João Santana mandando a real. E vai doer. Mas é preciso. É parte do aprendizado.

34
186

joaosantana

Pode ser reconfortante achar que o PSDB só perdeu por “urnas fraudadas”, quando na verdade teve uma derrota merecidíssima. Enfim, veja alguns trechos de matéria do Globo, Livro sobre João Santana mostra táticas que marqueteiro adotou para desestabilizar adversários de Dilma:

RIO – “Os candidatos são tão humanos e muitas vezes mais frágeis do que o eleitor. Ninguém gosta de levar porrada. Ou se enfurece e reage, ou se quebranta”.

Que o digam Marina Silva e Aécio Neves. Contra o ex-governador de Minas, o marqueteiro João Santana — autor da análise acima — saiu-se com acusações de nepotismo em 2014, quando Santana fez a campanha do PT. O tucano acabou chamando Dilma Rousseff de “leviana”, no que se voltou depois contra o próprio Aécio: o PT passou a insinuar que, com isso, o senador teria mostrado que era agressivo com mulheres. Já Marina levou porque chorou — virou aquela que não aguenta a pressão, e onde já se viu isso numa candidata a comandar o país. As estratégias para a reeleição de Dilma — quando Santana, então, passou a ter em sua conta a vitória de sete presidenciáveis — estão em “João Santana: um marqueteiro no poder”, de Luiz Maklouf, que chega nesta sexta-feira às livrarias, pela Record.

Na avaliação do marqueteiro e jornalista, o pensamento de que quem bate perde eleição é falso, pois perde é quem não sabe bater ou se defender. “A política é, ao mesmo tempo, a sublimação e o exercício da violência”, diz.

[…]

Em determinados momentos, “é mais tático você influenciar os adversários do que o eleitor”, resume Santana. E desestabilizar a concorrência foi o objetivo com os ataques, por exemplo, a Marina Silva. Quando ela assumiu a cabeça de chapa do PSB, após a morte de Eduardo Campos — e as pesquisas passaram a fazer de Marina uma rival a ser batida —, o marqueteiro a avaliou e deu o diagnóstico: ela tinha “queixo de vidro”. Mas, garante ele, o embate foi “100% político e 200% programático. (…) Marina não revidou ou por ingenuidade, ou por fragilidade teórica, ou por soberba. Talvez mais por soberba”.

[…] foi Santana o primeiro na campanha petista a dizer que não seria Marina a companhia de Dilma no 2º turno, mas, sim, Aécio. E o queixo mineiro não era de vidro; contra ele, argumentou o marqueteiro, a presidente tinha de ser mais propositiva. Os ataques mais duros ao senador, que havia perdido para Dilma em sua própria terra no 1º turno, viriam no final: “a ação negativa (contra Aécio) deveria ser feita em ‘ondas superconcentradas’ (…). Ou seja: escolher determinados dias e temas para superbombardeios”. Foi assim que os brasileiros começaram a ouvir, sobre Aécio, que “quem conhece não vota”.

“Aécio quis se fazer de vítima e de superior (…). Chegou a lançar um slogan ridículo e inócuo: ‘A cada ataque, uma proposta’. Isso não produziu nem defesa, nem proposta”, diz Santana.

Há momentos de dureza na abordagem adulta da política, e um desses momentos ocorre quando somos chamados ao despertar por adversários que, chegando até a ter pena do nível de incompetência alheia, dão algumas dicas.

Isso chega a lembrar uma cena do filme Indiana Jones e a Última Cruzada, onde um inimigo do jovem Indiana Jones lhe diz: “Ok, você perdeu essa, mas não precisa gostar de perder!”.

Às vezes é desagradável ouvir coisas assim, mas elas são úteis para o amadurecimento.

Claro que Santana fantasia ao negar que a campanha do PT fez uso profissional da baixaria. Mas está certíssimo ao dizer que a campanha do PSDB fez uso amador da mediocridade, conforme outra matéria, do Brasil247:

É mentira que nossa campanha tenha feito uso profissional da baixaria. Mas é verdade que a dele fez uso amador da mediocridade.

Eu complementaria melhor: a campanha do PT só fez uso profissional da baixaria por ter sido levada à isso pelo uso amador da mediocridade da campanha do PSDB.

Uma campanha que retruca assassinato de reputações com musiquinhas é patrocinadora da violência adversária. É a dinâmica do mundo animal, mais do que da guerra política.

E quanto à campanha de Marina? Esta também foi uma decepção, digna de vergonha eterna. Santana diz:

Marina não revidou as nossas críticas ou por ingenuidade, ou fragilidade teórica ou por soberba.

João Santana precisa de adversários que valorizem suas vitórias. Ele talvez esteja chateado por não ter feito o PT ganhar essas eleições. Na verdade, quem perdeu foi a campanha do PSDB. E a da campanha do PSB/Rede.

Em tempo: o que João Santana disse não é nada que você já não tenha lido à exaustão neste blog, certo?

Anúncios

34 COMMENTS

  1. João Santana é um gênio, isso é inegável. E os marketeiros do PSDB nas quatro últimas eleições presidenciais não deveriam ter permissão nem para fazer propaganda de um açougue.

    • Um gênio? Para mim é a mesma coisa que colocar para lutador amador contra um franzino que não tem a menor noção de luta.
      Onde está a genialidade em lutar contra um adversário que nem sequer está lutando?

    • Não é gênio nem sequer da lâmpada. Os marketeiros dos outros é que eram uns incompetentes, como Luciano deixou bem claro no penúltimo parágrafo. Espero que sirva de lição ao PSDB para contratar quem realmente esteja afim de brigar, não de lançar musiquinhas tipo aquela irritante “agora é Aécio…” no ritmo de uma da Ivete Sangalo. Ô coisa horrorosa.

  2. Lembra de Madagascar 2, Ayan? Tem aquela cena que o leão bailarino Alex, instruído pelo rival dissimulado de seu pai, o traíra Makunga, acha que está vai disputar um torneio de dança com um leão gigante chamado Tytsa. Parecia a campanha do PSDB:

    • Não é “se rebaixar”, mas jogar o jogo no mesmo nível. Se um adversário te ofende com mentiras, você tem que chamá-lo de mentiroso. Isso não é se rebaixar, mas exigir respeito. Ao começar com musiquinhas diante de ataques, foram Aécio e Marina que deram a senha para o PT ir para a baixaria.

      • O povo não gosta e não apoia quem é politicamente correto, o resultado esta ai, perdemos a eleição, como postou o Leonardo, tem que se enfrentar com sangue nos olhos, dedos em riste, a oposição tem que fazer uma analise muito profunda dessa derrota, saber de fato que o inimigo é ardiloso, e tem a máquina nas mãos, ou se entregar de vez.

    • Xiii… então você deve ter ficado bem satisfeito com o que viu. O negócio é uma DISPUTA, uma GUERRA, e você vem querer que haja bom mocismo, gentileza, delicadeza, boiolagem, apanhar mas oferecer a outra face pra bater?

      Era a eleição pro cargo mais importante do país, não um concurso de Miss.

      Marina só vi agindo com sangue nos olhos uma única vez, quando o Bonner cortou o tempo, ela ignorou e continuou atacando a Dilma. Essa FÚRIA era preciso ser potencializada muito mais, vontade de chegar lá metendo voadora com palavras naquela podreira.

      Aécio foi melhorzinho graças a ELE PRÓPRIO nos debates, e não os marketeiros. Esses marketeiros não saberiam vender água no deserto.

  3. João Santana não só ganhou como, agora, com essa entrevista, esculachou. Não existe ainda oposição séria ao PT e sua máquina estatal. Os próximos quatro anos devem servir para pelo menos construir o embrião dessa frente. Até lá, é torcer para o país não ir pro buraco de vez.

  4. Pode até ser um gênio, mas um gênio do mal. E esqueceu-se de dizer que sua propaganda foi totalmente enganosa. Sua candidata é uma fraude. Dizer que sua campanha foi torpe é usar de eufemismo. Esse cara não deveria ser elogiado e sim execrado, pois é um crápula.
    Ah, e houve fraude nas eleições, sim. Sem isso dilma não ganharia.
    .
    Mas é claro que a oposição tem MUITO o que aprender sobre campanhas.

    • Concordo com o Bruno. Ele registrou bem o que sinto ao ver elogios tecidos à pessoa que no uso de sua inteligência contribuiu para que estejamos nesta pocilga.

      Me lembrou um pouco certo jogador de um grande time carioca que se envolvia com o tráfico mas que, por ser um bom jogador, ninguém ligava para esse “lado negro” de sua personalidade.

      Geniais, como este marqueteiro foram Napoleão, Hitler, Stálin e tantos outros “grandes” nomes cuja lembrança só trará à memória o mal que causaram.

      Com certeza, o bom currículo dele ainda vai lhe garantir muitos milhões. Não posso nem desejar que um dia essa pessoa sofra as acusações de uma consciência pesada, porque pessoas como ele não têm consciência.

      Quero deixar claro que meu comentário não foi criticar a matéria em si. De fato, ela focou acertadamente nas táticas da guerra política que foram usadas e não usadas na campanha de 2014, embora eu, também como o Bruno, não acredite que, mesmo que os marqueteiros do PSDB fossem estrategistas tão geniais quanto Sun Tzu, eles ganhariam estas – ou quaisquer outras – eleições enquanto os resultados dependerem da Smartmatic e das tais urnas eletrônicas e enquanto o PT for quem conta os votos.

      • Erreve,

        Aí é que está. Você citou vários líderes mundiais que contaram com ótimos estrategistas de marketing. Porém, esses estrategistas de marketing foram retrucados com PÉSSIMAS estratégias de marketing. O que o Santana fez é apenas um serviço, e o fez bem executado. Enquanto isso os marqueteiros do PSDB fizeram um serviço lixo.

        Eu acho que nós não devemos recusar o uso da boa estratégia, mas abraçá-la.

        Quanto à Smartmatic, até pode ser ocorrido fraude. Mas o PT não precisava, pela campanha que fez…

        Abs,

        LH

    • E venceu a eleição. No final, é pra isso que ele é pago (com dinheiro nosso), e faz o serviço dele direito.

      Não acho que ele seja do mal e coisa do tipo, ele só faz de tudo pra ganhar eleição e ele é bom no que faz.

      • Ele ajudou um partido totalitário a se manter no poder, apelando para as baixarias mais sórdidas. Se isso não é ser do mal, não sei mais o que é.

  5. João Santana não é um gênio, porém é gênio diante de um povo medíocre, onde os apelos para conquistar a mente dessas pessoas, qualquer partorzinho, de uma mini igreja sabe como fazer . Ganhou por ter trabalhado para canalhas ultra determinados, que tinham a vantagem de quererem, vigorosamente o “poder pelo poder”. Disputou contra um adversário romântico, a Marina, e um outro adversário, o Aécio, que não passou para o público uma real indignação. Aécio demostrou, com aquele eterno largo sorriso cheio de dentes, estar muito bem com sua própria vida. O Luciano Ayan sintetizou perfeitamente : ” Na verdade, quem perdeu foi a campanha do PSDB. E a da campanha do PSB/Rede”. O João Santana não é um gênio. Nós é que somos idiotas

    • Você falou de um ponto que ainda eu não havia pensado e que, de fato, faz muita diferença e faz as pessoas se identificarem mais com o candidato, a justa indignação, no único debate que o Aécio ganhou de lavada foi justamente aquele em que ele mostrou toda a sua capacidade de se indignar, oi seja, no da BAND.

      As pessoas parecem se identificar nais quando o adversário, a exemplo da Luciana Genwho, demonstram que de fato eles crêem em tudo aquilo que pregam, além de se identificar com a indignação do próprio povo.

  6. Mas cansei de postar que o inimigo era desleal, sujo e maquiavélico, que tínhamos que jogar com as mesmas armas dele, e deu no que deu, perdemos para a corja que sabia muito bem como manejar as pedras, e como disse o Luladrão, somos capazes de tudo e foram!!!

  7. Se a eleição foi legítima, vale essa argumentação e a derrota foi de fato merecida, onsiderando a campanha de Aécio.
    .
    Mas se considerarmos que houve uma apuração secreta conduzida por um ex-funcionário do PT, existe a possibilidade de Aécio ter vencido a despeito dos erros de campanha. Outros fatores podem ter levado a essa possível vitória.

    Pena ser muito improvável que a fraude, se houve, possa ser comprovada. Melhor mesmo é seguir com pautas mais realistas.

    • Daros,

      Se a fraude não tem como ser testada, é muito difícil se ancorar em sua possibilidade. Devemos então questionar quem não agiu politicamente antes para impedir que as eleições fossem puramente digitais. E nós, que não pressionamos, temos a maior parte da responsabilidade. Os partidos de oposição também teriam uma parcela de responsabilidade.

      Abs,

      LH

  8. Além das musiquinhas cretinas , os idiotas da marketagem tucana repetiram à exaustão aquela piada besta de trocar a carne pelo ovo… Troço chato , cansativo , infantiloide…A campanha se ancorou naquela besteira e terminou perdendo o Norte…
    A corja nazipetista se enfrenta é com sangue nos olhos e dedo em riste ..Sem mimimi , com coragem e com muita indignação.

    • Olha, Leonardo, aquele negócio de carne pelo ovo foi até uma ideia legal, mas parou por ali. O ideal é que eles usassem aquilo como gancho para demonstrar o PT como insensível, inimigo dos pobres, etc.

      Mas ficou só na piadinha. Aí não ia dar certo mesmo.

      Abs,

      LH

  9. O problema de jogar o mesmo jogo do PT é a questão ética. Seria como se os americanos começassem a cortar cabeças de muçulmanos civis para lutar contra o estado islâmico.
    Oque a oposição poderia fazer sem duvida é desconstruir os argumentos petistas. Com um ar bem didático, poderiam desfazer mitos como fim da divida externa, autossuficiência em petróleo, etc. Falar que os milhões de pessoas que saíram da miséria segundo o PT continuam morando em favelas e cortiços, com esgoto a céu aberto na porta e mal sobrevivendo, que só não são miseráveis por que ganham 70 reais por mês.

  10. MARQUETEIRO DO DIABO?

    Quem não se lembra do “Advogado do Diabo”?

    Existe alguma semelhança entre ser advogado de bandido do mensalão e ser marqueteiro de bandido de eleição?

    Resposta: ser marqueteiro é pior, pois você está defendendo que novos crimes sejam realizados.

    Há muito tempo tive matérias de marketing num curso de Administração e já reparara que a profissão exige “estômago”. Bom, sobre defender certas causas, aceita quem é imoral o suficiente para isso. E quanto mais familiarizado o sujeito está em tal meio, mais imoral ele se mostra. A desenvoltura com a qual o sujeito fala em sua entrevista não difere da dos delinquentes do tráfico – que já “fizeram o diabo” na vida – quando confessam seus crimes.
    Lá pelas tantas ele tenta – sem sucesso – dizer que sua atividade não foi imoral, que a campanha não foi imoral… Mentir deliberadamente, adulterando notícias, criando factoides, mentindo sobre as próprias pretensões de sua candidata… tudo isso não é apenas uma postura antiética. É uma postura CRIMINOSA!

    Mesmo assim eu sou bastante cético com relação a esses marqueteiros de eleições. O limite natural deles seria um povo bem instruído e educado. Quanto mais ele praticava suas imoralidades contra os adversários, mais ódio eu tinha do PT. No limite, mais eu repudiava sua cliente. Ainda hoje não suporto olhar para a cara da cliente dele nem ouvir sua voz. O cinismo exalado na atmosfera me é algo insuportável. Ser candidato realmente não é para qualquer um. Para um sujeito minimamente estudado, que sabe o significado da palavra “leviana”, Aécio foi até ELEGANTE em seu protesto. Ela merecia uma agressão pior – talvez impublicável. No fim, marqueteiros são sempre eficientes com os mais ignorantes. E o que esta matéria nos mostra é que, na guerra política, a imoralidade pode ser uma arma bastante eficiente.

    Up yours, João Santana!

  11. Canalha tem em todo lugar, como este marketeiro. O problema é quando setores da sociedade, inclusive esta imprensa doente, entende válido, ético, admissível e publicável este tipo de exemplo que denota o nível de baixeza destes que estão a nos representar.

  12. Concordo que houve incompetência do PSDB e não dá para querer culpar a fraude nas urnas e não é uma pauta para ser enfrentada nesse momento em que precisamos da vitória do Eduardo Cunha para nos salvar por mais algum tempo da maldição petista, mas queria deixar um relato aqui sobre urnas inauditáveis.

    O que o Papai Noel tem a ver com o processo eleitoral brasileiro e o problema de termos urnas inauditáives?
    Imagine a seguinte situação:
    1 – que os nossos votos fossem em papel e que após votarmos colocássemos esse votos em uma urna e entregássemos essa urna para que os votos fossem contados pelo advogado do governo, que, no caso, é o advogado do PT;
    2 – para fazer essa contagem, esse advogado do PT contrata uma equipe venezuelana, que é suspeita de ter fraudado as eleições na Venezuela e que foi expulsa dos EUA também por suspeita de fraude;
    3 – a apuração desses votos é feita pelas pessoas acima de forma secreta e, ao finalizarem a contagem, esse pessoal simplesmente queima todos os votos;
    4 – assim, com votos contados secretamente e, posteriormente, queimados, o advogado do PT te apresenta o resultado da eleição, na qual, surpreendentemente, quem ganhou foi o partido dele, qual seja, o PT;
    5 – você reclama para o TSE que não pode recontar os votos e o TSE diz que, embora o processo eleitoral seja inauditável, o sistema acima é seguro e confiável.
    Conclusão: se você acredita que o sistema inauditável de votação no Brasil é seguro e confiável, você está muito perto de acreditar em Papai Noel, ou melhor, você realmente acredita em Papai Noel.

Deixe uma resposta