelados pelo Wikileaks mostraram que o promotor Albert Nisman se reunia frequentemente com representantes do governo norte-americano, a quem consultava sobre como levar adiante o processo pelo atentado terrorista contra a entidade judaica em 1994 em que houve 85 mortos e 300 feridos. Os agentes da inteligência norte-americanos repetiam regularmente que Nisman deveria acusar o Irã.

“Não é preciso seguir a pista síria, nem as conexões locais [dos terroristas] porque isto pode enfraquecer as acusações contra os iranianos”, disseram agentes do FBI consultados por Nisman, segundo um dos papéis obtidos pelo Wikileaks.

Santiago O Donnell, editor do jornal Página12 e autor de um livro baseado em informações do Wikileaks, afirmou que a Embaixada dos Estados Unidos estava muito preocupada com o curso da investigação do atentado contra a AMIA, e que o assunto aparece em 196 comunicações da missão diplomática norte-americana.

O acadêmico Atilio Borón argumentou que Nisman não era um promotor apegado a normas jurídicas, mas um elemento que operava politicamente segundo ordens de Washington.

“Ele ia regularmente à Embaixada receber instruções do FBI, da CIA e… com essa gente pesada não se brinca, eles em qualquer momento podem decidir eliminar alguém que tenha ajudado, mas que já deixou de ser útil”, disse Borón. Do seu ponto de vista, ainda não se pode saber se Nisman se suicidou ou se foi assassinado, e convém ter como uma das hipóteses que Washington o tenha porque não tinha prova para fundamentar suas denúncias.

“Isto que aconteceu com Nisman não pode ser analisado como uma questão local… poucas horas depois de ele aparecer morto houve um comunicado do governo de Israel.. tudo isso acontece 10 dias depois do atentado em Paris contra a Charlie Hebdo, 9 dias depois dos ataques ao supermercado judeu de Paris”.

“Esta morte se insere em um marco mais amplo que é o que alguns comentaristas chamam como a grande guerra do ocidente contra o Islã”, afirmou Atilio Borón.

Aliás, o discursinho de “partido da mídia” (seria a oposição) é algo que vocês tem ouvido em uma outra aldeia latino-americana, certo?

Mas é exatamente assim que as notícias são passadas em um país com censura de mídia. Uma hipótese como a de Atilio Borón é levada a sério.

Melhor seria (e menos cínico) se ele apelasse aos espíritos…

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15 COMMENTS

  1. Por que foi usada a expressão “lamentavelmente” ao se referir que o resultado do varrimento eletrônico da mão de Nisman deu negativo?

    Simples.

    Chama-se raciocínio desiderativo.

    Vamos acompanhar, se não houver censura, esse déja vu do caso Toneleiros da dé ada de 50 e que acabou com o fim de Vargas.

  2. “O resultado da necropsia confirmou de maneira categórica que não havia uma terceira pessoa no local que tenha disparado”. Ora, uma necropsia é um procedimento médico que consiste em examinar um cadáver para determinar a causa e modo de morte, ou seja, fala das lesões ou patologias associadas à morte. Acabou aí. Como então a necropsia, que investiga diretamente o cadáver e não o ambiente, pode “confirmar de maneira categórica” que não havia ninguém no local? Bem, posso especular que não acharam sangue estranho no local, mas, mesmo assim, se tivessem achado só um tipo de sangue no ambiente, o sangue do promotor, seriam necessários alguns dias para a confirmação laboratorial (DNA). De qualquer maneira,quem investiga a cena do crime, para tentar montar a cena toda através de evidências científicas, é a perícia criminal, não a necropsia. Já estão querendo definir o crime antes das investigações. Só falta dizerem que o promotor se suicidou com três tiros na cabeça ou com dez facadas nas costas!

  3. Essa é a única forma de poder esses anedóticos informativos de mídia. À excessao do UOL e do OI, jurei que não clico mais em nenhum deles.
    Melhor vê-los desmascarados aqui.
    Só gostaria que aumentasse a audiência do CP.
    Faço a divulgação que posso.

  4. A perícia não encontrou pólvora nas mãos de Nisman.
    Então Cristina Kirchner ordenou uma 2ª Perícia, que tem o objetivo de refutar a perícia anterior, e afirmar que “a arma é especial, e não deixa resíduos de pólvora nas mãos do usuário”. (Sim, isso está acontecendo)
    http://www.clarin.com/politica/Nisman-AMIA-muerte_del_fiscal_Alberto_Nisman-peritaje-arma_0_1288671425.html
    Bem vindo à Argentina, um estado totalitário bolivariano que assassina opositores políticos publicamente, no melhor estilo de Stalin.

  5. É, véi… qualquer semelhança com o caso Celso Daniel é pura coincidência?

    (esse já ouvi até da minha chefe Esquerda Caviar, quem diria, dizendo que é óbvio que foi o partido suspeito que ordenou esse crime – e mesmo assim continua adorando esse partido, vai entender)

  6. Essa vagabunda tem cara de vilã de novela do SBT, não mexicana, e sim aqueles remakes que eles mesmos tentam produzir e são horríveis.
    E como em boa novela mexicana, a vilã é mandante de crimes de assassinato… quem acha que foi a Biscatina Kitchen põe o dedo aqui que vai fechar?

  7. Na Indonésia você morre se você trafica drogas (mas não morre se você mata, ou se é australiano).
    E na Argentina você morre se é contra a Biscatina.

  8. Ninguém, em são consciência, atentaria contra a própria vida com uma “.22”:
    A munição é muito pequena e corre-se o risco de ficar agonizando um bom tempo…

    Lembro ainda que este calibre é o preferido dos assassinos profissionais, a serviço ou não de Governos: Quase não faz barulho além de ser muito perfurante. E tiro na cabeça, é o método preferido destes.

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